terça-feira, 27 de outubro de 2015

A minha estante | 1984

Há livros que eu tenho medo de ler porque as minhas expectativas estão para lá de altas. Um desses livros era 1984, de George Orwell (pseudónimo de Eric Arthur Blair). Não consegui resistir mais e devorei-o em dois dias. As minhas expectativas estavam altas mas consegui ficar positivamente surpreendida. Tornou-se, com facilidade, um dos meus livros favoritos. Por isso torna-se difícil falar dele, porque é sempre mais difícil falar em público do que é pessoal para nós.
Em 1984 conhecemos uma sociedade distópica, em que o Estado, na figura do Big Brother (O Grande Irmão), controla tudo e todos. O mundo divide-se em três mega-blocos:Oceânia, Lestásia e Eurásia. A sociedade da Oceânia divide-se no Partido Interno, o Partido Externo e os Proles. Todos os cidadãos, excepto os proles (a maioria da sociedade, com nenhuma educação e que por isso não são uma ameaça ao governo), são vigiados durante todo o dia, através dos telecrãs que têm em suas casas ou através dos espiões que estão por todo o lado. Desde cedo as crianças são ensinadas a denunciar tudo à Polícia do Pensamento e são inclusive encorajadas a denunciar os próprios pais se estes tiverem um comportamento suspeito (sendo que todos os comportamentos são suspeitos, como ir por um caminho diferente do habitual). Estas denuncias geralmente levavam à detenção e à tortura ou até mesmo à vaporização de quem tem a infelicidade de ser denunciado (era como se nunca tivessem existido, passavam a ser impessoas). Todos os dias são transmitidos, através dos telecrãs os "2 Minutos de Ódio" em que, tal como o nome indica, são dois minutos em que são passadas imagens e ideias de Emmanuel Goldstein, o grande inimigo do Partido. Durante estes 2 minutos, os espectadores são encorajados a destilar todo o seu ódio nesta figura através de insultos e com extravagância qb. No final têm oportunidade de mostrar todo o amor pelo Big Brother. Quem não o fizer é considerado suspeito! A verdade é que não há nenhuma lei escrita. Não é proibido falar mal do Governo, ou discordar dele. No entanto quem o fizer é sentenciado com a pena de morte.
O slogan do Partido é: Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força. Este slogan é criado tendo como base o duplopensar. A palavra duplopensar é uma criação da novilíngua, que pretende tornar-se na língua oficial da Oceânia (eliminando o inglês corrente, referido como a velhilíngua) e que aspira a eliminar, na sua versão final, todas as palavras que podem ser uma ameaça ao Governo e que possam criar no cidadão o acto de pensar reduzindo-o ao que é necessário. Ou seja, se a palavra liberdade não existe então o seu conceito também não existe e se a palavra bom existe não seria necessário existir a palavra mau, bastava dizer-se que era imbom e deixava de ser necessário existir as palavras óptimo ou espectacular, bastava dizer que algo era extrabom ou duploextrabom. O conceito duplopensar é, como Orwell descreve, "o poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e ao mesmo tempo acreditar genuinamente nelas".
