sexta-feira, 20 de maio de 2016

Por causa do Rui Bragança e de todos os atletas que engrandecem Portugal

Não sou da opinião de que as pessoas devem estar sentadas no sofá à espera que toda e qualquer informação lhes caía no colo como por magia. Com isto quero dizer que acho fundamental ao crescimento (seja cultural, intelectual, etc.) a investigação e a procura. De certo modo é necessário ao crescimento uma espécie de rebelião - saber que não devemos acreditar em tudo aquilo que está escrito dos jornais ou na internet, ter a consciência de que há um mundo inteiro para além do que aquilo que lá está escrito, não acreditar em tudo como se fosse uma verdade absoluta sem investigar a veracidade dos factos. Sim, questionar é um acto de rebelião nos dias que correm!

Quando comento com alguém alguma vitória do Rui Bragança - e ele ganha tantas vezes! - vejo que há um certo ar de confusão na cara de quem me ouve. Aquele ar de confusão que diz "eu não sei de quem estás a falar mas não vou perguntar para não parecer ignorante". Como disse, questionar é um acto de rebelião. Fico perplexa. Tenho acompanhado com alguma atenção a carreira do jovem atleta de Taekwondo que referi anteriormente. Em parte porque é atleta do Vitória e é impossível este ser desconhecido para um vitoriano informado mas também porque gosto de desporto no geral e gosto de saber quem anda a fazer coisas boas lá fora.

Para além de ser atleta do Vitória, também é português. Tenho a consciência de que não conheço todos os atletas que representam de forma honrada o nome de Portugal no estrangeiro mas tento informar-me, tento saber, tento conhecer e louvá-los: desde o ténis à canoagem. Portugal é um país pequeno mas cheio de atletas - e não só - com uma ética de trabalho, energia, empenho e talento incríveis. Extravasa largamente o futebol - e é uma amante de futebol que vos diz isto. Infelizmente a maioria das pessoas não sabe disso e muitas vezes não tentam saber mais porque se não está nos jornais então não deve ser importante..

Há uma espécie de ignorância plantada por alguns meios de comunicação social que fazem capas todos os dias com jogadores de futebol estrangeiros, que vestem três cores de apenas três clubes nacionais. A maioria dos dias com notícias que não contam nada de novo, são só notíciazinhas para encher os bolsos. O problema não está nesses tais jogadores de futebol que de nada disso têm culpa, mas sim dos meios de comunicação e de quem os controla e que prefere dar destaque a quem, muitas das vezes, tem menos talento do que os nossos atletas nacionais que fazem furor no mundo mas que tristemente são postos de lado no país que tanto elevam.

Hoje apenas quero agradecer a esses mesmos atletas. Ao Rui Bragança, o conquistador que se sagrou ontem Campeão Europeu de Taekwondo. Deixem-me corrigir: Bicampeão! Talvez seja Tricampeão em breve. Não tenho muitas duvidas quanto a isso e acredito piamente que vá acontecer. Provavelmente não será motivo de abertura de telejornais, não vai provocar uma celebração nas praças principais de todas as cidades portuguesas, não vai inundar as redes socais nem vai ser alvo de edições especiais de revistas ou jornais. Em Portugal há sempre dois pesos e duas medidas - até para os Tricampeões.

Vou repetir aqui o que já disse sobre o João Sousa: é outro atleta demasiado grande para capas de jornais destes. Escrevi este texto por causa do Rui Bragança que foi campeão ontem mas que quase nenhum destaque teve hoje, mas podia ter sido por qualquer outro atleta que eleva o nome de Portugal. São tantos! A eles o meu mais sincero agradecimento por fazerem de Portugal um país maior e que é referido muitas vezes por causa de vocês - sempre por bons motivos. São enormes!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Avalanches

Foto: O Lado V
Qualquer balanço que se possa fazer da época que terminou no passado sábado relativamente ao percurso da equipa A será, por certo, negativo. Há um provérbio português do qual eu não sou particular fã mas que me parece adequado à situação: quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Faz sentido se devidamente adequado à situação do Vitória na época 2015/2016. A verdade é que o caminho, iniciado na Áustria para a Liga Europa, foi tortuoso e chegou mesmo a ser penoso ver a forma como a equipa se arrastava apática pelos relvados que pisava.

