terça-feira, 9 de junho de 2015

Karma Police



A visão de uma estudante (não) preguiçosa

Tenho um grave problema com o ensino! Vocês até podem achar que só digo isto porque sou estudante e o que quero é ver-me livre de testes e exames e afins. Não é verdade. Digo-o porque é o que acho verdadeiramente e pretendo explicar-vos porquê para que não fiquem com a opinião de que sou uma estudante preguiçosa (não que seja mentira mas não é relevante para o caso!).
O motivo maior para achar que o ensino está completamente ao contrário é o método de avaliação. Não considero que seja justo a minha aprendizagem ser avaliada num teste de noventa minutos. Conhecem os famosos "auxiliares de memória"? Vamos supor que um estudante consegue utilizar as cábulas de forma contínua e correcta e o outro não gosta, não consegue nem sequer acha justo que o faça. O primeiro estudante está recheado de dezassetes e dezoitos e outro, coitado, tem notas que rondam os catorze. O primeiro estudante tem uma média espectacular e até consegue entrar no curso que queria e na universidade que queria. O segundo não consegue entrar em nenhum curso que queria e perde mais um ano da sua vida a fazer melhorias ou, na pior das hipóteses, tem de começar a trabalhar e desistir do seu sonho de tirar um curso. Dizem-me vocês que há outros parâmetros na avaliação, que o comportamento na sala de aula também conta, a assiduidade e a pontualidade e coisas dessas. Dizem muito bem, há outros parâmetros na avaliação. No entanto, o peso dos testes e dos exames na avaliação final é enorme! Para além de que há pessoas que até percebem e conhecem a matéria só que não têm facilidade em expressar-se. Enquanto discutia este assunto com um professor meu à umas semanas ele chamou-me à atenção de um ponto que eu tenho de salientar aqui porque é importante. Eu não acho que o ensino devia ser completamente redefinido, não defendo que os testes e os exames sejam banidos. Não, nada disso! Eu entendo a importância e a necessidade dos testes na avaliação de um aluno, é a forma mais objectiva de o fazer e é necessário que qualquer aluno tenha bases para prosseguir os estudos. Para ingressar na universidade o aluno tem de ter pilares de conhecimento que são essenciais.
Para além disto, acho que o ensino devia valorizar outras componentes. Há imensas coisas que somos obrigados a saber e que não vão ter absolutamente nenhuma relevância no nosso futuro, pelo menos não numa base diária. E há assuntos que não são abordados e que são e serão sempre muito úteis ao longo da nossa vida. O objectivo primordial do ensino e das escolas em geral é o alcançar de bons resultados para fazer boa figura no ranking. Para além desta componente de ensinar história ou matemática, era importante que as escolas tivessem uma maior preocupação em formar homens e mulheres felizes e saudáveis, que sejam seres criativos e capazes de mudar as coisas. Era importante que fossem abordados outros temas. Era muito importante que não fosse tudo só teoria, houvesse também uma componente prática capaz de proporcionar aos estudantes experiências agradáveis e interessantes que fossem decisivas na escolha do curso superior.
Uma pessoa não se define pelas notas que tem na escola ou pela média que conseguiu obter. Há coisas que são tão ou mais fundamentais do que isso. A solidariedade, a criatividade e a simpatia são também muito importantes e ninguém lhes dá crédito nenhum. Talvez eu tenha todos os traços de personalidade necessários para exercer a profissão de médica mas não entrei em medicina porque tinha média de 17 e precisava de ter média de 18. No entanto, o meu colega entrou em medicina mas nem tem assim muita aptidão para tal nem gosta muito da profissão. Digam-me, quem acham que seria melhor médico?
Com isto não quero dizer que os exames devem ser banidos para sempre da face da terra. Não, não é essa a ideia que quero transmitir. O que pretendo dizer é que há coisas mais importantes do que as notas que obtemos ao longo do nosso percurso académico. Digo-o como estudante e como cidadã. Talvez a minha ideia possa sofrer alterações com o passar dos anos, não posso garantir que não. No entanto, neste momento gostava de ver uma reforma no ensino, uma mudança de mentalidade. Principalmente gostava de ver uma menor formatação dos estudantes. Pretendo voltar a abordar este assunto num outro post daqui a uns dias. Por agora cabe-me estudar porque os exames estão aí à porta!

sábado, 6 de junho de 2015

Esmiuçar!


