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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Heróis!

Foto: A Comarca de Arganil
Anteontem, antes de me deitar, espreitei pela janela da cozinha da minha casa. Queria ver se o incêndio, que havia começado algures na madrugada ou manhã desse dia, tinha acalmado. Os incêndios mexem comigo, deixam-me ansiosa e nervosa desde que me lembro. Não tinha acalmado. Bem pelo contrário. As chamas pareciam estar ainda com mais força e pareciam ter vida e vontade própria. Fui deitar-me com o coração nas mãos e um sentimento de impotência brutal. Estava triste pelo ambiente e pelos danos causados ao nosso planeta mas mais do que isso estava preocupada com todos os bombeiros que estavam lá (estão sempre!) a lutar contra um adversário imprevisível e sem misericórdia. Adormeci com esse sentimento. Na manhã seguinte levantei-me de imediato e fui espreitar pela mesma janela para o sítio onde, umas horas antes, as chamas pareciam implacáveis. Desta vez já não havia chamas nem nenhum indício delas para além de um sítio, anteriormente verde, que agora estava pintado em tons de preto, cinzento e castanho. Naquele momento só senti gratidão. Gratidão e um apreço enorme pelos Bombeiros Voluntários, por todos em todo o mundo. Percebi que muitos deles tinham estado ali praticamente vinte e quatro horas, com as chamas incrivelmente perto a ameaçar-lhes a vida a cada investida e com o fumo a poluir-lhes os pulmões. Tinham estado ali todo o dia e toda a noite. Sem fechar os olhos porque não podem correr tal risco, sem descansar porque cada minuto é precioso. São heróis. Não daqueles de banda desenhada com super poderes e uma capa. Estes são reais, de carne e osso! Vestem um casaco vermelho e os super poderes que têm são a coragem, a vontade e, acredito eu, um amor ímpar à humanidade. Dão tudo de si. O corpo, a saúde, o tempo. Por vezes até a vida. Em nome dos outros. Nunca sabem se voltam, mas vão sempre. Sempre! Ser Bombeiro Voluntário é das coisas mais nobres que um ser humano pode fazer. Esta é uma das formas que tenho de agradecer a todos os que, em todo o país e no resto do mundo, lutam para um mundo melhor. Nunca nenhuma doação, contribuição ou condecoração será suficiente para honrar o serviço indispensável e de extrema importância que prestam ao mundo. 
Se há algum Bombeiro a ler as minhas insignificantes palavras, o meu eterno agradecimento! Obrigada, heróis! Obrigada, obrigada, obrigada!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Paris est toujours une bonne idée

A um jogo do título. A um jogo de fazer história. Já merecemos escrever esta página. Pelo esforço, pela dedicação e pelo amor. Não somos onze milhões, somos muitos mais. Com vocês! Vamos juntos.
Obrigada rapazes.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Portugal

O percurso de Portugal no Europeu está a tomar contornos peculiares. Estamos a poucas horas de defrontar o País de Gales nas meias-finais sem ganhar nenhum jogo no tempo regulamentar. Fase de grupos: três empates. No final do primeiro jogo, frente à supostamente fraca Islândia (que de fraca não teve nada), as críticas já davam o ar de sua graça, sempre pertinentes: "se não ganhamos o próximo jogo podemos fazer as malas e apanhar o avião". Não ganhamos e somámos apenas mais um ponto frente à Áustria: "se não ganhamos a estes dois nem vale a pena passar a fase de grupos para não sermos humilhados". Voltamos a empatar no terceiro jogo frente à Hungria, passámos a fase de grupos em terceiro lugar com três pontos: "agora é que eles vão ver o que é bom para a tosse".

Aterramos nos oitavos. Pela frente tínhamos a Croácia. Era agora que íamos ver o que é bom para a tosse, no que resulta só ter jogadores peneirentos e com a mania, que aquecem de brinco e que postam selfies nas redes sociais. Era a Croácia que nos ia mandar à vidinha que já se fazia tarde. Só que não foi. Juntamos mais um empate à colecção e seguimos para o prolongamento depois de um jogo quase sempre adormecido e marcado pelo rigor táctico. O prolongamento quase anunciava o mesmo desfecho e já estávamos todos com a cabeça (e o coração, principalmente o coração) nos penaltis até que aparece Quaresma em todo o seu esplendor. Cento e dezassete minutos de jogo e a bola estava dentro da baliza, com mestria. Finalmente! Fim do prolongamento: 1-0, para nós. Mais uma etapa superada.

Chegamos aos quartos com a menos assustadora Polónia pela frente. Menos assustadora não significa mais fácil, principalmente numa altura em que cada minuto conta e não há equipas fracas. Começa o jogo e em dois minutos, sem nos deixar sequer acomodar como deve de ser no sofá, Lewandovski decidiu fazer o gosto ao pé. 1-0, para eles. "Pronto, já fomos. Eu não disse? A sorte não dura para sempre." diziam os que só vêm o copo meio vazio. O cenário não era favorável, de forma nenhuma. Estávamos a perder, os polacos a correr mais e com mais energia e os heróis do mar estavam apáticos, muitos já não pareciam acreditar (e será que é justo exigir-lhes que acreditem quando meia nação não o faz?). Eis que, pouco depois da meia hora de jogo, a maré muda. O miúdo Renato mostrou que sabe ser um crescido com a bola nos pés e com muita qualidade mandou a bola para o fundo das redes. Depois foi só mostrar aos polacos quem eram os especialistas em empates. 1-1, fim do jogo. Outra vez no prolongamento. Duas equipas com medo de sofrer resultou em duas equipas sem marcar. Assim foi. 1-1, fim do prolongamento que se é para empatar, é para empatar a sério. Seguiam-se os penaltis e desta não tínhamos o Ricardo para tirar as luvas e mandá-la para o fundo da baliza. Começou! Cristiano Ronaldo beija a bola e coloca-a na marca das grandes penalidades. É contigo, capitão! Sem hesitar marcou o primeiro. 1-0, comanda o melhor do mundo. Lewandovski empata. 1-1. Era a vez do miúdo Renato brilhar outra vez. 2-1. Milik a não desperdiçar coloca o resultado de novo empatado. 2-2. Sofre coração português, sofre. Era a vez de Moutinho. 3-2. Glik volta a deixar tudo igual. 3-3. Nani põe Portugal em vantagem. 4-3. Blaszczykowski posiciona-se na marca de grandes penalidades e coloca a bola numa trajectória certeira não estivessem lá as mãos de Patrício. Não passou! 4-3. Estava tudo nas nossas mãos, que é como quem diz que estava tudo nos pés de Quaresma. Era só mais um bocado de magia daqueles pés e estávamos nas meias. Tudo ou nada e tinha de ser tudo, que precisamos do coração para o resto dos jogos. Sem medos. Estava lá dentro. 5-3!! Estávamos nas meias, estávamos mais perto de Paris.

