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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Critérios

Todos os animais são iguais. Este era um dos mandamentos escritos numa parede da Quinta dos Animais, na obra homónima de Orwell. Esses mandamentos, inicialmente escritos com o intuito de guiar a conduta dos animais da quinta e para garantir a liberdade e igualdade de todos, foram sofrendo alterações pelas patas dos porcos que, depois de serem apanhados a violar os mandamentos que os próprios estipularam e escreveram, os modificaram para servir os seus propósitos e vontades. Depois de várias alterações, já só restava um único mandamento. Esse mandamento era uma adaptação daquele com que principiei este texto e dizia o seguinte: Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros. 

George Orwell foi um génio e a prova disso é a intemporalidade e aplicabilidade das suas obras a todas (ou quase todas) os sectores da sociedade, inclusive no futebol e na imprensa desportiva. Assim que vi as capas dos jornais desportivos de hoje confirmei as minhas suspeitas de ontem. O Moreirense, vencedor da décima edição da Taça CTT, não figura na capa de dois, dos três, jornais desportivos com distribuição nacional. Apenas o jornal O Jogo decidiu destacar o vencedor da competição e A Bola apenas o fez na edição impressa para o Norte do país (não sei se essa edição é para todo o Norte do país ou se é para certas zonas da região). 

Nos últimos anos, estes jornais guiaram-se sempre pelos mesmos critérios ao desenhar a capa do dia seguinte à final da Taça da Liga. Através de uma rápida pesquisa online consegui consultar algumas dessas capas, desde o ano de 2010, e constatei que o vencedor foi sempre o grande destaque na capa destes dois jornais. Não me dei ao trabalho de pesquisar as capas d'O Jogo, uma vez que fizeram uma capa digna e que vai de acordo com o que costumam fazer quando se trata de outros clubes. Na capa sempre figurou o vencedor - que, por norma, é o Benfica. Ontem o vencedor não foi o Benfica e o Benfica nem marcou presença na final, mas o destaque é o Benfica. O Record e A Bola (não, a capa da edição nortenha não os desculpa, uma vez que a competição é de âmbito nacional) priorizaram a convocatória dos encarnados à vitória do Moreirense que ontem se tornou no Campeão de Inverno. 

Os critérios, subitamente, são outros e o vencedor de uma competição de âmbito nacional e que serve para condecorar o Campeão de Inverno já só merece ser assunto de rodapé. Merece-o porque, para os jornais, o Moreirense é pequeno. Os pequenos sentam-se ao lado, não se sentam na mesa. É triste como as linhas editoriais servem para servir os gostos e agendas pessoais de alguns, ao invés de servir para serem isentos, intelectualmente honestos e éticos. Cada jornal decide aquilo que publica e eu decido não os comprar. Neste país, há apenas três clubes que parecem interessar. Estão acima das outras modalidades, dos outros desportistas e dos outros clubes. É uma dualidade de critérios triste, mas que combina com tudo o resto que se faz no futebol português. Há dois micro-campeonatos de diferentes níveis dentro do nosso campeonato. Um deles, o superior, é disputado a três cores: vermelho, verde e azul. O outro é disputado pelos restantes e, para a comunicação social, não vale por um. 

Escrevo hoje, no âmbito do futebol, mas já escrevi anteriormente quando o João Sousa, ao vencer um troféu inédito na história do ténis português, foi relegado para segundo, terceiro ou quarto plano. Podia escrever o mesmo quando Patrícia Mamona ganha uma competição e ela fá-lo tantas vezes! Podia escrever para muitos outros atletas que dignificam o desporto português em todo o mundo, mas que não podem ver os seus feitos nas capas dos jornais. O compromisso da imprensa desportiva portuguesa é com os lucros, nada mais. 

A culpa não é só de quem dirige os jornais e gere os seus conteúdos. A culpa é partilhada com os que compram os jornais, os que preferem apoiar o clube que não os representa mesmo que isso signifique rebaixar o clube da sua terra, é do centralismo bacoco e da falta de orgulho na sua cidade, de quem não vê o quão sectaristas são estas decisões. Isto não é uma crítica ao Benfica (porque há sempre quem ache que qualquer coisa que envolva o Benfica é um ataque directo ao clube), não é uma crítica aos benfiquistas que nasceram e cresceram em Lisboa. É uma crítica aos jornais que não respeitam os clubes e os adeptos (acima de tudo, isto é uma falta de respeito tremenda) e uma crítica ao adepto que prefere apoiar a equipa lá de longe, rebaixando a equipa da sua terra e a equipa que o representa. Diz-se com alguma leveza que em Portugal se gosta de futebol. Os portugueses, os actuais campeões europeus de futebol, não gostam de futebol. É uma generalidade que sou obrigada a fazer, por muito que me desagrade. Infelizmente em Portugal vive-se em demasia um fanatismo clubístico que cega. 

