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terça-feira, 24 de maio de 2016

Novos dias de conquistas

É muito difícil nesta altura do ano não pensar num dia em particular que nos é muito especial a todos. Eu não consigo, nem quero, evitar. Afinal foi dos dias mais maravilhosos que já vivi - podia dizer que foi o melhor dia da minha vida, e provavelmente foi, mas não gosto de ser radical. Vinte e seis de Maio de dois mil e treze. Vocês já sabiam porque a maioria pensa no mesmo e por mais que possamos discordar das opiniões uns dos outros, nisto julgo todos concordamos: todas as discórdias e discussões são para fazer do Vitória maior e melhor e para que dias como estes sejam frequentes.

Lembro-me deste dia com detalhe. O tempo parecia não passar, a viagem parecia interminável. A viagem não começou só às seis da manhã - hora em que deixei Guimarães para rumar ao Jamor - desse dia. Não, começou muito antes. Não foi uma viagem calma nem tranquila. Nós somos demasiado apaixonados para tal. Conquistámos todos os obstáculos, um por um. Acumulamos forças e sabíamos que era a hora! Tinha de ser a nossa hora! Volvidos três anos não consigo precisar se a viagem parecia interminável ou se estava demasiado ansiosa. Agora já não interessa.

Lembro-me com precisão de ver pessoas totalmente diferentes com lágrimas de emoção no final do jogo. Rapazes de cinco anos e senhoras de setenta. Gerações e gerações separadas por tantas coisas mas unidas ali, num estádio de futebol, pelo Vitória. Não porque precisamos de troféus para estar presentes mas porque é o nosso Vitória e queremos ver bem quem gostamos. Lembro-me do que pensei enquanto via a magnífica Taça ser levantada e nos dias seguintes. É o mesmo que penso até agora: quero viver mais momentos destes.

A Taça faz parte da nossa história, fez-nos crescer ainda mais e aumentou o nosso palmarés. Tudo verdade. Foi um dia extraordinário e que nunca ninguém que o viveu esquecerá. No entanto não quero voltar a viver este dia, por mais carinho que tenha por ele. Quero novos dias de conquistas. Quero este Vitória emocionante, forte, sólido e orgulhoso da camisola que vi no Jamor e que já vi tantas outras vezes mas que, com uma enorme tristeza, não tenho visto. Não peço muito, só peço este Vitória. Quero a garra, a mística e o inferno branco de volta. 

Já me disseram que a conquista da Taça foi um acaso, uma sorte. Não acredito nisso porque não acredito que a sorte marque golos ou vença jogos. Nós vencemos os jogos, não a sorte. Foi uma vitória fruto de muito sacrifício, muito trabalho, dedicação e garra. Quero fazer história outra vez. Quero fazer história mais vezes! Não quero mais ver o Vitória, com o Dom Afonso Henriques e a sua espada ao peito, apático e fraco. Quero lutar. A nossa história fez-se de luta. Não podemos de forma nenhuma negligenciar uma história tão bonita agora. Só quem não ama pode ser incapaz de sentir o que eu sinto.

Vou recordar sempre este dia tão especial mas não vou fingir que chega porque não chega. Não está tudo bem porque ganhamos a Taça de Portugal há três anos. Todas as desculpas já estão gastas e chegou a hora de trabalhar para mais dias assim. Não vou tolerar mais descansar à sombra de uma Taça. O Vitória não é apatia nem sossego. O Vitória é um fenómeno inexplicável da natureza e tem contornos especiais. Não podemos nem vamos deixar que façam dele o que ele não é. Afinal o Vitória é nosso e o Vitória somos nós!

terça-feira, 8 de março de 2016

Nas vitórias e nas derrotas

Foto: Vitória SC
O vídeo do Rafa a liderar os White Angels no jogo contra o Sporting fez furor, naturalmente. As redes sociais inundaram-se de comentários positivos. Toda a gente estava apaixonada pelo mini-ultra vitoriano! Li comentários de adeptos dos mais variados clubes, numa demonstração de civismo. Só que, como nem todas as pessoas são civilizadas, li comentários disparatados e até uma crónica num jornal desportivo de um pseudo-jornalista que só me fez rir e questionar se alguém lhe paga para publicar o que ele escreve (e tantos jornalistas no desemprego...). Vocês sabem de quem eu falo. Aquele que já nos comparou aos jihadistas do Estado Islâmico. Esse mesmo! Quem mais poderia ser? A estupidez não lhe passa. Dizia ele, convicto de que acrescentava alguma coisa ao mundo, que "a última coisa que se possa dizer é que seja dignificante pertencer a uma claque" e mais um chorrilho de disparates que eu não me vou dar ao trabalho de transcrever para aqui. O comentário mais engraçado que li dizia que a Comissão de Protecção de Menores devia ser alertada para esta situação porque o pequeno Rafael não ia ter condições para se desenvolver cívica e intelectualmente por causa da "doença do futebol". Pode parecer que eu estou a inventar um comentário destes mas não, é mesmo verdade!

A primeira reacção depois de ler coisas destas é rir e a segunda é pensar que quando as pessoas são ignorantes relativamente a algum assunto deviam estar caladas. Este vídeo, de uma criança a aplaudir, a cantar e a apoiar a sua equipa mostra o melhor do futebol. Infelizmente, pessoas más vão sempre ver o mau em tudo. Este vídeo mostra que o futebol é para todos e que todos fazem parte do futebol. Acho que estereótipos são para ignorantes. E há um estereótipo de que quem vai ao estádio (e principalmente quem pertence a claques) apoiar a sua equipa de futebol são uma cambada de vândalos prontos a armar confusão e que são estúpidos. Este estereótipo não podia estar mais errado. As pessoas que vão ver futebol são pessoas normais, que gostam de futebol e que apoiam um clube e fazem parte dele. Obviamente, há pessoas que vão ao estádio que vão para armar confusão e que não prestam. Mas pessoas dessas há-as em todo o lado, sem excepção! Para além disso, este vídeo desmistifica a ideia de que é perigoso levar crianças ao estádio. Mas alguém queria alertar a Comissão de Protecção de Menores porque um rapaz de cinco anos estava, de forma segura, e feliz a bater palmas e a entoar cânticos de apoio a um clube. Pessoalmente considero ser mais importante alertar para problemas verdadeiramente preocupantes como a exploração infantil ou com as crianças que sofrem de violência. No entanto, é só a minha opinião e vale o que vale...