Já não escrevo aqui à mais de um mês por isso só uma notícia bombástica me faz voltar! A notícia é essa mesma que estão a pensar... A inesperada transferência de Jorge Jesus para o clube de Alvalade. Talvez a notícia não seja tão inesperada assim, uma vez que vários jornais já davam conta de que isso ia acontecer. Só que eu não estava à espera que acontecesse de facto. Deve ser a primeira vez que falo de outros clubes aqui no blogue que não seja o meu, mas acho que desta forma não há volta a dar, é peremptório abordar este assunto que tem sido tema de abertura do telejornal desde que foi confirmado. E ele é directos, é uma retrospectiva da carreira de JJ, é tudo e mais alguma coisa. Não podia deixar passar este acontecimento em branco!
Vamos por partes...
Para Jorge Jesus ser contratado, quem lá estava antes teve de sair. Bruno de Carvalho, exactamente à sua medida, resolveu o problema (que não há problema que o homem não resolva... se o treinador precisar de um avançado, lá vai Bruno de Carvalho jogar, se precisar de guarda-redes também vai. Podia apostar que ele pode jogar nas duas posições ao mesmo tempo! Já perceberam a ideia não já?). De que forma? Muito simples, despediu Marco Silva por justa causa. Pessoalmente considero que Marco Silva fez um excelente trabalho no Sporting esta época, e acho também que é um excelente treinador com muita qualidade e muita postura. Conseguiu fazer o que nenhum treinador tinha conseguido nos 7 anos anteriores... ganhar um título! Não foi o campeonato, é verdade, mas temos de ter em conta que o plantel do Sporting é mediano e apresenta uma diferença abismal quando comparado ao plantel do Benfica e do Porto. Por isso mesmo não percebi o justa causa até as causas terem sido divulgadas. Depois de saber das causas continuei sem perceber (e até me fez sentir uma certa vergonha alheia). Ora então que uma das razões foi o homem não ter usado o fato oficial no jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal contra o Vizela! Outra das razões foi não respeitar as directrizes emanadas da SAD nas conferências de imprensa. De forma mais resumida (e para não ficar para aqui a enumerar as causas porque não usar o fato já é mais do que motivo de despedimento), o relatório podia dizer o seguinte "Uma vez que Marco Silva não fez tudo aquilo que o presidente queria é despedido por justa causa". Era desnecessário acrescentar o que quer que fosse! Nesta história toda o meu respeito vai todo para Marco Silva que foi tratado como lixo pelo Sporting, aliás, por Bruno de Carvalho e uns quantos que por lá se passeiam. Para mim, Marco Silva é um vencedor, um jovem treinador cheio de garra e fibra que não se intimidou quando tinha tudo e todos contra si e podia contar apenas com os seus jogadores. A conquista da Taça de Portugal e o acesso (através de pré-eliminatória) à Liga dos Campeões são expressivos o suficiente do talento que este treinador tem.
Apesar de inesperada, como já disse, é fácil perceber porque é que Jorge Jesus quis trocar a Luz por Alvalade. O dinheiro e o desafio. Farto de ouvir que não era ele que ganhava títulos mas sim o Benfica decide pegar numa equipa que não ganha títulos para provar que afinal o mérito é dele e de mais ninguém. O problema pode estar precisamente aí. E no facto de Bruno de Carvalho ver Jorge Jesus como uma solução a curto prazo, uma solução rápida para chegar ao título (e só assim se explica o salário que JJ vai auferir e que é disparatado para a conjuntura actual do futebol português). O que eu acho é que ambos estão errados! Jesus ganha títulos por mérito próprio, mas não só por mérito próprio como pensa. A estrutura do Benfica permite que ganhe títulos. Se pensarmos bem o Benfica é o clube com uma estrutura sólida e é provavelmente o clube mais favorável para se treinar em Portugal. Até agora JJ teve tudo, inclusive o "colinho" das arbitragens e da comunicação social. Tinha também o poder de ir buscar jogadores já feitos e o poder de decidir se queria, ou não, apostar em jogadores da formação. No Sporting, Jesus não tem nada disso. Tem um clube que tem passado dificuldades a vários níveis e que apesar de não ser desfavorecido pelas arbitragens nem estar na lista negra da comunicação social não é o clube do regime. Tem uma grande tradição de aposta nos jogadores da formação - e já percebemos que Jesus não tem esse hábito, prefere jogadores com experiência e já formados, portanto ou cede JJ ou cede Bruno de Carvalho neste aspecto. Bruno de Carvalho está errado porque não é por mudar de treinador que vai ganhar o título, caso contrário o Mourinho ganhava a Liga dos Campeões ao comando do Penafiel. Não há um caminho para o sucesso e se houvesse acredito que não seria contratar um treinador para ganhar 6 milhões de euros por época. O caminho para o sucesso constrói-se, não se compra. Passo a passo chega-se lá, devagar e com muita paciência - virtude que o presidente leonino não tem.
Apesar dos problemas que já enumerei ainda não falei daquele que me parece ser o maior. A relação entre Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. Não consigo perceber como é que estes dois super-egos se vão entender. Antes de mais começo por ter pena dos jogadores do Sporting na próxima época - de um lado têm o treinador que acha que é engraçado tratar mal os jogadores uma vez por outra ou as vezes que lhe apetecer, do outro lado têm um presidente que se julga superior ao treinador no banco. Uma coisa eles têm em comum - adoram ser o centro das atenções e pensam que o mérito da vitória é exclusivamente seu e a culpa da derrota é sempre dos outros. Agora pergunto-me: como é que vão disputar os holofotes? E quando alguma coisa correr mal vão assumir a culpa ou atirar a culpa um ao outro? E quando ganharem vão dividir o mérito? Não estou a ver bem como as coisas vão funcionar porque no Sporting da actualidade quem não se ajoelhar perante o presidente é despedido e Jorge Jesus não se ajoelha perante ninguém (aliás, já se ajoelhou mas prefiro não entrar por este caminho para não ferir susceptibilidades).
Só para terminar urge-me a necessidade de falar de outro problema de igual importância. O Sporting é, unanimemente o clube dos eruditos, das tias de Cascais e dos viscondes de Lisboa e agora têm um treinador que masca chicla de boca aberta e que diz "muita bom" e "padradas" entre outras pérolas da língua portuguesa. Um treinador que não sabe falar muito bem português. Um treinador que tem uma péssima postura e que não sabe estar. Este sim, é o verdadeiro motivo pelo qual Jorge Jesus não vai ter sucesso no Sporting!
No meio de tudo isto só tenho pena se Rui Vitória sair para o Benfica! Entretanto vou só fazer pipocas e guardar o melhor lugar para assistir ao resto do filme porque tenho a estranha sensação de que o melhor ainda está por vir!