O Partido faz-se representar através de quatro ministérios: o Ministério da Verdade , o Ministério do Amor, o Ministério da Riqueza e o Ministério da Paz. A ironia reside no facto de que nada é o que parece. O Ministério da Verdade é responsável pela falsificação de documentos que possam representar uma referência ao passado: o Partido nunca pode estar errado. Se o Big Brother  fez uma previsão à cinco semanas sobre a produção de alguma coisa e os dados não estivessem correctos o Ministério da Verdade tinha de alterar esse discurso de forma a que tudo estivesse certo, ou se alguém que fora um dia mencionado e se tivesse tornado uma impessoa esse artigo era eliminado e substituído por um artigo qualquer. O Partido tinha de ser infalível. O Ministério do Amor trata de controlar a população e da lavragem cerebral, é um edifício imponente, uma espécie de fortaleza que não tem janelas para que os dissidentes que lá se encontram em cativeiro estejam totalmente isolados, é onde os prisioneiros são torturados. O Ministério da Riqueza tratava da economia da Oceânia, fabricando boletins que apresentavam números incríveis e que pretendiam passar a imagem de que tudo era perfeito quando na verdade os proles viviam em condições desumanas. Por fim, o Ministério da Paz era responsável por manter a guerra (contra a Eurásia ou contra a Lestásia, sendo que quando a guerra era com um, o outro era o aliado) porque a guerra era uma forma de manter a população com o patriotismo ao rubro e unida.
Ainda estão comigo? Óptimo, avancemos! História que é história tem um herói. O nosso é Winston Smith, um cidadão totalmente comum, com 39 anos tem uma úlcera varicosa acima do tornozelo direito e um casamento falhado com uma completa devota ao Governo mas com quem não mantém nenhum tipo de contacto. Em pouco tempo percebemos que Winston não concorda com as ideias do Governo e do Big Brother, para conter a sua revolta escreve, envolto em medo, um diário onde revela as suas ideias revolucionárias contra o Partido.
Winston conhece Julia, uma rapariga intrigante que parece persegui-lo e a quem ele sonha em esmagar o crânio com uma pedra porque pensa que ela faz parte da Polícia do Pensamento e o vai denunciar por ele andar a vaguear no meio dos proles. Até que num dia normal Julia cria uma distracção só para entregar um bilhete a Winston sem que ninguém se aperceba, eles têm um encontro e percebem que se sentem totalmente atraídos um pelo outro. Julia é, à primeira vista, uma ortodoxa convertida às ideologias do Partido: passou pelos Espias e ingressou na Liga Anti-Sexo (o sexo era visto como uma mera actividade reprodutiva, sendo que o sexo devia sempre ser separado do prazer, era abominável ter prazer) no entanto discorda tanto destas ideologias como o próprio Winston.
Esta esperança de revolução fortifica-se quando O'Brien, um membro do Partido Interno com quem Winston sentia alguma ligação o convida para aparecer em sua casa para conhecer a nova edição do dicionário de Novilíngua. É nesse momento que Winston se vê envolvido em algo realmente maior do que ele e do que Julia.
Apesar de ter sido finalizado em 1948, esta obra é realmente fenomenal e continua actual. O objectivo de Orwell era criticar o totalitarismo e conseguiu-o de forma magistral. Nos dias actuais somos constantemente manipulados e estamos sempre sob vigilância. Não da forma radical como a sociedade de 1984 mas continuamos debaixo de uma vigilância constante em que todos sabem aquilo que fazemos e comemos e com quem estamos. Os jornais que são uns fantoches manipulados nas mãos de quem tudo pode, manda e faz. Será que vamos chegar um dia a 1984? De qualquer das formas lembrem-se sempre: Big Brother is watching you.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Fazem disto um circo