Depois de mais um empate em casa, contra o Sporting, e do vídeo viral do Rafa, tínhamos de ir a Coimbra e lutar para trazer os três pontos. Isto, claro, se quisermos cumprir com o mínimo  dos nossos objectivos! Sinceramente não estava à espera de outro resultado que não a vitória, ainda que estivesse plenamente consciente de que a Académica estava desejosa pelos três pontos para se manter na luta pela manutenção. Não há jogos fáceis, este não ia ser excepção.

Este, em particular, foi mais difícil do que o que devia e do que o que eu estava à espera. O que vi dentro das quatro linhas não me agradou: uma equipa apática, com pouca garra e com graves dificuldades em disputar o jogo. Nesta altura do campeonato, podíamos já estar numa posição mais confortável, a disputar o 4º lugar com os nossos rivais e não a disputar o 5º ou o 6º lugar. Podíamos, se não fossem os erros e uma época má preparada.

Neste momento, e depois do fecho da 25ª jornada, estamos na 7ª posição da tabela classificativa com 34 pontos. Estamos a 4 pontos do quinto classificado, o Arouca, e estamos a 2 pontos do sexto, o Rio Ave. No oitavo e no nono lugar da tabela estão o Estoril (com 33 pontos) e o Paços de Ferreira (com 32 pontos), respectivamente. Nas 9 jornadas que ainda temos pela frente até ao fecho do campeonato, ainda vamos jogar contra o Paços (já no próximo domingo) e o Estoril em casa, e vamos até Vila do Conde e terminamos em Arouca. Sou terrível a matemática, mas sei que ainda temos 27 pontos em disputa. Sei também que não nos podemos dar "ao luxo" de perder muitos pontos a partir de agora.

Como adepta julgo que os objectivos do Vitória devem ser sempre, pelo menos, conquistar o 4º lugar. Pela nossa história, pela massa associativa incomparável e pelo nosso símbolo que tem um grande peso, temos de ser ambiciosos e deixar de disputar o meio da tabela e o mínimo possível. Para além disto, devemos sempre lutar para chegar longe em todas as competições. Estes devem ser sempre os objectivos! Naturalmente não podemos ser tão ambiciosos se os erros se forem sucedendo, se for necessário substituir peças-chave da equipa todas as épocas ou se não houver um investimento sério no futebol. De forma mais simples, não podemos ser tão ambiciosos se não houver meios, garra ou ambição para alcançar estes objectivos!

Por fim, e para terminar, tenho mais uma vez de referir o apoio incondicional e único dos vitorianos em Coimbra. Uma viagem longa e cansativa (e para quem foi de autocarro, como eu, desconfortável) mas que vale sempre a pena. Apesar da derrota. O nosso amor ultrapassa os resultados. Pode parecer um cliché ou um lugar comum porque eu falo sempre disto, e vou continuar a falar, mas a verdade é essa: não há ninguém como nós e dizê-lo deixa-me muito orgulhosa. Tenho muita pena que o nosso apoio incondicional não seja reflectido no relvado. Se fosse, acredito piamente que seríamos campeões. Época após época após época!

terça-feira, 1 de março de 2016

Um fenómeno inexplicável chamado Vitória

Foto: Vitória SC
"Desde que eu vim ao mundo
Que canto por ti
O tempo vai passando
E eu vou-me apaixonando sempre, cada vez mais
Olha p'ra tua curva
E sente a nossa voz
Este amor é tão louco
Eu queria-te explicar
Mas não vais entender
Ninguém vai entender"

Os ingleses usam muito a frase (acho que surgiu numa campanha de um clube, mas não me lembro qual, se souberem agradeço que deixem na caixa de comentários) "Football without fans is nothing". É a típica mentalidade inglesa (e não só) que faz com que os estádios estejam sempre, ou quase sempre, cheios. Sem adeptos o futebol não passa de um jogo que envolve imenso dinheiro e que junta uns indivíduos dentro do campo, a correr atrás da bola para tentar marcar golo. Continuavam a haver jogadas e golos espectaculares mas para quem era isso se não estavam lá os adeptos? Perdia parte da magia.
Ontem, numa segunda-feira à noite, o estádio do Vitória esteve perto de atingir os 20 000 espectadores. Muita gente saiu do trabalho e foi directamente para o estádio e muitos levantaram-se às 5 horas da manhã de hoje, fez esforços, sacrificou o jantar por um dia para estar ali, para apoiar o clube do coração. Isto na mesma jornada em que o Arouca - Braga (que se realizou no sábado passado a uma hora simpática, 18:30) juntou... 740 pessoas! O ambiente que se viveu no Dom Afonso Henriques ontem vive-se cada vez menos em Portugal e isso, como adepta de futebol, entristece-me.
O primeiro jogo que vi do Vitória foi contra o Sporting. Ontem senti o mesmo que senti nesse dia que já está longínquo. Não me consigo lembrar do resultado, dos jogadores ou do árbitro mas lembro-me de uma coisa com tamanha vivacidade que me surpreendo a mim mesma: os arrepios que senti durante o jogo todo quando, num estádio cheio, todas aquelas pessoas, unidas por um símbolo, irromperam em cânticos e em aplausos e fiquei com a certeza, enquanto criança, que do outro lado do mundo nos estavam a ouvir. Lembro-me da paixão que senti nesse dia, eu não queria saber dos jogadores para nada, muito menos se marcávamos mais ou menos golos do que os outros. Não foi pelo resultado que eu me apaixonei, foi por aquela gente e por aquele símbolo que me acompanha até hoje e que tenho a certeza que me vai acompanhar até ao fim. Por isso lamento tanto que não se viva um ambiente destes todos os jogos e lamento que tão poucas crianças (e adultos) se possam apaixonar da forma arrebatadora como eu me apaixonei naquele dia. Não quero ser dramática e muito menos radicalista mas viver sem conhecer um amor destes é viver sem conhecer uma das melhores coisas que a vida oferece. O sentimento de envergar o símbolo do Rei ao peito, do clube da minha cidade, é um sentimento inesquecível e incomparável. Quando era criança, achava que dava super poderes, ontem quando saí do estádio, apesar do empate, senti o mesmo e percebi qual era o super poder que me dava. O poder de, em algumas ocasiões transcender o amor e a vida. Há fenómenos inexplicáveis!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O derby

