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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Oportunidades desperdiçadas

Depois de uma importante vitória - a nível da classificação, mas também a nível anímico - conquistada no Estádio Municipal de Braga ao rival de sempre, a turma vitoriana regressou a casa defrontar o Marítimo. Os verde-rubros entraram melhor no jogo e avisaram os branquinhos de que não iriam facilitar a vida ao anfitrião. A equipa da casa, depois de recuperar do choque, mostrou serviço e foi superior na maior parte do tempo. Duas oportunidades flagrantes que não foram aproveitadas por Bernard e pelo estreante Rafael Miranda fizeram com que este empate soubesse a muito pouco. Os dois pontos perdidos seriam importantes para subir, ainda que à condição, ao terceiro lugar da tabela classificativa e para cimentar o acesso à Liga Europa (quero acreditar que o quinto lugar já não escapa, mas ainda assim será bom aumentar o fosso para o sexto classificado enquanto se prepara o assalto ao quarto e, no melhor cenário, ao pódio). A época tem sido marcada por oportunidades não aproveitadas de dar um salto significativo na tabela.

O pior do jogo, e que eu condeno sempre porque julgo não beneficiar em nada o futebol, é a prática de anti-jogo. Já aconteceu com outras equipas no nosso estádio, como por exemplo com o Chaves, e voltou a acontecer perante os quase quinze mil vitorianos presentes no estádio no último sábado. O Marítimo, apesar de ter entrado bem, revelou que ficava feliz com um empate e o Vitória foi a única equipa que mostrou vontade de lutar pelos três pontos. É inadmissível que as equipas que adoptam essa posição no jogo não sejam punidas e é inadmissível que as equipas de arbitragens sejam cúmplices. No outro extremo do espectro, e apesar de eu raramente destacar individualidades, Bruno Gaspar e Konan continuam a ser dos melhores em campo. O primeiro já é bem conhecido dos vitorianos e, depois de uma fase menos positiva, encontra-se agora muito confiante e contribuí muito para a equipa. O costa-marfinense, proveniente da equipa B, encontrou o seu lugar na equipa A em Dezembro e o seu rendimento melhora de jogo para jogo. No entanto, o destaque maior é o colectivo que, apesar de não ter a pontaria afinada, jogou tanto quanto o Marítimo deixou - ou seja, sempre que não estava um jogador estendido no chão. João Pedro assistiu ao jogo da bancada e tudo o que os vitorianos lhe podem desejar é boa sorte e agradecer pelos anos de dedicação ao clube. Agora é um conquistador, como todos nós espalhados pelas bancadas e pelo mundo.

A janela de transferências encerra hoje e, apesar de já me ter pronunciado sobre a mesma há uma semana (aqui), há desenvolvimentos e, ainda assim, provavelmente não será assunto a ser encerrado hoje. Rafael Miranda, apresentado na última terça-feira, já teve oportunidade de se mostrar aos sócios no último sábado. Entrou em jogo já depois do minuto sessenta e, portanto, ainda é cedo para fazer qualquer tipo de apreciação. Não só porque jogou pouco tempo, mas também porque se juntou à equipa há poucos dias. O que marcou a sua estreia foi uma oportunidade desperdiçada que me parece fruto da ânsia de mostrar a sua competência. Não me alarma e não me preocupa.. Terá tempo de mostrar serviço e conto que o faça. O ponta-de-lança brasileiro, de 27 anos, chegou a Portugal em 2013/2014 para alinhar pelo Vitória FC e apontou 15 golos em 34 jogos. Captou a atenção do Levante e transferiu-se para o país vizinho na época seguinte. Os números não foram os melhores e apenas conseguiu apontar um tento nos 17 jogos ao serviço do clube. Em 2015/2016 regressa a Portugal e integra-se no plantel do Moreirense, onde faz uma das suas melhores épocas e, em termos de golos, a melhor época dos últimos anos: em 31 jogos, marcou 20 golos, conseguindo uma simpática média de 0,65 golos por jogo. Regressou ao Levante no início da presente época, mas foram poucos os jogos em que alinhou a titular. Chega, assim, ao Vitória a título definitivo. No último domingo, foi apresentado Fábio Sturgeon, de 22 anos, que chega do Belenenses. Esta época apontou 2 golos em 21 jogos ao serviço dos azuis do Restelo. Um dos assuntos que tem estado na ordem do dia é a demora de Marega em se apresentar ao trabalho. O Mali foi eliminado da CAN a semana passada e, à hora em que escrevo este texto, ainda não se apresentou no complexo do Vitória. Consta que o Vitória garantiu o empréstimo do jogador para o resto desta época e para a próxima, ainda incluído no negócio de Soares. Nestas situações, a transparência da SAD com os sócios evitaria novelas e especulação que não ajudam em nada. Parece-me que fica a faltar um médio, mas o mercado fecha apenas à meia-noite e, apesar de parecer pouco tempo, as próximas horas podem ser determinantes.

O Vitória desloca-se, na próxima Sexta-feira, ao terreno do Paços de Ferreira. Na primeira volta o Vitória conseguiu manter os três pontos em casa, com um resultado extraordinário de 5-3. Os golos vitorianos foram apontados por Hurtado, Soares, Marega (2) e por Mateus Silva, que marcou na própria baliza. Sempre que o Vitória vai defrontar a Paços de Ferreira defrontar a equipa da cidade, arrasta consigo uma multidão de vitorianos. Não acontece só na Mata Real, acontece em todo o lado. No entanto ninguém se esquecerá da imagem de todos aqueles adeptos que, sob uma chuva descomunal, cantavam cada vez mais alto e elevavam os seus cachecóis, e o nome do Vitória, a um patamar épico. A chuva transformou-se num sol resplandecente para os vitorianos que, não se importando com as consequências de ficar cerca de duas horas à chuva, marcaram presença. Como estiveram no último sábado. Como estão sempre. Os conquistadores não abandonam a sua equipa em nenhuma circunstância. Sexta não pode ser excepção! Sexta é dia de começar o assalto ao pódio. Se tínhamos, por ventura, margem de manobra para errar, essa margem começa a encurtar. Não tenho dúvida de que se o desempenho da equipa for espelhado na qualidade do apoio na bancada, os três pontos viajam para Guimarães.

P.S.: A comunicação social não o fez porque, provavelmente, não combina com as cores que defendem. Eu sei as cores que defendo e o meu coração só tem espaço para um clube, o Vitória. No entanto, sou de Guimarães e fico feliz quando Guimarães ganha. Guimarães escreve-se a dois nomes na primeira liga, Vitória SC e Moreirense FC. Sempre me orgulhei de ser assim e, portanto, resta-me congratular o Moreirense pela sua vitória na final da Taça da Liga. Foi o culminar de um percurso incrível. Que seja a primeira Taça da época a viajar para Guimarães. Que a segunda seja a Taça de Portugal, conquistada pelo Vitória!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ganhar!

Foto: Vitória SC
O último sábado foi de futebol para as equipas de futebol do Vitória na casa de adversários que não colhem nenhuma simpatia na cidade berço. A equipa B entrou no relvado do Estádio 1º de Maio, às 15 horas, para defrontar o Braga B, depois de uma saborosa e importante vitória em casa frente ao Sporting B. Ao início da noite, meia hora depois das 20 horas, foi a vez da equipa principal entrar em campo, no mesmo estádio onde cerca de três semanas antes tinha carimbado a passagem à próxima fase da Taça de Portugal.

Infelizmente a tarde não começou da melhor maneira. Acompanhei o jogo online através da BragaTV que, com profissionalismo e qualidade, transmitiu o jogo para os que não podiam deslocar-se ao estádio. O jogo contou apenas com 385 espectadores. Um derby, mesmo que seja entre equipas B, merece mais! A turma vitoriana entrou mal no jogo e antes dos quinze minutos de jogo já tinha sofrido o primeiro golo da partida. Não conseguiu impor-se e voltou a sofrer pouco depois de regressar dos balneários. Sem dar resposta, o marcador manteve-se inalterado até ao apito final. À 18ª jornada, encontra-se no 13º lugar da tabela classificativa com 21 pontos e em igualdade pontual com Famalicão, Gil Vicente, Varzim e Braga B. Seguem-se agora duas jornadas, em casa, que serão desafios difíceis. Na próxima segunda-feira, às 15 horas, recebemos a Académica e na quinta-feira seguinte, dia 22 de Dezembro, à mesma hora recebemos o Porto B. A hora não é convidativa mas os vitorianos marcam sempre presença. Não é à toa que somos o clube da segunda liga com mais assistências, inclusive à frente de um clube da primeira divisão.

O segundo jogo de futebol do dia, no Estádio do Bessa, teve um desfecho bem mais agradável para os vitorianos. Com um começo fulgurante a fazer lembrar o jogo em casa com o Chaves, o estreante Texeira não hesitou e atirou a bola para o fundo da baliza axadrezada aos 3 minutos. Os vitorianos, que nunca abandonam a equipa, ainda festejavam quando Philipe Sampaio fez o 1-1. O resto da primeira parte foi paupérrima de parte a parte, sem alterações no resultado e sem que nenhuma equipa se mostrasse superior. Na segunda parte, o Vitória mostrou-se melhor e aos 68 minutos Hurtado voltou a repetir a obra e a deixar o marcador a nosso favor. O filme de há três semanas repetia-se, desta vez sem necessidade de prolongamento. A vitória - e a moldura humana vitoriana que se deslocou ao Bessa - foi o melhor do jogo. O que não deve acontecer é achar que a vitória encobre o futebol pobre que a equipa tem praticado. É verdade que, no final dos noventa minutos, o que conta realmente são os três pontos. Jogar bem, ou mal, é um detalhe. No entanto, e todos sabemos isto, quem joga melhor tende a ganhar o jogo. Foram três pontos de extrema importância na luta pelos objectivos. Não fossem os desaires das últimas duas jornadas - a derrota frente ao Tondela e o empate caseiro frente ao Chaves - e podíamos estar a sonhar, com direito, em alcançar outros patamares. A meio de Dezembro importa, e muito, começar a acautelar o mercado de Inverno. Ou seja, não deixar sair os pilares da equipa e reforçá-la com titulares de qualidade. É primordial começar a pensar no crescimento desportivo, uma vez que, nos últimos anos, temos privilegiado a vertente financeira.

Nos próximos jogos, a palavra de ordem só pode ser uma: ganhar! Na próxima quinta-feira, às 18 horas, o Vitória recebe o Vilafranquense. Infelizmente não vou conseguir estar presente. A Taça de Portugal, uma das competições mais queridas dos vitorianos - e dos adeptos de futebol em geral -, tida como a prova-rainha portuguesa, devia ser tratada com mais respeito. Afinal de contas, é a festa do futebol por excelência. Um jogo disputado às 18 horas, quando muita gente ainda está no trabalho ou nas aulas, é uma tentativa deliberada de estragar essa festa. Será o segundo confronto entre as duas equipas. O primeiro, disputado a 9 de Dezembro de 1984, fora de portas e também para a Taça de Portugal, resultou numa vitória categórica dos branquinhos: 1-3. Tal como Hurtado repetiu o golo - e, consequentemente, o resultado - de há três semanas no mesmo estádio, desta vez a equipa tem de repetir o resultado dos antepassados. Já disse, e parece-me importante repetir, que não há jogos fáceis. É claro que, tecnicamente, a vitória fica em Guimarães mas ambas as equipas estão na mesma fase da competição e, se assim é, é porque batalharam para lá chegar. Ninguém dá vitorias de bandeja e a equipa do Vilafranquense estará, certamente, muito motivada a mostrar serviço. Eliminaram o Paços de Ferreira, uma equipa da primeira divisão, e vão querer repetir a dose. Cabe-nos pará-los. O Vitória tem de entrar em campo determinado e não pode subestimar o adversário. O caminho tem de ser para o Jamor! No Domingo seguinte entramos em campo para disputar mais três ponto, contra o homónimo de Setúbal. Tal como os últimos conquistados, estes três pontos são fundamentais para aumentar a vantagem relativamente aos adversários que estão a lutar pela Liga Europa e são fundamentais para nos aproximarmos dos lugares mais cimeiros, uma vez que Sporting de Lisboa, com mais três pontos, e Sporting de Braga, com mais dois pontos, se defrontam. A história dá-nos vantagem: dos 60 jogos disputados no nosso estádio para o campeonato, o Vitória manteve os três pontos em casa por 35 vezes, enquanto que o Vitória FC só conseguiu arrancar-nos a vitória por 11 vezes. 