Do percurso de Portugal já muitos falavam praticamente desde o início, nas redes sociais e não só. Chamavam-nos Luckgal porque só podia ter sido a sorte a conduzir-nos até às meias-finais. A imprensa francesa mostrou desde o início muito interesse na equipa das quinas. Alguns jornaleiros (o problema de uma imprensa fraquinha não afecta só Portugal) franceses decidiram levar este discurso ao extremo. Diziam eles que o nosso futebol é "nojento" e mais tarde chegaram a afirmar que "não merecem estar nas meias-finais". Acho piada e tenho pena, principalmente por serem os franceses a dizê-lo. A história já lhes devia ter ensinado que não se atiram pedras quando se tem telhados de vidro. O telhado de vidro deles, e espero que não se tenham esquecido porque é realmente muito frágil, é um golo que lhes concedeu o apuramento para o Mundial de 2010. A escandalosa bola na mão de Thierry Henry que resulta em golo frente à República da Irlanda. Queridos jornaleiros franceses, tenho só uma pergunta para vocês, se me estão a ler: será que é mais nojento passar com a) um golo irregular ou com b) a decisão a ser tomada no prolongamento ou penaltis? Acho que a resposta é unânime, é claramente nojento passar com um lance irregular e não é nada nojento passar com mérito, como é o nosso caso.

Portugal ainda não esteve no seu melhor, não foi superior à maioria das equipas que defrontou nem mostrou um futebol de elevado nível mas Portugal merece respeito. Merece respeito porque chegou às meias finais por mérito próprio e não devido a irregularidades ou jogos de bastidores. Merece respeito porque os nossos jogadores já têm mais minutos nas pernas do que os outros todos. Merece respeito porque protagonizou um dos jogos mais emocionantes e vivos do Europeu, frente à Hungria. Merece respeito porque, apesar de tudo, têm um percurso com percalços mas conquistado, etapa a etapa, com muito coração e muita entrega. Há muita margem de manobra para melhorar e temos tudo para melhorar já contra o País de Gales.

No final do dia é tudo uma questão de perspectiva, se pensarem bem no assunto. Uns preferem ver o copo meio vazio e dizer que "Portugal está nas meias-finais sem ganhar nenhum jogo". Afirmam que só pode ser sorte, a qualquer momento estamos de malas feitas e prontos a voltar para Portugal. Outros, como eu, preferem ver o copo meio cheio e dizer que "Portugal está nas meias-finais sem perder nenhum jogo". Digo com certeza que só pode ser mérito e que este pode ser finalmente o ano e o momento de Portugal fazer história. Estamos todos certos. Portugal ainda não ganhou nenhum jogo mas a verdade é que também não perdeu nenhum. Há duas perspectivas pelas quais podemos olhar para o nosso percurso e eu escolho a segunda porque acredito, acredito sempre. Pode ser uma escolha ingénua de quem acredita que tudo é possível até ao último instante mas sei que podemos fazer mais e chegar mais longe. Há muitos aspectos a melhorar e o futebol praticado podia ser muito mais espectacular e cativante mas estou plenamente convicta de que se estamos onde estamos o mérito é nosso e nada há de nojento nisso. Há mérito e luta, somente! Tenho orgulho do nosso percurso, da nossa selecção e do nosso país. Acredito e reitero que vou acreditar até ao fim! Juntos podemos fazer história. Onze milhões, unidos. Por Portugal!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Génio Ronaldo

Sejamos coerentes. Para criticar e/ou elogiar é necessário haver sempre alguma ponderação e coerência. Naturalmente que num desporto tão apaixonante como o futebol vão haver sempre comentários de cabeça quente, comentários do momento e coisas ditas sem pensar. Acontece a toda a gente. O que não pode acontecer é viver permanentemente com memória curta e/ou selectiva.
Ontem o Ronaldo falhou um penalti. O guarda-redes não o defendeu nem a relva teve culpa da trajectória da bola. A culpa foi única e exclusivamente do Ronaldo! Eu sei isso, tu sabes isso e eu tenho a certeza de que ele também sabe disso e provavelmente sabe-o melhor do que ninguém.
No entanto nunca, em momento algum, podemos culpar apenas um jogador pelo empate (ou pela perda de dois pontos) de uma equipa. Não estou a dizer que o Ronaldo está imune da culpa do resultado de ontem. O que eu estou a dizer é que o Ronaldo tem a mesma culpa de todos os outros jogadores. Num jogo colectivo é ingénuo imputar a culpa apenas num "bode expiatório". Não é correcto nem faz sentido. Num jogo colectivo, como é o futebol, a culpa é dividida entre todos os intervenientes e a grande maioria dos comentários que leio culpam apenas o Ronaldo.
Talvez estes críticos, sempre tão ávidos e prontos a atacar, não vejam as estatísticas, não tenham interesse em vê-las ou desviem os olhos quando lhes são apresentadas porque afinal o Ronaldo é "egoísta", "só quer marcar lá no clube dele", "só quer saber da imagem e de selfies" e é "arrogante". Vou ser breve e deixar aqui apenas três comentários que são "só" fundados em estatísticas e factos:
- Há uma imagem a circular na Internet que compara o número de remates do Cristiano Ronaldo com os remates de outras equipas do Europeu, como por exemplo a Itália ou a Islândia. O curioso é que o Ronaldo soma mais remates do que essas equipas (nove equipas, para ser precisa). Para terem uma ideia: o Ronaldo soma 20 remates, a Itália 19 e a Suécia 11. Eu sei, os remates não dão pontos mas não deixa de ser uma estatística muito interessante.
- Durante toda a sua carreira, o Ronaldo falhou apenas 19 penalties das 110 oportunidades que teve. Isto significa que concretizou com sucesso 91. Na selecção falhou no total 4 (quatro) penalties. Para quem diz que ele só se interessa em marcar os penalties nas equipas em que joga... andam muito mal informados.
- Tornou-se ontem no jogador português com mais internacionalizações (128). São mais jogos nas pernas só pela selecção nacional do que estes os críticos provavelmente têm na vida inteira. Jogou com lágrimas nos olhos quando o pai morreu (e só quem sabe o que é perder o pai pode imaginar o quanto isso dói), jogou quando todos estavam contra ele, jogou quando estava lesionado e é visível que veste com orgulho a nossa camisola. É o melhor marcador de sempre da selecção nacional com um total de 58 golos - ainda não acabou a carreira e é provável que deixe este recorde num patamar tão alto que vão passar anos até alguém ficar perto de bater esse recorde. Nunca viu um cartão vermelho na selecção, nem por acumulação de amarelos, nem em jogos oficiais, nem em amigáveis.
A isto podia juntar histórias que só demonstram a força, a qualidade, a humildade e a as particularidades únicas do génio do futebol Cristiano Ronaldo. Não o vou fazer, quem prefere ver com palas nos olhos nunca entenderia tudo.
O Ronaldo não está, tal como os outros jogadores, imune a críticas. Bateu mal o penalti ontem, falhou. Reconheço e critico quando tenho de criticar mas tento ser coerente, justa, realista e não me esqueço de que, apesar de por vezes não parecer, o Ronaldo é humano e tem o direito de falhar e de ter fases menos boas. Os comentários que leio e ouço são provavelmente de quem não conhece a sua história nem a sua carreira. São comentários que destilam ódio e inveja pelo sucesso alheio. Quem o critica gratuitamente certamente não tem a menor ideia do que este miúdo, que nasceu pobre e com poucos recursos se fez um futebolista e profissional de excelência e ganhou tudo o que hoje tem, já deu à selecção portuguesa, ao futebol português e a Portugal. Não me esqueço quando conquista a Champions pelo Real Madrid, não me esqueço quando ganha outra bola de ouro ou outro troféu individual, não me esqueço quando o vejo elogiado por todo o mundo e só se for hipócrita me vou esquecer quando falha um penalti ou quando faz um jogo menos bom (e não acho que fez um jogo péssimo ontem).
Não é a hora adequada para comentários incendiários que em nada ajudam. As criticas são boas quando construtivas e são essas que devem surgir agora. O caminho está difícil, e ficou mais difícil ontem, mas ainda não é impossível. Por isso, e enquanto não for, eu vou acreditar. Vou acreditar e vou apoiar. FORÇA PORTUGAL!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Uma identidade que não podemos perder