Parabéns ao Moreirense, pelo percurso incrível e pela conquista merecida desta Taça da Liga. Parabéns ao Braga, por ter chegado à final. Parabéns aos adeptos destes dois clubes que, com civismo, fizeram muitos quilómetros na última semana para apoiar o seu clube, independentemente da sua dimensão. Sempre que um clube como o Moreirense ganha, o futebol ganha outro encanto. Não é o meu clube, o meu coração só tem espaço para o Vitória, mas consigo reconhecer que quantos mais Moreirenses houver mais o futebol português cresce. 
22 de Março de 2010.
14 de Abril de 2013
30 de Maio de 2015
21 de Maio de 2016
30 de Janeiro de 2017
Acredito que podemos concluir que estes dois jornais não pretendem ser imparciais ou intelectualmente honestos e têm apenas uma linha editorial: o Benfica.
Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

terça-feira, 3 de maio de 2016

ADN do Rei

Foto: O Lado V
O Vitória foi defrontar o Lisboa ao Estádio da Luz mergulhado numa série de maus resultados e, pior do que isso, mergulhado numa série de exibições em nada satisfatórias. Os maus resultados mantiveram-se, com uma derrota que aumentou para doze o número de jogos sem vencer mas o Vitória não foi o mesmo. Finalmente vimos uma equipa entrar no relvado com atitude, garra e muita vontade de vencer. Uma equipa que sabia o que fazer à bola. Infelizmente isso aconteceu contra o filho querido de um sistema sujo, gasto e podre que é o futebol português. Não é novidade nenhuma que há um sem número de factores que pesam no resultado mas que são decididos bem longe das quatro linhas. Afinal, o jogo da primeira volta quando descaradamente nos foram roubados pontos na nossa própria casa não é uma memória assim tão distante. Pela segunda vez esta época o Vitória defrontou um Lisboa que não apresenta um futebol extraordinário (nem com o tão anunciado futuro melhor do mundo que supostamente vale 40M€ Renato Sanches, que acabou por ser substituído) e seria uma equipa normal, não fosse uns tantos ajudantes que por aí andam. Para não me alongar muito, algumas notas:

- Perguntei-me algumas vezes no decorrer do jogo o porquê de Bruno Paixão continuar como interveniente do escalão máximo do futebol português. Claramente um milagre... se eu acreditasse neles. Eu já sabia a resposta, principalmente porque não comecei a ver futebol ontem. Indivíduos incompetentes como Paixão, Xistra e companhia ainda não foram eliminados do futebol porque com eles se fazem, na maioria das vezes, campeões. A incompetência deste árbitro foi manifesta: o Eliseu não acabava a primeira parte depois daquele pontapé ao Hurtado que, tenho a certeza, deixou o Anderson Silva a corar de vergonha (e que, surpresa das surpresas resultou em falta contra o Vitória) mas só foi amarelado depois do golo quando decidiu dar uma palmadinha no nosso jogador. Enquanto isso os nossos jogadores viram quatro cartões amarelos em trinta minutos e sete no total, sendo que este foi o jogo em que os jogadores vitorianos viram mais cartões durante toda a época. Sérgio Conceição foi obrigado a assistir a mais de metade da partida da bancada sabe-se lá porquê. Talvez porque, nas palavras do próprio, "estávamos a bater o pé ao Benfica". Paixão a ser... Paixão. A impor as suas preferências e a gerir o jogo através do medo e da autoridade e nunca através do respeito que geralmente é fruto de um trabalho coerente e justo. Isso ele não sabe ser. Pior do que ele é quem o selecciona cuidadosamente para arbitrar estes jogos e compactua com a fraude que é, e sempre foi. Se houvesse algum tipo de verdade desportiva em Portugal, Paixão nem a arbitrar jogos das distritais tinha lugar.