A história, no entanto, não entra em campo, não joga e não ganha pontos. Somos nós, os onze no tapete verde e o décimo segundo nas bancadas, que os ganhamos. Com garra, dedicação e muito trabalho. Seja à semana ou Domingo, a que horas for, eu sei que os vitorianos vão marcar presença. Não fossemos nós a mais apaixonante massa adepta que Portugal já conheceu!

Não esquecer da iniciativa solidária do Vitória e dos White Angels. Ao deixar alimentos na Vitória Store ou na nova sede da claque têm um convite para o jogo. Se não quiserem convites, podem (e devem) deixar alimentos na mesma. Da mesma forma que as nossas vozes são mais fortes juntas, se todos ajudarmos então nada custa. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Escalar o céu

Pergunto continuamente a mim próprio: 
será um sinal de cobardia ou um sinal de maturidade?
CARL SAGAN, O Ponto Azul-Claro, 1995


A pergunta de Carl Sagan não está, de nenhum modo, directamente ligada ao Vitória. Aliás, nem directa nem indirectamente. Quando a escreveu em 1995, no livro que está agora na minha mesa-de-cabeceira, questionava-se se o retrocesso da exploração espacial depois das décadas douradas de 60 e 70, em que os homens chegaram à Lua pela primeira vez e foi feito um reconhecimento preliminar do sistema solar até Neptuno em missões que enviaram para a Terra informações valiosas, seria um sinal de cobardia ou maturidade. Sagan questiona o porquê de estarmos atemorizados por causa de uma viagem a Marte quando há 7 mil anos os nossos antepassados atravessaram os mares polares em embarcações abertas ou circum-navegaram a Terra impulsionados apenas pelo vento. Será cobardia abandonar a ideia de tal viagem? Depois questiona-se se não será afinal um sinal de maturidade ficar "em casa" em vez de partir para uma viagem a um mundo desconhecido; afinal quantas crianças podiam ser salvas apenas com o dinheiro de uma hipotética missão tripulada a Marte?

Depois da entrevista concedida por Júlio Mendes à Rádio Fundação, com um discurso sempre na base da cautela e do realismo e nas palavras do próprio "alimentando a esperança mas não o fazendo de forma irresponsável", não pude deixar de transpor esta pergunta para a situação do Vitória dos últimos anos. A direcção anterior, presidida por Emílio Macedo da Silva e eleita em 2007, devolveu o Vitória ao escalão máximo do futebol português depois de uma breve passagem pelo "inferno" e deixou os destinos do clube no final de um mandato e meio por causa da forte contestação à sua gestão financeira. Em 2012 é eleito Júlio Mendes; no ano seguinte constitui a SAD e o Vitória conquista a tão almejada Taça de Portugal e verifica-se uma melhoria na vertente financeira do clube, depois de um período muito negativo que incluía salários em atraso e um passivo ridiculamente elevado à altura da eleição. É reeleito para um segundo mandato em 2015.

Referi, de cada direcção, os pontos que julgo serem mais marcantes e positivos, pelo menos no que ao futebol profissional diz respeito. Não pretendo traçar nenhum paralelismo entre ambas as direcções, nem fazia sentido fazê-lo! O que não consigo deixar passar é que, pelo menos, nos últimos 10 anos, sob a alçada destas duas últimas direcções, o Vitória tem sido um monstro adormecido que vai dando uns sinais de que pode acordar mas que cai num sono mais ou menos profundo outra vez. Desde a época 2007/2008 em que regressámos à primeira divisão e alcançámos, com Manuel Cajuda no comando técnico, o 3º lugar na tabela classificativa, não acabámos a época nos quatro primeiros lugares e terminamos abaixo da sétima posição em quatro temporadas. Alcançamos o 5º lugar em duas épocas: em 2010/11 com Manuel Machado e em 2014/15, com Rui Vitória e terminamos, também por duas vezes, no 10º lugar: em 2013/14 com Rui Vitória e na época passada com Armando Evangelista e Sérgio Conceição. Ou seja, nas últimas três épocas acabamos por duas vezes no 10º lugar. São números alarmantes e que, julgo eu, preocupam qualquer vitoriano e agradam apenas aos adversários. Números que mostram que desportivamente (e apenas desportivamente) o Vitória tem ficado para trás e tem sido tristemente ultrapassado pelos rivais.

Júlio Mendes disse, durante a Assembleia Geral do sábado passado, que basta apenas "uma gota de água para o copo transbordar". Não sei o que quis exactamente dizer com isso, se pretendia ter mais cuidado na preparação e gestão da próxima época para que possa correr melhor ou se a situação do Vitória continua frágil a esse ponto. O que sei é que os Vitorianos têm segurado incondicionalmente esse copo de água, com paciência e a dedicação de sempre. O problema em segurar um copo de água, ou qualquer outro objecto, é o tempo. O peso desse copo é sempre o mesmo. Se pesar 100 gramas hoje e não houver alterações vai pesar efectivamente 100 gramas amanhã e depois de amanhã. Quando pegamos num copo de água que pesa 100 gramas é perfeitamente suportável, aguentámos, temos paciência quando nos pedem, é apenas incómodo. Se pegarmos num copo de água que pesa 100 gramas durante muito tempo dá-nos a sensação de que pesa mais, o braço acaba por ficar dormente e o peso passa a ser insuportável consoante o tempo vai passando - apesar de serem os mesmos 100 gramas de sempre. O que quero dizer é que o "copo" começa a pesar nas mãos vitorianas depois de tantas épocas a pedir paciência e calma, depois de esgotar todas as desculpas possíveis, depois de esperar por dias melhores e serem sempre dias iguais e depois da instabilidade relatada no parágrafo acima, de ver o "monstro" dar sinais de estar a acordar mas de voltar a adormecer de seguida.

Volto à minha pergunta inicial: será um sinal de cobardia ou maturidade? As respostas serão as mais variadas, naturalmente. Haverá quem acredite que é um sinal de cobardia (não será a palavra mais indicada mas acho que se adequa) negligenciar a aposta desportiva em nome de uma política financeira estável e sólida no futuro e haverá quem acredite que é um sinal de maturidade fazê-lo. Para outros, e para mim. é uma dicotomia falsa. Não podemos alcançar a plenitude em ambos os campos? Não se podem fazer campeonatos consistentes e que honrem este símbolo tão bonito enquanto se faz uma gestão financeira condizente e que traga garantias? Não acredito que seja fácil e não estou a dizer que é, mas acredito que seja possível com muito esforço, espírito de sacrifício e paixão. O Vitória não é como os outros, tem um suporte mais forte e resistente do que os outros e por isso aqui é possível fazer o que parece impossível a muitos.

Nós também pousamos os pés na lua em 2013 quando o nosso capitão elevou a Taça bem alto para que todos pudessem ver que era nossa e de mais ninguém, conquistada com muito trabalho e esforço de todos os que faziam parte do Vitória - desde o roupeiro ao adepto mais pequenino, passando por todos os profissionais que envergavam o símbolo fosse no equipamento com que pisavam a relva ou no fato que vestiam na bancada. Foi o resultado de um esforço colectivo. No entanto há muito mais para ver e para conquistar e a Lua foi só o primeiro passo. O retrocesso que houve depois das décadas de 60 e 70 na exploração espacial pode ser talvez comparável com a situação do Vitória nos últimos anos. Um estagnamento que desencoraja e entristece. Somos muito mais do que isto e podemos fazer muito mais do que estamos a fazer, não tenho dúvidas disso. Para que tal aconteça é preciso fazer-se mais do que o que se está a fazer. Se queremos escalar o céu, e conquistá-lo, não podemos ficar apenas a olhar para as estrelas. Tal como os nossos antepassados nunca tivemos medo de lutar, vamos ter agora?

terça-feira, 31 de maio de 2016

A cadeira de sonho

Considero-me uma pessoa comedida. Costumo ser positiva mas não tenho o hábito de me dar a grandes esperanças para que, em caso de queda, esta possa ser amortizada ou ligeiramente amparada. A pouco mais de um mês do início dos trabalhos de pré-época, confesso-me mais esperançosa do que estava no início da época passada. Essa confiança passa por me parecer que a época está a ser melhor preparada e porque tenho mais confiança no trabalho de Pedro Martins do que tinha no de Armando Evangelista quando assumiu o comando técnico do Vitória a meio de Junho do ano passado. Na altura da sua apresentação dei-lhe o benefício da dúvida porque não tinha feito um mau trabalho na equipa B e porque já fazia parte da estrutura do Vitória, conhecia a história e objectivos do clube. Infelizmente percebemos rapidamente que não estava à altura de um clube como este nem possuía ainda qualidades para tal.

Ser treinador do Vitória não é para qualquer um porque o Vitória não é qualquer um. Sou suspeita para o dizer, reconheço-o. No entanto acho que não é uma afirmação disparatada. O Vitória distingue-se pela sua unicidade e mística tão ímpares e raras em Portugal. Esta distinção é reconhecida pelos que estão de fora por uma diversidade de factores. Começo pela história. Não nascemos dos outros nem fomos clube satélite de ninguém como muitos o foram e ainda são. Nascemos de ideais e princípios próprios. Não há origem ou fundação mais verdadeira do que esta. Uma história profundamente entrelaçada com a história de Guimarães e Portugal: basta olhar o nosso símbolo para o saber. No nosso símbolo está a figura daquele que iniciou a conquista deste país, de espada na mão, sonhos na cabeça e uma ambição extraordinária. Ficou na história como O Conquistador. Enquanto vimaranenses e vitorianos somos a descendência directa do primeiro rei de Portugal. Os conquistadores. Não garanto a veracidade histórica de tal afirmação, mas julgo que é difícil alguém duvidar do que disse quando vê estes adeptos de cachecol ao peito e com os olhos a brilhar de tanto orgulho independentemente do resto. Somos apaixonados e a nossa paixão, dedicação e amor fazem-nos ser exigentes com todos os que representam este símbolo. Treinar o Vitória é difícil, reconheço-o.