No rescaldo do derby há sempre algumas notas a tomar, como há em todos os jogos. Só que o derby tem contornos especiais. Principalmente este que, apesar de não ser o mais mediático, é sem dúvida o mais emocionante e tem cada vez mais qualidade. Acho que todos ganhamos com isso, desde os adeptos de futebol no geral à Liga Portuguesa. Passemos, portanto, ao que interessa:
  • As estatísticas informam que no total dos 133 confrontos (para todas as competições) o Vitória e o Braga têm 52 vitórias cada um e empataram 29 vezes. Nos últimos anos o Braga tem levado a melhor, principalmente porque tem, de momento, uma estrutura capaz e uma estabilidade financeira que o Vitória não tem, fruto de uma má gestão que debilitou o clube e obrigou a fazer esforços para se manter à tona.
  • Ainda não ganhamos na Pedreira, e infelizmente não foi ontem que o fizemos. Um empate não é o pior resultado, principalmente depois de estar a perder por 2-0, mas não é o mais satisfatório. Estou, contudo, satisfeita pela minha equipa ter sido superior numa casa tipicamente difícil.
  • Gostei da garra da equipa, apesar de terem entrado muito mal no jogo e da apatia depois de André Pinto ser expulso por duplo amarelo. Para além de tudo o resto, é preciso muita garra para empatar o jogo depois de sofrer dois golos, e voltar a empatar depois de voltar a sofrer.
  • Dentro das quatro linhas empatamos, nas bancadas goleamos. Apesar do Braga ter crescido nos últimos anos, ainda tem um público fraco, apático e nem num derby têm uma assistência decente. Nesse aspecto a nossa supremacia é inquestionável e arrebatadora. Uma assistência miserável de apenas 13 241 espectadores, com 1 500 adeptos vitorianos. Não sei qual é a desculpa deles, nem estou interessada. Não os ouvi nem quando estavam em vantagem. Mais do mesmo!
  • Já fui ver o Vitória fora muitas vezes, mas ainda me surpreendo com muitas coisas. Ontem, quando a 2ª parte estava quase a começar, o Braga pôs a letra da música que os adeptos (supostamente) sabem no ecrã, para estes a cantarem. Ao início não percebi bem porquê.. Depois percebi. A maioria deles só vão a 3 jogos por época (e quando vão), por isso é difícil saberem as letras das músicas de cor. É compreensível então pôr a letra no ecrã. A alternativa era distribuir folhas pelo pessoal, mas temos de salvar as árvores.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

É só isto

Ainda estou a tempo de vos desejar um bom ano? Devo estar, até porque ninguém sabe muito bem quando deixamos de desejar "bom ano novo", a população mundial fica toda confusa porque ninguém define datas importantes como deixar de desejar bom ano. Eu tenho por norma andar nisto até ao Carnaval ou Páscoa, conforme. Por isso espero que tenham um excelente 2016!
Este estabelecimento anda assim um bocado ao abandono e a culpa é minha, eu sei. Eu digo sempre que vou tentar escrever mais e tal mas acabo por me dar à preguiça. Desta vez é uma resolução de ano novo, por isso vai ser mesmo a sério (pelo menos vamos tentar acreditar que sim)!
Quando não escrevo aqui durante um tempo considerável acho que deixei passar uma série de coisas importantes. Se calhar deixei, mas provavelmente alguém se pronunciou sobre essas coisas importantes - e, provavelmente, melhor do que eu.
Vamos às coisas que interessam agora. Este meu primeiro post do ano vai ser para reclamar de algumas coisinhas, porque se há coisa que eu sei fazer bem é reclamar do que acho que não está bem e como eu sou uma pessoa realmente crítica (e não interpretem isto no sentido negativo, eu acho que é necessário fazer críticas construtivas e assentes em argumentos válidos daquilo que nos parece errado e não aceitar tudo "porque é assim") tinha de começar desta forma.

Em primeiro lugar, tenho de falar do jogo Vitória - Benfica no passado dia 2, da prestação e das atitudes de Carlos Xistra. Como adepta sinto-me revoltada quando os árbitros querem tanto o protagonismo que não dão espaço para se jogar futebol, ou para se jogar futebol de forma justa e com o campo equilibrado. Eu assumo que os erros são humanos e que, como é óbvio, os árbitros podem errar. Podem, o problema é que esses erros são sempre para beneficiar os mesmos e de forma descarada. Neste jogo só não viu quem não quis que o futebol é uma brincadeira para alguns e que enquanto uns podem tudo os outros não podem nada. Foi claramente um roubo encomendado e que já é uma constante no futebol português.
Infelizmente os "poderosos" continuam a consentir e a abanar a cabeça dizendo que tudo está bem e que é assim que as coisas funcionam. A comunicação social também consente e só conhece o caminho para Guimarães em 3 ou 4 jogos por época porque o resto para eles não tem importância.
E é assim que se fazem campeões, os campeões que aqui se ajoelharam porque de futebol em vermelho pouco se viu e em que o Vitória podia (e merecia) os 3 pontos. É assim que se fazem, em jogos destes, com o campo em desequilibro e com 14 jogadores em campo.
No final Xistra não podia acabar sem dar mais uma vez o ar da sua graça, então insultou Sérgio Conceição porque árbitro que é árbitro faz o que lhe apetece. Eu sei que o Sérgio não é, nem nunca foi, um anjo caído do céu e que nem sempre é politicamente correcto, mas isso não dá o direito ao árbitro de o insultar - e tal como os jogadores, treinadores ou membros das equipas técnicas dos clubes são expulsos e punidos por insultarem o árbitro (e acho bem que se tomem esse tipo de medidas) também os árbitros deviam ser severamente castigados porque se estes são a "autoridade" devem ser os primeiros a dar o exemplo. Infelizmente é cada vez mais disto que temos no futebol português, o que é triste e decepcionante. Eu pago quotas e bilhetes porque espero ver futebol a sério e é pena que se permita que estes amadores continuem a estragar o futebol.
Na bancada continuamos a fazer com que os "grandes" continuem a sentir-se pequeninos, coisa que continua a ser única em Portugal. Infelizmente os estádios estão cada vez mais vazios e sem dúvida que jogos em que a verdade desportiva continua a faltar - e em que continuam a consentir com isso - é uma das causas do afastamento do público dos estádios.