- O Lisboa está habituado a que todos se ajoelhem e lhes facilitem a vida. Quando isso não acontece revoltam-se. Revoltaram-se durante o jogo e depois. Ver o jogo na BenficaTV só por si já é um martírio, um verdadeiro esforço. Durante o intervalo lá estava um comentador, de quem não me interessa saber o nome porque ele não se dignificou em saber o nosso, a choramingar e a queixar-se que "eles estão a jogar para intimidar o Benfica" e "o anti-jogo deles não honra o futebol". Continuou nesse registo de vitima e coitadinho. Não se lembrou do anti-jogo ao estilo de equipa pequena que está a ser pressionada que eles adoptaram no final do jogo e muito menos se lembrou do quanto desonram o futebol com o famoso colinho. A habitual coerência! Só sabem chorar. Choram e choram e choram quando as coisas não correm como planeado. Choram como se algum dia respeitassem a ética ou a verdade desportiva. Choram como se o Eliseu não merecesse ser expulso na maioria dos jogos. Choramingam porque são os filhos queridos e têm tudo de bandeja. Quando não têm... choram! No final, já depois de terem ganho um jogo que não mereciam ganhar choraram mais um bocadinho. Começou com o director de comunicação do Lisboa a tentar ser engraçado no twitter. Chorou. Depois foi a vez de o vice-presidente chorar. Questionou-se sobre o porquê de o Vitória ter jogado como jogou contra eles. Talvez este individuo não se lembre que, por exemplo, o Sporting veio empatar a Guimarães. Por fim, outro comentador, que já não surpreende ninguém pela sua incompetência e falta de postura, chorou. Afirmava com toda a certeza que o Sérgio Conceição disse aos jogadores que estava em jogo um prémio de 280 mil euros. Não sei se o Benfica põe escutas no balneário do adversário ou se tem infiltrados agentes secretos em todas as equipas adversárias visto que é pelo menos a segunda vez que boatos destes são lançados. A minha teoria é a de que Pedro Guerra não sabe o que diz e não tem noção dos disparates. Só chora, jornada atrás de jornada no sítio onde, infelizmente, lhe dão tempo de antena.

- Eles choram e a direcção deixa-os chorar. Eles roubam e a direcção deixa-os roubar. Tem sido assim. Um silêncio que compactua com aquilo que se tem passado. Mais uma vez, e não é a primeira vez que falo disto, a direcção calou-se e ninguém, para além do treinador, foi capaz de defender publicamente os interesses do Vitória. A anestesia da direcção irrita-me. Eles falam e choram e dizem um sem fim de disparates a atacar o Vitória e prejudicam deliberadamente o Vitória e ninguém fala, ninguém procura explicações. Ninguém que conhece minimamente a história do Vitória e de Guimarães, que estão intimamente ligadas, é capaz de ser subserviente e de se ajoelhar a quem tem mais poder. Isso é o que a direcção tem feito. Dom Afonso Henriques conquistou a independência porque lutou e lutou até conseguir o que pretendia. Conseguiu sem nunca se ajoelhar aos pés de ninguém, sem nunca compactuar com os poderosos e sem consentir. É essa a nossa história e por isso eu não aceito este silêncio, nem compreendo. Um dos maiores erros da direcção, a par da falta de um plano desportivo a médio/longo prazo e da pobre gestão desportiva, é o de continuar a apanhar as migalhas que caem da mesa em vez de tentar ter um lugar nela. O Vitória não é um clube que se ajoelha, o Vitória é o clube que faz os outros ajoelharem-se perante si. Isso é parte do nosso ADN, tentar contrariá-lo é imprudente e de uma profunda falta de conhecimento.

- Não posso deixar de saudar todos os adeptos do Vitória que foram à Luz apoiar a equipa. É difícil fazê-lo a uma sexta-feira porque há sempre trabalho e/ou aulas - eu sei, porque já o fiz. Os vitorianos marcaram presença num estádio que só tem as bancadas completas quando o clube está prestes a sagrar-se campeão (mas nem assim fazem barulho o suficiente e só cantam e apoiam quando estão a ganhar e o jogo prestes a terminar). São seis milhões e 98% são adeptos de sofá - que ontem não chegaram a 25 mil no jogo para a Taça CTT e o Seixal está sempre às moscas para ver jogar a equipa B (e todos sabemos o que é que atrai as moscas...). É triste que, sentados no sofá sem gastar 1€ para apoiar a equipa, ainda sejam cegos ao ponto de escrever comentários inflamados nas redes sociais sobre adeptos que fazem uma viagem cansativa e longa a uma sexta, dia de trabalho, e que não é de graça. Podem ser seis milhões, ou o número que quiserem inventar para se sentir superiores, mas a pequenez que os caracteriza é assustadora. Deviam mostrar respeito aos adeptos que têm a grandeza que eles almejam um dia ter!

