Acompanhei a gala dos Prémios da Academia do início ao fim, apesar de ter sido complicado manter-me acordada por um sem fim de motivos. Primeiro, as horas são impróprias. Segundo, a red carpet demorou eternidades e eu estava a ver que aquilo nunca mais acabava. Terceiro, acompanhei em directo na SIC Caras e a quantidade de pausas que fizeram ao longo da emissão para uma jornalista falar do que se comentava no Twitter foi no mínimo irritante. Quarto, por volta das 3 da manhã o sono atacou-me e foi difícil não adormecer. A cerimónia não foi nada de especial, como o costume, as surpresas não foram muitas, Chris Rock usou e abusou da polémica de falta de diversidade e acho que só há mais umas pequenas notas a tirar:
- Foi uma surpresa, para mim, The Revenant não ter sido o grande vencedor da noite e arrecadou só 3 estatuetas: melhor actor (Leonardo DiCaprio), melhor realizador (Alejandro G. Iñarritu, que vence pelo segundo ano consecutivo; em 2015 venceu com Birdman) e melhor fotografia ( Emmanuel Lubezki, que vence pela terceira vez consecutiva depois de vencer com Gravity e Birdman);
- Mad Max: Fury Road venceu quase todos os prémios técnicos (melhor edição, melhor edição de som, melhor mistura de som, melhor caracterização, melhor guarda-roupa e melhor cenografia) acumulando o total de 6 que fazem dele o filme com mais prémios da noite;
- Finalmente, e 500 bandas sonoras depois, Ennio Morricone venceu o prémio aos 87 com o fantástico trabalho em The Hateful Eight. Não podia ter sido melhor entregue!
- Nas categorias de melhor actriz e melhor actriz secundária foi entregue a quem se esperava: Brie Larson (Room) e Alicia Vikander (The Danish Girl), respectivamente;
- Uma das surpresas da noite foi ver Mark Rylance (Bridge of Spies) subir ao palco para receber o prémio de melhor actor secundário, quando toda a gente esperava ver Stallone. Preferi ver Rylance vencer porque não só teve um desempenho mais satisfatório como é melhor actor.
- A grande surpresa da noite foi, no entanto, ver Spotlight vencer a categoria mais esperada: melhor filme. Pensei que ia ser The Revenant mas fiquei contente porque, apesar do filme de Iñarritu ser muito bom, as questões que Spotlight levanta são questões muito importantes e que merecem os holofotes pela sua seriedade.
- E como não podia deixar de ser fiquei muito feliz pela vitória de Leonardo DiCaprio, é indiscutível e completamente merecido. O mundo ficou todo neste mood:
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terça-feira, 1 de março de 2016
Valeu pelo DiCaprio, pelo Morricone, pela (surpresa) Spotlight e pouco mais
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domingo, 28 de fevereiro de 2016
Sétima Arte | Trumbo & The Martian & Mad Max
Trumbo
Fiquei extremamente feliz quando vi o Mr. White, perdão, o Bryan Cranston, nomeado para o Oscar de melhor actor, ainda antes de ter visto Trumbo, porque sabia que é um actor de enorme qualidade e capaz de fazer magia no ecrã.
Desta vez fá-lo na pele de Dalton Trumbo. Trumbo foi um dos homens que marcou os dias negros de Hollywood e cuja história é trazida agora à ribalta.
É um filme interessante mas que tem dois pontos, em particular, que merecem ser referenciados: o primeiro é, naturalmente, Bryan Cranston; o segundo é o tema importante que, se não fosse por este filme, eu nem sequer tinha conhecimento. Trumbo foi proibido de trabalhar (continuou a trabalhar, e a ganhar prémios com o seu trabalho, mas de forma clandestina) e colocado numa "lista negra" porque simpatizava com os ideais comunistas. É ridículo que se proíba alguém de trabalhar com base nas suas ideologias, ou pelas suas ideologias serem contrárias à maioria.
A nomeação de Cranston a melhor actor parece-me justa e ainda que não seja um filme revolucionário ou inesquecível, vale a pena ver. Principalmente, para não voltar a repetir os erros do passado!
The Martian
Só descobri que The Martian era uma comédia quando ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia. Quando vi a notícia fiquei baralhada. Spy, nomeado na mesma categoria, é uma comédia. The Martian às vezes dá para rir, o que não o torna numa comédia. Eu percebi a lógica, no entanto: o The Revenant, Room, Spotlight e etc. estavam nomeados na categoria de drama e contra esses filmes duvido que The Martian tivesse hipótese de ganhar. Como duvido que tenha alguma hipótese hoje.