Outra das causas do afastamento do público dos estádios é o horário e a ditadura das televisões (nem vamos falar dos contratos milionários que foram notícia nos últimos tempos, como sempre continua a cultura de se tornar os ricos ainda mais ricos e os pobres... mais pobres). Na última quarta-feira o Moreirense-Vitória jogou-se às 16:15h. Não sei bem qual o objectivo de pôr um jogo a esta hora. Acho que deve ser mesmo vontade de tirar os adeptos do estádio ou prejudicar o futebol. Não percebo, e também não percebo o porquê de ninguém se revoltar publicamente contra isto. Decisões destas só prejudicam o futebol, sem trazer qualquer benefício aos clubes, aos adeptos nem à modalidade. O que é triste. É triste perceber que quem tem o "controlo" de tudo isto não quer saber, não tenta sequer melhorar o futebol, nem tenta tornar a modalidade em algo melhor, mais bonito e mais acessível a todos. Infelizmente desta vez não pude ir nem ver o jogo, mas os vitorianos voltaram a marcar presença e a mostrar que estas gentes têm um ADN único e especial. Somos assim. Apesar das injustiças e da má face de tudo isto, não nos afastam! Ah, e neste dérbie entre amigos trouxemos os 3 pontos. Soube bem! Sábado, outra vez no nosso "castelo", temos de conquistar mais 3 porque o caminho deve ser de vitórias.
Foto: www.vitoriasc.pt

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O verbo amar

Já devia ter escrito isto antes, porque dizem que quando passa o dia, passa a romaria. Se não é assim, é parecido. Mas também dizem que é melhor tarde do que nunca. Portanto ainda é altura de me pronunciar.
No sábado passado fui ao Estádio do Bessa apoiar o meu amor do coração naquela que foi a deslocação mais cansativa de sempre (e eu já tenho algumas na conta). O futebol não foi o melhor, e ao intervalo o cenário estava mau. Não podíamos sofrer outra derrota, porque neste momento os pontos são mais do que meros pontos que nos dão uma classificação na tabela. Nem os tantos vitorianos que lá estavam presentes mereciam (mais) uma derrota.
Jogar com o Boavista é sempre especial por toda a tradição e história que os clubes carregam. Este jogo não foi excepção e apesar do pobre futebol e fruto das campanhas menos "ricas" que os clubes estão a fazer as emoções estiveram sempre à flor da pele. Pelo menos as minhas, eu que não consigo sentir o Vitória com menos intensidade quando as coisas correm menos bem. Sou assim, somos assim.
Por sermos assim e pelas nossas características tão únicas, acredito que somos a única massa associativa do país capaz de fazer uma deslocação destas. Por uma deslocação destas entenda-se: uma viagem de comboio Guimarães - Campanhã (que saiu de Guimarães por volta das 14 horas), depois uma viagem no metro (em estilo sardinhas enlatadas) até à Avenida da Boavista. Para chegar da Avenida da Boavista até ao estádio percorrer cerca de 3km a pé (segundo o Google Maps) que pareceram 10km porque parámos de 3 em 3 minutos (acreditem que não estou a exagerar). Mas tenho de admitir que apesar de ser muito chato estar sempre a parar soube muitíssimo bem gritar pelo Vitória no meio da cidade do Porto e ver pessoas sair dos cafés, lojas e casas (e também da Casa da Música) para nos ver passar e filmar, soube muito bem ao longo do caminho e das janelas (inclusive perto do estádio do Boavista) gritarem pelo Vitória e desejarem "Força" e "Boa sorte" - acredito que não sejam vitorianos, mas acredito que gostem de nós, aliás, perante tamanha manifestação de amor é impossível não gostar e soube bem ver todos os turistas que passeavam naqueles autocarros turísticos festejar connosco e a aplaudir-nos e a filmar-nos (devem ter ido para os países deles a pensar que nós tínhamos ganho a Champions League cá da zona). Tudo isto para chegar ao Estádio e apoiar ininterruptamente e de forma soberba (como só nós conseguimos fazer) durante mais de 90 minutos. Depois fazer a viagem de regresso a Guimarães, claro. Mais uns bons 3 ou 4 km para apanhar o metro e regressar à estação da Campanhã para apanhar o comboio das 21 horas para fazer a viagem de regresso a pé (para a maioria dos adeptos, eu incluída) onde a palavra mais ouvida era "jantar" para chegar ao Berço por volta das 22h40m. (De realçar que esta deslocação ocorreu sem nenhum incidente, tomem nota "grandes")
Sim, definitivamente somos os únicos capaz de o fazer. Fizemos e voltaríamos a fazer apesar de no final as nossas pernas já nem nos quererem responder tamanho é o cansaço (e o frio). Fazemos porque acreditamos no Vitória e porque sabemos que o Vitória é nosso. É nosso e há-de ser. Porque ninguém consegue tomar melhor conta dele. Afinal, devemos cuidar de quem amamos e como uma vez li em algum lado o segundo verbo que mais conjugamos é sofrer. O primeiro é, sem dúvida, amar!
O vídeo que não consigo anexar (e que não é meu) está aqui.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