Ao longo da temporada fui dando a minha opinião sobre a situação do Vitória - sempre com a intenção de contribuir e nunca de estar contra ninguém pessoalmente - e abordei os problemas que me pareceram mais pertinentes. Em suma, o grande problema esteve sempre na época preparada em cima do joelho e numa aposta tímida na vertente desportiva. Tenho poucas (ou nenhumas) dúvidas disso.

Toda a época foi, figuradamente, uma espécie de avalanche. Uma avalanche ocorre quando uma massa de neve se movimenta de forma súbita e rápida até ao vale, acumulando mais massa de neve na descida. Arrasta com ela praticamente tudo aquilo que encontra pela frente. Pode ser causada por vários factores, sendo um deles a acção de ventos fortes. Devem estar a perguntar-se como é que um fenómeno extremo da natureza está relacionado com a época do Vitória. Eu explico mas é necessário que façam, como eu, o exercício de tentar estender o tempo de uma avalanche real ao tempo de uma época desportiva - ou seja, tudo vai ser mais moroso e nunca tão estrondoso como a realidade. Podemos desde já concluir que o vale é o fim da avalanche e, neste caso, o vale é o 10º lugar da tabela classificativa e a eliminação prematura das restantes competições. A causa - ou seja, os ventos fortes - é, como referi no parágrafo anterior, a época mal preparada. A massa de neve que a avalanche acumula na sua descida até ao vale são, basicamente, os problemas. De problemas tivemos a nossa dose e refiro apenas dois exemplos: o erro de casting Armando Evangelista e o erro de trazer para o Vitória um número elevado de emprestados. Sérgio Conceição foi a solução encontrada para tentar parar a avalanche (é impossível parar uma avalanche na realidade principalmente porque acontecem com demasiada rapidez, mas vamos imaginar que sim só por uns minutos) - uma acção imediata para tentar pará-la a meio do caminho; vamos supor que é uma espécie de uma placa gigante que impede a passagem da referida massa de neve. O problema é que acções imediatas raramente apagam os problemas de raiz. Resumidamente: a natureza é soberana! Por isso mesmo a placa cede, apesar de proporcionar janelas de bom tempo que dão esperança de que a tempestade já passou e que, apesar de todos os danos, vai amainar e trazer consigo o bom tempo. Eu tive esperança com o Sérgio Conceição e acreditei ser possível alcançar o mínimo dos objectivos. Não foi. A placa, que nunca esteve realmente ancorada, eventualmente cedeu com uma série de doze jogos sem vencer. Já sem esperança caiu com estrondo! Convém realçar, antes de prosseguir, que a placa cede em resultado de dois factores: em primeiro por causa da massa de neve, ou seja, todos os problemas e erros acumulados, mas também devido ao material da placa, isto é, devido ao trabalho de Sérgio Conceição. Julgo, no entanto, que o primeiro factor é mais responsável.

É desta forma que vejo a época do Vitória. Há, no entanto, diferenças inegáveis e evidentes entre uma avalanche e uma época desportiva de um clube de futebol, nomeadamente do Vitória: a avalanche não pode ser prevista e é uma manifestação espontânea da natureza. A minha comparação pode ser ligeiramente extrema, tola e ridícula mas para mim faz sentido - ao contrário do 10º lugar, que como já disse não condiz com a nossa história, o nosso ADN ou o nosso nome.