Pedro Martins assume agora os comandos da equipa. Parece-me ser um homem com postura, inteligente e com qualidade. Não tem uma carreira longa como treinador na 1ª liga, mas até agora fez um bom trabalho nas equipas por onde passou. Iniciou a carreira no escalão máximo do futebol português no Marítimo na época 2010/2011. Fez a ascensão da equipa B para a equipa principal para substituir Mitchell van der Gaag. O mesmo aconteceu com Armando Evangelista no Vitória. A diferença é que Pedro Martins foi uma "aposta" ganha. Nas três épocas seguintes garantiu os objectivos do clube no campeonato para além de ter alcançado por duas vezes os oitavos de final na Taça de Portugal (em 2012/2013 foram eliminados da competição em Guimarães, pelo Vitória que acabou por se consagrar o vencedor). Em 2014 trocou a Madeira por Vila do Conde para orientar o Rio Ave por duas épocas onde voltou a assegurar os objectivos do clube no campeonato e onde fez boas campanhas mais uma vez na Taça de Portugal ao conduzir por dois anos seguidos o Rio Ave às meias-finais da competição, onde foi pelas duas vezes eliminado pelo Braga que foi o vencedor na época transacta. Não o conheci enquanto jogador mas saber que envergou a branquinha em 1994/1995 dá-me alguma confiança no que toca aos conhecimentos e carinho que tem pelo clube. Tem agora o maior desafio da sua carreira, disso estou certa. Está "na cadeira de sonho" mas o que eu quero, para além de sonhar, é muito trabalho para tornar todos os sonhos realidades.

Tal como uma época não se faz só de discursos, também não se faz só de um bom treinador. O treinador comanda a orquestra. Para que possa fazer um bom trabalho, precisa em primeiro lugar de uma boa orquestra. Isto é o mesmo que dizer que precisa de uma boa equipa. Do que é feita uma boa equipa? Quais são as bases do sucesso de uma equipa? Estas são perguntas fundamentais e que podem ter várias respostas e respostas diferentes até porque não há uma fórmula para o sucesso em nenhum sector da vida. Para mim há três fundamentos basilares. Em primeiro lugar é importante que seja um núcleo forte e consistente. Ou seja, é necessário transformar as individualidades num bom colectivo. Nem sempre uma coisa implica a outra. Há equipas que funcionam como um todo em que os jogadores, por si só, não têm qualidades extraordinárias. Da mesma forma há equipas com jogadores com qualidades acima da média mas que simplesmente não funcionam em conjunto por vários motivos que não vale a pena discutir aqui. É necessário encontrar o equilíbrio. Em segundo lugar está a importância de ter referências nas posições essenciais. Passa, por exemplo, por manter o Miguel Silva na baliza do Vitória. O guarda-redes é um dos pilares fundamentais de qualquer equipa, acho que tal é inquestionável. O Miguel já demonstrou vontade de ficar e tenho a certeza de que, com toda a sua qualidade e trabalho vai ser fundamental na próxima época - como já o foi esta e a aposta nele foi, para mim, o melhor da passagem de Sérgio Conceição. O terceiro acho que é o mais consensual: trabalho, muito trabalho. Trabalho que passa por motivar os jogadores, fazê-los acreditar, fazê-los lutar, tirar o melhor de cada um, estudar os adversários, saber os pontos fracos e fortes dos adversários e os nossos também. Muito trabalho, muito treino e muita dedicação. Qualquer treinador ou jogador saberá isso muito melhor do que eu.

Ainda assim, estes três princípios não são tudo. É necessário um suporte, um apoio à orquestra e a quem a comanda. Esse suporte é, claro está, uma estrutura e um projecto bem organizados e condizentes com os objectivos a alcançar. Esses objectivos devem passar por ficar nos 4 primeiros lugares da tabela classificativa bem como por vencer as competições em que o clube se envolver, nomeadamente a Taça de Portugal. Para isto é necessário que sejam descartadas algumas políticas que vigoraram na época passada e que contribuíram para uma época negativa, tal como a política de emprestados numa quantidade exagerada e em que nada acrescentam à equipa e adoptar novas medidas que visem defender e honrar o clube.

Ao Vitória nunca pedi títulos nem vitórias como condição do meu amor. Como tal, não peço títulos nem vitórias a Pedro Martins, como não o faria se fosse qualquer outro treinador. Faço um pedido que me parece de maior importância. Peço apenas que enquanto usar a braçadeira de treinador no braço sinta o Vitória da mesma forma que todos os que, tal como eu, preenchem as bancadas do D. Afonso Henriques e de todos os outros estádios sentimos. Que tenha o mesmo carinho, estima, respeito, dedicação, amor e paixão pelo símbolo que nós temos. Se assim for os títulos e as vitórias tornam-se numa realidade porque, verdade seja dita, se os resultados fossem disputados nas bancadas os vitorianos goleavam em praticamente todos os jogos.

O nosso apoio está garantido independentemente dos resultados, mas somos também minuciosos com todos aqueles que representam o símbolo pela simples razão de que queremos que seja bem tratado. Posto isto e quase uma semana depois da confirmação: sê bem-vindo Pedro Martins. Bem-vindo ao clube mais único do mundo! Bem-vindo ao Vitória!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Novos dias de conquistas

É muito difícil nesta altura do ano não pensar num dia em particular que nos é muito especial a todos. Eu não consigo, nem quero, evitar. Afinal foi dos dias mais maravilhosos que já vivi - podia dizer que foi o melhor dia da minha vida, e provavelmente foi, mas não gosto de ser radical. Vinte e seis de Maio de dois mil e treze. Vocês já sabiam porque a maioria pensa no mesmo e por mais que possamos discordar das opiniões uns dos outros, nisto julgo todos concordamos: todas as discórdias e discussões são para fazer do Vitória maior e melhor e para que dias como estes sejam frequentes.

Lembro-me deste dia com detalhe. O tempo parecia não passar, a viagem parecia interminável. A viagem não começou só às seis da manhã - hora em que deixei Guimarães para rumar ao Jamor - desse dia. Não, começou muito antes. Não foi uma viagem calma nem tranquila. Nós somos demasiado apaixonados para tal. Conquistámos todos os obstáculos, um por um. Acumulamos forças e sabíamos que era a hora! Tinha de ser a nossa hora! Volvidos três anos não consigo precisar se a viagem parecia interminável ou se estava demasiado ansiosa. Agora já não interessa.

Lembro-me com precisão de ver pessoas totalmente diferentes com lágrimas de emoção no final do jogo. Rapazes de cinco anos e senhoras de setenta. Gerações e gerações separadas por tantas coisas mas unidas ali, num estádio de futebol, pelo Vitória. Não porque precisamos de troféus para estar presentes mas porque é o nosso Vitória e queremos ver bem quem gostamos. Lembro-me do que pensei enquanto via a magnífica Taça ser levantada e nos dias seguintes. É o mesmo que penso até agora: quero viver mais momentos destes.

A Taça faz parte da nossa história, fez-nos crescer ainda mais e aumentou o nosso palmarés. Tudo verdade. Foi um dia extraordinário e que nunca ninguém que o viveu esquecerá. No entanto não quero voltar a viver este dia, por mais carinho que tenha por ele. Quero novos dias de conquistas. Quero este Vitória emocionante, forte, sólido e orgulhoso da camisola que vi no Jamor e que já vi tantas outras vezes mas que, com uma enorme tristeza, não tenho visto. Não peço muito, só peço este Vitória. Quero a garra, a mística e o inferno branco de volta. 

Já me disseram que a conquista da Taça foi um acaso, uma sorte. Não acredito nisso porque não acredito que a sorte marque golos ou vença jogos. Nós vencemos os jogos, não a sorte. Foi uma vitória fruto de muito sacrifício, muito trabalho, dedicação e garra. Quero fazer história outra vez. Quero fazer história mais vezes! Não quero mais ver o Vitória, com o Dom Afonso Henriques e a sua espada ao peito, apático e fraco. Quero lutar. A nossa história fez-se de luta. Não podemos de forma nenhuma negligenciar uma história tão bonita agora. Só quem não ama pode ser incapaz de sentir o que eu sinto.

Vou recordar sempre este dia tão especial mas não vou fingir que chega porque não chega. Não está tudo bem porque ganhamos a Taça de Portugal há três anos. Todas as desculpas já estão gastas e chegou a hora de trabalhar para mais dias assim. Não vou tolerar mais descansar à sombra de uma Taça. O Vitória não é apatia nem sossego. O Vitória é um fenómeno inexplicável da natureza e tem contornos especiais. Não podemos nem vamos deixar que façam dele o que ele não é. Afinal o Vitória é nosso e o Vitória somos nós!

terça-feira, 3 de maio de 2016

ADN do Rei

Foto: O Lado V
O Vitória foi defrontar o Lisboa ao Estádio da Luz mergulhado numa série de maus resultados e, pior do que isso, mergulhado numa série de exibições em nada satisfatórias. Os maus resultados mantiveram-se, com uma derrota que aumentou para doze o número de jogos sem vencer mas o Vitória não foi o mesmo. Finalmente vimos uma equipa entrar no relvado com atitude, garra e muita vontade de vencer. Uma equipa que sabia o que fazer à bola. Infelizmente isso aconteceu contra o filho querido de um sistema sujo, gasto e podre que é o futebol português. Não é novidade nenhuma que há um sem número de factores que pesam no resultado mas que são decididos bem longe das quatro linhas. Afinal, o jogo da primeira volta quando descaradamente nos foram roubados pontos na nossa própria casa não é uma memória assim tão distante. Pela segunda vez esta época o Vitória defrontou um Lisboa que não apresenta um futebol extraordinário (nem com o tão anunciado futuro melhor do mundo que supostamente vale 40M€ Renato Sanches, que acabou por ser substituído) e seria uma equipa normal, não fosse uns tantos ajudantes que por aí andam. Para não me alongar muito, algumas notas:

- Perguntei-me algumas vezes no decorrer do jogo o porquê de Bruno Paixão continuar como interveniente do escalão máximo do futebol português. Claramente um milagre... se eu acreditasse neles. Eu já sabia a resposta, principalmente porque não comecei a ver futebol ontem. Indivíduos incompetentes como Paixão, Xistra e companhia ainda não foram eliminados do futebol porque com eles se fazem, na maioria das vezes, campeões. A incompetência deste árbitro foi manifesta: o Eliseu não acabava a primeira parte depois daquele pontapé ao Hurtado que, tenho a certeza, deixou o Anderson Silva a corar de vergonha (e que, surpresa das surpresas resultou em falta contra o Vitória) mas só foi amarelado depois do golo quando decidiu dar uma palmadinha no nosso jogador. Enquanto isso os nossos jogadores viram quatro cartões amarelos em trinta minutos e sete no total, sendo que este foi o jogo em que os jogadores vitorianos viram mais cartões durante toda a época. Sérgio Conceição foi obrigado a assistir a mais de metade da partida da bancada sabe-se lá porquê. Talvez porque, nas palavras do próprio, "estávamos a bater o pé ao Benfica". Paixão a ser... Paixão. A impor as suas preferências e a gerir o jogo através do medo e da autoridade e nunca através do respeito que geralmente é fruto de um trabalho coerente e justo. Isso ele não sabe ser. Pior do que ele é quem o selecciona cuidadosamente para arbitrar estes jogos e compactua com a fraude que é, e sempre foi. Se houvesse algum tipo de verdade desportiva em Portugal, Paixão nem a arbitrar jogos das distritais tinha lugar.