É uma questão de ADN

Quando a hipótese Sérgio Conceição era considerada ou posta em cima da mesa, mesmo quando Armando Evangelista ainda se encontrava aos comandos do clube, eu só me conseguia rir e dizer que era um disparate. Achava eu, na minha inocência, que a direcção nem ia considerar tal treinador. Realmente foi só na minha inocência. Quando Armando Evangelista saiu fiquei contente, pensei que as coisas iam mudar e melhorar. Porque, sejamos verdadeiros, não podiam ficar muito piores... No entanto fiquei apreensiva, o nome mais badalado para ocupar o cargo era o de... Sérgio Conceição! Continuava a não querer acreditar, estava na fase da negação. Ao início da tarde de ontem já todos os jornais davam conta da sua contratação, mas só hoje à tarde foi oficializado. Até esse momento estive em fase de negação. Pensei que era tudo mentira, mau demais para ser verdade.
Eu não queria Sérgio Conceição! Já dos tempos em que ele estava ao serviço do Braga era um treinador que eu não gostava e pelo qual não nutria o mínimo de admiração e isso não era pelo facto de estar nos rivais, era mesmo porque não o via assim. Sempre o vi como um homem sem humildade, que precisava de atingir os outros para agradar aos seus porque não o conseguia através do seu trabalho. Não considero que um treinador tem de atacar os seus adversários e incendiar o ambiente com comentários desnecessários e despropositados. Bem pelo contrário, acho que é fundamental que o treinador tenha respeito pelo adversário e pelos seus rivais. Isso mostra que tem carácter e é um homem respeitável. É o treinador, o líder, que tem de dar o exemplo aos seus jogadores. SC não o faz. É expulso com demasiada frequência, não tem postura, não tem respeito. É arrogante. Não consegue dar o exemplo. É, emocional e psicologicamente, desregulado. Para além disso, já se viu que também não tem o maior respeito pelos seus superiores. A forma como saiu do Braga não foi a forma mais simpática, e pelo que já me apercebi não foi a primeira vez que saiu de forma turbulenta de um clube. A isto acresce-se o facto de toda a gente ver as pessoas de Guimarães como arruaceiras e os maus da fita. Com a contratação de um treinador assim que constantemente vê os jogos da bancada as coisas têm tendência a piorar. Se já somos os pioneiros dos castigos exemplares, agora as penalizações ainda vão ser maiores. Não lhe reconheço também qualidades suficientes como treinador para estar num clube como o Vitória.
É a segunda contratação de risco esta época. Armando Evangelista foi uma contratação nada consensual e que prejudicou o Vitória qb com a eliminação da Liga Europa (e a perda de muito dinheiro) e que afastou o Vitória dos adeptos mais do que o que devia, por causa das exibições medíocres e os péssimos resultados. Sérgio Conceição creio que também não cairá bem no seio dos vitorianos porque nós não temos memória curta e ainda nos lembramos das declarações da época passada em que fomos atacados diversas vezes.
A postura que Sérgio Conceição teve ao comando do Braga também não é do meu agrado e espero que não mantenha essa atitude no Vitória. Espero que tenha postura, espero que seja um treinador que respeita todos os seus adversários e que não seja malcriado como era. Porque estar no Vitória é uma responsabilidade diferente, maior. O ADN do Vitória é especial, tem um peso maior, não é leviano. Até agora, e por muito que eu tente encontrar, não consigo associar nenhuma características do nosso ADN a Sérgio Conceição. Nem sei o porquê de ter sido o escolhido. O que sei é que para se fazer parte de uma instituição tão especial como a nossa é necessário ser-se também especial, e Sérgio Conceição não me parece sê-lo. E para mim, que tenho uma óptima memória, é necessário mais do que debitar umas palavras bonitas na altura certa. É preciso provar o que se diz! E lembra-te, Sérgio Conceição, há uma linha fina que separa a boa educação da raça. Encarecidamente te peço que não a ignores porque agora estás no Vitória e aqui nós gostamos de boa gente, de conquistadores, de pessoas com respeito pelos outros. E lembra-te sempre, tu e quem aí te pôs, o Vitória é nosso. É nosso e há-de ser!

P.S.: Apesar de discordar da contratação e de não nutrir qualquer tipo de simpatia pelo nosso novo treinador compreendo que o seu sucesso é o nosso sucesso e por isso só tenho de torcer pelo sucesso do Sérgio Conceição. E sei que nunca, sob quaisquer circunstâncias, valorizarei mais um homem do que o meu símbolo e o meu clube. Nunca, mas nunca mesmo, me deixarão de ver no estádio ou de pagar as quotas. O Vitória é mais importante do que uma individualidade! Por isso desculpem-me se não compreendo aquelas pessoas que dizem que não vão ao estádio por causa do treinador, ou que vão deixar de pagar as quotas ou partir o cartão. Eu faço parte de algo maior do que isso, algo infinitamente mais precioso: o Vitória!

sábado, 19 de setembro de 2015

Vamos fazer história?

Este é o mote que o Vitória adoptou este ano. Eu quero que façamos história. Quero... pela positiva!
Tenho quase a certeza que têm uma tia ou um membro da família que de quando em vez e num ou noutro Natal lá em casa vos perguntavam, quando eram pequenos, se gostam mais do pai ou da mãe. É aquela pergunta estúpida e sem sentido mas que ninguém se coíbe de fazer às crianças. O equivalente dessa pergunta em futebol seria a típica: mas então pá, preferias que a tua equipa conquistasse os 3 pontos ou que jogasse muiiiiiito bem? Uma pessoa nunca sabe muito bem como responder, porque gosta dos dois. A verdade é que os 3 pontos são fundamentais; o bom futebol não garante uma boa posição no final do campeonato. No entanto, não dá gosto sentar na cadeira do estádio ou no sofá e ver uma espécie de solteiros contra casados. O verdadeiro problema surge quando nem se tem os 3 pontos nem se joga futebol.
Não sei se perceberam onde quero chegar. A ideia deste post é falar do Vitória e dos problemas do Vitória que, diga-se de passagem, não são poucos. Em 7 jogos que vi do Vitória esta época (dois para a Liga Europa e cinco para o campeonato) ainda não vi bom futebol, ainda não vi uma ideia de jogo, ainda não vi nada daquilo que esperava ver. O que vi foi o Vitória ser derrotado três vezes, empatar outras três e vencer apenas uma. Para o campeonato o Vitória conta com 4 golos marcados, sendo que dois são auto-golos e um penalti. Encontra-se na 9ª posição com 6 pontos (de 15 possíveis), mas uma vez que a jornada se iniciou hoje e ainda faltam jogar 16 das 18 equipas, é provável que não se mantenha por lá. Talvez eu seja só eu no meu momento piegas do dia, mas considero que são números alarmantes a não ser para quem quer um campeonato tranquilo, claro (o que não é o meu caso).
Acho que não vale a pena tecer grandes comentários ao jogo de hoje porque foi mais do mesmo. Um jogo enfadonho em que o Vitória de Setúbal, apesar da desvantagem numérica a partir do primeiro minuto, conseguiu ser superior em alguns momentos do jogo. A única coisa que tenho a dizer é que fomos felizes em conseguir trazer um ponto para Guimarães, De facto não sei o que se passa. Nota-se que é uma equipa profundamente desinspirada e sem saber muito bem o que fazer com a bola. Não tem ideias, não tem criatividade, não tem coesão. O espírito da equipa também não parece o melhor, não parecem uma equipa mas sim um conjunto de homens que se juntam para dar uns chutos na bola. Problemas no balneário? Problemas com o treinador? Não faço a mínima ideia, mas não há a garra que costumava haver, não há a vontade de suar pela camisola e isso é claramente parte do problema. É triste ver o Vitória jogar assim, não me lembro de uma série de jogos com tão má qualidade como esta. O que está mal tem de ser mudado muito urgentemente! Eu não queria ser repetitiva nesta matéria, não queria mesmo, mas o que eu acho que está mal é o treinador. A ilação que eu tiro de tudo o que vejo (para além do apito final) é que Armando Evangelista está desligado da equipa, não é um líder, não consegue motivar os jogadores, não fala como um líder e a equipa não tem espírito de vencer, não consegue inspirar-se e acaba por se desligar também.
Todos nós temos muito a dizer sobre o assunto mas também nada fazemos para alterar a situação (eu incluo-me no grupo). Se o Vitória é nosso, vamos agir como tal e vamos tratar de cuidar dele o máximo possível. A manifestação no Complexo não resultou provavelmente pela falta de adesão dos vitorianos mas daqui a precisamente uma semana podemos fazer melhor e comparecer em força da forma única que só nós conseguimos fazer e discutir o futuro do Vitória, discutir o que está mal e talvez fazer com que a situação seja alterada para o bem de todos nós. No próximo sábado, dia 26, há uma Assembleia Geral com início às 14 horas no Pavilhão do Vitória. Há uma máxima que eu defendo muito quando há eleições e parece-me que adaptada era capaz de se adequar à situação: quem não vota, não tem direito a reclamar. Entendem a ideia? Quem nada faz, de nada deve reclamar. Ir à AG é um direito que nos assiste como sócios pagantes e temos não só o direito de ir como temos também o dever - é do nosso clube que se trata.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O (nosso) Vitória não é deles