Como em tudo a avalanche é uma moeda de duas faces. Não quero que o Vitória faça um campeonato tranquilo! Geralmente a tranquilidade e sossego não são o caminho para o sucesso. O caminho para o sucesso é, salvo raras excepções, montanhoso e difícil. Uma avalanche pode ser, como descrevi anteriormente, desastrosa e um sinal de que as coisas estão más. O que a maioria das pessoas não sabe é que as avalanches são necessárias, vão ocorrer sempre e podem ser positivas - é um mecanismo que restaura o equilíbrio natural e assegurar uma posição mais durável e segura, uma vez que a tal massa de neve é expelida porque é um excesso, e pode até construir novos habitats. Pequenas avalanches podem também prevenir avalanches maiores. É a forma da natureza funcionar e criar harmonia. As avalanches do Vitória têm sido, infelizmente, mais destruidoras do que positivas. Por isso mesmo está na hora de mudar o cenário.

"Loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes". Esta definição de loucura, atribuída a Einstein mas sem absoluta certeza de que teve origem no mesmo, é uma noção básica da vida. Para mudar o cenário é necessário mudar a preparação e as políticas e nunca esperar que estas se mudem sozinhas. Está na hora de restaurar o equilíbrio, voltar ao nosso curso e seguir a nossa história. Está na hora de ter o nosso Vitória de volta!

Já perdi a conta às vezes que me perguntaram "mas afinal o que é que tu ganhas por seres do Vitória?" ou "quando foi a última vez que festejaste o campeonato?". Naturalmente eu não respondo e não me deixo incomodar por perguntas ignorantes. Nem sequer me dou ao trabalho de responder ou tentar explicar o meu (nosso) amor a quem mede o amor pelo número de títulos ou jogos ganhos. Eles medem o amor deles porque é dependente de uma qualquer variável e é finito. O meu (nosso) não, portanto não o posso medir. É independente e pode até ser incompreensível para muitos. Principalmente para os que nos dias que correm vestem uma camisola que deixam no armário durante todo o ano ou para os que mudam de cor conforme o desfecho da época. É fácil apoiar certos clubes quando estes ganham, uma e outra vez, ou quando as televisões e jornais estão infestados com essas cores. Seria fácil pintar a cidade de vermelho, festejar até às 4 ou 5 horas da manhã, ir para as redes sociais declarar amor a um clube que está sempre a ganhar (não vamos discutir a legitimidade disso agora, mas dava panos para mangas). Seria fácil se Guimarães não fosse... Guimarães. O que vou dizer a seguir é um cliché, um chavão mas a maior das verdades. O melhor do mundo é amar o difícil. Amar o Vitória é, seguramente, difícil. No entanto é isso que fazemos. Não por imposição ou porque nascemos todos programados para tal mas porque o símbolo, onde se pode ver D. Afonso Henriques, nos apaixona. Cada vez mais. Avalanche atrás de avalanche - independentemente do quão destruidoras são!

P.S.: Não posso terminar sem deixar de dar os parabéns ao Rui Vitória pelo seu sucesso individual enquanto treinador. Um homem íntegro, com respeito por si e pelos seus adversários e um profissional cheio de qualidade. Nunca duvidei de nada disso!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O momento cómico dos Globos De Ouro...

foi quando o Agir ganhou numa categoria em que estavam nomeadas artistas como Mariza e Ana Moura. Fiquei dez minutos a olhar para a televisão para ter a certeza que era verdade. Depois desatei a rir porque não havia outra reacção possível. Podia chorar, mas não sou tão dramática assim. Pronto, é isto.

O do costume!

A semana passada entrou no TOP 30, esta semana leva Portugal pela primeira vez ao vigésimo oitavo lugar, o novo máximo da carreira e de um tenista português. Nada é impossível para um conquistador e aqui está a prova disso. Tenho a certeza que ainda há muitos feitos históricos pela frente e sei que vou voltar a escrever sobre o nosso campeão outra vez cheia de orgulho. Obrigada João!

terça-feira, 10 de maio de 2016

O peso deste símbolo

Foto: O Lado V
Com a época decidida há já algumas semanas, é fulcral que a próxima já esteja a ser planeada e preparada para que os erros que se cometeram esta época e que nos vão deixar numa atípica posição da tabela classificativa que em nada respeita ou condiz com a nossa história não voltem a ser repetidos. Nos últimos jogos, e parafraseando Dostoiévski, "o mais importante é a honra e o dever". Infelizmente os objectivos não foram cumpridos (a manutenção não é um objectivo, é uma obrigação) e quando assim é só resta defender a honra do símbolo e do colectivo e cumprir o dever individual de fazer o máximo para que tal aconteça.