Não fui ao circo, não. Só parece. Hoje depois do Sporting ter ganho 3-0 na Luz uma estação qualquer transmitiu em directo de 23649718 cafés e 2765352 lugares onde perguntaram a benfiquistas e sportinguistas as suas opiniões sobre o jogo. Como se os 27862948272672 directos desde a segunda-feira passada não fossem já suficientes. Não, não é por eu não ser afecta a nenhum destes clubes que isto é ridículo. É mesmo porque inaugura um novo patamar de estupidez. Já é do conhecimento geral que só existem três clubes no futebol português (eu já sugeri fazerem um campeonato entre os três, e depois o resto das equipas estão noutro campeonato) e de vez em quando existem os clubes adversários. No entanto, este pequeno circo toma proporções megalómanas quando estes três clubes se defrontam entre si.
Eu compreendo que este jogo tinha contornos peculiares devido a toda a polémica que houve no início da época (e que ainda não serenou), então sabia de antemão que ia ter demasiada atenção (mais do que aquela que deveria). Compreendo também que pela dimensão, pela história e pela rivalidade entre estes dois clubes ia ser dada uma maior atenção do que a um Arouca - Tondela (com todo o respeito por estas duas equipas). Isso compreendo. Não compreendo é que um Arouca - Tondela seja ignorado porque há um Sporting - Benfica, isso não compreendo porque os quatro clubes participam do mesmo campeonato: o português, o nosso!
Não compreendo que nos telejornais passem resumos dos jogos da Inglaterra, da Rússia e se lhes desse na real gana até passavam resumos dos jogos do Butão (eu também não sabia que eles tinham um campeonato de futebol, mas têm, google it), mas não passam resumos de jogos dos clubes portugueses a não ser que joguem contra três clubes específicos. Aí já passam umas imagens dos treinos e das conferências de imprensa e assim. Só para dar aquela falsa sensação de tratamento igual para todos.
Sabem aqueles programas de futebol em que supostamente é para falar de futebol mas que como cenário têm os símbolos dos estarolas do costume? Pois, eu também sei mas como para mim são uma fantochada em que a maioria dos comentadores perde o bom-senso porque não tem postura nenhuma e falam de tudo menos de futebol a sério eu não os vejo porque não há seriedade nem igualdade. Enquanto a comunicação trabalhar assim, com filhos e enteados não conseguem ter o meu respeito. O futebol é de todos e mais importante, é para todos. Se querem pôr uns no pedestal e outros debaixo do chão então não podem dizer que estão a fazer um trabalho sério e de informação. Nem se auto-proclamem jornalistas quando são meros jornaleiros.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O meu tempo tem sido sugado sei lá bem para onde e eu raramente tenho ligado o computador e quando o faço é para desfrutar de uma série (estou a acompanhar uma nova, Blindspot, que está a ser maravilhosa, depois conto-vos!) ou para ver um filme. Ou então para fazer alguma pesquisa ou trabalho para a universidade, claro! Apesar de as aulas já terem começado à algumas semanas ainda não consegui organizar bem o meu calendário e tenho andado bastante cansada. Há muitos temas sobre os quais quero falar por cá e pretendo fazê-lo assim brevemente. Quero falar-vos do 1984. Do meu Vitória, infelizmente as coisas não têm corrido pelo melhor. E de mais uma data de coisas. Por isso fiquem por cá, vou tentar ser uma companhia mais assídua. Só passei por cá porque tinha saudades de partilhar alguma coisa. Nem que fosse um bocadinho da minha própria confusão!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O significado das palavras