Já não falo do Vitória aqui no blogue à muito tempo. Não porque gosto menos do Vitória ou sou menos vitoriana. Só por falta de oportunidade e porque falar do Vitória nem sempre é fácil, pela simples razão de que o facto de ser um assunto tão pessoal para mim ser fácil perder o objectivismo daquilo que pretendo dizer e falar mais com o coração do que com a razão. Se calhar sou demasiado apaixonada. Não é um defeito, longe disso. Se todos os adeptos gostassem tanto do seu clube como eu gosto do meu Vitória podem ter a certeza de que o futebol era uma coisa muito melhor e mais bonita.
Por já não escrever aqui à séculos já perdi o timing para falar de algumas coisas importantes. Podia ter expressado a minha opinião sobre a contratação de Armando Evangelista, podia ter falado sobre a segunda metade da época passada. Não falei sobre nada disso. Mas continuam a haver assuntos importantes a abordar.
Quando Rui Vitória saiu para o Benfica fiquei triste, gostava do projecto que o Vitória estava a levar a cabo, a aposta em jogadores jovens de nacionalidade portuguesa. Sempre gostei da forma como liderava a equipa, a forma como aproveitava o melhor dos jogadores e a classe que sempre teve. Como é óbvio gostei muito da conquista da Taça de Portugal. Desnecessário será dizer que o legado que deixava não era fácil, era um lugar muito difícil de preencher. Não só para mim, estou em crer. 
Quando anunciaram a contratação de Armando Evangelista fiquei dividida, não sabia muito bem se era uma boa ou uma má notícia. Dei-lhe o benefício da dúvida, achei que apesar da falta de experiência podia ser uma boa aposta para dar continuidade ao projecto que Rui Vitória tinha iniciado. Se alguém conhecia bem a equipa B e sabia quem estava mais capacitado para ascender à equipa principal seria ele, que estava no comando da equipa B na época anterior. Preferi esperar para ver antes de tecer qualquer opinião.
Esperei e vi. Da pré-época só vi o jogo contra o Fenerbahçe, em Istambul. Não foi um resultado minimamente positivo e o Vitória não apresentou um futebol fascinante. Continuei a dar o benefício da dúvida, era o início e a equipa ainda se estava a entrosar e a conhecer. Tinham saído jogadores importantes, então compreendi. Sempre na expectativa de que o Vitória só iria melhorar a partir daí e que os resultados e o bom futebol iam aparecer. 
Antes de avançar, convém dizer que na pré-época o Vitória defrontou adversários tecnicamente mais fracos. Adversários mais fracos do que aqueles que o Vitória ia enfrentar. O que estou a tentar dizer é que acho que a pré-época devia ter sido melhor preparada e (com todo o respeito pelos adversários que o Vitória defrontou) devia ter sido preenchida com equipas mais desafiadoras e com mais capacidades, de forma a ver verdadeiramente como estava o Vitória e o que faltava ao plantel. Apesar disto os resultados não foram espectaculares e o Vitória chegou inclusive a perder 3-0 com o Chaves.
Depois veio o sorteio para a pré-eliminatória da Liga Europa, calhou-nos o Altach da Áustria. Era uma equipa que eu desconhecia, nunca tinha ouvido falar deles antes. Depois de fazer o meu trabalho de casa fiquei satisfeita. Fiquei com a ideia de que era uma equipa acessível ao Vitória e acreditei piamente que o Vitória ia ultrapassar este obstáculo com relativa facilidade e com todo o respeito pelo adversário. O Altach é um clube que, apesar de ter ficado em 3º lugar da tabela classificativa, andava pela segunda divisão e fazia a sua primeira participação europeia. Ditou o sorteio que a primeira mão fosse jogada na Áustria. Muito bem, prefiro assim. O jogo não ia ser na casa do Altach, ia ser num estádio emprestado a mais de 100km do seu estádio. Melhor ainda, assim não jogam no seu terreno, não têm a vantagem do factor casa e estão quase tão desconfortáveis como nós. Não foi fácil. Apesar de o Altach não praticar um futebol espectacular nem nada parecido e de se notar que não tinha um plantel cheio de qualidade individual, o Vitória perdeu. Continuei a acreditar. Que atire a primeira pedra quem não comete deslizes. Depositei a minha fé na segunda mão. Afinal, íamos jogar na nossa casa com uma boa casa, com os nossos adeptos em peso. Mais uma vez, estava enganada. Completamente enganada. Fomos goleados em casa por uma equipa que é claramente inferior à maioria das equipas do nosso campeonato. No entanto, uma equipa que luta e se esforça e que, juntos, conseguiram o apuramento. Merecido! No final restou aplaudir-me os adversários porque o respeito e o fair-play é uma coisa bastante bonita, apesar de alguém "ter a certeza de que íamos passar".
O inicio do campeonato não foi melhor. Primeiro fomos ao Dragão. Estou consciente de que não é um estádio onde é fácil jogar, contra uma equipa que é sempre candidata ao título e que está recheada de bons jogadores. No entanto não é inacessível ou impossível lá ganhar, não jogamos contra um colossal Porto. Isso foi notório quando o Vitória conseguiu superiorizar-se ligeiramente no início da segunda parte. No entanto, não conseguiu aproveitar as oportunidades que ia tendo e cometeu alguns erros. Coisa que o Porto não fez, conseguiu aproveitar bem as suas oportunidades e acabou por conseguir um resultado expressivo.
Depois tivemos o Belenenses. O Belenenses a quem também tinha calhado o Altach nas competições europeias, e o Belenenses que conseguiu uma vitória na Áustria. O resultado foi um empate e o Vitória perdeu dois pontos. Era um jogo importante para a equipa e para os adeptos. Depois da eliminação da Europa e da derrota no dragão, precisávamos de uma vitória para serenar o ambiente e para dar confiança à equipa. Infelizmente não foi assim, e o resultado correspondeu àquilo que se viu em campo. Foi para estar de acordo com o tempo, um Agosto com sabor a Janeiro.
A terceira jornada ditou-nos uma viagem à Madeira, para disputar o recém-chegado União da Madeira. O União ainda só tinha jogado com os seus "vizinhos": somava uma vitória em casa contra o Marítimo e uma derrota com o Nacional. No total tinham 3 pontos e o Vitória apenas 1. Nada que me preocupasse muito, afinal o líder do campeonato era o... Arouca. Achei que agora é que era e que agora é que o campeonato ia começar para nós. Acabei por ficar desiludida. Futebol pobre, sem ideias, sem nada novo. O resultado foi mais um empate. Desta vez olhei para as coisas de outra perspectiva: se calhar não foram 2 pontos perdidos, foi 1 ponto ganho.