É um filme que tem capacidade de entreter e de nos manter presos ao ecrã (apesar de sabermos de antemão que tudo vai ficar bem) e foi o filme de ficção científica que mais gostei de ver o ano passado. Matt Damon faz o que lhe compete, é engraçado quando precisa de ser e corresponde ao que o personagem pede e isso valeu-lhe a nomeação a melhor actor.
Mad Max: Fury Road
Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme do ano passado, Whiplash provavelmente passar-me-ia ao lado. O que era um crime porque é um óptimo filme! Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme deste ano, provavelmente Mad Max passar-me-ia ao lado, e eu acho que não perdia nada!
A minha primeira tentativa de ver este filme foi no Verão. Na primeira cena (ou segunda, ou a começar) aparece um homem no meio do deserto a comer um bicho (vivo!) como quem vai à cozinha comer uma Oreo. Revirei os olhos e não quis saber mais disto. Nem o giraço do Tom Hardy (que estava a comer o bicho) me convencia. Até ver que estava nomeado para... (rufar de tambores) DEZ oscares!!!!! Pensei com os meus botões que podia ter feito um julgamento demasiado rápido e podia ter sido injusta. Dei-lhe uma segunda oportunidade.
Devo dizer que eu sou suspeita. Não sou fã de filmes que se desviem demasiado da realidade. É o meu gosto pessoal e desde que me lembro que este género de filmes não me dá gozo nenhum. Sei que um dos objectivos do cinema é "tirar-nos" deste planeta e envolver-nos no planeta dentro do ecrã mas ainda assim prefiro coisas mais... naturais.
Voltando ao Mad Max. Dei-lhe uma segunda oportunidade. Fiz o esforço de ver até ao fim, são duas horas. Muito sinceramente o filme pareceu-me quase todo igual: conduzir a "máquina de guerra". Foi isso que retive do filme. Entendo a nomeação para o Oscar, por exemplo, de melhores efeitos visuais e melhor caracterização. Melhor filme? Pessoalmente, substituía-o com facilidade nos nomeados porque foi dos filmes mais aborrecidos que já vi.
Fiquei extremamente feliz quando vi o Mr. White, perdão, o Bryan Cranston, nomeado para o Oscar de melhor actor, ainda antes de ter visto Trumbo, porque sabia que é um actor de enorme qualidade e capaz de fazer magia no ecrã.
Desta vez fá-lo na pele de Dalton Trumbo. Trumbo foi um dos homens que marcou os dias negros de Hollywood e cuja história é trazida agora à ribalta.
É um filme interessante mas que tem dois pontos, em particular, que merecem ser referenciados: o primeiro é, naturalmente, Bryan Cranston; o segundo é o tema importante que, se não fosse por este filme, eu nem sequer tinha conhecimento. Trumbo foi proibido de trabalhar (continuou a trabalhar, e a ganhar prémios com o seu trabalho, mas de forma clandestina) e colocado numa "lista negra" porque simpatizava com os ideais comunistas. É ridículo que se proíba alguém de trabalhar com base nas suas ideologias, ou pelas suas ideologias serem contrárias à maioria.
A nomeação de Cranston a melhor actor parece-me justa e ainda que não seja um filme revolucionário ou inesquecível, vale a pena ver. Principalmente, para não voltar a repetir os erros do passado!
The Martian
Só descobri que The Martian era uma comédia quando ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia. Quando vi a notícia fiquei baralhada. Spy, nomeado na mesma categoria, é uma comédia. The Martian às vezes dá para rir, o que não o torna numa comédia. Eu percebi a lógica, no entanto: o The Revenant, Room, Spotlight e etc. estavam nomeados na categoria de drama e contra esses filmes duvido que The Martian tivesse hipótese de ganhar. Como duvido que tenha alguma hipótese hoje.
É um filme que tem capacidade de entreter e de nos manter presos ao ecrã (apesar de sabermos de antemão que tudo vai ficar bem) e foi o filme de ficção científica que mais gostei de ver o ano passado. Matt Damon faz o que lhe compete, é engraçado quando precisa de ser e corresponde ao que o personagem pede e isso valeu-lhe a nomeação a melhor actor.
Mad Max: Fury Road
Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme do ano passado, Whiplash provavelmente passar-me-ia ao lado. O que era um crime porque é um óptimo filme! Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme deste ano, provavelmente Mad Max passar-me-ia ao lado, e eu acho que não perdia nada!
A minha primeira tentativa de ver este filme foi no Verão. Na primeira cena (ou segunda, ou a começar) aparece um homem no meio do deserto a comer um bicho (vivo!) como quem vai à cozinha comer uma Oreo. Revirei os olhos e não quis saber mais disto. Nem o giraço do Tom Hardy (que estava a comer o bicho) me convencia. Até ver que estava nomeado para... (rufar de tambores) DEZ oscares!!!!! Pensei com os meus botões que podia ter feito um julgamento demasiado rápido e podia ter sido injusta. Dei-lhe uma segunda oportunidade.