Às vezes as palavras são tão usadas que nós nem pensamos mais no significado real das mesmas, pensamos que as conhecemos sem as conhecer. Só de vez em quando, quando alguma coisa desperta essa nossa curiosidade adormecida, é que pensamos e reflectimos na realidade das palavras que são tão fundamentais na nossa ligação aos outros. Melhor do que continuar a tentar explicar o que quero dizer, deixo em baixo um vídeo que tem tanto de engraçado como de verdadeiro. O vídeo pretende esclarecer dois conceitos: empatia e simpatia. Se calhar nunca pensaram muito na distinção. Eu nunca o tinha feito. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sétima Arte | Trainspotting

Quando vi o Requiem for a Dream tinha lido vários comentários que o comparavam a Trainspotting. Conhecia vagamente o filme e sabia que o tema principal era o uso de drogas, por isso a comparação entre estas duas obras ser tão evidente. Apesar do tema ser o mesmo acho que são dois filmes muito distintos. Requiem for a Dream é, indubitavelmente, um dos filmes que mais me marcou até hoje, continua a arrepiar-me e a mexer imenso comigo e portanto, se tivesse de escolher um, seria esse. Acho que a maior diferença reside no facto de Trainspotting ser um filme mais leve, que dá espaço para rir de algumas das deixas de um ou outro personagem. É, também ele inesquecível e o seu lado psicadélico com cenas absolutamente icónicas como quando Renton (Ewan McGregor) "mergulha" na sanita mais suja da Escócia para procurar os seus comprimidos ou a cena em que o espectador vê Renton ser, aparentemente, enterrado quando este se encontra num estado entre a vida e a morte. O que se separa este filme de todos os filmes sobre o uso de drogas? É a sua objectividade. O que quero dizer com isto é que é um filme que não tem um tom moral relativamente ao uso de drogas, é a realidade pura e dura sem flores ou adornos e eu gosto muito disso. Uns verão este filme como pró-drogas e outros como anti-drogas. Outros verão uma obra-prima do cinema. Essa interpretação, Danny Boyle deixa-a connosco.
As drogas apresentavam-se como um caminho alternativo à sociedade consumista e fútil dos anos 90. É um escape à vida sempre igual de todos os outros, pessoas monótonas e todos com os mesmos objectivos. A heroína é um prazer e um grito de revolta dos jovens para quem a sociedade parece não ter espaço. Renton, que se revela capaz de levar uma vida normal, vai narrando episódios da sua vida e da vida dos seus amigos: o inocente e trapalhão Spud (Ewen Bremner), o interesseiro Sick Boy (Johny Lee Miller), o atinado mas que acaba por se tornar como os amigos Tommy (Kevin McKidd) e Begbie (Robert Carlyle), viciado em álcool e violento qb. Sabem o tipo de companhias com quem nenhuma mãe sonha que os seus filhos se dêem? São eles. O pano de fundo são os arredores de Edimburgo, na Escócia e Londres, onde Renton acaba por começar uma vida longe das drogas e arranja um emprego convencional... até que tudo recomeça quando os amigos lhe decidem aparecer à porta.
Injectam-se com heroína pelo prazer mas também pelo desafio, por ser contra o que todos esperam, até porque, segundo Renton, num diálogo frenético em que enumera todas as drogas com ele e os amigos se injectam refere que "até nos injectávamos com Vitamina C, se fosse ilegal". O filme é uma experiência em que não conseguimos ver as personagens como heróis, mas passamos o tempo todo a olhar para ele como se fossem uns desgraçados, até sentirmos pena deles. No entanto não conseguimos evitar uma pergunta no final do filme: afinal quem é mais triste? É a sociedade que tem uma vida normal, sempre igual, planeada ao mais ínfimo pormenor e moralmente aceitável ou este grupo de jovens, que encontra prazer e felicidade no companheirismo que todos têm por compreenderem entre si o vício das drogas e na heroína, sem nunca querer ceder à vida adulta e a um envelhecimento convencional?
Para além do argumento ser extremamente bom, a direcção de Danny Boyle é frenética e soberba. Os desempenhos dos actores foram maravilhosos. A todos estes pontos positivos junta-se mais um: a banda sonora que é de luxo e que faz do filme algo ainda melhor (e eu acho que se bem escolhida e seleccionada, a banda sonora acaba por ser também uma personagem).
No início deste post disse que era um filme mais leve do que o Requiem for a Drem. Sem dúvida que é, mas continua a ser um filme difícil de ver com cenas que de facto nos fazem sentir quase aquilo que as personagens sentem, que nos assombram como quando Renton está em recuperação no quarto da casa dos seus pais e o bebé anda no tecto, enquanto tem uma visão dos seus amigos. Apesar de ser difícil é um filme imperdível, nada convencional e mais do que isso, é uma obra-prima inesquecível do género de que Hollywood anda a precisar neste tempo de crise criativa que por lá paira. Há boas novidades: Danny Boyle anunciou a sequela para 2016 com os mesmos actores e inspirado no livro homónimo de Irvin Welsh (e que eu espero ler em breve no idioma original para que nada se perca na tradução)!
Danny Boyle dirigiu outro filme que eu gosto muito: The Beach com Leonardo DiCaprio no papel principal e dois outros filmes bastante conhecidos e reconhecidos: 127 Hours e Slumdog Millionaire. 

P.S.: Trainspotting é, na Inglaterra e na Escócia, o acto de fazer alguma coisa que é uma perda de tempo, nomeadamente escolher um comboio e marcar sempre as horas a que ele passa. É mesmo uma perda de tempo, mas há outras coisas que Renton enumera no início do filme e que corresponde a cada personagem: para si, a heroína, vista como o maior desperdício de tempo. O Sick Boy é obcecado por filmes do James Bond, o Begbie por álcool e lutas de bar, o Spud quer sempre evitar trabalhar e Tommy encontra o seu entretenimento em filmar-se a ter relações sexuais com a namorada.