- O Lisboa está habituado a que todos se ajoelhem e lhes facilitem a vida. Quando isso não acontece revoltam-se. Revoltaram-se durante o jogo e depois. Ver o jogo na BenficaTV só por si já é um martírio, um verdadeiro esforço. Durante o intervalo lá estava um comentador, de quem não me interessa saber o nome porque ele não se dignificou em saber o nosso, a choramingar e a queixar-se que "eles estão a jogar para intimidar o Benfica" e "o anti-jogo deles não honra o futebol". Continuou nesse registo de vitima e coitadinho. Não se lembrou do anti-jogo ao estilo de equipa pequena que está a ser pressionada que eles adoptaram no final do jogo e muito menos se lembrou do quanto desonram o futebol com o famoso colinho. A habitual coerência! Só sabem chorar. Choram e choram e choram quando as coisas não correm como planeado. Choram como se algum dia respeitassem a ética ou a verdade desportiva. Choram como se o Eliseu não merecesse ser expulso na maioria dos jogos. Choramingam porque são os filhos queridos e têm tudo de bandeja. Quando não têm... choram! No final, já depois de terem ganho um jogo que não mereciam ganhar choraram mais um bocadinho. Começou com o director de comunicação do Lisboa a tentar ser engraçado no twitter. Chorou. Depois foi a vez de o vice-presidente chorar. Questionou-se sobre o porquê de o Vitória ter jogado como jogou contra eles. Talvez este individuo não se lembre que, por exemplo, o Sporting veio empatar a Guimarães. Por fim, outro comentador, que já não surpreende ninguém pela sua incompetência e falta de postura, chorou. Afirmava com toda a certeza que o Sérgio Conceição disse aos jogadores que estava em jogo um prémio de 280 mil euros. Não sei se o Benfica põe escutas no balneário do adversário ou se tem infiltrados agentes secretos em todas as equipas adversárias visto que é pelo menos a segunda vez que boatos destes são lançados. A minha teoria é a de que Pedro Guerra não sabe o que diz e não tem noção dos disparates. Só chora, jornada atrás de jornada no sítio onde, infelizmente, lhe dão tempo de antena.

- Eles choram e a direcção deixa-os chorar. Eles roubam e a direcção deixa-os roubar. Tem sido assim. Um silêncio que compactua com aquilo que se tem passado. Mais uma vez, e não é a primeira vez que falo disto, a direcção calou-se e ninguém, para além do treinador, foi capaz de defender publicamente os interesses do Vitória. A anestesia da direcção irrita-me. Eles falam e choram e dizem um sem fim de disparates a atacar o Vitória e prejudicam deliberadamente o Vitória e ninguém fala, ninguém procura explicações. Ninguém que conhece minimamente a história do Vitória e de Guimarães, que estão intimamente ligadas, é capaz de ser subserviente e de se ajoelhar a quem tem mais poder. Isso é o que a direcção tem feito. Dom Afonso Henriques conquistou a independência porque lutou e lutou até conseguir o que pretendia. Conseguiu sem nunca se ajoelhar aos pés de ninguém, sem nunca compactuar com os poderosos e sem consentir. É essa a nossa história e por isso eu não aceito este silêncio, nem compreendo. Um dos maiores erros da direcção, a par da falta de um plano desportivo a médio/longo prazo e da pobre gestão desportiva, é o de continuar a apanhar as migalhas que caem da mesa em vez de tentar ter um lugar nela. O Vitória não é um clube que se ajoelha, o Vitória é o clube que faz os outros ajoelharem-se perante si. Isso é parte do nosso ADN, tentar contrariá-lo é imprudente e de uma profunda falta de conhecimento.

- Não posso deixar de saudar todos os adeptos do Vitória que foram à Luz apoiar a equipa. É difícil fazê-lo a uma sexta-feira porque há sempre trabalho e/ou aulas - eu sei, porque já o fiz. Os vitorianos marcaram presença num estádio que só tem as bancadas completas quando o clube está prestes a sagrar-se campeão (mas nem assim fazem barulho o suficiente e só cantam e apoiam quando estão a ganhar e o jogo prestes a terminar). São seis milhões e 98% são adeptos de sofá - que ontem não chegaram a 25 mil no jogo para a Taça CTT e o Seixal está sempre às moscas para ver jogar a equipa B (e todos sabemos o que é que atrai as moscas...). É triste que, sentados no sofá sem gastar 1€ para apoiar a equipa, ainda sejam cegos ao ponto de escrever comentários inflamados nas redes sociais sobre adeptos que fazem uma viagem cansativa e longa a uma sexta, dia de trabalho, e que não é de graça. Podem ser seis milhões, ou o número que quiserem inventar para se sentir superiores, mas a pequenez que os caracteriza é assustadora. Deviam mostrar respeito aos adeptos que têm a grandeza que eles almejam um dia ter!

Entristece-me ver o futebol português continuar neste ciclo vicioso do qual não parece encontrar saída. Persiste uma dualidade de critérios preocupante e que em nada beneficia o futebol. Continuam pessoas com algum peso no mundo do futebol que nunca deviam ter feito algum dia parte dele. Ontem o Leicester sagrou-se campeão porque os jogos decidem-se dentro das quatro linhas, sem bastidores. Anseio pelo dia em que o mesmo possa acontecer aqui. Em que a verdade e ética desportiva estejam na ordem do dia e em que todos tenham igualdade de oportunidades. Não será amanhã, ou para o ano. A liberdade ainda não chegou ao futebol. Um dia chegará, espero. Com as pessoas, mentalidade e atitudes certas. Entretanto, clubes com tudo para triunfar como o Vitória têm de lutar e não se podem vergar nunca. Afinal de contas, somos descentes directos do Rei, somos conquistadores. O Rei está gravado na nossa peleComo disse, o Rei nunca se ajoelha perante ninguém. Os outros ajoelham-se perante o Rei. Sempre!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Inaceitável

Há dias em que os três pontos são de importância menor. Esses dias são os dias em que perdemos um dos nossos. No sábado perdemos o Diogo, um conquistador. Para além das homenagens e das ovações - antes do início do jogo e ao minuto 31, o número da camisola que envergou na equipa B do Vitória - o triunfo era para ele. Não pelos três pontos, nem pela tabela classificativa mas especialmente para ele, para honrar o nome de um jovem cheio de sonhos e aspirações que, acredito, queria muito vestir de Rei ao peito. Infelizmente a concretização desses triunfos não foi possível, nem no D. Afonso Henriques nem no Seixal apesar dos quatro golos marcados por ambas as equipas - e dedicados, com muita emoção, ao Diogo.

Ao longo da história, as muralhas do nosso estádio têm estado bem protegidas para receber o Estoril. O histórico de confrontos não mente: dos 30 jogos disputados, 22 acabaram com o Vitória a manter os três pontos em Guimarães, enquanto que nos restantes oito contamos com quatro derrotas e, com o empate a uma bola no Domingo, quatro empates. Uma supremacia que não se viu em nenhum momento durante os noventa minutos de jogo, apesar de ter sido o Vitória a estar em vantagem.

O futebol apresentado por ambas as partes deixou muito a desejar. Mais um jogo muito pouco conseguido e, mais uma vez, uma equipa apática e anestesiada sem saber muito bem o que fazer à bola, sem conseguir construir uma jogada em condições e a falhar passes de forma preocupante. Sofremos o golo do empate num lance atrapalhado e que devia - e me parece que podia - ter sido evitado.

Começo a questionar-me, com alguma preocupação, se esta série se vai manter até ao final da época e se vamos chegar aos vergonhosos (não gosto da palavra e nunca me vou envergonhar de ser do Vitória mas parece-me adequada) 14 jogos sem vencer porque a verdade é que os jogos que temos pela frente não são nada fáceis. Este foi o 11º e infelizmente as bancadas já se estão a ressentir. Os números oficiais, retirados do site da liga, dão conta de que estiveram presentes 10061 espectadores. Para o panorama nacional não é um mau número sendo que só um dos jogos reuniu mais adeptos do que o nosso: o de Alvalade. Ainda assim parece-me um número modesto para um domingo à tarde de sol e calor, o ideal para ver futebol. Nas condições normais, e em condições normais o Vitória teria objectivos pelos quais lutar ou, a três jogos do término da época, já os tinha alcançado (e por objectivos não me refiro à manutenção, que foi a única coisa que alcançamos). Dói-me ver este afastamento entre os adeptos e a equipa, que infelizmente não é de hoje mas que tem acontecido ao longo das últimas épocas. Há muitas formas de protestar e a forma que as claques encontraram para o fazer pareceu-me boa: pacífica e com impacto. Não é pelos protestos que os adeptos deixam de ser menos vitorianos ou deixam de se preocupar com o clube, como já li. Os protestos, seja sob que forma for, são uma demonstração de interesse e não o contrário. Ninguém discute porque não se importa. O mesmo se aplica nesta situação. Diz o ditado que quem não se sente não é filho de boa gente. Portanto pode ser que sirva para abrir os olhos a quem tem andado com eles fechados.

A equipa B, que defrontou o Benfica B no Seixal, está bem encaminhada para se manter na segunda liga. Um empate difícil a três bolas e conseguido ao minuto 90 + 5. Os golos foram apontados pelo Raphinha, Areias e Hélder Ferreira. Na tabela classificativa, o Vitória B encontra-se na 15ª posição com 53 pontos. No entanto, as três jornadas que ainda faltam disputar não vão ser fáceis: recebemos o Sp. Covilhã que está na 14ª posição com um ponto a mais do que nós e o Porto, que está bem posicionado para ser campeão intervalados com a deslocação ao Sporting, o 8º classificado. São jogos difíceis mas dos quais é possível obter resultados positivos. Principalmente com o nosso apoio.

Por fim, e servindo-me da tarja colocada pelos White Angels, também pergunto: a que horas joga o Vitória? A que horas é que todos os que estão do Vitória se apercebem da grandeza, mística, bairrismo, amor e paixão deste clube? Continuamos no mesmo caminho, derrota após derrota. Qualquer pessoa que diga que são ciclos que temos de aceitar não conhece o Vitória, muito menos a sua história ou as suas gentes. Não aceito nem me conformo. No dia em que fizer isso entrego o meu cartão de sócia e isso não vai acontecer, nem hoje nem amanhã. Estamos mergulhados numa situação inaceitável. Infelizmente não sei a que horas joga o Vitória mas está na hora de o termos de volta. O nosso Vitória, não o deles.

terça-feira, 12 de abril de 2016

A nossa herança


O meu amor e paixão pelo Vitória não depende de uma posição na tabela classificativa ou de uma vitória. Os vitorianos são assim. Nós somos assim. Se não fossemos, não havia nenhum interesse em tentar fazer o Vitória ainda maior. A esta altura e na 11ª posição do campeonato, mergulhados numa série de maus resultados, se não fosse a paixão pelo nosso símbolo e a vontade de o tornar ainda maior que todos partilhamos não haveriam discussões nas redes sociais nem existia tempo ou vontade para escrever crónicas em blogues porque já ninguém queria saber. Nós continuamos a querer saber. É isso que nos caracteriza agora e é isso que sempre nos caracterizou. O amor incondicional e uma dedicação ímpar.

Não sei até que ponto é que, quem veste de Rei ao peito, e quem toma decisões em seu nome, entende isto, pelo menos da forma como todos nós, que gastámos dinheiro e tempo em viagens e bilhetes e tudo o mais, entendemos. Se todos entendessem o amor e a dedicação dos vitorianos, eu acredito que haveria mais vontade para fazer melhor - e com vontade tudo se faz.

O amor pelo Vitória é uma herança. Aprendi a gostar do Vitória através de pessoas que me são queridas e que eu admiro e depois apaixonei-me no estádio, a minha segunda casa. Acredito que seja assim com grande parte das pessoas - a não ser os tais que gostam de um certo clube pelas vitórias ou títulos, mas esses nem estão na equação. Os bilhetes que podem ver na fotografia que acompanha este post estão comigo mas não são meus. Alguns deles são mais velhos do que eu. Há bilhetes de jogos para a Taça UEFA, bilhetes para a Taça de Portugal, para o campeonato, bilhetes em que nos chamavam "Guimarães" e bilhetes em que já nem se consegue ver nada do que lá estava escrito. Estou certa de que todos contam histórias, mas estou ainda mais certa de que são parte história. Essa história é a herança que todos aqueles envolvidos no Vitória e que envergam a branquinha recebem.