domingo, 3 de maio de 2015

Chegou para reinar

Todos vocês, que acompanham o blogue, já perceberam a minha paixão por carros. Por isso eu tento manter-me o mais atenta possível a este mundo que tem evoluído muito nos últimos anos, transformando carros em verdadeiras máquinas de velocidade e potência, com um design extremamente moderno e apaixonante. O último carro que despertou a minha atenção foi apresentado no Salão de Genebra, vem da Suécia e é exclusivo.
Apresento-vos o Koenigsegg Regera (palavra sueca para "reinar"):
O objectivo é competir com o Bugatti Veyron. Se é possível? Com as características deste super-carro eu tenho de dizer que sim. Vamos aos números... Possuí a potência de nada mais nada menos do que 1810 cavalos (a marca apenas revelou que seriam "mais do que 1500cv"). Devem estar a perguntar-se como, acalmem as vossas almas que eu estou aqui para vos esclarecer. Este monstro possuí um motor V8 bi-turbo de 5 litros com 1100 cavalos, que associados a mais três motores eléctricos (dois localizados nas rodas traseiras e um terceiro ligado ao sistema Direct Drive System, que substituí a transmissão) com a potência combinada de 710 cavalos, resulta neste número extraordinário. Para chegar aos 100km/h são necessários apenas 2,7 segundos, para chegar aos 300km/h são precisos uns "absurdos" 12 segundos e para atingir a marca dos 400km/h precisa de pouco menos do que 20 segundos, sendo que a velocidade máxima é 410km/h. É precisamente por isto que os responsáveis da marca afirmam que o único carro capaz de bater o Regera... será outro Koenigsegg!
A pesar apenas 1420kg, tem um design incrível e características ímpares como as ópticas LED com assinatura Constellation DRL (Daylight Running Lights). A marca explica que a ideia era que as pessoas pudessem identificar o carro mesmo à distância, e os faróis frontais são o que primeiro se vê num carro. E estes dão nas vistas! A ideia foi espalhar as luzes LED de forma a imitar a constelação. Genial não é? A marca ainda diz que os LED têm o efeito secundário de brilhar como se fossem diamantes. Conseguem imaginar isto? Eu também não! Mas as novidades e espectacularidades estão longe de acabar! Este bebé possuí uma asa traseira activa dobrável que é, segundo a marca, a primeira do mundo. O que acontece é que a asa dobra e entra completamente na carroçaria de forma a realçar a elegância do carro através de "um movimento hipnotizante". É também o primeiro carro completamente robotizado, sem que lhe seja adicionado muito peso por isso (apenas 5kg), o que torna esta tecnologia extremamente atractiva. Os sistemas hidráulicos do Regera controlam os componentes aerodinâmicos tais como a asa traseira, a regulação do chassis e todas as aberturas ou coberturas do carro, que abrem e fecham de forma automática. Tudo isto pode ser controlado através de um mero comando ou até mesmo do próprio smartphone ou através do Apple Watch, sendo necessário apenas a instalção app Apple Car Play. Até a forma como a porta é aberta é única e exclusiva - foi desenhada por Christian von Koenigsegg (o fundador da marca) e designa-se por Dihedral Synchro Helix Doors e funciona da seguinte forma: as portam giram até ficarem num ângulo de 90º, deixando a abertura da porta totalmente livre. Ainda tem o extra de o retrovisor de dobrar por si mesmo quando as portas são abertas.
No interior os luxos continuam, possuí um ecrã táctil de 9 polegadas a partir do qual é possível controlar o sistema de som e de infoentretenimento, possuí conectividade sem fios, câmaras frontal, traseira e interior, airbag inteligente entre outras regalias.
Aposto que estão todos interessados num brinquedo destes, e se é esse o caso aconselho-vos a fazer uma reserva porque vão ser produzidos apenas 80 (oitenta!) veículos e 5 já têm dono. Quanto ao preço, especula-se que seja acima dos 2 milhões de euros, mas a marca ainda não revelou valores. Depois de ficarem com a carteira mais leve, têm de esperar 18 meses para que o bólide vos seja entregue de acordo com as vossas preferências. A meio do processo é enviado um e-mail a informar que a partir daquele momento já é impossível alterar as configurações. Caso o dono, que já tinha desembolsado uma pequena fortuna, decidir alterar a cor do carro tem de esperar mais três meses... e desembolsar mais 60 mil euros. É o preço do luxo!
Deliciem-se com as fotos e com o vídeo porque é só isso que nos toca (bem, pelo menos a mim), desconfio que não haja nenhum exemplar nas estradas portuguesas!