Devo dizer que eu sou suspeita. Não sou fã de filmes que se desviem demasiado da realidade. É o meu gosto pessoal e desde que me lembro que este género de filmes não me dá gozo nenhum. Sei que um dos objectivos do cinema é "tirar-nos" deste planeta e envolver-nos no planeta dentro do ecrã mas ainda assim prefiro coisas mais... naturais.
Voltando ao Mad Max. Dei-lhe uma segunda oportunidade. Fiz o esforço de ver até ao fim, são duas horas. Muito sinceramente o filme pareceu-me quase todo igual: conduzir a "máquina de guerra". Foi isso que retive do filme. Entendo a nomeação para o Oscar, por exemplo, de melhores efeitos visuais e melhor caracterização. Melhor filme? Pessoalmente, substituía-o com facilidade nos nomeados porque foi dos filmes mais aborrecidos que já vi.
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Sétima Arte | Brooklyn & Spotlight & Carol
Brooklyn
Ainda não há viagens no tempo, mas há filmes (e livros) que, quando são feitos em condições, servem o propósito. Brooklyn fá-lo e transporta-nos até aos anos 50, à vida de Eilis (Saoirse Ronan).
Eilis cresceu numa aldeia irlandesa mas vê-se forçada a partir para a América, na esperança de encontrar as oportunidades que não encontra na Irlanda. O único conhecido que tem na América é o padre que lhe arranjou emprego numa loja em Brooklyn, onde também reside. Em Brooklyn reside também o italiano Tony (Emory Cohen). Conhecem-se num baile irlandês. Tony não é irlandês, mas gosta de "raparigas irlandesas" e gostou de Eilis.
É fácil ficar sensibilizado com a história de Eilis, afinal quase todos (ou todos) conhecemos ou vivemos de perto a dor de ver pessoas próximas e que nos são queridas ir para longe em busca das oportunidades que cá não têm, ou conhecemos a dor de partir. Acho até que é difícil não sentir uma tremenda empatia por Eilis e aqueles grandes olhos azuis!
A maior qualidade do filme é ser despretensioso. É o little black dress dos nomeados ao melhor filme. O less is more. Simples, mas inteligente e eficaz na mensagem que passa e acho que foi por isso que gostei. Por isso e por causa de Saoirse Ronan (nomeada a melhor actriz), sem dúvida nenhuma!
Spotlight
Já conhecia o caso Spotlight antes do filme ter sido lançado, por isso fiquei expectante para ver o filme, e não desiludiu!
Depois de ver o filme consolidei ainda mais uma certeza que já tinha: uma comunicação social completamente independente é fulcral para que casos como os que são retratados em Spotlight sejam denunciados e resolvidos e para que não sejam sempre encobertos (como acredito que continuam a ser). Um filme essencial e que dá que pensar (e muito!) sobre os podres e os poderes da igreja, de que tantos têm conhecimento e sobre os quais ninguém, ou quase ninguém, está disposto a agir.
É um filme excelente e que merece o reconhecimento de ser nomeado a melhor filme pela qualidade, pelo argumento e pela direcção. Excelentes interpretações de todo o elenco valeram a Rachel McAdams a nomeação a melhor actriz secundária e a nomeação a Mark Ruffalo para melhor actor secundário.
Carol
Depois de pousar os nossos olhos em Carol Aird (Cate Blanchett) pela primeira vez, é impossível não ficar hipnotizado pela beleza intemporal e tão clássica que emana de uma mulher tão elegante que está apenas a procurar um presente de natal para a sua filha. Therese Belivet (Rooney Mara) fica tão hipnotizada quanto nós e só desvia o olhar quando uma cliente (Therese é funcionária da loja que vende brinquedos) lhe rouba a atenção.
Adaptado do livro homónimo de Patricia Highsmith, Todd Haynes não descura nada: sentimos que estamos em Nova Iorque, no início dos anos cinquenta e sentimos as dores destas duas mulheres que se apaixonam perdidamente. Carol sabe-o primeiro mas Therese não se apercebe de imediato.
Uma paixão como poucas vezes se tem visto no cinema, com os sentimentos à flor da pele e com duas excelentes actrizes: Cate Blanchett está deslumbrante e icónica e Rooney Mara, apesar de não conseguir ter o carisma de Blanchett, também nos dá uma excelente performance. Estão ambas nomeadas, para o óscar de melhor actriz e melhor actriz secundária, respectivamente.
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