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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Por causa do Rui Bragança e de todos os atletas que engrandecem Portugal

Não sou da opinião de que as pessoas devem estar sentadas no sofá à espera que toda e qualquer informação lhes caía no colo como por magia. Com isto quero dizer que acho fundamental ao crescimento (seja cultural, intelectual, etc.) a investigação e a procura. De certo modo é necessário ao crescimento uma espécie de rebelião - saber que não devemos acreditar em tudo aquilo que está escrito dos jornais ou na internet, ter a consciência de que há um mundo inteiro para além do que aquilo que lá está escrito, não acreditar em tudo como se fosse uma verdade absoluta sem investigar a veracidade dos factos. Sim, questionar é um acto de rebelião nos dias que correm!

Quando comento com alguém alguma vitória do Rui Bragança - e ele ganha tantas vezes! - vejo que há um certo ar de confusão na cara de quem me ouve. Aquele ar de confusão que diz "eu não sei de quem estás a falar mas não vou perguntar para não parecer ignorante". Como disse, questionar é um acto de rebelião. Fico perplexa. Tenho acompanhado com alguma atenção a carreira do jovem atleta de Taekwondo que referi anteriormente. Em parte porque é atleta do Vitória e é impossível este ser desconhecido para um vitoriano informado mas também porque gosto de desporto no geral e gosto de saber quem anda a fazer coisas boas lá fora.

Para além de ser atleta do Vitória, também é português. Tenho a consciência de que não conheço todos os atletas que representam de forma honrada o nome de Portugal no estrangeiro mas tento informar-me, tento saber, tento conhecer e louvá-los: desde o ténis à canoagem. Portugal é um país pequeno mas cheio de atletas - e não só - com uma ética de trabalho, energia, empenho e talento incríveis. Extravasa largamente o futebol - e é uma amante de futebol que vos diz isto. Infelizmente a maioria das pessoas não sabe disso e muitas vezes não tentam saber mais porque se não está nos jornais então não deve ser importante..

Há uma espécie de ignorância plantada por alguns meios de comunicação social que fazem capas todos os dias com jogadores de futebol estrangeiros, que vestem três cores de apenas três clubes nacionais. A maioria dos dias com notícias que não contam nada de novo, são só notíciazinhas para encher os bolsos. O problema não está nesses tais jogadores de futebol que de nada disso têm culpa, mas sim dos meios de comunicação e de quem os controla e que prefere dar destaque a quem, muitas das vezes, tem menos talento do que os nossos atletas nacionais que fazem furor no mundo mas que tristemente são postos de lado no país que tanto elevam.

Hoje apenas quero agradecer a esses mesmos atletas. Ao Rui Bragança, o conquistador que se sagrou ontem Campeão Europeu de Taekwondo. Deixem-me corrigir: Bicampeão! Talvez seja Tricampeão em breve. Não tenho muitas duvidas quanto a isso e acredito piamente que vá acontecer. Provavelmente não será motivo de abertura de telejornais, não vai provocar uma celebração nas praças principais de todas as cidades portuguesas, não vai inundar as redes socais nem vai ser alvo de edições especiais de revistas ou jornais. Em Portugal há sempre dois pesos e duas medidas - até para os Tricampeões.

Vou repetir aqui o que já disse sobre o João Sousa: é outro atleta demasiado grande para capas de jornais destes. Escrevi este texto por causa do Rui Bragança que foi campeão ontem mas que quase nenhum destaque teve hoje, mas podia ter sido por qualquer outro atleta que eleva o nome de Portugal. São tantos! A eles o meu mais sincero agradecimento por fazerem de Portugal um país maior e que é referido muitas vezes por causa de vocês - sempre por bons motivos. São enormes!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O do costume!

A semana passada entrou no TOP 30, esta semana leva Portugal pela primeira vez ao vigésimo oitavo lugar, o novo máximo da carreira e de um tenista português. Nada é impossível para um conquistador e aqui está a prova disso. Tenho a certeza que ainda há muitos feitos históricos pela frente e sei que vou voltar a escrever sobre o nosso campeão outra vez cheia de orgulho. Obrigada João!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Conquistador fez história, mais uma vez