Agora vamos ao cerne da questão, aliás, ao cerne deste post. Se no início da época dei o benefício da dúvida a Armando Evangelista, agora acho que foi uma péssima aposta da direcção. Talvez fosse o caminho mais natural, subir alguém que já estava por dentro do projecto e talvez fosse também o caminho mais fácil e mais "barato". O problema é que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor. Hoje digo que o AE não é treinador para o Vitória. Não agora! Talvez seja daqui a uns anos, quando ganhar estofo e experiência para ser treinador. Ao contrário do que muitos possam pensar, ser treinador não se limita a escolher o melhor onze e a melhor técnica para pôr dentro das quatro linhas. Não, longe disso. Ser treinador é ter mais para além disso. É saber motivar a equipa, porque afinal são um conjunto de seres humanos e saber espremer o melhor de cada um deles. É dar a cara quando as coisas correm mal. Armando Evangelista não o faz, não o sabe fazer. No jogo contra o Altach foi o primeiro a abandonar o relvado, não quis esperar pelos seus jogadores. O seu discurso é pobre e é cobarde. Antes da segunda mão do jogo contra o Altach afirmou que tinha a certeza de que íamos passar. Revelou arrogância e falta de respeito pelo adversário. Desde aí as suas declarações não variam muito: usa a carda dos adeptos. Repete de vinte formas diferentes que nós somos uma massa associativa muito especial e que somos únicos. Caro Armando, não precisas de dizer porque isso nós já sabemos. Muito obrigada! Para além da carta dos adeptos, também decidiu dizer que "os jogadores estão com problemas psicológicos". Só uma pergunta, serão mesmo os jogadores Sr. Armando?
Há uma célebre frase americana que já foi mote para um ou outro filme. Fake it until you make it. Não vou traduzir literalmente a frase, vou antes dizer que é uma atitude que se adopta quando se quer alcançar alguma coisa. Por exemplo, mesmo que tenhamos pouca confiança, se agirmos como se fossemos pessoas muito confiantes vamos acabar por ser. Obviamente que há limites e não se pode adoptá-la literalmente, de forma a prejudicar-nos ou a prejudicar outros. Mas a ideia está lá: fake it until you make it. Este início de parágrafo já parece outro post mas não é, tem um propósito. Vou só acabar o meu raciocínio. Para além desta frase americana muito célebre, podemos também falar da lei da atracção. A lei da atracção é uma energia que, para ser trabalhada, se desenvolve em quatro passos: temos de saber o que queremos, temos de pensar nisso com frequência, temos de sentir e comportar como se o nosso desejo já estivesse satisfeito e estar pronto para o receber. De forma geral, se evitarmos os pensamentos negativos o universo manifesta-se a nosso favor. Não concordo totalmente com isto, mas concordo em parte. Porquê esta conversa toda? Ontem, Júlio Mendes deu a entender que o objectivo do Vitória era a manutenção, nem que fosse um ponto acima da linha de água. É isto que é o Vitória? Um clube que tem como objectivo manter a manutenção? O Vitória nunca foi isso, o Vitória sempre foi um clube que lutou por mais. Não vai à muito tempo que ouvi o mesmo Júlio Mendes dizer que o seu objectivo era levar o Vitória à Champions League. E assim de repente o objectivo é só a manutenção? Não consigo entender. 
No início da época Júlio Mendes realmente afirmou que queria "uma época tranquila". Não sei o que vocês querem, mas eu vejo como épocas tranquilas as que fazem a Académica ou o Arouca. Com todo o respeito, mais uma vez, não é esse o tipo de épocas que o Vitória deve ter em mente. O Vitória sempre lutou pelos melhores lugares, pelo acesso à Liga Europa e até mesmo à Champions. Porque não? Por isso, não gosto quando alguém faz do Vitória aquilo que ele não é. O Vitória não é "frágil", não é um coitadinho a quem ninguém quer pegar. Treinar o Vitória é, e sempre foi, uma honra e uma responsabilidade. Por muitos problemas financeiros que tenha é um clube, e sempre foi, com prestígio e com nome. Por isso mesmo, eu tenho as minhas dúvidas quando dizem que ninguém queria vir para o Vitória.
Sou totalmente a favor da aposta num crescimento sustentável. E regredir não é crescimento. Por isso, lutar pela manutenção não é crescimento. Por ser a favor da aposta num crescimento sustentável, fui sempre apoiante desta direcção que sempre me pareceu ter bom senso e saber aquilo que faz. Não fui, no entanto, apoiante da SAD. Nunca quis que o Vitória aderisse à SAD. Não sou é desprovida de opinião e de pensamento próprio e portanto não concordo com tudo aquilo que a direcção faz e/ou diz. Não gosto deste discurso derrotista. Não gosto deste discurso que nos faz parecer frágeis e delicados. Não é isso que o Vitória é. O que acho é que a direcção deve admitir agora, antes que seja demasiado tarde, que fez uma má escolha. O Vitória precisa de mudar de treinador porque já todos vimos o campeonato sofrível que vamos ter pela frente se continuarmos com o Armando Evangelista ao comando da equipa principal. Do que já vi e já li, alguns adeptos sugerem Sérgio Conceição e o que eu tenho a dizer é que não, nem sequer deve ser uma opção considerável. É um homem de baixo carácter e que já atacou inúmeras vezes o Vitória. Nem sequer consigo identificar o ADN vitoriano em nada daquilo que ele fez até agora. Paulo Bento? Talvez, parece-me uma opção. Apesar de me parecer uma opção eu tenho sérias dúvidas de que alguma coisa vá ser alterada, principalmente depois das declarações de ontem em que Júlio Mendes se afirmou orgulhoso em ter dois treinadores vimaranenses e vitorianos. Parece-me, assim só como quem não quer a coisa, que é preciso mais do que isso para ser treinador do Vitória. No entanto, se virem que é o único requisito podem contactar-me... ao menos fazemos história com a primeira treinadora feminina aos comandos de um clube da Primeira Divisão. E agora estou como o Tirica... pior do que está não fica!
Para terminar, e porque já escrevi mais do que aquilo que planeava e que vocês vão ler, quero só responder a quem tem dúvidas de que o Vitória é nosso. Não consigo perceber o que o leva a ter dúvidas, mas sim, o Vitória é nosso. É nosso e há-de ser! Podem, por vezes, querer tirar o Vitória de nós. Só que não conseguem. O ADN vitoriano é nosso, o amor é nosso, a paixão é nossa. E isso ninguém nos tira. O Vitória não é tachos e tachinhos. Nunca foi. Não é agora que alguém vai fazer do Vitória isso. Se é vitoriano como tanto afirma, siga o meu conselho e peça a demissão. Já está na hora, não acha?
Esta situação preocupa-me e acredito que preocupe alguns vitorianos. Não podemos é baixar agora os braços e adoptar a atitude de que "enquanto tiverem este treinador não pago as quotas" ou "enquanto o Vitória estiver assim não vou ao estádio". Se calhar, mais do que nunca é preciso ir ao estádio e pagar as quotas. Mais do que nunca é preciso a união de todos os adeptos para que eles percebam que o Vitória não é deles, mas é nosso. Se precisamos de protestar? Sim, precisamos. De forma ordeira e nas nossas cadeiras. O Vitória é, sempre foi e sempre será, maior e melhor do que aquilo que querem fazer dele.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Carta aberta a Rui Vitória