sábado, 3 de outubro de 2015

Votar ou votar... eis a questão

Ilustração de Justin Metz para a Bloomberg Businessweek (também é capa da Sábado da edição nº 596)
É aquela altura do ano em que o país se divide em dois tipos de pessoas: os que vão às urnas votar e os que não vão. Bem, é uma generalização que me dá jeito fazer a partir de agora. Pela primeira vez este ano vou poder votar. Não vou estar aqui com conversa de intelectual que percebe muitíssimo de política porque isso não corresponde à verdade. A maioria das pessoas dá-me 15 a 0 em assuntos políticos com relativa facilidade. Considero-me uma pessoa informada e vou acompanhando as notícias por isso vou tendo conhecimento daquilo que se passa no país, apesar de às vezes haver assuntos do domínio político que tenho mais dificuldade em acompanhar. Não me orgulho disso, gostava de ser uma pessoa capaz de ter uma conversa de mais de 2 minutos sobre política, gostava inclusive de fazer alguma coisa relacionada com política. Ultimamente, e tendo em conta que este ano vou votar, tenho estado mais interessada mas continuo sem perceber muita coisa.
Se calhar vou ser injusta no que vou dizer, ou então não. Os políticos da actualidade não me inspiram, não me dão confiança, não me dão vontade de os ouvir. Uns mais do que outros, claro. Mas de forma geral não me dão razões suficientes para os ouvir. As campanhas eleitorais são uma anedota em que os políticos fingem que se preocupam verdadeiramente com a população e em que prestável e estrategicamente se deslocam onde lhes dá mais jeito. Depois, o escândalo e a corrupção. A sujeira política dá-me vómitos. Os que não sabem responder àquilo que já devia estar mais do que pensado ainda mais vómitos me dão.
Nunca tive um partido. E não tenho um partido. Ao longo da minha vida as pessoas pelas quais estou rodeada e que defendem um partido não o defendem porque acreditam na sua ideologia ou nos seus líderes, defendem-no porque sempre o fizeram e então é a "tradição". A maioria das pessoas que conheço limita-se a dizer que está sempre tudo na mesma, mas nunca argumentam esse ponto de vista. Nunca fui estimulada para a política, nem em casa nem na escola. Não considero que seja uma desculpa para a ignorância política ou para o alienamento das sociedade. Não acho que seja um problema exclusivo da minha geração, bem pelo contrário, acho que a ignorância política é transversal à sociedade. E acho um erro não se abordar temas ligados à política na escola. Quiçá a ignorância seja benéfica a uns quantos...
Continuando com o tema central deste post: o voto. Acho incrível como há pessoas que vêm o acto de votar como desnecessário ou dispensável. Não é um dever nem uma obrigação, certo. Temos a liberdade para escolher entre votar ou não, certo. No entanto, não consigo deixar de pensar que é totalmente inadmissível não votar. Acho ainda mais inadmissível aqueles que não votam julgarem-se no direito de reclamar de tudo e mais alguma coisa que os políticos fazem. O acto de votar é um direito, um direito que conquistamos e a oportunidade que temos em expressar o nosso contentamento ou a nossa desconfiança, é o momento em que nos podemos expressar de forma a que alguém nos oiça. Votem em branco, votem na Srª de Cor-de-rosa ou em quem quiserem, mas por favor não se esqueçam de votar. É só uma hora que têm de tirar do vosso dia, ou nem tanto. Por isso não se esqueçam da importância do voto neste dia e nesta altura. Querem as coisas diferentes então têm de as mudar e não esperar que alguém faça isso por vocês. Se não votarem... pensem duas vezes antes de falar de política nos próximos anos!

P.S.: Quando fui à Turquia o ano passado estavam também em época de eleições e a verdade é que nota-se o envolvimento dos jovens e da sociedade em geral na política. A verdade é que eu contactei com jovens de um liceu privado, com a maioria dos pais com formação superior e provavelmente com alguns ligados à política. Esse ensino superior da geração transacta também é importante e certamente também os desperta para a política, o que faz com que esta facção de jovens esteja mais estimulado e aberto para discutir política com maior conhecimento e naturalidade. Tenho pena que em Portugal não se olhe para a política com interesse e tenho muita pena de eu perceber tão pouco.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