Foto: O Lado V
Todos temos consciência de que ser vitoriano não é ser iguais a todos os outros. Há uma identidade e uma cultura com contornos especiais que nos diferencia dos restantes. Tenho consciência de que sou suspeita para o dizer mas é difícil negar, mesmo a quem está de fora, que eu estou certa. Preservar a nossa cultura e identidade, com contornos tão particulares, bem como transmiti-la a qualquer pessoa que represente este símbolo é fundamental para o nosso sucesso.

A nossa identidade nasce dos princípios de independência e de conquista. Da mesma forma que nasceu Portugal. Com muita luta mas sempre com a mesma vontade de vencer e de crescer, de elevar o nosso nome ao mais alto nível. Claro que tudo isto não passam de palavras e palavras não entram em campo, não marcam e não ganham títulos. São só isso mesmo: palavras. No entanto estas que hoje escrevo transmitem uma verdade difícil de negar e que mesmo para aqueles que não entendem e são apenas espectadores de tamanha paixão e amor é praticamente inegável.

A identidade de que falo é o que faz atletas, que não são atletas do Vitória, como o João Sousa ou o Pedro Meireles terem sempre o símbolo presente em qualquer parte do mundo. É o que faz com que os ex-atletas do Vitória lembrem com carinho os tempos em que o foram, não se esqueçam do quão especial é ter a camisola do Rei ao peito e falem com um brilho inconfundível nos olhos, anos depois, dos adeptos e da instituição vitoriana. É o que faz com que estes ex-atletas levantem bem alto o nosso símbolo quando ganham um troféu por outro clube. É o que faz com que tenhamos a necessidade de viajar com pelo menos um cachecol ou uma camisola do Vitória na mala de viagem para o outro lado do mundo se for preciso. É o que nos faz oferecer um cachecol com todo o amor do mundo a quem conhecemos quando viajamos, com a consciência da importância daquilo que para outros é apenas um pedaço de tecido mas que para nós é muito mais do que isso.

Já vi, mais vezes do que desejado, a nossa identidade ser negligenciada ou a ser relegada para segundo plano através de políticas e politiquices que em nada representam o Vitória. Talvez se todos os parâmetros que definem a época forem definidos de acordo com a nossa identidade e a nossa cultura, possamos chegar então ao sítio que queremos - o de transformar o Vitória num clube vencedor em todas as competições onde participa.

A poucas horas da selecção portuguesa iniciar a sua caminhada no Europeu, e para terminar, tenho de deixar uma última nota. Conto que todos os que entrem em campo e entoem A Portuguesa antes do início do jogo possam ter o espírito conquistador de que falo como D. Afonso Henriques tinha. De um lado o escudo para defender e proteger e do outro a espada para atacar e lutar.

domingo, 22 de maio de 2016

Uma pequena reflexão sobre os destinos da selecção

Com o Europeu a começar dentro de dias para a selecção A e depois da selecção sub-17 ter vencido o Europeu na sua categoria e com números extraordinários (apenas um golo sofrido na final, por exemplo) parece-me que é necessário tirar algumas notas.
Ao longo dos anos as camadas jovens têm revelado uma grande qualidade com vários troféus conquistados e com excelentes campanhas mas poucos desses jovens chegam à selecção A. Compreendo que nem todos os jogadores que têm qualidade enquanto jovens continuam a evoluir e a mostrar qualidade suficiente para merecer a chamada à selecção mais tarde. Há jovens jogadores que estagnam, que não evoluem, que não se adaptam e nesse percurso há mais uma data de factores que fogem ao controlo do jogador e que prejudicam a sua evolução. Por outro lado há jogadores que enquanto jovens não são chamados à selecção mas que são uma aposta natural mais tarde. Tudo isso é natural e eu compreendo.
No entanto penso que há duas causas que para mim são igualmente preocupantes e determinantes para que as camadas jovens tenham sucesso e a selecção A nem por isso:
- Nas camadas jovens a fibra das camisolas usadas pelos jogadores ou os agentes que os representam têm pouca ou nenhuma importância. Quer isto dizer que o critério é a qualidade e/ou a forma do jogador na altura da convocatória. Só quem usa palas é que não percebe que na selecção A há lugares cativos e lugares reservados aos "enteados" que mesmo depois de uma época (ou épocas) em nada convincente continuam incompreensivelmente a ser chamados.
- A maioria dos clubes portugueses tem pouco interesse em apostar no desenvolvimento dos jovens e na formação destes e prefere apostar em jogadores estrangeiros. Já disse muitas vezes aqui no blogue que sou a favor da aposta na formação e também já disse que gostei de ver o Vitória fazê-lo há uns anos atrás (infelizmente mais pela situação financeira complicada da altura do que pela vontade espontânea) com sucesso. Infelizmente é uma reflexão em parte da mentalidade portuguesa de que o estrangeiro é sempre melhor do que o nacional - e nem sempre é assim!
Resta-me agora dar os parabéns aos miúdos que mereceram muito este troféu e foram um grande exemplo para todos os que vestem esta camisola, na esperança de que todos se tornem grandes jogadores e que sejam valorizados por isso numa altura em que também a selecção A se importe com a qualidade e nada mais!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Por causa do Rui Bragança e de todos os atletas que engrandecem Portugal