P.S.: Christian von Koenigsegg sempre foi crítico de super-carros híbridos porque defendia que estes não cumpriam a missão a longo prazo, não tornando os carros intemporais e também porque a tecnologia acrescentava muito peso ao carro. Agora, afirma que ele próprio e a sua marca resolveram o problema com o lançamento do Regera, que tem como objectivo de ser o mais potente e temível carro do mundo.
P.S.2: No salão de Genebra, quando fazia a apresentação do "novo bebé", Christian von Koenigsegg disse que teve a ideia de produzir este carro no Verão passado, e que levou 8 meses até ele estar pronto. Levou apenas 8 meses a pensar, a formular e a aperfeiçoar uma ideia. É, sem dúvida nenhuma, de génio e uma fonte de inspiração enorme!



Constellation DLR

terça-feira, 28 de abril de 2015

As minhas séries | Lost

Da última vez que abordei o tema aqui estava indecisa entre retomar Lost e começar a ver Orange is the New Black. Pelo título deste post já devem ter percebido sobre qual das séries recaiu a minha escolha. Um dia destes li um artigo sobre a série e que se referia a ela como "a melhor de todos os tempos" e tinha de comprovar se é ou não verdade. De qualquer forma foi um grande marco na televisão mundial e continua a ser muito aclamada.

Lost (Perdidos)
Nome original: Lost
Nome em Portugal: Perdidos
País: EUA
Em exibição: 2004-2010
Temporadas: 6
Género: Aventura, Drama, Ficção Científica
Lost ou Como Ver Meia Temporada Num Dia é provavelmente a série mais misteriosa e bem construída que já vi. É recheada daqueles episódios que nos obrigam a ver o próximo mesmo quando o que mais apetece fazer é dormir. Queremos evitar ver o resto da temporada mas não dá. E de repente reparamos que são 2 horas da manhã. Uma chatice. Das boas!
A série começa por focar-se nos sobreviventes de um avião que caiu numa ilha (supostamente deserta), o Oceanic 815. São forçados a trabalhar como equipa para sobreviver na esperança de que possam vir a ser resgatados. Conforme passam os dias, a esperança vai-se desvanecendo e os sobreviventes vêm-se obrigados a construir as suas vidas na ilha. Ao início pareceu-me uma série com muito pouca margem de evolução e por isso estava intrigada sobre o que é que alguém ia tirar daquilo para não tornar os episódios todos num calvário. Não foi preciso muito para descobrir...
As personagens são desenvolvidas de uma forma extremamente inteligente e que mantém o espectador colado ao ecrã. Vamos conhecendo fragmentos da vida de cada um através de flashbacks. Mas não são flashbacks aleatórios. Se o primeiro episódio é focado no personagem A, esse personagem pode só ter o holofote passado 5 ou 6 episódios. À medida que os vamos conhecendo, vamos criando uma grande afeição por eles, vamos percebendo o que os leva a fazer determinadas coisas e o porquê de reagirem da forma que reagem. Outra das coisas que mais adoro em séries é quando o episódio responde a uma pergunta... e lança outras cinco! O elenco é excelente e enorme porque vão sendo acrescentadas novas facções de personagens a cada nova temporada, o que faz com que a série se torne muito mais dinâmica do que se continuasse sempre focada única e exclusivamente nos sobreviventes do desastre. Talvez seja a série que desenvolve de forma mais profunda as personagens, porque não conhecemos só uma ou duas de forma elaborada. Conhecemos muitas e a forma como são apresentadas torna-as a todas inesquecíveis!
Sem dúvida que é uma série que vale a pena ver, mistura ficção científica com aventura, muita acção e sem faltar uma pitada necessária de romance e comédia. É aquela série que mistura um bocadinho das outras todas numa combinação que resulta numa forma épica e singular de contar uma história e que tem um jogo psicológico muito forte. Deve ser vista com imensa atenção porque cada pormenor é importante, perceber o porquê de tudo é mais do que fundamental, perceber como é que as personagens foram parar à ilha é vital. Se assim não for, corremos o risco de também ficar perdidos. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Será que a rapariga da revista é igual à rapariga da revista?