Entristece-me ver o futebol português continuar neste ciclo vicioso do qual não parece encontrar saída. Persiste uma dualidade de critérios preocupante e que em nada beneficia o futebol. Continuam pessoas com algum peso no mundo do futebol que nunca deviam ter feito algum dia parte dele. Ontem o Leicester sagrou-se campeão porque os jogos decidem-se dentro das quatro linhas, sem bastidores. Anseio pelo dia em que o mesmo possa acontecer aqui. Em que a verdade e ética desportiva estejam na ordem do dia e em que todos tenham igualdade de oportunidades. Não será amanhã, ou para o ano. A liberdade ainda não chegou ao futebol. Um dia chegará, espero. Com as pessoas, mentalidade e atitudes certas. Entretanto, clubes com tudo para triunfar como o Vitória têm de lutar e não se podem vergar nunca. Afinal de contas, somos descentes directos do Rei, somos conquistadores. O Rei está gravado na nossa peleComo disse, o Rei nunca se ajoelha perante ninguém. Os outros ajoelham-se perante o Rei. Sempre!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

É só isto

Ainda estou a tempo de vos desejar um bom ano? Devo estar, até porque ninguém sabe muito bem quando deixamos de desejar "bom ano novo", a população mundial fica toda confusa porque ninguém define datas importantes como deixar de desejar bom ano. Eu tenho por norma andar nisto até ao Carnaval ou Páscoa, conforme. Por isso espero que tenham um excelente 2016!
Este estabelecimento anda assim um bocado ao abandono e a culpa é minha, eu sei. Eu digo sempre que vou tentar escrever mais e tal mas acabo por me dar à preguiça. Desta vez é uma resolução de ano novo, por isso vai ser mesmo a sério (pelo menos vamos tentar acreditar que sim)!
Quando não escrevo aqui durante um tempo considerável acho que deixei passar uma série de coisas importantes. Se calhar deixei, mas provavelmente alguém se pronunciou sobre essas coisas importantes - e, provavelmente, melhor do que eu.
Vamos às coisas que interessam agora. Este meu primeiro post do ano vai ser para reclamar de algumas coisinhas, porque se há coisa que eu sei fazer bem é reclamar do que acho que não está bem e como eu sou uma pessoa realmente crítica (e não interpretem isto no sentido negativo, eu acho que é necessário fazer críticas construtivas e assentes em argumentos válidos daquilo que nos parece errado e não aceitar tudo "porque é assim") tinha de começar desta forma.

Em primeiro lugar, tenho de falar do jogo Vitória - Benfica no passado dia 2, da prestação e das atitudes de Carlos Xistra. Como adepta sinto-me revoltada quando os árbitros querem tanto o protagonismo que não dão espaço para se jogar futebol, ou para se jogar futebol de forma justa e com o campo equilibrado. Eu assumo que os erros são humanos e que, como é óbvio, os árbitros podem errar. Podem, o problema é que esses erros são sempre para beneficiar os mesmos e de forma descarada. Neste jogo só não viu quem não quis que o futebol é uma brincadeira para alguns e que enquanto uns podem tudo os outros não podem nada. Foi claramente um roubo encomendado e que já é uma constante no futebol português.
Infelizmente os "poderosos" continuam a consentir e a abanar a cabeça dizendo que tudo está bem e que é assim que as coisas funcionam. A comunicação social também consente e só conhece o caminho para Guimarães em 3 ou 4 jogos por época porque o resto para eles não tem importância.
E é assim que se fazem campeões, os campeões que aqui se ajoelharam porque de futebol em vermelho pouco se viu e em que o Vitória podia (e merecia) os 3 pontos. É assim que se fazem, em jogos destes, com o campo em desequilibro e com 14 jogadores em campo.
No final Xistra não podia acabar sem dar mais uma vez o ar da sua graça, então insultou Sérgio Conceição porque árbitro que é árbitro faz o que lhe apetece. Eu sei que o Sérgio não é, nem nunca foi, um anjo caído do céu e que nem sempre é politicamente correcto, mas isso não dá o direito ao árbitro de o insultar - e tal como os jogadores, treinadores ou membros das equipas técnicas dos clubes são expulsos e punidos por insultarem o árbitro (e acho bem que se tomem esse tipo de medidas) também os árbitros deviam ser severamente castigados porque se estes são a "autoridade" devem ser os primeiros a dar o exemplo. Infelizmente é cada vez mais disto que temos no futebol português, o que é triste e decepcionante. Eu pago quotas e bilhetes porque espero ver futebol a sério e é pena que se permita que estes amadores continuem a estragar o futebol.
Na bancada continuamos a fazer com que os "grandes" continuem a sentir-se pequeninos, coisa que continua a ser única em Portugal. Infelizmente os estádios estão cada vez mais vazios e sem dúvida que jogos em que a verdade desportiva continua a faltar - e em que continuam a consentir com isso - é uma das causas do afastamento do público dos estádios.