Não sou da opinião de que as pessoas devem estar sentadas no sofá à espera que toda e qualquer informação lhes caía no colo como por magia. Com isto quero dizer que acho fundamental ao crescimento (seja cultural, intelectual, etc.) a investigação e a procura. De certo modo é necessário ao crescimento uma espécie de rebelião - saber que não devemos acreditar em tudo aquilo que está escrito dos jornais ou na internet, ter a consciência de que há um mundo inteiro para além do que aquilo que lá está escrito, não acreditar em tudo como se fosse uma verdade absoluta sem investigar a veracidade dos factos. Sim, questionar é um acto de rebelião nos dias que correm!

Quando comento com alguém alguma vitória do Rui Bragança - e ele ganha tantas vezes! - vejo que há um certo ar de confusão na cara de quem me ouve. Aquele ar de confusão que diz "eu não sei de quem estás a falar mas não vou perguntar para não parecer ignorante". Como disse, questionar é um acto de rebelião. Fico perplexa. Tenho acompanhado com alguma atenção a carreira do jovem atleta de Taekwondo que referi anteriormente. Em parte porque é atleta do Vitória e é impossível este ser desconhecido para um vitoriano informado mas também porque gosto de desporto no geral e gosto de saber quem anda a fazer coisas boas lá fora.

Para além de ser atleta do Vitória, também é português. Tenho a consciência de que não conheço todos os atletas que representam de forma honrada o nome de Portugal no estrangeiro mas tento informar-me, tento saber, tento conhecer e louvá-los: desde o ténis à canoagem. Portugal é um país pequeno mas cheio de atletas - e não só - com uma ética de trabalho, energia, empenho e talento incríveis. Extravasa largamente o futebol - e é uma amante de futebol que vos diz isto. Infelizmente a maioria das pessoas não sabe disso e muitas vezes não tentam saber mais porque se não está nos jornais então não deve ser importante..

Há uma espécie de ignorância plantada por alguns meios de comunicação social que fazem capas todos os dias com jogadores de futebol estrangeiros, que vestem três cores de apenas três clubes nacionais. A maioria dos dias com notícias que não contam nada de novo, são só notíciazinhas para encher os bolsos. O problema não está nesses tais jogadores de futebol que de nada disso têm culpa, mas sim dos meios de comunicação e de quem os controla e que prefere dar destaque a quem, muitas das vezes, tem menos talento do que os nossos atletas nacionais que fazem furor no mundo mas que tristemente são postos de lado no país que tanto elevam.

Hoje apenas quero agradecer a esses mesmos atletas. Ao Rui Bragança, o conquistador que se sagrou ontem Campeão Europeu de Taekwondo. Deixem-me corrigir: Bicampeão! Talvez seja Tricampeão em breve. Não tenho muitas duvidas quanto a isso e acredito piamente que vá acontecer. Provavelmente não será motivo de abertura de telejornais, não vai provocar uma celebração nas praças principais de todas as cidades portuguesas, não vai inundar as redes socais nem vai ser alvo de edições especiais de revistas ou jornais. Em Portugal há sempre dois pesos e duas medidas - até para os Tricampeões.

Vou repetir aqui o que já disse sobre o João Sousa: é outro atleta demasiado grande para capas de jornais destes. Escrevi este texto por causa do Rui Bragança que foi campeão ontem mas que quase nenhum destaque teve hoje, mas podia ter sido por qualquer outro atleta que eleva o nome de Portugal. São tantos! A eles o meu mais sincero agradecimento por fazerem de Portugal um país maior e que é referido muitas vezes por causa de vocês - sempre por bons motivos. São enormes!

terça-feira, 29 de março de 2016

Berço de campeões

Foto: O Lado V
O futebol é o desporto-rei em Portugal, e também o costuma ser neste blogue quando falo do Vitória. Hoje não é. Hoje os protagonistas são outros, e não é porque o campeonato esteve interrompido no fim-de-semana passado. Hoje os protagonistas são outros porque me parece importante reconhecer quem tanto dá por este símbolo e que que tantas vezes representa o Vitória de forma magistral no resto do mundo.

Uma das características do Vitória que mais orgulho me dá é o seu ecletismo. O Vitória é, indubitavelmente, o clube mais ecléctico do Minho e um dos mais eclécticos de Portugal. Isso julgo que é ponto assente. É mais uma das tantas coisas que contribuí para que sejamos tão únicos e diferentes do resto.

A modalidade que mais acompanho a seguir ao futebol é o Basquetebol. Apesar de não ir a todos os jogos, a maioria das vezes por incompatibilidade de horários, vou sempre que posso. Vejo sempre uma equipa com muita garra e muita vontade de vencer. Infelizmente são raras as vezes em que o pavilhão enche - no entanto, somos os únicos capazes de o fazer (e já o fizemos muitíssimo bem!). Nos últimos anos fui a Fafe ver os jogos do Vitória na Final 8 da Taça de Portugal. Em campo vi sempre equipas que mostravam que o dinheiro não joga. Vi o Vitória lutar de igual para igual contra, por exemplo, o Benfica, que tem um orçamento para o basquetebol muito superior ao nosso. Vi os adeptos do Vitória chegar uma hora antes do jogo e encher a sua parte da bancada e apoiar incessantemente, enquanto que os adversários tinham dificuldades em ocupar metade da sua parte. Vi, com enorme satisfação, o Vitória levantar a Taça de Portugal em 2013. No palmarés do basquetebol o Vitória já conta, entre outros troféus, com duas Taças de Portugal, um Troféu António Pratas, um título de Campeão Nacional e uma Taça Nacional de Júniores Femininos.