É uma questão de ADN

Quando a hipótese Sérgio Conceição era considerada ou posta em cima da mesa, mesmo quando Armando Evangelista ainda se encontrava aos comandos do clube, eu só me conseguia rir e dizer que era um disparate. Achava eu, na minha inocência, que a direcção nem ia considerar tal treinador. Realmente foi só na minha inocência. Quando Armando Evangelista saiu fiquei contente, pensei que as coisas iam mudar e melhorar. Porque, sejamos verdadeiros, não podiam ficar muito piores... No entanto fiquei apreensiva, o nome mais badalado para ocupar o cargo era o de... Sérgio Conceição! Continuava a não querer acreditar, estava na fase da negação. Ao início da tarde de ontem já todos os jornais davam conta da sua contratação, mas só hoje à tarde foi oficializado. Até esse momento estive em fase de negação. Pensei que era tudo mentira, mau demais para ser verdade.
Eu não queria Sérgio Conceição! Já dos tempos em que ele estava ao serviço do Braga era um treinador que eu não gostava e pelo qual não nutria o mínimo de admiração e isso não era pelo facto de estar nos rivais, era mesmo porque não o via assim. Sempre o vi como um homem sem humildade, que precisava de atingir os outros para agradar aos seus porque não o conseguia através do seu trabalho. Não considero que um treinador tem de atacar os seus adversários e incendiar o ambiente com comentários desnecessários e despropositados. Bem pelo contrário, acho que é fundamental que o treinador tenha respeito pelo adversário e pelos seus rivais. Isso mostra que tem carácter e é um homem respeitável. É o treinador, o líder, que tem de dar o exemplo aos seus jogadores. SC não o faz. É expulso com demasiada frequência, não tem postura, não tem respeito. É arrogante. Não consegue dar o exemplo. É, emocional e psicologicamente, desregulado. Para além disso, já se viu que também não tem o maior respeito pelos seus superiores. A forma como saiu do Braga não foi a forma mais simpática, e pelo que já me apercebi não foi a primeira vez que saiu de forma turbulenta de um clube. A isto acresce-se o facto de toda a gente ver as pessoas de Guimarães como arruaceiras e os maus da fita. Com a contratação de um treinador assim que constantemente vê os jogos da bancada as coisas têm tendência a piorar. Se já somos os pioneiros dos castigos exemplares, agora as penalizações ainda vão ser maiores. Não lhe reconheço também qualidades suficientes como treinador para estar num clube como o Vitória.
É a segunda contratação de risco esta época. Armando Evangelista foi uma contratação nada consensual e que prejudicou o Vitória qb com a eliminação da Liga Europa (e a perda de muito dinheiro) e que afastou o Vitória dos adeptos mais do que o que devia, por causa das exibições medíocres e os péssimos resultados. Sérgio Conceição creio que também não cairá bem no seio dos vitorianos porque nós não temos memória curta e ainda nos lembramos das declarações da época passada em que fomos atacados diversas vezes.
A postura que Sérgio Conceição teve ao comando do Braga também não é do meu agrado e espero que não mantenha essa atitude no Vitória. Espero que tenha postura, espero que seja um treinador que respeita todos os seus adversários e que não seja malcriado como era. Porque estar no Vitória é uma responsabilidade diferente, maior. O ADN do Vitória é especial, tem um peso maior, não é leviano. Até agora, e por muito que eu tente encontrar, não consigo associar nenhuma características do nosso ADN a Sérgio Conceição. Nem sei o porquê de ter sido o escolhido. O que sei é que para se fazer parte de uma instituição tão especial como a nossa é necessário ser-se também especial, e Sérgio Conceição não me parece sê-lo. E para mim, que tenho uma óptima memória, é necessário mais do que debitar umas palavras bonitas na altura certa. É preciso provar o que se diz! E lembra-te, Sérgio Conceição, há uma linha fina que separa a boa educação da raça. Encarecidamente te peço que não a ignores porque agora estás no Vitória e aqui nós gostamos de boa gente, de conquistadores, de pessoas com respeito pelos outros. E lembra-te sempre, tu e quem aí te pôs, o Vitória é nosso. É nosso e há-de ser!

P.S.: Apesar de discordar da contratação e de não nutrir qualquer tipo de simpatia pelo nosso novo treinador compreendo que o seu sucesso é o nosso sucesso e por isso só tenho de torcer pelo sucesso do Sérgio Conceição. E sei que nunca, sob quaisquer circunstâncias, valorizarei mais um homem do que o meu símbolo e o meu clube. Nunca, mas nunca mesmo, me deixarão de ver no estádio ou de pagar as quotas. O Vitória é mais importante do que uma individualidade! Por isso desculpem-me se não compreendo aquelas pessoas que dizem que não vão ao estádio por causa do treinador, ou que vão deixar de pagar as quotas ou partir o cartão. Eu faço parte de algo maior do que isso, algo infinitamente mais precioso: o Vitória!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Queen