Na semana passada perdi um dos meus tios mais queridos. O meu tio era um senhor cheio de vida e sempre bem-disposto a quem o cancro roubou a vida muito cedo. Lembro-me de, quando eu era mais pequenina, ele ir sempre ver o Vitória. Lembro-me dos domingos em que ir ver o Vitória era um verdadeiro deleite, o estádio repleto de pessoas que não se conheciam mas que se juntavam pelo Vitória, a satisfação de ver o Vitória jogar bom futebol e a emoção de ter objectivos pelos quais lutar. E o meu tio estava lá, escolhia estar lá quando podia estar em muitos outros sítios durante aquelas horas. Escolhia estar lá como nós escolhemos estar sempre lá, onde quer que seja, sem desistir e sem parar de apoiar por mais negativo que seja o cenário. Antes do funeral do meu tio, ouvi uma das suas filhas dizer que "ele leva o símbolo do Vitória com ele, gostava tanto do Vitória". Eu sabia que sim, sabia do amor que tinha pelo Vitória, e apesar do momento de despedida ser tão triste, encontrei conforto no facto de saber que vamos estar sempre ligados, mesmo que nunca mais possamos falar ou ver. Estamos ligados através de um elo comum, de uma paixão comum. O meu tio foi parte da história do Vitória, como eu sou e tu também. Como são aqueles que o construíram, como somos nós que agora o mantemos.

Essa é a magia do Vitória, e do futebol em geral. Mais do que as épocas em terceiro ou segundo lugar na tabela classificativa, mais do que as taças ganhas, mais do que qualquer palmarés, essa é a herança que qualquer vitoriano e qualquer pessoa que represente o Vitória tem de honrar e da qual não se pode esquecer nunca! A melhor forma de honrar uma herança tão pesada e tão carregada de história e histórias é fazer do Vitória ainda maior, fazer o Vitória alcançar tudo o que os vitorianos almejam (e merecem) há muitos anos - tudo aquilo que, mesmo os vitorianos que já não estão connosco sempre quiseram ver mas que infelizmente não viram e que, mesmo assim, estavam lá sempre. Incondicionalmente!

terça-feira, 5 de abril de 2016

A hora de redefinir prioridades

Foto: O Lado V
Falar do jogo contra o Boavista era, em boa verdade, estar a repetir-me. O Vitória continua a cometer erros, a assinar exibições pouco agradáveis e a afastar-se dos lugares europeus. Conseguimos um ponto, e sempre me disseram que um é melhor do que nenhum, mas que pouco ajuda ao único "objectivo" que nos resta, quando andamos há muitas jornadas a contar pontos. Não gosto, nem nunca gostei, de jogar para cumprir calendário. É jogar a um ritmo morno, assim-assim. É jogar num estado vegetativo. De vez em quando há alguns sinais que indicam para uma melhoria, mas estamos muito longe da recuperação e de estarmos em forma. Este estado vegetativo foi praticamente auto-induzido diga-se. Acho que já todos concluímos qual a raiz do problema: a época muito mal preparada (e como um problema nunca vem só, surgiram mais uns quantos para agravar a situação).

Portanto é pertinente, sem querer "atirar a toalha ao chão", começar a pensar na próxima época e nos objectivos reais a serem propostos para a equipa. Objectivos esses que têm de honrar a nossa história, e a nossa história é de lutar sempre por mais e pelo melhor, não para ficar pelo meio termo. Os objectivos do Vitória no campeonato devem ser sempre, no mínimo, o 4º lugar da tabela classificativa. Quanto mais para cima, melhor. Para além do campeonato, o objectivo tem de ser também o de chegar o mais longe possível (e por isto entenda-se ganhar) todas as restantes competições em que se envolver. Não estou a pedir de mais, o nosso nome e o nosso cognome não engana.

O que não pode acontecer é ter ambições e aspirações sem que haja uma maior aposta na vertente desportiva do que a que houve nesta e nas últimas épocas. Não estou a dizer que quero uma equipa de milhões e coisas assim. Não me importo de ver jogar uma equipa "de tostões" desde que tenha qualidade e nos faça alcançar os nossos objectivos. O que quero ver é uma equipa capaz de levar o Vitória ao lugar onde pertence. Se essa equipa é de 5, 10, 30 ou 50 milhões diz-me pouco. Johan Cruyff disse que nunca viu um saco de dinheiro marcar um golo, e eu também não. Portanto acredito que se possa fazer muito com pouco - aliás, já vi o Vitória fazer muito com pouco. Fazer muito "com pouco" passa, por exemplo, pela aposta no jogador vitoriano, formado aqui e deixar de fora as apostas nos jogadores do clube x e/ou y. O nosso historial não mente: o jogador vitoriano tem qualidade. Fazer muito "com pouco" também passa por manter o que de melhor temos desta época - e eu acredito que temos um plantel com boas individualidades, apesar do baixo rendimento do colectivo - e não vender a preço de saldo (e sim, dois milhões é preço de saldo) como se tem feito demasiadas vezes. Quiçá se alguns jogadores não tivessem saído ao desbarato como saíram a equipa não estava numa posição muito mais confortável.

Julgo que o Vitória deve adoptar uma máxima para a próxima época (e para as vindouras) que se resume a uma palavra: balanço. Um balanço entre a vertente financeira e a vertente desportiva. Por falta de balanço de direcções anteriores (falta de balanço e outras coisas diria eu, mas isso é tema para outra discussão), o Vitória foi obrigado a fazer vários esforços para se manter à tona - um deles sendo um menor investimento no futebol. Acho que todos, ou a maioria, compreendemos que foi necessário fazê-lo e pelo que nos é dado a saber o estado financeiro do clube tem apresentado melhorias. O problema é que o balanço tem de ser reposto, eventualmente. O tempo para o fazer parece-me ser quando a sua falta começa a ser evidente. Eu diria que estar a lutar (com dificuldades) pelo sexto lugar e disputar o campeonato com o Paços de Ferreira ou Estoril (com todo o respeito) é um sinal bastante evidente e alarmante de que está mais do que na hora de redefinir prioridades.

Vou apresentar-vos um exemplo para ilustrar aquilo que quero dizer com a ideia de balanço. O último livro que li faz referência à necessidade de haver um balanço entre os vários departamentos de uma empresa, no caso em particular da Pixar. Não preciso de dizer que o Vitória e a Pixar têm naturezas totalmente diferentes, mas apesar das diferenças abismais aos mais variados níveis têm, pelo menos, uma coisa em comum: ambas precisam de balanço. A Pixar é composta por vários departamentos. Desde o departamento financeiro, o departamento tecnológico, passando pelos departamentos de produção, marketing, entre outros. Todos esses departamentos, como necessidades díspares, se envolvem em todos os projectos, em todos os filmes. Cada departamento está concentrado nas suas próprias necessidades (por exemplo, o departamento financeiro quer manter-se dentro dos limites do orçamento mas o departamento tecnológico quer tecnologia de ponta para fazer sempre o melhor filme possível, só que isso tem, geralmente, custos elevados e interfere nas necessidades do departamento financeiro) sem ter uma visão clara do todo. O que o presidente da Pixar nos diz é que numa cultura saudável os departamentos reconhecem a importância de balancear as necessidades de todos os departamentos - a noção já antiga de que o todo é maior do que a soma das partes. Ou seja, todas as necessidades têm de ser ouvidas mas nenhum departamento pode ganhar aos outros - para que o maior vencedor seja a empresa, o todo. A frase que Ed Catmull usa, e que eu acho que se aplica é: If any of those groups 'wins', we lose. Resumidamente, balanço!

O que eu quero dizer, de forma simplificada, é que o balanço entre as duas vertentes, desportiva e financeira, pode ser o caminho para o Vitória voltar ao lugar que lhe pertence por direito que é o de lutar pelo cimo da tabela e ambicionar sempre um bocadinho mais. Portanto talvez esteja na hora de redefinir prioridades e voltar a conquistar muito mais, com uma aposta no que é nosso e no que tem qualidade, com grandes objectivos sem nunca descurar a vertente financeira. Temos tudo para o fazer, começando pela massa associativa sem comparação que merece mais do que o meio da tabela.

Para terminar vou só fazer referência ao que ouvi, na Rádio Santiago, no final do jogo e achei que fazia todo o sentido. O comentador disse qualquer coisa como: apesar de os adeptos estarem sempre presentes necessitam de um estímulo maior, de um objectivo real e concreto (que nos falta agora). Seja esse estímulo para apoiar a equipa quando ela está a lutar pelos lugares cimeiros da tabela e para a manter lá ou para a amparar e segurar quando ela está a lutar pela manutenção. Ter um objectivo faz com que os vitorianos se mobilizem ainda mais. A assistência do jogo de sábado chegou quase a 10 000 espectadores. Uma assistência boa para a grande maioria dos estádios portugueses, mas convenhamos que não é satisfatória num jogo destes. Não para nós!

Não sei se vamos cumprir o único "objectivo" que nos resta. Quero acreditar que sim, algo que nos salve desta agonia. Há duas coisas que me fazem acreditar que sim: o querer dos vitorianos (eu incluída) que é muito forte e já foi capaz de levar o Vitória literalmente mais longe e a garra que vejo na maioria dos jogadores. Enquanto for matematicamente possível e eu vir estas duas coisas, eu vou acreditar até ao fim e, escusado será dizer, vou estar sempre presente, sejam quais forem as circunstâncias. Como estou sempre, e como todos os vitorianos estão sempre. É por isso que somos únicos!

terça-feira, 22 de março de 2016

Que venham dias melhores

Foto: Vitória SC
Não adianta andar com rodeios: o Vitória está mal. Acho que já todos percebemos isso e dizer o contrário é negar a realidade. Um clube que devia andar a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, já com a Europa garantida sem contar os pontos, e se encontra no 9º lugar não pode estar bem, pelo menos do ponto de vista desportivo.

Parece-me insustentável continuar desta forma. Nos últimos três jogos não conquistámos um único ponto e não só saímos derrotados como, ainda mais alarmante, o Vitória praticou um futebol pobre e limitado. Em 30 pontos disputados desde o início da 2ª volta até hoje, conquistámos apenas uns míseros 11 pontos (2 vitórias, 5 empates e 3 derrotas). Podem até dizer-me que não é mau, afinal nos jogos teoricamente mais complicados obtivemos bons resultados: vencemos o Porto, fomos empatar à pedreira e empatámos em casa contra o Sporting. Infelizmente, não são só os jogos "grandes" que contam . Preferia, sem qualquer tipo de dúvida, ter perdido esses três jogos e ter ganho os restantes 7 da segunda volta. Se assim fosse, teríamos somado 21 pontos, mais dez do que os que temos agora. Não soa mal, pois não?

Sempre que há um problema (neste caso parecem-me ser vários), é peremptório identificá-lo(s) e encontrar a(s) solução/ões para o(s) resolver. Não acho que há só uma fonte de problemas no Vitória. Há apenas uma parte do clube que eu tenho a certeza absoluta que não tem culpa nenhuma: nós, os adeptos. Isso é inquestionável!