A modalidade amadora mais antiga do clube é o Judo. Os judocas vitorianos somam 9 títulos: 1 título de Campeão Nacional de Júniores, 3 títulos de Campeão Nacional de Judo Adaptado Síndrome de Down e 5 títulos de Campeão Nacional de Judo Adaptado. Ao abrigo do projecto "Judo para Todos", o Vitória forma atletas com deficiência que são verdadeiros campeões! A modalidade mais recente é o Jiu-Jitsu que surgiu apenas na época passada mas que já tem 55 atletas distribuídos por diversos escalões. Apesar de ser uma modalidade recente, os nossos conquistadores já exibem no seu palmarés 5 títulos de Campeão Nacional!

A natação apresenta números extraordinários. Modalidade criada em 2001, tem um total de 282 títulos regionais e 77 títulos nacionais. Os nossos atletas já bateram 15 records nacionais e 8 desses ainda estão em vigor. O nome mais sonante da modalidade será Daniela Pinto que ficou em sexto lugar nos Campeonatos da Europa de Absolutos de Águas Abertas em Israel, sendo a primeira portuguesa a consegui-lo! O ténis de mesa surgiu na década de sessenta e desde aí conquistou 10 títulos regionais e 3 títulos concelhios. Os atletas vitorianos conseguiram o primeiro título em 1961 e o último na época passada numa clara demonstração de garra e vontade em manter a modalidade viva e a vencer!

O voleibol tem um palmarés invejável e soma títulos em todos os escalões. Os melhores anos da modalidade foram, em termos de títulos, entre 2007 e 2010: em três épocas conquistaram 1 Taça de Portugal Masculinos, 1 título de Campeões Nacionais da 1ª Divisão A1 Masculinos, 1 título de Campeões Nacionais de Juvenis Masculinos ao ar livre, 1 título de Campeões Nacionais de Infantis Masculinos e 2 títulos de Campeões Nacionais de Iniciados Femininos. Os primeiros títulos da modalidade datam dos anos oitenta. Uma modalidade que conquistou, desde aí, imensos títulos.

O Pólo-Aquático tem um percurso semelhante: os primeiros títulos foram arrecadados no início dos anos oitenta e desde aí construíram um palmarés muito interessante com títulos como a Taça de Portugal de seniores masculinos, 3 títulos de Campeões Nacionais das iniciadas femininas e, mais recentemente, o título de Campeões Nacionais de Juvenis! O atletismo do Vitória contava, em 2015, com 39 atletas amadores que participam nas maratonas de todo o mundo, onde arrecadam medalhas e títulos. Em Fevereiro do último ano, Manuel Mendes classificou-se para os Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro.

Dez anos depois da criação da secção de Kickboxing do Vitória (em 2012 surgiu a secção de Boxe) sob a liderança de Alberto Costa. Os atletas destas duas modalidades já trouxeram para Guimarães mais de 30 títulos. É obrigatório destacar os 6 títulos de Campeão Mundial, os 2 títulos de Campeão Europeu, o título de Campeão Intercontinental e os impressionantes 13 títulos de Campeão Nacional!

O Taekwondo é, a par do Jiu-Jitsu, a modalidade mais nova. Nasceu em 2014 mas já deu frutos e por frutos eu quero dizer dois campeões made in Guimarães. Não foi preciso muito tempo para Rui Bragança e Nuno Costa se tornarem nomes incontornáveis no universo vitoriano e no resto do mundo. Nunca passamos muito tempo sem receber uma notícia positiva sobre um deles, ou sobre os dois. O Nuno Costa sagrou-se Campeão Nacional e o Rui Bragança soma só seis medalhas de Ouro (uma delas nos Jogos Europeus) em 2015 e vai representar-nos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, onde estão os 16 melhores atletas do mundo.

Para além dos títulos nas modalidades que referi, o Vitória ainda soma mais uns quantos noutras modalidades como por exemplo no Hóquei em Patins (títulos vencidos nos anos 50 e os primeiros troféus das modalidades) ou em Andebol (que conta com quase 20 títulos, sendo a maioria distritais mas também o título de Campeão Nacional de Juvenis).

Infelizmente os feitos dos nossos atletas não abrem telejornais nem são motivos de primeira página dos jornais "desportivos", por muito que honrem o nome de Portugal no resto do mundo. Infelizmente os jornais desportivos não passam de jornais sobre futebol e que não têm outro tópico para além dos que são levantados pelos três do costume. Infelizmente há muita gente que não sabe que o Vitória é um berço de campeões.

Os nossos atletas não se cansam de nos mostrar o que é, de facto, a excelência vitoriana. Acho que, por isso, nunca será demais agradecer. Todos os atletas do Vitória, desde a menina pequenina que aprende a jogar voleibol até ao senhor que é campeão de Ténis de Mesa, são parte fundamental e inalienável da grandeza do Vitória!

Fossem todos como vós. Obrigada a todos os atletas que dão tudo pelo Vitória, conquistando troféu atrás de troféu, e que são estandartes do Vitória em todas as partes do mundo. Obrigada por representarem o nosso símbolo tão bem conquistadores!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Isto da coligação à esquerda ser legítima é uma anedota não é?