Outra das causas do afastamento do público dos estádios é o horário e a ditadura das televisões (nem vamos falar dos contratos milionários que foram notícia nos últimos tempos, como sempre continua a cultura de se tornar os ricos ainda mais ricos e os pobres... mais pobres). Na última quarta-feira o Moreirense-Vitória jogou-se às 16:15h. Não sei bem qual o objectivo de pôr um jogo a esta hora. Acho que deve ser mesmo vontade de tirar os adeptos do estádio ou prejudicar o futebol. Não percebo, e também não percebo o porquê de ninguém se revoltar publicamente contra isto. Decisões destas só prejudicam o futebol, sem trazer qualquer benefício aos clubes, aos adeptos nem à modalidade. O que é triste. É triste perceber que quem tem o "controlo" de tudo isto não quer saber, não tenta sequer melhorar o futebol, nem tenta tornar a modalidade em algo melhor, mais bonito e mais acessível a todos. Infelizmente desta vez não pude ir nem ver o jogo, mas os vitorianos voltaram a marcar presença e a mostrar que estas gentes têm um ADN único e especial. Somos assim. Apesar das injustiças e da má face de tudo isto, não nos afastam! Ah, e neste dérbie entre amigos trouxemos os 3 pontos. Soube bem! Sábado, outra vez no nosso "castelo", temos de conquistar mais 3 porque o caminho deve ser de vitórias.
Foto: www.vitoriasc.pt

sábado, 6 de junho de 2015

Esmiuçar!