Seria muito fácil colocar a culpa só nos ombros dos jogadores porque afinal são eles que jogam, que estão dentro de campo e que têm de levar a equipa ao encontro dos três pontos porque mais ninguém tem a bola nos pés para além deles. Têm, naturalmente, a sua quota parte de culpa mas não são os donos dela, de forma nenhuma. Parece-me que, a alguns jogadores, lhes falta por vezes atitude (basta comparar o jogo contra o Sporting, que não foi excelente mas foi um jogo que empatámos porque fomos lutadores durante os noventa minutos, com o jogo seguinte em Coimbra, em que vi uma equipa mais apática e conformada). Não quero carregar sempre na mesma tecla mas olho para o Victor Andrade e não vejo a atitude de dar o litro em campo como se não houvesse amanhã nem a garra de jogar para o melhor da equipa, quando tem os pés na bola vejo-o mais a trabalhar para se mostrar individualmente do que para o sucesso colectivo. Posso estar a ser tremendamente injusta mas fico sempre com essa sensação.

Sérgio Conceição, naturalmente, também toma parte na situação. Na semana passada eu disse que discordo da política de emprestados. Discordo com mais veemência quando os emprestados não acrescentam muito à equipa e, sabendo disso, se insiste em tê-los dentro das quatro linhas quando há, na minha opinião, soluções que poderiam dar mais frutos (e isto é só a minha humilde opinião, que não sou treinadora de futebol). A sua função é, como dizia Steve Jobs, comandar a orquestra. Manter a equipa motivada, tirar o melhor de cada jogador, estudar o adversário e encontrar a melhor forma de o enfrentar. É essa a sua função. É isso que nós, enquanto adeptos, esperamos do treinador. Não é isso que temos visto, pelo menos ultimamente. Vimos alguns jogadores importantes (e muito importantes no balneário, pela experiência e sabedoria que têm e que deve ser transmitida aos mais novos) serem "afastados", um onze que nunca é certo e uma equipa que devia jogar melhor do que o que joga. Não digo que todo o trabalho do Sérgio foi mau, porque não foi, mas também não digo que foi muito bom, porque não foi. Se é verdade que não foi ele que formou a equipa no início da época, não é menos verdade que já era ele que estava nos comandos da equipa em Janeiro, e não vimos melhorias significativas desde aí, nem vimos ninguém entrar capaz de acrescentar grande valor à equipa.

No entanto, a maior culpa parece-me vir "do topo", da direcção. Uma época visivelmente muito mal preparada para uma equipa que tem como objectivo a Europa não podia dar bom resultado. Esse foi o maior problema de todos. Não posso negar que a direcção entrou para o Vitória numa altura de debilidade e numa situação francamente má, o que requer a coragem de quem se candidata. Financeiramente a direcção tem feito um bom trabalho, o abatimento do passivo é um dos exemplos e nesse aspecto estou satisfeita. Só que não chega! Como vitoriana gostava muito de ver uma maior progressão no panorama desportivo. Não adianta dizer que ganhámos a Taça de Portugal em 2013 com esta direcção, para dar a ideia de que o Vitória tem tido um sucesso tremendo no futebol. Felizmente vencemos, mas e depois? Vamos estar a dizer isso pelos próximos dez anos enquanto vemos o Vitória a lutar pelo meio da tabela classificativa? A contar os pontos para alcançar a Europa? A ser eliminados das competições bem no início das mesmas? Não são essas as minhas aspirações. Quero ver o Vitória a conquistar muito mais, a ser muito mais feroz, a ser um pesadelo para qualquer adversário, seja no berço ou fora. Para isso precisamos que o nosso presidente seja capaz de fazer mais pelo futebol, de ter uma mão forte e de defender exclusivamente os interesses do Vitória - e de mais ninguém!

Faltam sete jogos para o final do campeonato, ainda estão em disputa 21 pontos. Agora já não depende só de nós, mas ainda é possível alcançar a Europa. Espero que esta época sirva de exemplo para que se possa preparar, cuidadosa e meticulosamente, a próxima época. Espero (como sei que vocês também) que possamos voltar a um caminho de conquistas no futuro próximo. Afinal somos os conquistadores deste país, não somos?

Para terminar, só uma nota final: sou sócia pagante do Vitória há muitos anos, portanto acho que estou no direito de comentar a situação do meu clube. Não o faço, de forma nenhuma, pejorativamente. Sou vitoriana portanto o que faço não é por ser do contra pela diversão de ser do contra. Eu não sou contra ninguém, mas sou a favor do Vitória. Não tenho nada pessoal contra qualquer jogador do Vitória, nem contra o Sérgio Conceição ou contra o presidente Júlio Mendes. Pelo contrário, enquanto são "nossos", estão no Vitória, desejo que tenham o maior sucesso do mundo porque isso leva ao sucesso do Vitória. Acho que uma grande qualidade dos vitorianos é que são, no geral, muito pro-activos. Sempre vi, desde que me lembro, muitos vitorianos discutir soluções e melhorias para o Vitória porque somos uma massa associativa apaixonada e que só quer, mesmo que as opiniões se dividam, que o Vitória cresça. Portanto deixem-se de coisas e discutam o Vitória, porque o nosso objectivo é o mesmo: um Vitória ainda mais grandioso e capaz de lutar para o máximo possível em todas as competições em que se envolve. Esse é o objectivo! Todos sabemos muito bem que o Vitória é mais do que isto, mais do que maus resultados, mais do que jogadores, mais do que os treinadores que passam por cá e mais do que a direcção. O Vitória continua, nós também mas o resto não!

terça-feira, 15 de março de 2016

As contas complicam-se

Foto: Vitória SC
Acho que a minha observação relativamente ao jogo do último Domingo, frente ao sempre complicado Paços de Ferreira, pode ser comprimida em quatro notas:

- Quando vou ver futebol, espero ver... futebol. Não sei se em Paços de Ferreira se faz o mesmo, mas dado o anti-jogo que os pacenses praticaram desde o início do jogo até ao final, diria que não. Se calhar vão só ao estádio ver teatro ou qualquer coisa que se assemelhe. Porque futebol os jogadores recusaram-se a jogar, dada a quantidade de vezes que precisaram de assistência médica ou os atrasos em repor a bola - claramente intencionais e com o intento de não dar espaço para o Vitória impor ritmo no jogo e de o quebrar sempre que possível. Acho que equipas assim não pertencem ao escalão máximo do futebol nacional, que merece um bocadinho mais (apesar de tudo...).

- Acho curioso, no mínimo, que João Capela ainda ande por aí a arbitrar jogos como se fizesse bem o seu trabalho. Acho ainda mais curioso ter sido nomeado para voltar a arbitrar o Vitória depois do que já fez em jogos passados contra nós. Não entendo com quais critérios se regem os responsáveis pelas nomeações e não sei como é que estas decisões são aceites. Há dois erros sobre os quais não posso deixar de falar. Em primeiro lugar, não entendo como é permitiu todo o anti-jogo do Paços, que roçou o ridículo (e estou a ser simpática...). O segundo erro (e também o maior) foi a expulsão de João Teixeira, num lance em que este toca... na bola. Na conferência de imprensa, Júlio Mendes disse que "não temos nada contra Capela, mas exige-se um bocado mais". Em parte tem razão. Deve exigir-se mais. No entanto, tenho cada vez mais contra Capela. Não me parece difícil entender porquê!

- As duas notas anteriores não pretendem, de forma absolutamente nenhuma, justificar ou desculpar a derrota e a perda de (mais) três pontos. Não deixa de ser verdade que fomos prejudicados pelo anti-jogo do adversário nem deixa de ser verdade que fomos prejudicados por um homem que acha que é árbitro porque lhe puseram um apito na boca e o vestiram de amarelo e preto. Não deixa de ser verdade, mas não justifica. Não justifica a passividade da equipa nem justifica mais uma exibição fraca e que em nada honra o nosso símbolo. Acho que é importante reconhecer a culpa da derrota - que, desta vez, é nossa. A partir do momento em que somos capazes de reconhecer a nossa culpa, somos capazes de identificar o problema e encontrar uma solução. É isso que o Vitória tem, obrigatoriamente, de fazer e de preferência antes de viajar para a Madeira para defrontar o Nacional porque cada vez mais todos os pontos contam e as contas estão cada vez mais complicadas e a Europa cada vez mais longe.

- Não gostei de ver o Vitória com seis jogadores emprestados no onze inicial. Qualquer jogador a envergar a camisola com o símbolo do Rei junto ao peito tem o meu apoio. Seja ele emprestado ou não - afinal é dos nossos, está cá e quer o mesmo que eu quero! No entanto não me posso admitir fã da política de emprestados, ou seja qual for o nome que lhe queiram dar. Isto é uma opinião pessoal, uma questão de visão do futebol e cada um tem a sua. Não acho, e perdoem-me se estou a ser injusta, que um jogador emprestado tenha a mesma motivação que um jogador do clube. Naturalmente julgo haver excepções. Uma das quais, por exemplo, será o Bruno Gaspar. Chegou a Guimarães na condição de emprestado mas sempre se notou a garra com que jogava pelo Vitória e nota-se que gosta da camisola que veste. Outro problema desta política - e talvez o maior deles todos - é que os jogadores emprestados só continuarão cá se o clube que os empresta não os quiser. É tão simples quanto isso. Se forem bons jogadores e se estiverem em boa forma, ou seja, quando estão a acrescentar valor à nossa equipa, acabam por ser "resgatados" pelas equipas que detêm os seus passes. Não são nossos! É uma forma de algumas equipas rodarem jogadores, fazendo com que acumulem minutos na primeira liga e experiência. Acho que esta política de emprestados pode beneficiar algumas equipas, mas julgo não ser benéfico para uma equipa como o Vitória, que se deve assentar numa estrutura sólida (e não dá para ter uma estrutura sólida se metade da equipa não é nossa) e que deve ter objectivos ambiciosos a longo prazo e acho que não preciso de dizer que não é possível ter objectivos ambiciosos a longo prazo quando não fazemos ideia de qual será a equipa que temos no próximo ano (ou sempre que o mercado abre) porque metade da equipa é emprestada. Não me importo que o Vitória jogue com um ou outro jogador emprestado (desde que acrescente valor à equipa naturalmente), mas mais de meia equipa parece-me não só exagerado como irresponsável. Por fim, outro problema igualmente grave é que esta política vai contra uma das políticas pelas quais o Vitória se regeu nos últimos anos e que foi pioneiro em Portugal, primeiramente por necessidade, mas que deu frutos: a aposta na formação. Ao jogar com tantos jogadores emprestados, os nossos jogadores da formação vêem as oportunidades a escapar-lhes. Não se pode ter tudo e das duas, uma: ou se opta por uma política de emprestados ou então opta-se por um projecto de valorização da formação. Acho que já perceberam que prefiro a segunda opção. Por fim, e para terminar esta nota, a equipa B, que tem sido tão pobremente gerida e isso está, infelizmente, a reflectir-se nos resultados e na tabela classificativa (mas isso são outros quinhentos), tem perdido um dos seus propósitos iniciais de potencializar jogadores para a equipa A.