Eu já disse aqui que com facilidade me dão 15-0 numa conversa sobre política. É totalmente verdade. Ainda assim eu vou continuar a falar de política, daquilo que vejo e gosto (não acontece assim muitas vezes) e daquilo que vejo e não gosto. Eu também não sei cantar, mas continuo a cantar. Percebem a ideia? Exacto. Vamos continuar.
Da última vez que eu verifiquei, a coligação PSD-CDS teve mais votos do que os outros partidos. Ou seja, ganhou. Espantem-se agora: quem ganha é quem tem mais votos! Eu sei que isto é uma grande novidade e peço que não fiquem demasiado indignados, eu vou explicar mais à frente como é que este fenómeno se processa para aqueles que não conseguem entender... como o António Costa.
Antes de continuar deixem-me informar-vos que não este post não tem como intenção defender a coligação nem o Passos Coelho nem o Paulo Portas e atacar o PS e o António Costa (e os seus novos melhores amigos), eu já disse e volto a dizer: eu não voto em partidos, eu voto em pessoas (e não gosto do Paulo Portas). Isso até pode ser a coisa mais ignorante desta vida, e eu até posso vir a defender um partido no futuro mas agora não é com isso que me identifico. Este post tem como objectivo partilhar as minhas ideias. Tem tendência a ser relativamente sarcástico, mas isso agora não interessa nada.
Voltando à parte de ganhar quem tem mais votos. Desde pequena que me ensinaram assim. É uma fórmula muito simples e que não tem nada que enganar. Neste caso, uma vez que foram mais portugueses votar na coligação do que nos outros partidos, a coligação ganhou. Não é física quântica pois não? Os meus primos de 5 anos sabem que é assim que funciona. Se se quiserem reger pela filosofia de António Costa, então eu vou reclamar contra a Liga Portuguesa de Futebol... é que se o Vitória fizesse uma coligação com o Moreirense tínhamos sido campeões mas com uma distância brutal do Benfica, ficava o campeonato em Guimarães e ninguém se chateava. Só que eu sei (e toda a gente sabe) que quem ganha... é quem tem mais votos!
Aparentemente António Costa quer fazer com que eu acredite que a minha vida foi uma mentira. Que quem ganha é quem tem menos votos. Aliás, estou a enganar-vos agora. Ele sabe que ganha quem tem mais votos, mas uma vez que ele teve menos votos, acha que se se juntar a outros partidos que também tiveram menos votos é ele o vencedor (e os outros partidos). Corrijam-me se eu estou errada, mas na folha de voto tinha um quadradinho para o PS, outro para o BE e outro para a CDU. Não me lembro de ver lá um quadradinho para a opção PS/BE/CDU, e olhem que eu vejo bem. Uma vez que essa opção não existia, os portugueses não podiam votar nela. Então, nem António Costa nem Catarina Martins nem Jerónimo de Sousa, nem ninguém em boa verdade, têm legitimidade para dizer que os portugueses votaram mais neles do que na coligação porque não é verdade, nem que eles façam 5 mortais seguidos.
Esta coligação à esquerda acha-se legítima por dois motivos. Primeiro, porque em 2011, aquando da formação do governo, formou-se a coligação PSD/CDS. Segundo, os votos são para o número de deputados e não para o primeiro-ministro.
Tenho de recuar no tempo para 2011. Nessa altura foi a coligação PSD/CDS que formou governo. Há é uma "pequena" diferença entre 2011 e 2015: em 2011 o partido mais votado tinha sido o PSD (o partido vencedor). Não dá para comparar uma coisa com a outra porque os termos são totalmente diferentes.
É verdade que nas eleições não votamos para eleger um primeiro-ministro, votamos para eleger o número de deputados. Têm razão, as eleições são para eleger deputados. Os deputados eleitos são os seguintes: a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS) ficou com 107 dos 203 assentos disponíveis, o PS conquistou 86, o BE tem 19, a CDU 17 e o PAN elegeu 1 deputado. Feitas as contas, esta nova coligação tem 122 (86+19+17) deputados eleitos, mas não são legítimos, porque não foi o que o os portugueses elegeram porque votar numa coligação PS/BE/CDU é totalmente diferente de votar no PS ou no BE ou na CDU. Se é verdade que votamos para eleger os deputados, também é verdade que, sendo o sistema político de Portugal semipresidencialista, é o Presidente da República que indigita o Primeiro-Ministro. Mais uma vez me vejo obrigada a lembrar-vos que o nosso Presidente da República, de seu nome Aníbal Cavaco Silva, indigitou... Pedro Passos Coelho! No Luxemburgo o Primeiro-Ministro não é do partido que venceu as eleições, mas o Luxemburgo é um país que tem como sistema político o parlamentarismo, ou seja, o Primeiro-Ministro é eleito pelo parlamento e não é indigitado pelo Presidente da República.
Esta crise política está só a confirmar uma coisa que eu já sabia (e que se calhar não é a coisa mais ignorante desta vida): não votem em partidos! Por uma razão muito simples... Os partidos não respeitam os seus ideais políticos, mudam de ideias como lhes é mais favorável e tudo com um único objectivo: a obtenção de poder a todo o custo. Basta uma rápida pesquisa na internet para ver os golpes que os representantes destes três partidos desferiam uns nos outros e que agora se tornaram melhores amigos e querem que os portugueses comprem a ideia de que Portugal está cheio de fadas e unicórnios. À pouco mais de um mês, no final de Setembro, Catarina Martins (BE) disse que “O que era bom era que o PS dissesse qualquer coisa de esquerda”. Jerónimo de Sousa também se manifestou sobre a sua visão do PS, relativamente às eleições legislativas que ocorreram este ano, dizendo que "deste PS que nem é carne nem é peixe, que mais parece um caranguejo moído em termos de definição de uma política alternativa". Para António Costa, em Setembro,  " quem ouvir o PCP ou o BE percebe que os dois partidos só têm um objetivo: combater o PS. São meros partidos de protesto, querem estar nas manifestações mas não no Governo a resolver os problemas das pessoas" quando o jornalista o questionou se um acordo à esquerda era possível. Não sei que revolução aconteceu entre Setembro e Outubro/Novembro para que estes três partidos se tornassem em melhores amigos inseparáveis quando antes não paravam de se criticar e atacar uns aos outros. Aliás, nada aconteceu. A verdade é que eles não querem defender as suas ideias, não querem o melhor para os portugueses. Tudo o que querem é o poder, a todo o custo (eu não sei, mas eu quase apostava que o António Costa vendia um rim e um pulmão se o deixassem ser Primeiro-Ministro!).
 Por tudo isto que já disse, sempre que dizem que a coligação à esquerda é legítima eu tenho vómitos e morre um unicórnio. Nem aqui, nem em lado nenhum, esta coligação oportunista é legítima. Esta coligação está a fazer apenas uma coisa: denegrir ainda mais a classe política portuguesa e, consequentemente, o nome de Portugal. Enquanto este impasse político continua e parece não se resolver porque uma data de iluminados acha que os portugueses são burros e não sabem que quem ganha é quem tem mais votos, a bolsa está em queda desde ontem e os bancos já estão reticentes com o que se poderá passar. Para terem uma ideia: a bolsa de Lisboa ontem fechou com uma queda de 4% e o banco alemão Commerzbank enviou um relatório aos seus clientes (que são só 11 milhões de clientes privados e 1 milhão de clientes corporativos espalhados pelo mundo) intitulado "Portugal. A próxima Grécia?".
Acho que já não preciso de acrescentar nada ao que disse. É inadmissível uma situação como esta passar-se num país "civilizado". Isto não é, nem pode ser de forma nenhuma, uma expressão de democracia. A coligação à esquerda não respeitou o voto dos portugueses. Lembrem-se de que na folha de voto não aparecia lá "Esquerda" nem "Direita".

