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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Eu não quero ser chata mas...

Ainda à pouco tempo falei aqui do lixo em que a comunicação portuguesa se está a tornar, disse-o porque todos os dias vejo um desrespeito enorme pela maioria dos clubes portugueses e uma veneração quase divina pelos do costume. Uma comunicação que já cansa, que é ridícula e que em nada acrescenta ao nosso país. Disse-o porque não me conformo e não sou de me conformar. Ontem sabia que hoje me ia revoltar outra vez. Demasiado fácil, demasiado previsível.
Se estão a par das novidades sabem que ontem foi um dia histórico para o ténis português: João Sousa conquistou o torneio ATP250 de Valência e alcançou a sua melhor posição de sempre no ranking mundial sendo que é também a melhor posição de sempre de um português, Gastão Elias venceu o Challenger de Lima e Frederico Silva foi campeão no Future do Egipto.
Sabem qual é o destaque dos jornais desportivos? Exactamente, os do costume. João Sousa tem um pequeno destaque em todas as capas mas a capa vai mesmo para o Sporting e o Porto. Os três jornais desportivos portugueses dão um destaque mínimo ao feito de três portugueses que honraram tão bem o nosso nome por todo o mundo.
Eu sei que há assuntos mais importantes para discutir mas há coisas que me fazem alguma espécie, ou então sou só eu que implico com tudo e todos. Como quiserem. A verdade é que o que eu disse é inegável, o destaque que dão a estes atletas é mínimo e dão uma atenção máxima sempre aos mesmos. Portugal não é pequeno, mas há coisas que me fazem duvidar disso!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Fazem disto um circo

Não fui ao circo, não. Só parece. Hoje depois do Sporting ter ganho 3-0 na Luz uma estação qualquer transmitiu em directo de 23649718 cafés e 2765352 lugares onde perguntaram a benfiquistas e sportinguistas as suas opiniões sobre o jogo. Como se os 27862948272672 directos desde a segunda-feira passada não fossem já suficientes. Não, não é por eu não ser afecta a nenhum destes clubes que isto é ridículo. É mesmo porque inaugura um novo patamar de estupidez. Já é do conhecimento geral que só existem três clubes no futebol português (eu já sugeri fazerem um campeonato entre os três, e depois o resto das equipas estão noutro campeonato) e de vez em quando existem os clubes adversários. No entanto, este pequeno circo toma proporções megalómanas quando estes três clubes se defrontam entre si.
Eu compreendo que este jogo tinha contornos peculiares devido a toda a polémica que houve no início da época (e que ainda não serenou), então sabia de antemão que ia ter demasiada atenção (mais do que aquela que deveria). Compreendo também que pela dimensão, pela história e pela rivalidade entre estes dois clubes ia ser dada uma maior atenção do que a um Arouca - Tondela (com todo o respeito por estas duas equipas). Isso compreendo. Não compreendo é que um Arouca - Tondela seja ignorado porque há um Sporting - Benfica, isso não compreendo porque os quatro clubes participam do mesmo campeonato: o português, o nosso!
Não compreendo que nos telejornais passem resumos dos jogos da Inglaterra, da Rússia e se lhes desse na real gana até passavam resumos dos jogos do Butão (eu também não sabia que eles tinham um campeonato de futebol, mas têm, google it), mas não passam resumos de jogos dos clubes portugueses a não ser que joguem contra três clubes específicos. Aí já passam umas imagens dos treinos e das conferências de imprensa e assim. Só para dar aquela falsa sensação de tratamento igual para todos.
Sabem aqueles programas de futebol em que supostamente é para falar de futebol mas que como cenário têm os símbolos dos estarolas do costume? Pois, eu também sei mas como para mim são uma fantochada em que a maioria dos comentadores perde o bom-senso porque não tem postura nenhuma e falam de tudo menos de futebol a sério eu não os vejo porque não há seriedade nem igualdade. Enquanto a comunicação trabalhar assim, com filhos e enteados não conseguem ter o meu respeito. O futebol é de todos e mais importante, é para todos. Se querem pôr uns no pedestal e outros debaixo do chão então não podem dizer que estão a fazer um trabalho sério e de informação. Nem se auto-proclamem jornalistas quando são meros jornaleiros.