A minha relação com o meu corpo nunca foi fácil. Continua a não ser fácil hoje. Sempre me senti mal na minha pele. Não gostava disto ou daquilo e diversas pessoas punham o dedo na ferida. Os anos passaram e eu nunca consegui amar-me, como gostava.
No entanto, tento aceitar-me todos os dias. Há dias em que isso é mais fácil, em que eu até acho que posso gostar de mim, do meu aspecto. Outros dias em que acho que o aspecto é tão importante como uma mosca e que o que conta é unicamente o meu interior. Outros dias ainda em que não me suporto e tenho vontade de partir qualquer espelho que se atrevesse no meu caminho. A maioria deles é assim. Piora quando começa a vir calor e as camadas de roupa começam a ir embora. Vêm os calções, vêm os biquínis e os vestidos brancos. E é o meu inferno.
Até neste aspecto sou paradoxal (como sou em todos os aspectos da minha vida). Acho que julgar-me pelo meu corpo (como julgar qualquer pessoa somente pelo seu aspecto) é ser fútil mas não consigo vestir um biquíni e usá-lo em espaços públicos de forma descontraída. É doloroso mas ninguém compreende isso. Já passei anos sem ir à praia ou à piscina simplesmente porque não conseguia fazê-lo, não me sentia confortável nem relaxada o suficiente para me expor dessa forma. Tinha vergonha. Tinha vergonha de mim própria. Em retrospectiva acho que foi das posições mais estúpidas que alguma vez adoptei mas também sei que provavelmente vou voltar a repetir isso.
Tenho, no currículo, algumas tentativas de tentar melhorar isto. Já me inscrevi no ginásio umas dez vezes sempre com a promessa de que "desta é que é" e que vou ter força de vontade suficiente para me manter lá, a sofrer e a suar como se o mundo acabasse amanhã a amaldiçoar todos os chocolates que já comi na vida. Acabo sempre por fracassar e desistir com as desculpas mais esfarrapadas do mundo.
Eu confesso que o mais complicado não é treinar. Pronto, é um bocadinho complicado. Mas eu admito que o meu grande problema é a alimentação, é fechar a boca a chocolates e pizzas e companhias. Eu adoro comer. Adoro feijoada. Adoro picanha. Adoro massa. Adoro pizza. Adoro francesinhas especiais. Adoro isso tudo e ficava feliz da vida se coisas dessas não engordassem e fossem saudáveis. A sério que sim. É assim o sonho da minha vida! Comer bem para mim é um desafio!
Com o passar dos anos, a minha forma de pensar também foi mudando. Apesar de continuar com vergonha do meu corpo, de odiar expor-me num biquíni, de me sentir sempre uma lontra, de continuar a não gostar de mim percebi que tenho de me aceitar. Não são as minhas estrias ou a minha celulite que me definem. Não é ter uns quilos a mais que faz de mim menos que alguém. Eu tenho de me aceitar como sou hoje, é aqui que eu vivo hoje e isso eu não posso alterar, por muito que me apeteça. Sou assim. Posso não ser perfeita, não ser sexy ou sensual, não ter as pernas torneadas e o rabo perfeito da Beyoncé nem a barriga negativa da Candice Swanepoel mas sou eu!
Esta semana decidi voltar ao ginásio. A aproximação ao verão faz-me tremer um bocadinho. Não me quero privar de aproveitar o sol ou privar-me de ir à praia só porque o meu corpo não corresponde às medidas ideais ou às medidas que vejo como ideais. Esta semana decidi voltar ao ginásio, não com a ideia de ficar perfeita em 3 semanas mas com a ideia de me desenhar, de me construir, de aprender a gostar de mim. Sei que não vai acontecer em 3 semanas ou 3 meses. Talvez daqui a 3 anos seja aquilo que pretendo ser. Até lá sei que tenho um caminho para aprender a gostar de mim, para me aceitar.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sétima Arte | Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)

A noite de Óscares foi noite de empate mas Birdman foi o vencedor. Para ser mais clara, Birdman e The Grand Budapest Hotel tinham 9 nomeações cada um; e cada um arrecadou 4 estatuetas douradas. Porque é que Birdman foi o vencedor? Ganhou nas categorias mais importantes: melhor filme e melhor realizador (Alejandro González Iñarritu), para além de melhor argumento original (por Alejandro González Iñarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo) e melhor fotografia (que ficou a cabo de Emmanuel Lubezki, que já conta com 7 nomeações no currículo e venceu o ano passado com Gravity).
Quanto a mim, eu tenho sentimentos extremamente antagónicos em relação a este filme; se por um lado acho que tem pontos brilhantes e um elenco muito sólido e extremamente bom, por outro sinto que não me consegui sintonizar com o filme na sua totalidade.
O filme é dirigido como se fosse uma peça de teatro, com poucas interrupções. A narração ocorre enquanto deambulamos com as personagens pelos corredores do teatro. É esse estilo que, para mim, faz com que Birdman se distinga de um filme normal.
Riggan (Michael Keaton) é um actor assombrado pela grandiosidade de Birdman, o herói que interpretou à 20 anos e que lhe deu prestígio, antes de entrar numa fase decadente. No entanto, Riggan tenta reerguer-se no teatro - porque o teatro dá prestígio - ao escrever, encenar e actuar numa peça. Esta peça serve não só para se reerguer mas também para calar a voz que o assombra: a voz de Birdman, ele próprio mas muitos anos antes. Para que a peça funcione é necessário que seja protagonizada por bons actores, é aqui que entra Mike (Edward Norton). Mike é o menino querido da Broadway, o preferido da crítica e chega com um método revolucionário para fazer com que a peça resulte. Mas aparentemente esse método pode desviar os holofotes de Riggan; que agora para além de ter de lutar contra si próprio, tem de lutar também contra Mike para ser divinizado pela crítica e assim reconstruir a sua carreira sob bases firmes, porque caso seja contestado pela crítica pode ser o fim da sua carreira!
Michael Keaton e Edward Norton desempenham muito bem os seus papéis e sem dúvida que mereceram as nomeações (não ganharam por mérito dos outros nomeados, nunca por desmérito deles). Um facto curioso é que a ficção mistura-se com a realidade: Michael Keaton não interpretava um personagem de forma tão magistral e tão importante desde 1992, momento em que a sua carreira entrou em decadência; tem em Riggan o papel para recuperar os golden days da sua carreira - um bocadinho como o seu personagem. Emma Stone também se destaca no papel de Sam, a filha desequilibrada e carente de Riggan que sai da reabilitação. A miúda tem muita pinta e talento e uma interpretação positiva. Os actores tiveram uma dificuldade acrescida: o facto de as cenas serem sequenciais, de raramente haver cortes (ou se os há Alejandro torna-os invisíveis) dificulta o trabalho do actor.
Este filme é uma crítica. Uma crítica a Hollywood, uma crítica à indústria do entretenimento de forma global. E mais uma vez, centra-se na necessidade humana pela grandiosidade, pelas palmas quando as cortinas baixam, pela necessidade de sermos grandes e de sermos reconhecidos. Levanta questões importantes: Riggan e Mike fazem-no pela arte como o afirmam ou fazem-no por satisfação própria, para se tornarem imortais, pela fama? É uma sátira também aos críticos que julgam e desvalorizam os actores consagrados antes mesmo de ver o seu trabalho.
Concluindo, eu gostei da experiência de ver Birdman no nível técnico. A fotografia e a realização são brilhantes, são outside the box, são muito peculiares e eu adoro novas experiências. Birdman é, sem qualquer dúvida, uma incrível experiência cinematográfica. No entanto, não consegui criar nenhuma ligação emocional com o filme, não consegui sintonizar-me. Por isso digo que é antagónico: se por um lado gostei da parte técnica e da novidade e da ousadia, deixou a desejar em tudo o resto. E geralmente, eu valorizo "tudo o resto" um bocadinho mais.