É impossível não pensar em Freddie Mercury quando se pensa em Queen. É muito, muito difícil não associar estes dois enormes nomes. Infelizmente o mundo perdeu o Freddie cedo demais. Os Queen, no entanto sobreviveram, mas agora têm um novo vocalista: Adam Lambert. Voltaram ao Rock In Rio no Rio de Janeiro, 30 anos depois de um mítico e inesquecível concerto em que Freddie Mercury encantou e maravilhou o Brasil de forma incrível. Quando li a notícia fiquei apreensiva, as lendas são insubstituíveis. Depois de ver alguns vídeos do concerto acho que finalmente me apercebi de que a ideia não é substituir o que não se pode substituir. Era um erro. A ideia é dar aos fãs de 2015 e talvez dos anos vindouros uma experiência daquilo que são os Queen, não a experiência total mas sim parcial. Adam Lambert é, também ele, carismático e excêntrico e tem uma voz maravilhosa e inesquecível. Foi um espectáculo incrível e acredito que inesquecível para as novas gerações mas também para aqueles que tiveram oportunidade de estar lá 30 anos antes, com Freddie Mercury no palco. Gostava muito, muito, muito que estes novos Queen dessem a oportunidade aos fãs portugueses de poderem ter esta experiência de viver os Queen, hoje com Adam Lambert.
Serás sempre lembrado Freddie Mercury, és uma lenda e as lendas nunca morrem. Como tu nunca morreste. Descansa em paz!




segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A minha estante | A Arte da Guerra (para treinadores)

A Arte da Guerra, originalmente publicado em 513 a.C. pelo estratega militar Sun Tzu, é considerado o maior tratado de estratégia militar de todos os tempos. A editora Topbooks foi a responsável por lançar uma colecção deste livro histórico mas adaptando-o a uma certa área. Para isso, convidou pessoas de 14 áreas diferentes, sendo uma delas Rui Vitória (na altura treinador do Vitória) que escreveu para os treinadores. Os restantes incidem em áreas como marketing, gestão de talentos e até storytelling. 
Apesar de termos específicos ou linguagem mais particular que Rui Vitória possa usar, este livro não é apenas aconselhável a treinadores. Qualquer amante de futebol comum encontra neste pequeno livro de 126 páginas imensa sabedoria e conhecimento e consegue perceber que Rui Vitória é um treinador com imenso talento, inteligência e humildade.
Toda a gente que convive comigo sabe a admiração que tenho por Rui Vitória, já a expressei aqui. Sempre achei que era um treinador muito completo, com muita qualidade e muita classe, que sabia como falar e que sabia claramente o que estava a fazer ao comandar uma equipa. Gosto do Rui Vitória. Ainda hoje, que é um adversário. Continuo a admirar profundamente o seu trabalho. Essa admiração aumentou depois de ler este livro.
De uma forma que revela o seu conhecimento e a sua paixão pelo futebol e pela sua profissão, percebemos como escolhe a sua equipa técnica, como escolhe os seus jogadores, como os treina e porque os treina dessa forma. Aborda a comunicação com os seus jogadores, a postura que o treinador deve adoptar perante a sua equipa, a forma como se forma uma equipa. Fala também sobre a forma como julga ser melhor comunicar com a massa associativa, a direcção do clube e a comunicação social. Isto tudo através de exemplos da sua carreira. O leitor fica a saber, por exemplo, que os seus jogadores recebem nos telemóveis ou tablets no final do jogo um pequeno vídeo com um resumo da sua performance. De forma detalhada, percebemos também que estratégias usa para encerrar o jogo anterior e iniciar a preparação do seguinte. Enquanto nos explica a preparação física da sua equipa, percebemos também a enorme importância que dá à parte mental.
Um livro que recomendo a qualquer pessoa que goste de futebol e de perceber o que é ser treinador de uma equipa, ou como Rui Vitória diz, o que é ser o "maquinista da locomotiva". Muito interessante e didáctico, é um livro que se lê com muita facilidade e rapidez pela sua simplicidade e por não ser muito longo. 
Rui Vitória já conseguiu, aos 45 anos, conquistar imenso. Acredito piamente que possa conquistar muito mais. É um treinador de profunda inteligência e que tem uma paixão inabalável por aquilo que faz e que o leva a procurar ser sempre melhor e a actualizar-se enquanto treinador.
Ao general Rui Vitória, só tenho de deixar as minhas saudações e saudades vitorianas! Foi uma honra tê-lo como comandante deste exército!

sábado, 19 de setembro de 2015

Vamos fazer história?

