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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sétima Arte | A Walk Among the Tombstones


Matt Scudder (Liam Neeson) é um reformado detective que agora "faz favores às pessoas em troca de presentes", isto é: trabalha como detective para sobreviver. E o filme gira à volta de um dos seus trabalhos: é contratado por um dealer, Kenny Kristo (Dan Stevens), para descobrir quem raptou e matou a sua mulher.
Relutante, Matt aceita o desafio. Desafio esse que se revela não ser muito simples e que se torna uma corrida contra o tempo.
A acção passa-se nos anos '90 em Nova Iorque e parece, de facto, ter sido filmado nessa altura. Não é o filme indicado para quem procura cenas de tiroteios e pancadarias, tem até uma primeira parte parada e sem grande acção. A história não traz nada de novo aos filmes do género e parece-me que apresenta algumas falhas mas consegue, totalmente, prender o espectador ao ecrã. Mais uma vez, não me parece que seja um filme inesquecível ou que vai ficar na história. É um filme que entretém agradável mas que não nos traz nada de novo.
Já li alguns artigos que comparam este A Walk Among the Tombstones com o The Equalizer. Apesar de entender que se possa comparar os protagonistas: são ambos heróis justiceiros que se debatem com os seus demónios e que se reformaram de profissões semelhantes, não me parece que se possa dizer que se querem colocar no mesmo patamar. O The Equalizer é mais ao estilo de ser um blockbuster de Hollywood do que este.
É um bom filme e que carrega uma atmosfera pesada. Essa atmosfera é cortada com alguma ponta de humor pelo sócio de Matt: TJ (Brian 'Astro' Bradley).
Como disse anteriormente, não é um filme que vai ficar para a história. Mas recomendo-o. É um bom filme para um domingo à tarde, para descomprimir. No final não ficamos com nenhum aperto no coração ou com o mundo sobre as costas. É só um filme, que está na categoria de mediano bom. Não ficamos nada desagradados no final, no entanto também não ficamos com a sensação de que acabamos de ver uma obra de arte inesquecível, porque não vimos.





sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sétima Arte | Yves Saint Laurent

O filme Yves Saint Laurent, de 2014, é diferente do que eu estava à espera. Esperava ver um filme centrado na parte da sua vida mais ligada à moda, mas o enfoque vai mais para a sua vida, o seu íntimo, a sua loucura e a sua vida amorosa com Pierre Bergé (Guillaume Gallienne).
Conhecemos Yves (Pierre Niney), nascido na Argélia, com apenas 21 anos, quando é nomeado director criativo da Dior, após a morte de Christian Dior. Yves revela-se um jovem tímido, que apenas quer desenhar.
Para além de trabalhar na magnífica casa Dior, uma das mais consagradas do mundo, tem ao seu lado aquele que será sempre o seu parceiro na vida, mas também o seu parceiro no mundo da moda: Pierre.
Quase tudo muda quando Yves é internado numa clínica psiquiátrica como maníaco-depressivo. É despedido da Dior mas Pierre mantém-se ao seu lado e é ele quem ajuda a construir a Maison YSL, assim como a proteger e promover Yves.
Mais tarde, conhecemos outro Yves Saint Laurent, com quebras emocionais, a abusar das drogas e do álcool. Pierre continua ao seu lado e é ele quem o mantém no caminho certo para produzir grandes espectáculos e revolucionar a moda feminina (o espectador tem a oportunidade de ver o momento de inspiração que conduziu Yves a produzir o icónico vestido Mondrian e também a forma arrojada de como foi promovido o smoking feminino).
Yves Saint Laurent foi um génio que lutava contra os demónios, um revolucionário na sua arte e que, tal como Pierre Bergé conta ao espectador, "só ficava feliz duas vezes no ano, na Primavera e no Outono" quando apresentava as suas colecções.
As interpretações de Pierre Niney e Guillaume Gallienne são boas, não deixam nada a desejar. Podemos ainda ver um bocadinho da convivência entre Saint Laurent e o ainda polémico Karl Lagerfeld (Nikolai Kinski), ainda que seja só em termos pessoais, sem tocar na parte profissional e competitiva entre ambos. E o filme é delicioso aos olhos: recheado de classe, luxo, mansões extraordinárias, vestidos sumptuosos, imagens de Yves e Pierre em Marrocos. Não posso deixar de apontar, pelo lado negativo, o facto de às vezes o filme parece saltar muitas coisas; fiquei com a ideia de que haviam algumas cenas soltas, que devia ter ali "qualquer coisa" a ligá-las.
O filme não é incrível e memorável, mas é um filme bonito. Sim, um filme bonito que poderia muito bem chamar-se Je suis Saint Laurent, porque temos a oportunidade de conhecer o génio perturbado de Yves Saint Laurent através de uma carta escrita pelo homem que melhor o conhecia, a sua cara metade, Pierre, que nunca sai do seu lado.






segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sétima Arte | The Equalizer

Este é o filme que tem tudo para dá certo, mas só dá mais ou menos certo. E porque é que tem tudo para dar certo? Porque junta a dupla do magistral filme de 2001 Training Day: Denzel Washington (valeu-lhe o Óscar de Melhor Actor) e Antoine Fuqua.
O filme dá-nos a conhecer Robert McCall (Denzel Washington), um homem  que tenta deixar o passado para trás, vivendo uma vida recatada e meticulosa (a forma como ele organiza sempre todos os objectos à sua volta leva a crer que sofre de algum transtorno). Robert tem conversas de circunstância com Teri (Chloë Grace Moretz), uma prostituta ao serviço da máfia russa (sim, os russos são os vilões, uma coisa nunca antes vista em filmes norte-americanos!). Depois de Teri ser brutalmente espancada pelo seu patrão, Robert sente-se na obrigação de a ajudar a sair daquele mundo e volta ao seu antigo eu, tornando-se num justiceiro que vai assassinando os maus da fita a sangue frio.
Apesar do filme ter exactamente duas horas e onze minutos, o tempo passa rápido. Não sendo propriamente uma crítica, a maioria das falas parece que foram retiradas de um livro de auto-ajuda. Robert é capaz de ser dos personagens mais badass que já vi e que mantém sempre o rosto mais calmo do mundo mesmo quando está em situações em que o mais comum dos mortais tinha vinte ataques de pânico consecutivos (e não é um ponto negativo, acho até que faz com que as cenas de acção sejam mais intensas). Denzel Washington está bem mas esta não é, de todo, a sua melhor prestação. Apesar de não ser um filme brutal, é um filme que dá para entreter sem margem para dúvidas e que tem alguns pontos bastante curiosos; gosto muito da fotografia e do facto de ser um filme que se passa quase sempre à noite. Vou, certamente, ver o The Equalizer II.
P.S.: A cena de acção no final do filme, que se passa no local de trabalho de Robert, é das melhores cenas de acção que eu já vi. A sério!



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sétima Arte | Lucy

Nas últimas semanas, quando se fala de cinema, o filme Lucy tem sido sempre tema de conversa. Ontem, devido ao estado do tempo (chuva em Agosto, adoro) decidi ir ao cinema e escolhi este filme. E não estou arrependida. O filme tem uma fotografia maravilhosa e ultimamente a fotografia de um filme é o que mais me atrai para ir ao cinema.
Quanto ao filme, parte do mito de que nós apenas usamos 10% das capacidades do nosso cérebro e daquilo que poderia acontecer quando alguém atinge a sua capacidade total. O mesmo mito dá mote a um filme protagonizado por Bradley Cooper: Limitless (que eu também já vi). Apesar de o assunto ser o mesmo em ambos os filmes, as histórias seguem rumos completamente diferentes.
Scarlett Johansson é Lucy, uma rapariga normal que é forçada a fazer a entrega de uma mala (sem saber o seu conteúdo) num hotel. Nessa mala está uma droga experimental que é depois introduzida no estômago de Lucy e mais três pessoas para ser traficada para a Europa. Só que o saco rebenta fazendo com que a droga se espalhe no seu sangue dando-lhe poderes extraordinários. Lucy não sente dor, lembra-se de todas as suas memórias, tem poderes sobre si e sobre os outros, entende outras línguas que não compreendia antes, consegue ler a mente dos outros, viajar no tempo, entre outras coisas que não estão acessíveis ao mais comum dos mortais. Conforme a sua capacidade cerebral aumenta, a história vai sendo intercalada com explicações do Professor Norman (personagem interpretada pelo maravilhoso Morgan Freeman) e por imagens da vida animal.
A partir de um certo tempo do filme, as coisas começam a ficar demasiado surreais sendo que Lucy consegue derrotar quem lhe quer fazer fisicamente mal com apenas um estalar de dedos.
Apesar disso, considero que é um filme que vale a pena ver. Pela fotografia, pela banda sonora que é cativante e encaixa perfeitamente na extravagância do filme e muito por causa da sempre maravilhosa Scarlett Johansson, o papel assenta-lhe na perfeição e é sempre um prazer vê-la no grande ecrã, desta vez no papel de uma badass.
Pelas razões que já enumerei, recomendo o filme mas com alguma moderação porque tem cenas também que para mim são completamente descabidas e arriscava mesmo a dizer que roçam ali no estúpido. No entanto vale a pena ver porque é envolvente, apesar da sua extravagância, quando capta a atenção do espectador consegue-a até ao fim e também pela Scarlett (já tinha dito que ela é maravilhosa?).