P.S.: Fiquei muito contente por ver Alejandro levar o Óscar de Melhor Realizador, é o segundo mexicano da história a vencer o Óscar (o primeiro foi Alfonso Cuáron, o ano passado, com Gravity). Merece por ter sido arrojado e ter apresentado um trabalho consistente enquanto realizador e um trabalho inegavelmente bom. Mas não dava o Óscar de Melhor Filme a Birdman exactamente pelo que já disse: distingue-se principalmente pela forma como é filmado, pela montagem e pela fotografia (3 dos 4 óscares que ganhou) mas, apesar do elenco magnífico, não consegui criar empatia pelas personagens ou pelo filme em si. Foi um problema exclusivamente meu?

P.S. 2: Certamente já perceberam que o filme tem um segundo título: The Unexpected Virtue of Ignorance. Eu questionei-me imediatamente o porquê de ter um segundo título e tentei pesquisar. Não encontrei nenhuma explicação vinda directamente de Alejandro e portanto cada um pode interpretar como quiser esse acrescento; há quem defenda que é devido à crítica que Tabitha Dickinson faz da peça de teatro de Riggins. Trocando isto por miúdos: Riggins não pertence ao teatro, é um amador e para ela as características de um actor de cinema não são as cacterísticas ideiais para quem pretende trabalhar no teatro. Tabitha já viu muito teatro que não respeita as normas e a maioria foi uma má experiência. No entanto, Riggins surpreende-a e apresenta um trabalho agradável e consistente; é a inesperada virtude da ignorância.




As minhas apostas - Óscares 2015

Estou muito curiosa para saber qual o destino das estatuetas porque não estou segura em nenhuma categoria como estava seguríssima o ano passado de que o 12 Years a Slave ia levar para casa a estatueta mais importante da noite. Os nomeados este ano caracterizam-se pelo baixo orçamento, o que para mim é um óptimo sinal; assim como saber que dos oito nomeados na categoria de Melhor Filme, 7 são independentes (apenas American Sniper, de Clint Eastwood, é de um grande estúdio).
Quero deixar-vos a minha opinião de quem acho que vai ganhar e quero deixar-vos também a minha preferência. Portanto, vou tentar fazer isto de forma simples: indico a categoria e deixo o nome do filme que acho que vai ganhar; entre parênteses fica a minha opinião. Se não perceberem, não se preocupem muito com o assunto que para o ano há mais está bom??

Melhor Filme: Boyhood (Whiplash)

 
Porquê? Boyhood venceu nos Golden Globes, no Critics Choice e nos BAFTA e é filme mais querido do ano. Entendo as razões e estou ansiosa por ver este filme. No início achei que este prémio ia para American Sniper porque é o filme que a Academia adora e os americanos, em geral, adoram; faz deles heróis. Agora acho que se vai disputar a estatueta com alguém será com Birdman. Gostava que o vencedor fosse Whiplash pelas razões enumeradas no post anterior.

Melhor Realizador: Richard Linklater - Boyhood
Porquê?  Tal como na estatueta de Melhor Filme acho que este pode ser disputado entre Linklater e o realizador de Birdman - Alejandro González Iñárritu. Não tenho nenhuma preferência nesta categoria e só vi 2 dos 5 nomeados. No entanto apostaria em Linklater pelo seu projecto ambicioso de 12 anos e penso que é por essa mesma razão que a Academia irá entregar-lhe o prémio.

Melhor Actriz: Julianne Moore - Still Alice (Rosamund Pike - Gone Girl)
  Porquê? Mais uma vez vou pela opinião comum de que Julianne Moore vai ganhar com o seu papel em Still Alice e também porque saiu vencedora de todas as cerimónias que precederam os Óscares. No entanto estou a torcer para que a estatueta vá com Rosamund Pike em Gone Girl que interpreta magistralmente o seu papel; o filme é dela!