Este é o mote que o Vitória adoptou este ano. Eu quero que façamos história. Quero... pela positiva!
Tenho quase a certeza que têm uma tia ou um membro da família que de quando em vez e num ou noutro Natal lá em casa vos perguntavam, quando eram pequenos, se gostam mais do pai ou da mãe. É aquela pergunta estúpida e sem sentido mas que ninguém se coíbe de fazer às crianças. O equivalente dessa pergunta em futebol seria a típica: mas então pá, preferias que a tua equipa conquistasse os 3 pontos ou que jogasse muiiiiiito bem? Uma pessoa nunca sabe muito bem como responder, porque gosta dos dois. A verdade é que os 3 pontos são fundamentais; o bom futebol não garante uma boa posição no final do campeonato. No entanto, não dá gosto sentar na cadeira do estádio ou no sofá e ver uma espécie de solteiros contra casados. O verdadeiro problema surge quando nem se tem os 3 pontos nem se joga futebol.
Não sei se perceberam onde quero chegar. A ideia deste post é falar do Vitória e dos problemas do Vitória que, diga-se de passagem, não são poucos. Em 7 jogos que vi do Vitória esta época (dois para a Liga Europa e cinco para o campeonato) ainda não vi bom futebol, ainda não vi uma ideia de jogo, ainda não vi nada daquilo que esperava ver. O que vi foi o Vitória ser derrotado três vezes, empatar outras três e vencer apenas uma. Para o campeonato o Vitória conta com 4 golos marcados, sendo que dois são auto-golos e um penalti. Encontra-se na 9ª posição com 6 pontos (de 15 possíveis), mas uma vez que a jornada se iniciou hoje e ainda faltam jogar 16 das 18 equipas, é provável que não se mantenha por lá. Talvez eu seja só eu no meu momento piegas do dia, mas considero que são números alarmantes a não ser para quem quer um campeonato tranquilo, claro (o que não é o meu caso).
Acho que não vale a pena tecer grandes comentários ao jogo de hoje porque foi mais do mesmo. Um jogo enfadonho em que o Vitória de Setúbal, apesar da desvantagem numérica a partir do primeiro minuto, conseguiu ser superior em alguns momentos do jogo. A única coisa que tenho a dizer é que fomos felizes em conseguir trazer um ponto para Guimarães, De facto não sei o que se passa. Nota-se que é uma equipa profundamente desinspirada e sem saber muito bem o que fazer com a bola. Não tem ideias, não tem criatividade, não tem coesão. O espírito da equipa também não parece o melhor, não parecem uma equipa mas sim um conjunto de homens que se juntam para dar uns chutos na bola. Problemas no balneário? Problemas com o treinador? Não faço a mínima ideia, mas não há a garra que costumava haver, não há a vontade de suar pela camisola e isso é claramente parte do problema. É triste ver o Vitória jogar assim, não me lembro de uma série de jogos com tão má qualidade como esta. O que está mal tem de ser mudado muito urgentemente! Eu não queria ser repetitiva nesta matéria, não queria mesmo, mas o que eu acho que está mal é o treinador. A ilação que eu tiro de tudo o que vejo (para além do apito final) é que Armando Evangelista está desligado da equipa, não é um líder, não consegue motivar os jogadores, não fala como um líder e a equipa não tem espírito de vencer, não consegue inspirar-se e acaba por se desligar também.
Todos nós temos muito a dizer sobre o assunto mas também nada fazemos para alterar a situação (eu incluo-me no grupo). Se o Vitória é nosso, vamos agir como tal e vamos tratar de cuidar dele o máximo possível. A manifestação no Complexo não resultou provavelmente pela falta de adesão dos vitorianos mas daqui a precisamente uma semana podemos fazer melhor e comparecer em força da forma única que só nós conseguimos fazer e discutir o futuro do Vitória, discutir o que está mal e talvez fazer com que a situação seja alterada para o bem de todos nós. No próximo sábado, dia 26, há uma Assembleia Geral com início às 14 horas no Pavilhão do Vitória. Há uma máxima que eu defendo muito quando há eleições e parece-me que adaptada era capaz de se adequar à situação: quem não vota, não tem direito a reclamar. Entendem a ideia? Quem nada faz, de nada deve reclamar. Ir à AG é um direito que nos assiste como sócios pagantes e temos não só o direito de ir como temos também o dever - é do nosso clube que se trata.