Ontem o João voltou a ser histórico. Chegou ao TOP30 mundial e chegou, pela primeira vez na carreira, aos quartos-de-final de um ATP Masters 1000. Escreveu, mais uma vez, um capítulo de ouro na história do ténis e do desporto português. Voltou a ser histórico e a pôr o nome de Portugal em destaque. Os jornais desportivos reservaram-lhe um cantinho nas suas capas. Voltaram a dar destaque a sensacionalismos e a personagens que não trazem nada de novo ao futebol ou ao desporto português. Não me surpreendeu. Afinal, o João é muito maior do que as capas desses jornais que pouca ou nenhuma qualidade têm. Qualidade tem o João! Por isso é muito grande para esses pedaços de papel. Independentemente do que acontecer hoje frente ao Nadal, o rei da terra batida e um dos melhores jogadores de sempre, já conquistou mais um pedaço de história. Continua a ser um estandarte de Portugal e de Guimarães. Por isso hoje somos todos pelo João. Não tem as capas desses pasquins mas tem o apoio de todos os portugueses. Isso é muito mais importante. O jogo começa a partir das 15:00. Talvez seja dia para voltar a fazer história!
De qualquer das formas: obrigada João!


quarta-feira, 16 de março de 2016

A menina bonita do ténis

O sucesso mundial de Sharapova começou em 2004 quando venceu Wimbledon, o torneio mais prestigiante da modalidade, com apenas 17 anos. Desde aí, a menina querida do ténis acumulou uma data de títulos, ganhou 601 jogos e perdeu 145 e tornou-se na atleta feminina mais bem paga do mundo. Por tudo isso, e por muito mais, o anúncio que fez há pouco mais de uma semana foi tudo menos o que se esperava.

O teste anti-doping revelou que Sharapova competiu no Australian Open sob o efeito de meldonium. No anúncio que deu, informou-nos que tem tomado esta substância nos últimos dez anos sob aconselhamento médico. Não sou médica e os meus conhecimentos na área são reduzidos, para não dizer nulos. Portanto fiquei um bocado à toa, sem saber muito bem o que pensar. De notar que esta substância só passou a ser ilegal a partir do dia 1 de Janeiro do corrente ano.

Obviamente que a partir do momento em que se torna ilegal (seja pelo que for) que a substância deve ser deixada imediatamente. Sharapova disse que nem ela nem a sua equipa leram o e-mail enviado pela WADA (World Anti-Doping Agency) em que se podia ler no assunto Main Changes to The Tennis Anti-Doping Programme for 2016 (Alterações importantes no Progama de Anti-Doping do Ténis para 2016). A única coisa que pensei foi que, se de facto este e-mail não foi lido, é de uma incompetência indesculpável. Coisas destas não deviam acontecer a uma atleta que tem, sempre, atrás de si um enorme staff para que ela própria não tenha de se preocupar com estes assuntos.

Segundo apurei, através da leitura de algumas notícias referentes ao caso, é que se trata de uma substância que faz com que se liberte a mesma energia mas gastando menos oxigénio do que seria normal. Dito assim pode parecer pouca coisa, mas para atletas acredito que seja uma diferença abismal. Um porta-voz da empresa que produz a substância disse que o tratamento normal será de 4 a 6 semanas. A não ser que estejamos perante um caso anormal e com características muito peculiares, (se for o caso, e duvido que seja, conhecer-se-ao os detalhes brevemente), em que o tratamento passe de 4 a 6 semanas para muitos anos, parece-me um caso suspeito.

Desde o anúncio alguns patrocinadores foram rescindindo os contratos publicitários com a Sharapova. A primeira foi a Nike, seguindo-se pela Tag Heuer e a Porsche. E ainda foi suspesa, pela ONU como embaixadora da Boa Vontade. Provavelmente o início do fim. Seja qual for a decisão da WTA, a verdade é que a carreira brilhante que construiu durante anos levou um golpe muito duro e provavelmente irreparável.

Já muita tinta correu sobre o caso na imprensa e já muitos atletas da modalidade deram o seu apoio a Sharapova, enquanto outros foram mais duros. Serena Williams, a actual número um, aplaudiu a coragem enquanto que, por exemplo, Andy Murray foi mais duro nas críticas e está a ponderar até em rescindir o contrato com a Head, que mostrou o seu apoio a Sharapova.

Não sou ninguém para apontar o dedo, nem o quero fazer. Cresci a ouvir ténis e Sharapova quase lado a lado, como se fossem quase indissociáveis. No entanto fico sempre triste quando escândalos destes rebentam. Não consigo deixar de questionar tudo e todos os atletas. Se a Sharapova o fez, quantos mais não o poderão ter feito?

Vir a público fazer um anúncio destes exige coragem. No entanto, parece-me a única coisa que poderia fazer. Seria mil vezes pior se se escondesse e deixasse isto vir a público por terceiros. Demonstra coragem mas não apaga o uso desta substância.