O Vitória encontra-se, no fecho da vigésima sexta jornada, no 8º lugar da classificação. Antes das últimas duas derrotas (fora na Académica e em casa contra o Paços), tínhamos uma série de nove jogos sem perder. Isto soa bem e é positivo, claro, mas só somámos 15 de 27 pontos possíveis (3 vitórias e 6 empates). Embora não seja uma calamidade, podia ser francamente melhor! A luta para conseguir a Europa complica-se e está muito renhida. 
O Arouca, que já leva uma vantagem mais ou menos confortável, ocupa a 5ª posição com 41 pontos. Seguem-se com 36 e 35, respectivamente, o Rio Ave e o Paços de Ferreira. O Vitória tem 34 pontos. A seguir-nos de perto estão o Estoril e o Belenenses, com 33 e 32 pontos. De um ponto de vista realista, a nossa luta é pelo sexto lugar (que é o aceitável dentro dos mínimos). Se é verdade que estamos perto do Rio Ave e do Paços, é igualmente verdade que temos à perna o Estoril e o Belenenses. Parece-me que está na hora de arregaçar as mangas e lutar por cada ponto com toda a garra possível!

Nas bancadas, como sempre, estaremos nós. Sempre presentes e sempre incomparáveis. No final da época, somos nós que continuamos cá porque o Vitória somos nós. O resto passa, passam todos, os jogadores emprestados e os que não são emprestados, o treinador, a direcção, tudo. Uns deixam uma marca positiva, outros negativa. Mas nós ficamos, incondicionalmente e isso, tenho a certeza, dinheiro nenhum ou lugar na tabela consegue definir e muito menos comprar!

P.S.: Não podia escolher outra foto para acompanhar o post. O futebol é isto e é para todos. O futebol é uma modalidade que desde sempre pretende incluir toda a gente ao invés de excluir. Para além da magia dentro das quatro linhas, é também por isto que é a o desporto rei. Quem defende o contrário não sabe o que é futebol!

terça-feira, 8 de março de 2016

Nas vitórias e nas derrotas

Foto: Vitória SC
O vídeo do Rafa a liderar os White Angels no jogo contra o Sporting fez furor, naturalmente. As redes sociais inundaram-se de comentários positivos. Toda a gente estava apaixonada pelo mini-ultra vitoriano! Li comentários de adeptos dos mais variados clubes, numa demonstração de civismo. Só que, como nem todas as pessoas são civilizadas, li comentários disparatados e até uma crónica num jornal desportivo de um pseudo-jornalista que só me fez rir e questionar se alguém lhe paga para publicar o que ele escreve (e tantos jornalistas no desemprego...). Vocês sabem de quem eu falo. Aquele que já nos comparou aos jihadistas do Estado Islâmico. Esse mesmo! Quem mais poderia ser? A estupidez não lhe passa. Dizia ele, convicto de que acrescentava alguma coisa ao mundo, que "a última coisa que se possa dizer é que seja dignificante pertencer a uma claque" e mais um chorrilho de disparates que eu não me vou dar ao trabalho de transcrever para aqui. O comentário mais engraçado que li dizia que a Comissão de Protecção de Menores devia ser alertada para esta situação porque o pequeno Rafael não ia ter condições para se desenvolver cívica e intelectualmente por causa da "doença do futebol". Pode parecer que eu estou a inventar um comentário destes mas não, é mesmo verdade!

A primeira reacção depois de ler coisas destas é rir e a segunda é pensar que quando as pessoas são ignorantes relativamente a algum assunto deviam estar caladas. Este vídeo, de uma criança a aplaudir, a cantar e a apoiar a sua equipa mostra o melhor do futebol. Infelizmente, pessoas más vão sempre ver o mau em tudo. Este vídeo mostra que o futebol é para todos e que todos fazem parte do futebol. Acho que estereótipos são para ignorantes. E há um estereótipo de que quem vai ao estádio (e principalmente quem pertence a claques) apoiar a sua equipa de futebol são uma cambada de vândalos prontos a armar confusão e que são estúpidos. Este estereótipo não podia estar mais errado. As pessoas que vão ver futebol são pessoas normais, que gostam de futebol e que apoiam um clube e fazem parte dele. Obviamente, há pessoas que vão ao estádio que vão para armar confusão e que não prestam. Mas pessoas dessas há-as em todo o lado, sem excepção! Para além disso, este vídeo desmistifica a ideia de que é perigoso levar crianças ao estádio. Mas alguém queria alertar a Comissão de Protecção de Menores porque um rapaz de cinco anos estava, de forma segura, e feliz a bater palmas e a entoar cânticos de apoio a um clube. Pessoalmente considero ser mais importante alertar para problemas verdadeiramente preocupantes como a exploração infantil ou com as crianças que sofrem de violência. No entanto, é só a minha opinião e vale o que vale...


Depois de mais um empate em casa, contra o Sporting, e do vídeo viral do Rafa, tínhamos de ir a Coimbra e lutar para trazer os três pontos. Isto, claro, se quisermos cumprir com o mínimo  dos nossos objectivos! Sinceramente não estava à espera de outro resultado que não a vitória, ainda que estivesse plenamente consciente de que a Académica estava desejosa pelos três pontos para se manter na luta pela manutenção. Não há jogos fáceis, este não ia ser excepção.

Este, em particular, foi mais difícil do que o que devia e do que o que eu estava à espera. O que vi dentro das quatro linhas não me agradou: uma equipa apática, com pouca garra e com graves dificuldades em disputar o jogo. Nesta altura do campeonato, podíamos já estar numa posição mais confortável, a disputar o 4º lugar com os nossos rivais e não a disputar o 5º ou o 6º lugar. Podíamos, se não fossem os erros e uma época má preparada.

Neste momento, e depois do fecho da 25ª jornada, estamos na 7ª posição da tabela classificativa com 34 pontos. Estamos a 4 pontos do quinto classificado, o Arouca, e estamos a 2 pontos do sexto, o Rio Ave. No oitavo e no nono lugar da tabela estão o Estoril (com 33 pontos) e o Paços de Ferreira (com 32 pontos), respectivamente. Nas 9 jornadas que ainda temos pela frente até ao fecho do campeonato, ainda vamos jogar contra o Paços (já no próximo domingo) e o Estoril em casa, e vamos até Vila do Conde e terminamos em Arouca. Sou terrível a matemática, mas sei que ainda temos 27 pontos em disputa. Sei também que não nos podemos dar "ao luxo" de perder muitos pontos a partir de agora.

Como adepta julgo que os objectivos do Vitória devem ser sempre, pelo menos, conquistar o 4º lugar. Pela nossa história, pela massa associativa incomparável e pelo nosso símbolo que tem um grande peso, temos de ser ambiciosos e deixar de disputar o meio da tabela e o mínimo possível. Para além disto, devemos sempre lutar para chegar longe em todas as competições. Estes devem ser sempre os objectivos! Naturalmente não podemos ser tão ambiciosos se os erros se forem sucedendo, se for necessário substituir peças-chave da equipa todas as épocas ou se não houver um investimento sério no futebol. De forma mais simples, não podemos ser tão ambiciosos se não houver meios, garra ou ambição para alcançar estes objectivos!

Por fim, e para terminar, tenho mais uma vez de referir o apoio incondicional e único dos vitorianos em Coimbra. Uma viagem longa e cansativa (e para quem foi de autocarro, como eu, desconfortável) mas que vale sempre a pena. Apesar da derrota. O nosso amor ultrapassa os resultados. Pode parecer um cliché ou um lugar comum porque eu falo sempre disto, e vou continuar a falar, mas a verdade é essa: não há ninguém como nós e dizê-lo deixa-me muito orgulhosa. Tenho muita pena que o nosso apoio incondicional não seja reflectido no relvado. Se fosse, acredito piamente que seríamos campeões. Época após época após época!

terça-feira, 1 de março de 2016

Um fenómeno inexplicável chamado Vitória

Foto: Vitória SC
"Desde que eu vim ao mundo
Que canto por ti
O tempo vai passando
E eu vou-me apaixonando sempre, cada vez mais
Olha p'ra tua curva
E sente a nossa voz
Este amor é tão louco
Eu queria-te explicar
Mas não vais entender
Ninguém vai entender"

Os ingleses usam muito a frase (acho que surgiu numa campanha de um clube, mas não me lembro qual, se souberem agradeço que deixem na caixa de comentários) "Football without fans is nothing". É a típica mentalidade inglesa (e não só) que faz com que os estádios estejam sempre, ou quase sempre, cheios. Sem adeptos o futebol não passa de um jogo que envolve imenso dinheiro e que junta uns indivíduos dentro do campo, a correr atrás da bola para tentar marcar golo. Continuavam a haver jogadas e golos espectaculares mas para quem era isso se não estavam lá os adeptos? Perdia parte da magia.
Ontem, numa segunda-feira à noite, o estádio do Vitória esteve perto de atingir os 20 000 espectadores. Muita gente saiu do trabalho e foi directamente para o estádio e muitos levantaram-se às 5 horas da manhã de hoje, fez esforços, sacrificou o jantar por um dia para estar ali, para apoiar o clube do coração. Isto na mesma jornada em que o Arouca - Braga (que se realizou no sábado passado a uma hora simpática, 18:30) juntou... 740 pessoas! O ambiente que se viveu no Dom Afonso Henriques ontem vive-se cada vez menos em Portugal e isso, como adepta de futebol, entristece-me.
O primeiro jogo que vi do Vitória foi contra o Sporting. Ontem senti o mesmo que senti nesse dia que já está longínquo. Não me consigo lembrar do resultado, dos jogadores ou do árbitro mas lembro-me de uma coisa com tamanha vivacidade que me surpreendo a mim mesma: os arrepios que senti durante o jogo todo quando, num estádio cheio, todas aquelas pessoas, unidas por um símbolo, irromperam em cânticos e em aplausos e fiquei com a certeza, enquanto criança, que do outro lado do mundo nos estavam a ouvir. Lembro-me da paixão que senti nesse dia, eu não queria saber dos jogadores para nada, muito menos se marcávamos mais ou menos golos do que os outros. Não foi pelo resultado que eu me apaixonei, foi por aquela gente e por aquele símbolo que me acompanha até hoje e que tenho a certeza que me vai acompanhar até ao fim. Por isso lamento tanto que não se viva um ambiente destes todos os jogos e lamento que tão poucas crianças (e adultos) se possam apaixonar da forma arrebatadora como eu me apaixonei naquele dia. Não quero ser dramática e muito menos radicalista mas viver sem conhecer um amor destes é viver sem conhecer uma das melhores coisas que a vida oferece. O sentimento de envergar o símbolo do Rei ao peito, do clube da minha cidade, é um sentimento inesquecível e incomparável. Quando era criança, achava que dava super poderes, ontem quando saí do estádio, apesar do empate, senti o mesmo e percebi qual era o super poder que me dava. O poder de, em algumas ocasiões transcender o amor e a vida. Há fenómenos inexplicáveis!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O derby