sábado, 5 de setembro de 2015

Só uma coisinha que me está a fazer espécie

Acabei de ver um vídeo de um cantor chamado Marcio Conforti em que este, muitíssimo zangado, dizia que Portugal devia preocupar-se com os seus próprios problemas antes de querer acolher migrantes. Aliás, ele diz muita coisa e eu reservo-me o direito de opinião. Convém ressalvar que nada tenho contra o cantor, tanto é que não o conhecia antes. Pura e simplesmente discordo da sua opinião neste assunto.
A sua opinião é a de que nós, Portugal, temos de "arrumar a casa" primeiro e só depois ajudar os outros. Toda a gente sabe que Portugal tem problemas. A Grécia tem problemas. A Espanha tem problemas. A Europa tem problemas. Isso significa que não podemos ajudar os outros até resolver todos os nossos problemas? Hmm, não me parece que isso faça muito sentido porque dessa forma ninguém pode ajudar ninguém e vivemos num mundo em que é cada um por si e a palavra solidariedade é só mais uma palavra para encher as páginas no dicionário.
Depois diz que "esta palhaçada está virando o Brasil" e que "o Brasil se acabou por causa desta palhaçada" porque só "jogaram lixos para lá". Ora bem, antes de mais é necessário frisar que a pessoa em questão é brasileira... e está a viver em Portugal. Então, o senhor pode vir mas os outros migrantes não? São menores do que o senhor por serem refugiados? São menores do que o senhor porque não têm mais nada do que aquilo que têm vestido? A mim parece-me hipocrisia. Se acha que o mal do Brasil é fruto do multi-culturalismo então não entendo o que está a fazer em Portugal. Certamente que de entre os muitos refugiados que vêm para Portugal, haverá pessoas de má índole mas há sempre esse tipo de pessoas e podem ser encontrados em qualquer lado, independentemente do sítio de onde vêm, da sua classe social ou da sua faixa etária. Por essa lógica, devíamos atirar ao mar toda a gente de má índole em Portugal. É assim que funcionam as coisas? Desconhecia tal método.
Depois há a sugestão: "cada um fica nos seus países e vamos doar". A migração não precisa de uma resposta urgente para ser solucionada, não. Temos tempo para resolver "a coisa" com donativos e com burocracias até porque os donativos feitos até agora já resolveram tudo, todos os problemas do mundo.
De facto não entendo esta reacção, principalmente quando vem de uma pessoa que vive num país que não é o seu. Acolher estes refugiados é de extrema necessidade. E o problema do Brasil não é as pessoas de outras culturas e outras nacionalidades, não, não é. O problema do Brasil é não saber gerir aquilo que tem. O problema do Brasil é gastar milhões de euros num estádio de futebol e não ter um sistema de saúde e infraestruturas capazes de dar resposta aos problemas dos brasileiros. Esse é o problema do Brasil! Como é óbvio os migrantes têm de ser integrados na sociedade e é necessário que haja um plano coerente e sustentável para o fazer e é até compreensível que tenham alguns benefícios no início, até porque eles chegam sem NADA!
Com isto não quero invalidar os problemas dos portugueses nem a crise das famílias portuguesas. Tenho plena noção que há pessoas que passam por sérias dificuldades e que há pessoas sem uma casa e sem comida na mesa no final do dia. Isso é triste, claro que sim. Aperta-me o coração, faz doer cada osso do meu esqueleto. No entanto não podemos descontar isso nos migrantes, porque eles não têm culpa. Talvez seja mais sensato descarregar nos nossos líderes, em quem ganha 10000€ por mês e não sabe se chegará para as despesas. Os problemas de Portugal são graves e são prioritários, mas esta crise migratória é urgente, é a humanidade. E nós nunca seremos lixo ou inferior por sermos solidários com o próximo. Não deixem a humanidade afogar-se, somos todos um!

P.S.: Só uma pergunta... onde estavam estes indignados antes? Ou só se lembraram que há sem-abrigo e pessoas com dificuldades em Portugal agora? Parece-me que talvez os hipócritas e exibicionistas sejam vocês, que não são nada mais nem menos do que pseudo-nacionalistas. Só se lembram do que se passa cá dentro quando os outros pedem pela nossa ajuda. Pensem maior do que isso, sejam mais do que isso. Talvez se um dia se virem obrigados a deixar a vossa pátria para fugir da morte e do terror, com uma ou duas crianças ao colo, que são os vossos filhos, pensem duas vezes em querer ver portas abertas para vos receber ou não. Mais uma vez digo... as palavras ficam para quem as profere.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Fui ali passear, mas já voltei

Estou a chegar de umas mini-férias em Nazaré. Já não é a primeira vez que vou a Nazaré, e é a segunda vez que vou lá passar umas mini-férias. Em 2013 fiquei por lá três dias e desta vez o programa foi o mesmo. É um sítio muito agradável para passear, descansar e ficar maravilhado com as paisagens, que apesar de já as conhecer muito bem me continuam a encantar.
Infelizmente não fui agraciada com um tempo espectacular, mas ainda deu para aproveitar o sol da praia da Nazaré na terça à tarde e o dia todo de quinta, na quarta fui até S. Martinho do Porto, uma praia muito calma e muito bonita. Apesar do bom tempo durante a manhã, à tarde ficou muito vento e era insuportável estar na praia. Como alternativa fui até à pequena e encantadora Vila de Óbidos e aproveitar para conhecer a Praia D'el Rei.
Ontem ao fim da tarde fui até ao Sítio da Nazaré, que é a minha parte favorita. Jantei num restaurante muito agradável, com uma vista panorâmica que me fazia querer jantar 20 vezes só porque não queria sair de lá. O restaurante fica na estrada que vai até ao Farol e é óptimo para um jantar em família no final de um dia de praia. 
Se puderem, não deixem de visitar estes sítios maravilhosos: se forem a Óbidos a paragem obrigatória é na Livraria Mercado Biológico, um espaço encantador e maravilhoso que combina livros (muitos livros) com produtos biológicos. A Praia D'el Rei é também merecedora de uma visita e um dia só não chega, apesar de não ter pisado o areal (com muita pena minha mas a temperatura e o vento não ajudavam e o tempo era pouco) apercebi-me da beleza e calma desta praia. Em Nazaré, para além da praia enorme e convidativa, o meu sítio favorito é sem dúvida o Sítio, que é deslumbrante e se forem para jantar, passem no Arimar que tem como especialidades pratos de peixe (mas eu, que já estava um bocadinho farta de peixe, optei por carne à alentejana e não me arrependi nada). Ah, e quando lá forem não se esqueçam de parar na Gelatomania, uma gelataria italiana, na vila da Nazaré que está recheada de coisas não só deliciosas como lindas!
Praia D'el Rei
Praia D'el Rei
Livraria Mercado Biológico - Óbidos
Livraria Mercado Biológico - Óbidos
Óbidos
Praia de S. Martinho do Porto
Óbidos
Óbidos
Ginja de Óbidos em copo de chocolate
Óbidos
Um waffle enorme e maravilhoso na Gelatomania em Nazaré
Óbidos
Óbidos
Praia de S. Martinho do Porto
Praia da Nazaré
Vista Panorâmica do restaurante Arimar, no Sítio da Nazaré
O sítio da Nazaré
Uma estátua viva a personificar um pescador nazareno do século XX - para além da figura estar espectacular, o senhor era muito simpático e atencioso
Nazaré
Nazaré
Pulseiras em pele personalizadas por um casal da Holanda numa banca linda na Nazaré - também estampam colares e coleiras para cães e gatos
Vista do Sítio da Nazaré
Igreja da Nossa Senhora da Nazaré
Praia da Nazaré
O sítio da Nazaré
Praia D'el Rei
Praia da Nazaré
O sítio da Nazaré
Praia da Nazaré
Podem ver estas e outras fotos na minha conta EyeEm
P.S.: Todas as fotos foram tiradas por mim. Caso as queiram utilizar, agradeço que me contactem primeiro e as identifiquem como sendo minhas. Obrigada.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Portugal a dobrar. Orgulho a dobrar.