Pessoalmente, e apesar de gostar muito da Sharapova, espero que não saía impune. No final a verdade é que acusou positivo para uma substância ilegal, e uma substância que já foi confirmada como sendo uma droga capaz de melhorar o desempenho de quem a consume. Isso é faltar à verdade. É desrespeitar o adversário e a modalidade. Na minha opinião, todos os que o fazem merecem ser punidos!

Se a carreira de Maria Sharapova, a tenista russa que conquistou o mundo e que se tornou uma das melhores tenistas de sempre (se bem que é legítimo questionar tudo aquilo que venceu até agora, como se questiona sempre que sabemos de coisas destas), será um final de carreira triste e inesperado.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Meus senhores, a arte do basquetebol!

Quem me conhece sabe que gosto muito de basquetebol. É, a seguir ao futebol, o meu desporto de eleição. Não pelas mesmas razões. O futebol tem mais emoção e mais paixão, os sentimentos estão sempre à flor da pele. O basquetebol também tem tudo isso, mas de forma diferente. Pelo menos, para mim. No entanto o basquetebol tem muita vida e é um desporto fenomenal. O All Star Weekend não passa ao lado de fanáticos como eu, e apesar de não ter acompanhado a maior parte em directo, acompanhei bastante através das redes sociais. O All Star Weekend é mesmo à imagem dos americanos: em grande! Com muitas estrelas, muitos talentos e muita espectacularidade. Não falta nada. Este ano, ficou marcado pela despedida da lenda chamada Kobe Bryant! No entanto, houve muito mais para além disso. Por exemplo, o dunk contest. Apesar de ter perdido alguma popularidade nos últimos anos, desta vez voltou em força e é considerado, por alguns, o melhor de sempre. Não posso dizer que discordo. Vibrei do início ao fim sempre com a ligeira impressão de que estava a testemunhar algo verdadeiramente espectacular e que vou mostrar aos meus netos um dia.
O duelo entre Aaron Gordon (no gif em cima) e Zach LaVine foi épico! Dois miúdos (só têm 20 anos) deixaram milhões de boca aberta e uma tarefa muito ingrata nas mãos do júri. Zach LaVine ganhou pela segunda vez consecutiva. O mais justo seria, provavelmente dar o título aos dois porque é quase um crime escolher só um. A ter de dar o troféu a apenas um, eu entregava-o a Gordon porque foi o mais criativo e o que fez nunca antes se tinha visto. No afundanço que acompanha este post eleva o seu corpo quase ao nível do cesto e dá-nos a sensação de que se senta no ar e faz com que pareça fácil ao mais comum dos mortais! Foi o meu preferido e deixou-me boquiaberta e em êxtase como se fosse uma miúda de 5 anos a receber a prenda de natal mais maravilhosa do mundo.
A discussão ainda continua. Enquanto uns acham justa a vitória de LaVine (note-se que eu também acho, porque foi fenomenal, só que para mim foi menos um bocadinho que o Gordon), outros acham que Gordon foi roubado (qual Artur Soares Dias qual quê!), outros acham que o título devia ser partilhado e outros ainda não vão ver nenhum tipo de arte ou espectacularidade num tipo a atirar uma bola para dentro de um cesto pendurado lá no alto. Pensando bem, se calhar todos chegamos à conclusão de que isto é arte! No final o que importa é que foi um grande espectáculo que me fez gostar ainda mais da modalidade e da NBA. O maior vencedor fomos nós e o basquetebol, disso não tenho dúvidas nenhumas!