No rescaldo do derby há sempre algumas notas a tomar, como há em todos os jogos. Só que o derby tem contornos especiais. Principalmente este que, apesar de não ser o mais mediático, é sem dúvida o mais emocionante e tem cada vez mais qualidade. Acho que todos ganhamos com isso, desde os adeptos de futebol no geral à Liga Portuguesa. Passemos, portanto, ao que interessa:
  • As estatísticas informam que no total dos 133 confrontos (para todas as competições) o Vitória e o Braga têm 52 vitórias cada um e empataram 29 vezes. Nos últimos anos o Braga tem levado a melhor, principalmente porque tem, de momento, uma estrutura capaz e uma estabilidade financeira que o Vitória não tem, fruto de uma má gestão que debilitou o clube e obrigou a fazer esforços para se manter à tona.
  • Ainda não ganhamos na Pedreira, e infelizmente não foi ontem que o fizemos. Um empate não é o pior resultado, principalmente depois de estar a perder por 2-0, mas não é o mais satisfatório. Estou, contudo, satisfeita pela minha equipa ter sido superior numa casa tipicamente difícil.
  • Gostei da garra da equipa, apesar de terem entrado muito mal no jogo e da apatia depois de André Pinto ser expulso por duplo amarelo. Para além de tudo o resto, é preciso muita garra para empatar o jogo depois de sofrer dois golos, e voltar a empatar depois de voltar a sofrer.
  • Dentro das quatro linhas empatamos, nas bancadas goleamos. Apesar do Braga ter crescido nos últimos anos, ainda tem um público fraco, apático e nem num derby têm uma assistência decente. Nesse aspecto a nossa supremacia é inquestionável e arrebatadora. Uma assistência miserável de apenas 13 241 espectadores, com 1 500 adeptos vitorianos. Não sei qual é a desculpa deles, nem estou interessada. Não os ouvi nem quando estavam em vantagem. Mais do mesmo!
  • Já fui ver o Vitória fora muitas vezes, mas ainda me surpreendo com muitas coisas. Ontem, quando a 2ª parte estava quase a começar, o Braga pôs a letra da música que os adeptos (supostamente) sabem no ecrã, para estes a cantarem. Ao início não percebi bem porquê.. Depois percebi. A maioria deles só vão a 3 jogos por época (e quando vão), por isso é difícil saberem as letras das músicas de cor. É compreensível então pôr a letra no ecrã. A alternativa era distribuir folhas pelo pessoal, mas temos de salvar as árvores.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

É só isto

Ainda estou a tempo de vos desejar um bom ano? Devo estar, até porque ninguém sabe muito bem quando deixamos de desejar "bom ano novo", a população mundial fica toda confusa porque ninguém define datas importantes como deixar de desejar bom ano. Eu tenho por norma andar nisto até ao Carnaval ou Páscoa, conforme. Por isso espero que tenham um excelente 2016!
Este estabelecimento anda assim um bocado ao abandono e a culpa é minha, eu sei. Eu digo sempre que vou tentar escrever mais e tal mas acabo por me dar à preguiça. Desta vez é uma resolução de ano novo, por isso vai ser mesmo a sério (pelo menos vamos tentar acreditar que sim)!
Quando não escrevo aqui durante um tempo considerável acho que deixei passar uma série de coisas importantes. Se calhar deixei, mas provavelmente alguém se pronunciou sobre essas coisas importantes - e, provavelmente, melhor do que eu.
Vamos às coisas que interessam agora. Este meu primeiro post do ano vai ser para reclamar de algumas coisinhas, porque se há coisa que eu sei fazer bem é reclamar do que acho que não está bem e como eu sou uma pessoa realmente crítica (e não interpretem isto no sentido negativo, eu acho que é necessário fazer críticas construtivas e assentes em argumentos válidos daquilo que nos parece errado e não aceitar tudo "porque é assim") tinha de começar desta forma.

Em primeiro lugar, tenho de falar do jogo Vitória - Benfica no passado dia 2, da prestação e das atitudes de Carlos Xistra. Como adepta sinto-me revoltada quando os árbitros querem tanto o protagonismo que não dão espaço para se jogar futebol, ou para se jogar futebol de forma justa e com o campo equilibrado. Eu assumo que os erros são humanos e que, como é óbvio, os árbitros podem errar. Podem, o problema é que esses erros são sempre para beneficiar os mesmos e de forma descarada. Neste jogo só não viu quem não quis que o futebol é uma brincadeira para alguns e que enquanto uns podem tudo os outros não podem nada. Foi claramente um roubo encomendado e que já é uma constante no futebol português.
Infelizmente os "poderosos" continuam a consentir e a abanar a cabeça dizendo que tudo está bem e que é assim que as coisas funcionam. A comunicação social também consente e só conhece o caminho para Guimarães em 3 ou 4 jogos por época porque o resto para eles não tem importância.
E é assim que se fazem campeões, os campeões que aqui se ajoelharam porque de futebol em vermelho pouco se viu e em que o Vitória podia (e merecia) os 3 pontos. É assim que se fazem, em jogos destes, com o campo em desequilibro e com 14 jogadores em campo.
No final Xistra não podia acabar sem dar mais uma vez o ar da sua graça, então insultou Sérgio Conceição porque árbitro que é árbitro faz o que lhe apetece. Eu sei que o Sérgio não é, nem nunca foi, um anjo caído do céu e que nem sempre é politicamente correcto, mas isso não dá o direito ao árbitro de o insultar - e tal como os jogadores, treinadores ou membros das equipas técnicas dos clubes são expulsos e punidos por insultarem o árbitro (e acho bem que se tomem esse tipo de medidas) também os árbitros deviam ser severamente castigados porque se estes são a "autoridade" devem ser os primeiros a dar o exemplo. Infelizmente é cada vez mais disto que temos no futebol português, o que é triste e decepcionante. Eu pago quotas e bilhetes porque espero ver futebol a sério e é pena que se permita que estes amadores continuem a estragar o futebol.
Na bancada continuamos a fazer com que os "grandes" continuem a sentir-se pequeninos, coisa que continua a ser única em Portugal. Infelizmente os estádios estão cada vez mais vazios e sem dúvida que jogos em que a verdade desportiva continua a faltar - e em que continuam a consentir com isso - é uma das causas do afastamento do público dos estádios.

Outra das causas do afastamento do público dos estádios é o horário e a ditadura das televisões (nem vamos falar dos contratos milionários que foram notícia nos últimos tempos, como sempre continua a cultura de se tornar os ricos ainda mais ricos e os pobres... mais pobres). Na última quarta-feira o Moreirense-Vitória jogou-se às 16:15h. Não sei bem qual o objectivo de pôr um jogo a esta hora. Acho que deve ser mesmo vontade de tirar os adeptos do estádio ou prejudicar o futebol. Não percebo, e também não percebo o porquê de ninguém se revoltar publicamente contra isto. Decisões destas só prejudicam o futebol, sem trazer qualquer benefício aos clubes, aos adeptos nem à modalidade. O que é triste. É triste perceber que quem tem o "controlo" de tudo isto não quer saber, não tenta sequer melhorar o futebol, nem tenta tornar a modalidade em algo melhor, mais bonito e mais acessível a todos. Infelizmente desta vez não pude ir nem ver o jogo, mas os vitorianos voltaram a marcar presença e a mostrar que estas gentes têm um ADN único e especial. Somos assim. Apesar das injustiças e da má face de tudo isto, não nos afastam! Ah, e neste dérbie entre amigos trouxemos os 3 pontos. Soube bem! Sábado, outra vez no nosso "castelo", temos de conquistar mais 3 porque o caminho deve ser de vitórias.
Foto: www.vitoriasc.pt

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

É uma questão de ADN

Quando a hipótese Sérgio Conceição era considerada ou posta em cima da mesa, mesmo quando Armando Evangelista ainda se encontrava aos comandos do clube, eu só me conseguia rir e dizer que era um disparate. Achava eu, na minha inocência, que a direcção nem ia considerar tal treinador. Realmente foi só na minha inocência. Quando Armando Evangelista saiu fiquei contente, pensei que as coisas iam mudar e melhorar. Porque, sejamos verdadeiros, não podiam ficar muito piores... No entanto fiquei apreensiva, o nome mais badalado para ocupar o cargo era o de... Sérgio Conceição! Continuava a não querer acreditar, estava na fase da negação. Ao início da tarde de ontem já todos os jornais davam conta da sua contratação, mas só hoje à tarde foi oficializado. Até esse momento estive em fase de negação. Pensei que era tudo mentira, mau demais para ser verdade.
Eu não queria Sérgio Conceição! Já dos tempos em que ele estava ao serviço do Braga era um treinador que eu não gostava e pelo qual não nutria o mínimo de admiração e isso não era pelo facto de estar nos rivais, era mesmo porque não o via assim. Sempre o vi como um homem sem humildade, que precisava de atingir os outros para agradar aos seus porque não o conseguia através do seu trabalho. Não considero que um treinador tem de atacar os seus adversários e incendiar o ambiente com comentários desnecessários e despropositados. Bem pelo contrário, acho que é fundamental que o treinador tenha respeito pelo adversário e pelos seus rivais. Isso mostra que tem carácter e é um homem respeitável. É o treinador, o líder, que tem de dar o exemplo aos seus jogadores. SC não o faz. É expulso com demasiada frequência, não tem postura, não tem respeito. É arrogante. Não consegue dar o exemplo. É, emocional e psicologicamente, desregulado. Para além disso, já se viu que também não tem o maior respeito pelos seus superiores. A forma como saiu do Braga não foi a forma mais simpática, e pelo que já me apercebi não foi a primeira vez que saiu de forma turbulenta de um clube. A isto acresce-se o facto de toda a gente ver as pessoas de Guimarães como arruaceiras e os maus da fita. Com a contratação de um treinador assim que constantemente vê os jogos da bancada as coisas têm tendência a piorar. Se já somos os pioneiros dos castigos exemplares, agora as penalizações ainda vão ser maiores. Não lhe reconheço também qualidades suficientes como treinador para estar num clube como o Vitória.
É a segunda contratação de risco esta época. Armando Evangelista foi uma contratação nada consensual e que prejudicou o Vitória qb com a eliminação da Liga Europa (e a perda de muito dinheiro) e que afastou o Vitória dos adeptos mais do que o que devia, por causa das exibições medíocres e os péssimos resultados. Sérgio Conceição creio que também não cairá bem no seio dos vitorianos porque nós não temos memória curta e ainda nos lembramos das declarações da época passada em que fomos atacados diversas vezes.
A postura que Sérgio Conceição teve ao comando do Braga também não é do meu agrado e espero que não mantenha essa atitude no Vitória. Espero que tenha postura, espero que seja um treinador que respeita todos os seus adversários e que não seja malcriado como era. Porque estar no Vitória é uma responsabilidade diferente, maior. O ADN do Vitória é especial, tem um peso maior, não é leviano. Até agora, e por muito que eu tente encontrar, não consigo associar nenhuma características do nosso ADN a Sérgio Conceição. Nem sei o porquê de ter sido o escolhido. O que sei é que para se fazer parte de uma instituição tão especial como a nossa é necessário ser-se também especial, e Sérgio Conceição não me parece sê-lo. E para mim, que tenho uma óptima memória, é necessário mais do que debitar umas palavras bonitas na altura certa. É preciso provar o que se diz! E lembra-te, Sérgio Conceição, há uma linha fina que separa a boa educação da raça. Encarecidamente te peço que não a ignores porque agora estás no Vitória e aqui nós gostamos de boa gente, de conquistadores, de pessoas com respeito pelos outros. E lembra-te sempre, tu e quem aí te pôs, o Vitória é nosso. É nosso e há-de ser!

P.S.: Apesar de discordar da contratação e de não nutrir qualquer tipo de simpatia pelo nosso novo treinador compreendo que o seu sucesso é o nosso sucesso e por isso só tenho de torcer pelo sucesso do Sérgio Conceição. E sei que nunca, sob quaisquer circunstâncias, valorizarei mais um homem do que o meu símbolo e o meu clube. Nunca, mas nunca mesmo, me deixarão de ver no estádio ou de pagar as quotas. O Vitória é mais importante do que uma individualidade! Por isso desculpem-me se não compreendo aquelas pessoas que dizem que não vão ao estádio por causa do treinador, ou que vão deixar de pagar as quotas ou partir o cartão. Eu faço parte de algo maior do que isso, algo infinitamente mais precioso: o Vitória!