Querido Rui Vitória,
apesar de já se especular a tua saída para o Benfica à uns dias, eu acreditava que tu ias continuar por cá. Gostei de ti desde que vieste para o Vitória, sempre achei que tinhas muita garra, qualidade e classe. Não me enganei. Revelaste-te uma mais-valia! Enquanto cá estiveste passamos por um período conturbado e de contenção financeira. Não tínhamos possibilidades financeiras de ir buscar jogadores já feitos. Por isso a opção era usar a "prata da casa".
Alguns não acreditavam em ti nem neste projecto. Alguns achavam que íamos voltar ao inferno da segunda liga ou que íamos apenas lutar para não chegar lá. Alguns achavam que o Vitória não ia ter qualidade de jogo absolutamente nenhuma. Eu, positiva por natureza, acreditei em ti e acreditei que podíamos ir longe com este projecto. E fomos, conquistámos contigo a primeira e tão almejada Taça de Portugal.
Ainda hoje não encontro palavras capazes de descrever a felicidade que vivi nesse dia e que acredito ser comum a tantos outros vitorianos. Contra todas as expectativas estivemos lá e contra todas as expectativas conquistámos a Taça. Foi um caminho árduo e com muitos obstáculos, mas nós fomos ultrapassando cada um deles.
No entanto, a Taça de Portugal não foi o teu único triunfo. Foi o reconhecimento merecido pelo teu trabalho e pelo trabalho dos nossos incansáveis jogadores e como estava a dizer, ganhaste mais do que a Taça. Ganhaste a nossa admiração e o nosso respeito. Conquistaste-nos e passaste a ser um de nós. Como? Quando estávamos sem esperanças e receosos do que poderia acontecer no futuro mostraste-nos que a situação pode sempre ser revertida. Não vou ser irrealista e dizer que estiveste sempre bem e sem falhas. Tiveste falhas, fizeste experiências que correram pessimamente e houve algumas semanas conturbadas na tua relação com os adeptos. Mas continuando no mesmo registo realista, tenho de dizer que ninguém é perfeito e todos os treinadores erram uma vez por outra.
Iniciaste no Vitória um projecto que me encheu de orgulho. Enquanto todos iam gastar balúrdios em jogadores estrangeiros, experientes e já formados nós íamos buscar o que tínhamos. Abraçamos este projecto mais por obrigação do que por escolha, verdade seja dita. No entanto o projecto só fez sentido e teve sucesso em grande parte porque conseguias ver o melhor dos jogadores e fazer com que eles dessem o melhor de si pela camisola, nem que isso incluísse comer relva. Foste tu que deste asas a este projecto para que se tornasse cada vez mais sólido. Lembras-te de quando muitos já nos faziam o funeral? Foram tantos a escrever-nos a certidão de óbito que eu acabei por lhes perder a conta, mas eles estavam todos enganados (como estão quase sempre) e tu foste uma peça importante para lhes mostrar que estamos aqui, bem vivos e inteiros, com algumas cicatrizes e dificuldades mas que estamos tão ou mais vivos do que os outros porque estas gentes não deixam o Vitória morrer em tempo algum! Mostras-te a todos os que por aí andam de nariz empinado e peito feito que não precisas de descer de nível para lhes responder e ensinar como se faz e como se está. Para além da tua inegável capacidade e qualidade como treinador, sempre gostei de te ouvir, sempre tiveste tanta classe na forma como dizias as coisas que fazias os outros corarem de vergonha (ou então não que há tantos por aí sem vergonha na cara).
Com tudo isto que te estou a dizer não quero que me interpretes mal. O Vitória é muito maior do que tu ou qualquer outro treinador. Desculpa a frieza da declaração mas quem diz a verdade não merece castigo. Eu tenho a certeza que já sabias isso antes de te dizer porque já conheces o símbolo do Rei, já sabes que para nós o importante é o clube e não os jogadores ou o treinador ou quem quer que seja.
Por fim e se não estiveres cansado do que já te disse, deixa-me agradecer-te por teres escrito a ouro muitas páginas da nossa história, agradecer-te por teres feito tanto com tão pouco, agradecer-te por teres trazido tantos e tão bons jogadores que podiam passar despercebidos. Todos nós nos iremos sempre lembrar do Vitória do Vitória e tu serás sempre bem-vindo ao castelo do Rei. Há poucos como tu! Obrigada por teres dado tanto de ti, eu sei que também levas imenso de nós contigo.
"Acabámos por ganhar. Foi tocar no céu. Indiscritível."