domingo, 31 de janeiro de 2016

A minha estante | Open

Apesar de ser um livro de considerável volume, demorei apenas três dias para o ler do princípio ao fim - e reler algumas partes. Quando Andre Agassi anunciou a sua "reforma" eu ainda não era uma apreciadora de ténis. Era uma miúda com pouca noção da beleza do desporto em geral e do ténis em particular e o Andre era uma lenda que tinha revolucionado o ténis. Um rebelde que se tornou num ídolo. E numa lenda!
A partir do momento em que começamos a ler este livro (escrito em colaboração com JR Moehringer) não há volta a dar, nem nós queremos que haja até porque nos dá vontade de o devorar de um só fôlego como se fossemos o dragão cuspidor de bolas de ténis. Entrámos na história da construção de um dos melhores tenistas de todos os tempos mas mais do que isso, na construção do Andre como pessoa, mais do que como tenista.
Apesar de tudo o que Andre conquistou, ficamos sempre com a sensação de que a derrota está muito mais presente do que a vitória ao longo da história que nos conta - e nos prende. Afinal venceu oito Grand Slams e foi o primeiro tenista a conseguir o Career Golden Slam (vencer todos os quatro torneios do Grand Slam e a medalha de ouro olímpica). Esse facto, no entanto, demonstra que esta autobiografia não podia ser mais o espelho de Agassi que luta quando perde e luta quando vence.
A sua vida é uma verdadeira luta e uma procura constante. Uma procura incessante para descobrir quem é, o que quer e o que vai fazer. Percebemos, de imediato, que odeia o ténis. Odeia mesmo o ténis. Odeia o ténis de verdade mas não consegue parar nem tem escolha. Torna-se profissional aos 16 anos mas a sua preparação para ser o número 1 do ranking começa aos 6 anos no quintal da sua casa de Las Vegas onde o pai montou um campo de ténis e onde Andre defronta todos os dias até à exaustão "o dragão" que não é mesmo um dragão mas uma máquina que o seu pai modificou para cuspir bolas de ténis a grande velocidade. Aos 8 anos está a bater bolas com as grandes lendas de ténis como Björn Borg, a ganhar a miúdos mais velhos e até a defrontar jogadores de futebol americano. O miúdo tem talento e isso é inegável.
Quando atinge os 13 anos e depois de defrontar e vencer todos os miúdos da sua zona, o seu pai acha que a única solução para que Andre continue a evoluir e se possa tornar no melhor tenista do mundo é mandá-lo para a Academia de Ténis de Nick Bollettieri, na Flórida. Agassi descreve a academia como uma prisão, não poupa críticas à gestão de Nick Bollettieri e faz-nos perceber o quanto quer desistir do ténis, só que não consegue. Odeia o ténis, mas nunca consegue. A sua perspicácia vale-lhe uma espécie de estatuto especial e consegue desistir da escola ainda cedo. É na Academia de Nick que ele se torna num rebelde incompreendido que usa brincos e pinta o cabelo de rosa só porque sim.
Essa rebeldia acompanha-o no início da sua carreira. Joga com calções de ganga, um penteado peculiar, de brinco, faz capas de revistas porque joga com óculos de sol ou de cor-de-rosa (aliás, Lava Quente).
Andre descobre a fama, o melhor e o pior. Questiona-se se os jornalistas que dizem que ele não passa de um fiasco não estarão certos. Questiona-se sobre tudo. Vezes sem conta. Tem dificuldades em descobrir-se, mas descobre a sua equipa. A equipa certa. A equipa que é capaz de o motivar, de o levar a fazer mais do que julga ser humanamente possível. Uma equipa de pessoas leais, esforçadas e verdadeiras. No meio disto conta-nos também como era a sua vida amorosa, ficamos a conhecer o seu casamento com Brooke Shields, a modelo com quem ele sonhava e que aparecia nas capas da Sports Illustrated e o seu casamento com Steffanie Graff, a tenista com quem ele estava desejoso por dançar quando ganhou o Wimbledon e que se tornou na sua esposa incansável e na mãe dos seus filhos.
Andre conta-nos também sobre o pânico que sentiu quando a sua carreira esteve em risco de ser suspensa por uso de metanfetaminas, o medo que teve de desiludir os fãs, a sua equipa, todos os que estavam do seu lado. Conta-nos sobre o seu renascimento, quando teve de começar do início depois de um período menos positivo, a forma como se levantou, onde ia buscar motivação e propósito. Sabemos do grande projecto da sua vida, Andre Agassi Foundation for Education, onde encontra surpreendentemente na construção de uma escola (Andre nunca foi de estudar), a sua escola o propósito que tanto procurava.
Conhecemos Andre Agassi, o homem. Quase em jeito de confissão conta-nos e mostra-nos a sua vida em detalhe porque Agassi é um homem de detalhes. Por momentos somos o Andre Agassi, por momentos odiamos o ténis, mas odiamos mesmo, por momentos ficamos sem rumo e sem chão, por momentos sabemos como é ganhar tudo o que se pode ganhar e por momentos sabemos que uma vitória não consegue tapar as feridas das derrotas. Por momentos sabemos como é perder contra Pete, sempre Pete.
Ler Open é perceber o homem que se tornou, não por acaso, num nome incontornável no ténis. Um livro que é, também ele, incontornável!
A despedida emocionada de Andre Agassi no US Open de 2006