Melhor Actor: Eddie Redmayne - The Theory of Everything (Eddie Redmayne - The Theory of Everything)
Porquê? Para todos aqueles que viram o filme é fácil perceber porque acho que ele vai vencer e porque quero que ele vença. Não tenho mais comentários a fazer nesta categoria. Desempenho perfeito!

Melhor Actriz Secundária: Patricia Arquette - Boyhood
Porquê? Para ser sincera nenhum desempenho das actrizes nomeadas nesta categoria me fez querer dar-lhes um Óscar, não há nenhuma interpretação que me tivesse ficado na memória. Estiveram todas bem, só bem. Nada de extraordinário. Ainda assim vou pela opinião comum e acho que Patricia Arquette vai levar a estatueta.

Melhor Actor Secundário: J.K. Simmons - Whiplash (J.K. Simmons - Whiplash)
Porquê? Uma prestação intensa e muito boa de J.K. Simmons e por isso acho que o Óscar não pode ser entregue a mais ninguém. No entanto dava uma menção honrosa ao "meu querido" Edward Norton!

Melhor Argumento Adaptado: The Imitation Game por Graham Moore; Whiplash por Damien Chazelle
Porquê? É a categoria que me suscita mais dúvidas e fica bem entregue a qualquer um dos dois, no entanto a minha preferência pende ligeiramente para Whiplash; mas acho que será The Imitation Game a sair vencedor.

Melhor Argumento Original: Birdman por Alejandro G Iñarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo; The Grand Budapest Hotel por Wes Anderson, Dan Futterman
Porquê? Não tenho preferências porque só vi um dos filmes nomeados para esta categoria. Acho que o prémio estará dividido entre estes dois filmes porque Birdman saiu vencedor nos Golden Globes e nos Critic Choice, enquanto que The Grand Budapest Hotel levou a melhor nos BAFTA e nos WGA. Se tivesse de apostar só num, apostava em Birdman.

Melhor Edição: Boyhood (Whiplash)
Porquê? As pessoas têm aclamado Boyhood pela capacidade de compactar as imagens gravadas durante 12 anos, no entanto a edição de Whiplash está verdadeiramente magistral, surpreendente e diferente. Não vi Boyhood mas daria o prémio a Whiplash.

As minhas apostas estão feitas e os Óscares estão precisamente a começar neste momento. É provável que não acompanhe a cerimónia toda porque termina por volta das 5 horas da manhã, mas certamente irei revê-la noutro dia. Boa segunda-feira para vocês!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sétima Arte | Whiplash

Dos oito filmes nomeados para a categoria principal na cerimónia dos Óscares já só me falta ver dois: Boyhood e The Grand Budapest Hotel. A cerimónia é já daqui a algumas horas e eu tinha a ambição de ainda ver estes dois filmes que faltam e escrever sobre todos eles no blogue antes da cerimónia. No entanto e apesar de não parecer eu tenho uma vida para além de ver filmes (e gripe, também tenho gripe) portanto esta ambição não dá para mais nada do que um bom guião para Mission: Impossible 6. No entanto, venho aqui deixar as minhas apostas!
O menos conhecido dos nomeados é provavelmente Whiplash e admito que também me poderia passar despercebido se não fosse esta nomeação, mas era um verdadeiro desperdício até porque junta duas das melhores coisas da vida: música e cinema. Para além de ser o menos conhecido, é também o mais diverso e "a lufada de ar fresco" entre todos eles porque é muito diferente e ao mesmo tempo muito agradável. É o género de filme que me faz apaixonar e que, na minha opinião, tem a chave para o sucesso: baixo orçamento, bom guião e bons actores. Para além disso, é escrito e realizado por um jovem de 30 anos (feitos em Janeiro): Damien Chazelle.
Dizer que o filme é sobre jazz e músicos (como já li) era demasiado injusto. O filme é uma metáfora para a vida, contada através da história de Andrew Neiman (Miles Teller), um talentoso miúdo de 19 anos, que deseja tornar-se um baterista tão grandioso como o seu ídolo: Buddy Rich. Para realizar esse sonho, ingressa na melhor academia de música de Nova Iorque.
O seu talento é inegável e por isso Fletcher (J.K. Simmons), o mentor da banda de jazz que não compactua com nada inferior à perfeição e que se revela brutalmente exigente com os seus alunos, levando-os repetidamente aos seus limites físicos e psicológicos para que estes possam atingir o seu máximo potencial, recruta Andrew para baterista secundário, mas facilmente se percebe que o seu talento é demasiado grandioso para ficar à sombra.
Miles Teller e J.K. Simmons enchem o ecrã e são, para mim, uma grande surpresa. Acredito que Miles tem em Whiplash o papel que o vai catapultar para uma grande carreira porque tem um desempenho fantástico, com direito a lágrimas, suor e sangue de verdade (Miles Teller é um baterista autodidacta e a maioria das cenas foram mesmo gravadas com ele e o sangue é mesmo real). Nota-se o quão comprometido está com a sua personagem e a partir do primeiro minuto vê-se Miles florescer de uma forma incrível. J.K. Simmons é o actor secundário, mas dizer que é secundário é ser irrealista. O seu papel de vilão é magistralmente cumprido e apesar de ser uma personagem muito pouco amigável, é impossível não criar uma simpatia (antagónica) por ele. Fletcher representa a voz dos que nos puxam aos limites, muitas vezes de forma exagerada e absurda que nem parece real. Damien, o realizador, disse-lhe que não queria mais ver um ser humano no ecrã, queria ver um monstro, um gárgula, um animal.
 Whiplash é frenético do início ao fim, a edição é um espelho perfeito do jazz. Tem o tempo perfeito porque todas as cenas são essenciais e importantes (até os episódios do romance que é pouco explorado me parecem proeminentes para cortar a tensão que se vai sentindo ao longo de todo o filme). Apesar de já ter ouvido algumas críticas negativas relativamente ao final, eu acho que não podia acabar de outra forma porque percebemos que ambos conseguem atingir os seus sonhos e isso é a parte mais importante, é o ponto fulcral do filme.
Como disse antes, este filme é uma metáfora para a vida. É impossível alcançar a grandiosidade que todos procuramos (eu sou da opinião de que o ser humano é obcecado com a grandiosidade) sem sair da nossa zona de conforto, sem nos levarmos aos nossos limites, sem suor e lágrimas e sangue. Não se pode chegar a um destino diferente daquele onde nos encontramos se formos pelo mesmo caminho. É sobre isso que este filme é!