Já não escrevo aqui à mais de um mês por isso só uma notícia bombástica me faz voltar! A notícia é essa mesma que estão a pensar... A inesperada transferência de Jorge Jesus para o clube de Alvalade. Talvez a notícia não seja tão inesperada assim, uma vez que vários jornais já davam conta de que isso ia acontecer. Só que eu não estava à espera que acontecesse de facto. Deve ser a primeira vez que falo de outros clubes aqui no blogue que não seja o meu, mas acho que desta forma não há volta a dar, é peremptório abordar este assunto que tem sido tema de abertura do telejornal desde que foi confirmado. E ele é directos, é uma retrospectiva da carreira de JJ, é tudo e mais alguma coisa. Não podia deixar passar este acontecimento em branco!
Vamos por partes...
Para Jorge Jesus ser contratado, quem lá estava antes teve de sair. Bruno de Carvalho, exactamente à sua medida, resolveu o problema (que não há problema que o homem não resolva... se o treinador precisar de um avançado, lá vai Bruno de Carvalho jogar, se precisar de guarda-redes também vai. Podia apostar que ele pode jogar nas duas posições ao mesmo tempo! Já perceberam a ideia não já?). De que forma? Muito simples, despediu Marco Silva por justa causa. Pessoalmente considero que Marco Silva fez um excelente trabalho no Sporting esta época, e acho também que é um excelente treinador com muita qualidade e muita postura. Conseguiu fazer o que nenhum treinador tinha conseguido nos 7 anos anteriores... ganhar um título! Não foi o campeonato, é verdade, mas temos de ter em conta que o plantel do Sporting é mediano e apresenta uma diferença abismal quando comparado ao plantel do Benfica e do Porto. Por isso mesmo não percebi o justa causa até as causas terem sido divulgadas. Depois de saber das causas continuei sem perceber (e até me fez sentir uma certa vergonha alheia). Ora então que uma das razões foi o homem não ter usado o fato oficial no jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal contra o Vizela! Outra das razões foi não respeitar as directrizes emanadas da SAD nas conferências de imprensa. De forma mais resumida (e para não ficar para aqui a enumerar as causas porque não usar o fato já é mais do que motivo de despedimento), o relatório podia dizer o seguinte "Uma vez que Marco Silva não fez tudo aquilo que o presidente queria é despedido por justa causa". Era desnecessário acrescentar o que quer que fosse! Nesta história toda o meu respeito vai todo para Marco Silva que foi tratado como lixo pelo Sporting, aliás, por Bruno de Carvalho e uns quantos que por lá se passeiam. Para mim, Marco Silva é um vencedor, um jovem treinador cheio de garra e fibra que não se intimidou quando tinha tudo e todos contra si e podia contar apenas com os seus jogadores. A conquista da Taça de Portugal e o acesso (através de pré-eliminatória) à Liga dos Campeões são expressivos o suficiente do talento que este treinador tem.
Apesar de inesperada, como já disse, é fácil perceber porque é que Jorge Jesus quis trocar a Luz por Alvalade. O dinheiro e o desafio. Farto de ouvir que não era ele que ganhava títulos mas sim o Benfica decide pegar numa equipa que não ganha títulos para provar que afinal o mérito é dele e de mais ninguém. O problema pode estar precisamente aí. E no facto de Bruno de Carvalho ver Jorge Jesus como uma solução a curto prazo, uma solução rápida para chegar ao título (e só assim se explica o salário que JJ vai auferir e que é disparatado para a conjuntura actual do futebol português). O que eu acho é que ambos estão errados! Jesus ganha títulos por mérito próprio, mas não só por mérito próprio como pensa. A estrutura do Benfica permite que ganhe títulos. Se pensarmos bem o Benfica é o clube com uma estrutura sólida e é provavelmente o clube mais favorável para se treinar em Portugal. Até agora JJ teve tudo, inclusive o "colinho" das arbitragens e da comunicação social. Tinha também o poder de ir buscar jogadores já feitos e o poder de decidir se queria, ou não, apostar em jogadores da formação. No Sporting, Jesus não tem nada disso. Tem um clube que tem passado dificuldades a vários níveis e que apesar de não ser desfavorecido pelas arbitragens nem estar na lista negra da comunicação social não é o clube do regime. Tem uma grande tradição de aposta nos jogadores da formação - e já percebemos que Jesus não tem esse hábito, prefere jogadores com experiência e já formados, portanto ou cede JJ ou cede Bruno de Carvalho neste aspecto. Bruno de Carvalho está errado porque não é por mudar de treinador que vai ganhar o título, caso contrário o Mourinho ganhava a Liga dos Campeões ao comando do Penafiel. Não há um caminho para o sucesso e se houvesse acredito que não seria contratar um treinador para ganhar 6 milhões de euros por época. O caminho para o sucesso constrói-se, não se compra. Passo a passo chega-se lá, devagar e com muita paciência - virtude que o presidente leonino não tem.
Apesar dos problemas que já enumerei ainda não falei daquele que me parece ser o maior. A relação entre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. Não consigo perceber como é que estes dois super-egos se vão entender. Antes de mais começo por ter pena dos jogadores do Sporting na próxima época - de um lado têm o treinador que acha que é engraçado tratar mal os jogadores uma vez por outra ou as vezes que lhe apetecer, do outro lado têm um presidente que se julga superior ao treinador no banco. Uma coisa eles têm em comum - adoram ser o centro das atenções e pensam que o mérito da vitória é exclusivamente seu e a culpa da derrota é sempre dos outros. Agora pergunto-me: como é que vão disputar os holofotes? E quando alguma coisa correr mal vão assumir a culpa ou atirar a culpa um ao outro? E quando ganharem vão dividir o mérito? Não estou a ver bem como as coisas vão funcionar porque no Sporting da actualidade quem não se ajoelhar perante o presidente é despedido e Jorge Jesus não se ajoelha perante ninguém (aliás, já se ajoelhou mas prefiro não entrar por este caminho para não ferir susceptibilidades).
Só para terminar urge-me a necessidade de falar de outro problema de igual importância. O Sporting é, unanimemente o clube dos eruditos, das tias de Cascais e dos viscondes de Lisboa e agora têm um treinador que masca chicla de boca aberta e que diz "muita bom" e "padradas" entre outras pérolas da língua portuguesa. Um treinador que não sabe falar muito bem português. Um treinador que tem uma péssima postura e que não sabe estar. Este sim, é o verdadeiro motivo pelo qual Jorge Jesus não vai ter sucesso no Sporting!
No meio de tudo isto só tenho pena se Rui Vitória sair para o Benfica! Entretanto vou só fazer pipocas e guardar o melhor lugar para assistir ao resto do filme porque tenho a estranha sensação de que o melhor ainda está por vir!