Ontem foi dia de dose dupla de futebol na selecção nacional. Primeiro, foram os sub-21 que defrontaram a Holanda para o Euro 2015; depois entrou a selecção A em campo para defrontar a selecção dinamarquesa no apuramento para o Euro 2016.

First things first, os "nossos miúdos" da sub-21 estiveram extremamente bem. Garantiram o seu lugar no Europeu de 2015 na República Checa imbatíveis. Já somam 14 vitórias consecutivas (10 delas na fase de apuramento). Um bonito número, não é?
O resultado foi bastante expressivo e até incomum para um jogo de futebol, 5-4 (golos de Rúben Vezo, Rúben Neves, Ricardo Pereira (x2) e Bernardo Silva). O resultado é expressivo e não é difícil perceber aquilo que está bem e o que é preciso melhorar. E depois de corrigir os erros, Portugal tem tudo para continuar a vencer.
Sou suspeita neste aspecto (e é fácil saber porquê) mas elegeria Ricardo Pereira como o homem do jogo!
Parabéns a todos, desde a equipa técnica até aos jogadores! Se são estes miúdos que nos vão representar nos próximos anos, parece-me que temos um bom futuro garantido!

Relativamente à selecção A, também me parece que estão num bom caminho. Com uma exibição melhor do que contra o particular na França, a selecção conquistou 3 pontos importantíssimos para o apuramento para o Europeu de 2016.
Acho que as fases de transição são sempre importantes. É o que estamos a assistir na selecção nacional: a transição do comando de Paulo Bento para Fernando Santos, que não falhou na sua estreia "a sério".
Com uma equipa renovada (5 dos titulares não estavam sequer no banco no Mundial do Brasil), deu para perceber que ainda há arestas a serem limadas, ainda há aspectos que necessitam de ser melhorados mas deu também para perceber que temos jogadores para chegar mais longe.
A vitória foi concretizada aos 90+5 pelo capitão Cristiano Ronaldo que, depois de um cruzamento de Quaresma, marcou do 2º andar. De realçar que, com este golo, Cristiano Ronaldo chegou aos 22 golos em Europeus (curiosamente, essa marca tinha sido alcançada por Jon Dahl Tomasson... dinamarquês). Que venham muitos mais!
Temos de marcar presença na França, por isso só há um caminho a seguir: em frente!


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Somos muito pequeninos. Ou talvez não.


Costumam (e nós também temos esse hábito) dizer que nós, aqui neste cantinho plantado à beira-mar, somos muito pequeninos. Por um lado somos. Por outro lado somos enormes. Eu vou explicar melhor a minha ideia.
O melhor jogador de futebol do mundo, Cristiano Ronaldo, é português. O melhor treinador do mundo, José Mourinho, é português. Eusébio e Figo, futebolistas mundialmente aclamados, são (adivinhem!) portugueses. E nós temos o hábito de nos gabar disso. E ai de quem nos fale mal deles (se forem estrangeiros claro, porque o portuguesinho para criticá-los também não precisa de muito). E eu sou uma fanática de futebol confessa, adoro futebol, adoro ver um bom jogo de futebol e vou ao estádio com muita frequência. Mas também gosto de acompanhar outras modalidades.
Hoje o melhor tenista português de sempre ascendeu ao 35º lugar do ranking ATP depois de ter chegado à final do ATP250 de Bastad, na Suécia. O João foi o único tenista português a vencer um torneio ATP (Kuala Lumpur). Ainda assim tem poucos (ou nenhum) apoio, têm pouca atenção por parte da imprensa, tem pouco reconhecimento. Ainda assim, eleva, com imensa mestria, o nome de Portugal.
Ontem, por sua vez, Tiago Machado, conseguiu posicionar-se no 3º lugar da classificação da Volta à França em Ciclismo. O que é, também, uma óptima notícia. Hoje, infelizmente, as coisas não estão a correr tão bem para o Tiago, depois de uma queda foi noticiada a sua desistência da prova sendo que isso foi um erro jornalístico e corrigido mais tarde e temos, por isso, Tiago Machado em prova outra vez apesar de ser complicado recuperar o tempo perdido, mas eu acredito! Rui Costa está, também, muito bem na Volta à França, em especial na etapa de hoje.
Receber estas notícias deixa-me com o coração cheio de orgulho. É bom (maravilhoso!) saber que há atletas portugueses por esse mundo fora cheios de valor e de talento. Sei que vão ter o reconhecimento merecido, mais tarde ou mais cedo. Os campeões têm sempre!
Só me resta dar os parabéns a estes dois grandes atletas, mas também a todos aqueles que levam o nome de Portugal além-fronteiras. Sei que só referi desportistas, mas há, em muitas e nas mais diversas áreas, nomes sonantes portugueses. Todos merecem reconhecimento, todos são enormes. Um enorme obrigada, vocês fazem-nos ser enormes. E eu acredito em vocês, com tudo!
E como disse, somos também muito pequeninos. Somos pequeninos porque não proporcionamos, muitas vezes, a estes atletas a oportunidade de crescerem mais, de se expandirem. Não lhes proporcionamos apoios. As viagens, equipamentos, etc. de muitas atletas são, muitas das vezes, pagos pelos próprios sendo que não recebem qualquer tipo de apoio do Estado (gastar dinheiro em submarinos avariados foi sempre muito mais espectacular). Isto revolta-me porque sei que há muitos atletas que desistem porque não têm possibilidade financeira para continuar. E isso é digno de gente pequenina.