P.S.: Whiplash foi inicialmente apresentado como uma curta-metragem de 18 minutos no Sundance Film Festival em 2013 por falta de orçamento. Levou o prémio para casa e conseguiu um orçamento de 3,3 milhões de dólares, o orçamento mais baixo entre os nomeados (Boyhood - 4 milhões; The Imitation Game - 15 milhões; The Theory of Everything - 18 milhões; Birdman - 18 milhões; Selma - 20 milhões; The Grand Budapest Hotel - 30 milhões; American Sniper - 58,8 milhões). Foi filmado em apenas 19 dias e ficou pronto em sensivelmente 10 semanas. Tinha tudo para dar errado, mas deu tudo certo. 




terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A minha estante | Prometo Falhar

Nome original: Prometo Falhar
Autor: Pedro Chagas Freitas
Editora: Marcador
Nrº de páginas: 390
Adoro que me ofereçam livros. Há qualquer magia inerte à oferta de um livro. Nunca se oferece só um livro, oferecem-se mundos paralelos e mundos novos para onde podemos viajar conforme a nossa vontade. Este "Prometo Falhar" estava na minha wishlist à algum tempo por diversos motivos: já tinha lido passagens do livro que me tinham agradado muito, também tinha lido coisas muito boas sobre o mesmo e, indubitavelmente, porque o autor é vimaranense. Foi-me oferecido por uma amiga muito especial, a minha partner in crime (obrigada Luiza, pela milésima vez!).
Não era o que esperava. É descrito como um romance mas não é, para mim, um romance. Este livro não conta uma história. Este livro é uma colectânea de crónicas essencialmente sobre amor. É um livro agradável porque tem várias passagens que, isoladas, são extremamente bonitas e uma fonte de inspiração. No entanto não é um livro para se ler seguido, pelo menos para mim. Torna-se repetitivo porque tem imensos lugares-comuns e pode tornar-se até um bocadinho chato. É um livro para se ir lendo, para abrir o livro numa página hoje e ler uma ou duas crónicas e para a semana fazer o mesmo. Talvez por as minhas expectativas estarem muito altas (está em todos os TOP de vendas) fiquei ligeiramente desiludida, achava que era uma obra-prima. Não é. É um livro agradável com o qual qualquer pessoa se pode identificar com uma ou com outra crónica, que a cada página pensamos "eu já quis dizer isto, mas não me consigo expressar assim". Tem passagens extremamente bonitas que dão uma vontade incontrolável de ler e reler e escrevê-las em algum lado para não sair da cabeça. No entanto tenta definir amor demasiadas vezes; e eu sou da opinião de que amor não se define, não é assim nem assado: dá-se e mostra-se amor, não se define, não é palpável ou visível.
Uma coisa que tem e que ninguém pode tirar é um valor sentimental incomparável; oferecer livros diz tanta coisa!

P.S.: Acho também que é um livro que, por ter uma escrita muito distinta, não é fácil. Eu sou uma amante incurável dos clássicos (os meus livros favoritos são "Anna Karénina" de Lev Tólstoi,"O Grande Gatsby" de Fitzgerald e companhias), são livros que exigem muita atenção e principalmente um esforço emocional como nenhum outro estilo literário. Talvez por isso este livro me tenha deixado à espera de mais que nunca chegou. Associo-o (e não sei se mais alguém para além de mim faz a mesma associação) a Margarida Rebelo Pinto da qual já fui uma leitora assídua e da qual não consigo pegar nos livros (pelo menos não neste momento). Margarida Rebelo Pinto diz, livro após livro, que os homens são uns trastes e que só o amor feminino pode curar esse lado desprezível que eles possuem; Pedro Chagas Freitas (do qual só conheço esta obra, mas estou decidida a ler outro dos seus livros para ver como é o estilo) fala sobre amor, amor e amor. Tenho só a dizer que gosto e admiro o estilo despreocupado e singular que o autor adopta, é arriscado mudar e ser diferente e Pedro é a todos os níveis: são diversos os estilos ao longo do livro e o próprio livro não é comum. Aconselho mas com moderação pelos motivos acima enumerados e acho (é só a minha opinião pessoal de leitora compulsiva) que deve ser lido aos bocados e de forma desordenada.