P.S.: Apesar de já não ser a primeira vez que a teoria de que os humanos usam apenas 10% do seu cérebro é retratada no cinema, já foi provada, pela comunidade científica, ser errónea. Todos nós usamos a totalidade do nosso cérebro (às vezes ninguém diria mas isso é outro assunto). No entanto, considero que esta ideia é interessante. O Homem já é capaz de fazer e construir coisas absolutamente estonteantes, se isso fosse alcançado com apenas 10% do seu cérebro, era incrível o que poderia ser alcançado se alguém conseguisse chegar aos 100%. Quanto ao filme e uma vez que a teoria não é real, o realizador, Luc Besson, dá-nos a entender que quer que façamos uma viagem para fora da vida real. Nem que seja por uns meros 89 minutos.

P.S. 2: Como era de prever, uma vez que ambos os filmes partem da mesma premissa, há uma grande comparação entre Lucy e Limitless. Como já disse, considero-os bastante distintos por diversas razões. Ambos têm os seus pontos fortes e fracos. Se tivesse de eleger um, optaria por Limitless. É mais terra-a-terra do que Lucy apesar da teoria ser a mesma (e não ser correcta) e por isso é mais o meu estilo de filme. Ainda assim, recomendo ambos os filmes.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mundial de Futebol 2014


Há muita gente que quer esquecer este mundial. Muitas equipas favoritas não passaram sequer da fase de grupos. Nós ficamos pelo caminho cedo de mais. A detentora do título, nuestros hermanos, também ficou por caminho na fase de grupos. O Brasil foi goleado e humilhado pelos alemães. Outros fizeram história, como é o caso da Argélia e a Costa Rica.
Mas desde o início deste campeonato do mundo que a Alemanha deu provas de que era uma equipa muito bem preparada e que estava ali para fazer frente a qualquer outra selecção. Sem medos. A selecção alemã é de luxo, recheada de jogadores brilhantes, apesar de não ter uma figura principal (como o Ronaldo na selecção portuguesa ou o Messi na Argentina). São frios quando jogam e acreditam sempre. Talvez seja esse o segredo desta selecção.
Não queria que a Alemanha fosse até à final mas uma vez lá torci para que levassem a Taça. Porque a mereciam, porque fizeram um trabalho sério e com valor. Fiquei feliz com o golo muito bem executado pelo Gotzë. E não há muito a dizer para além disto, quem leva para casa a Taça é quem a merece levar.

Só quero referir mais uma coisa. Messi leva para casa o prémio de Melhor Jogador do Mundial. O Messi é, como não é preciso dizer, um jogador espectacularmente bom, mas não merecia, de forma nenhuma,receber este prémio porque não foi o Mundial dele, de forma nenhuma mas já nos fomos habituando a ver que a FIFA é um poço de interesses e que faz disto tudo o que bem lhe apetecer. Eu atribuía o prémio a Robben, da Holanda ou a James Rodríguez, da Colômbia e que foi também, e tão jovem, o melhor marcador deste Mundial. Quanto ao Neuer, e apesar de o prémio de Melhor Guarda-Redes do Mundial não me parecer mal atribuído também ficava igualmente bem a Howard dos Estados Unidos.

O golo de Gotzë que leva a Alemanha à vitória

What else?

O melhor marcador do Mundial.

E se eu tivesse de eleger o melhor golo do Mundial, eu escolheria, sem dúvida, o golo de Van Persie logo no início do Mundial, no jogo Holanda - Espanha. Confiram o brilhantismo deste golo:

Obrigada ao Brasil por proporcionar, aos verdadeiros amantes de futebol, um belo espectáculo a todos os níveis. Apesar da polémica, e felizmente, correu tudo pelo melhor e o Brasil organizou um belo mundial.
Em 2018 há mais, até já Rússia!