Uma das questões fundamentais, e que acredito já estar resolvida internamente, é a continuação de Sérgio Conceição ou a solução encontrada para ser o seu sucessor. Os vitorianos continuam divididos e apesar de Pedro Martins já ter sido apontado como seu sucessor, nada está confirmado de nenhuma das partes. A verdade é que o contrato de Sérgio Conceição termina no final da temporada. Por mim Sérgio Conceição não continua à frente da equipa vitoriana pelas mesmas razões que eu não queria que viesse para o Vitória em primeiro lugar: continuo a achar que não tem qualidade suficiente para treinar o Vitória e continuo a achar que é psicologicamente instável e desde que chegou não me convenceu totalmente, não me convenceu de que está à altura do símbolo que carrega. Não considero que seja o maior responsável pela época péssima do Vitória, principalmente porque não preparou a equipa e encontrou no Vitória uma equipa desmotivada, mal preparada e montada pelo treinador anterior. Com isto não pode ser ilibado de toda a culpa porque também a tem. A gestão desportiva foi péssima até no penúltimo jogo (não compreendo a lógica de continuar a apostar em jogadores emprestados - que em princípio não continuarão - ao invés de apostar nos nossos e nos que estarão cá na próxima época). Destaco positivamente a coragem para apostar em Miguel Silva no Bessa - o dono e senhor da nossa baliza. No entanto, os números também não mentem e dos 28 jogos que disputou para o campeonato (disputou mais dois, para a Taça CTT e Taça de Portugal que resultaram na eliminação de ambas as competições), 11 terminaram em derrota, 9 em empate e somou apenas 8 vitórias. Para além dos números, as exibições deixaram muito a desejar na maioria dos jogos - algumas delas, como em Coimbra, foram francamente más-, apesar de algumas exibições mais positivas mas nada de extraordinário e mesmo essas foram positivas mais pelo esforço e dedicação (admito que  a "mão" de Sérgio Conceição possa ter sido decisiva para motivar a equipa) do que pela qualidade. O balanço que faço é de que foi uma solução razoável (não a melhor) para substituir Armando Evangelista mas sem capacidade ou qualidade para fazer o Vitória cumprir os objectivos a que se deve propor no início de cada época - um deles passa por ficar nos primeiros lugares da tabela classificativa e não a meio da mesma!

Do jogo do último domingo, que finalmente quebrou o ciclo de doze jogos sem vencer, deixo três notas:
- Preocupa-me cada vez mais o gradual afastamento dos adeptos. É verdade que ontem o tempo não ajudava em nada (e na maioria dos jogos esteve mais ou menos assim), era um jogo "a feijões" e estamos todos descontentes com esta época mas eu cresci no estádio com as bancadas sempre bem preenchidas e portanto custa-me muito vê-las despidas!
- Não assobiei o Victor Andrade quando este entrou em campo por uma simples razão: tinha a camisola do Rei vestida. Compreendo os assobios no fim do jogo ou quando um jogador sai de campo mas não compreendo os assobios a um jogador que está a entrar em campo para representar o nosso símbolo. Já disse anteriormente que sou contra a política dos emprestados e por mim o Victor Andrade não estava no Vitória e muito menos entrava em campo ontem quando os nossos estavam no banco, mas está e entrou e a culpa não é dele. Nunca assobiei e nunca vou assobiar um jogador que entra em campo para representar e defender o símbolo que eu amo - pelo menos conto que todos entrem em campo com esse objectivo.
- A minha nota anterior não pretende justificar as atitudes deste jogador porque depois depois do que ele fez não o podia defender de forma nenhuma. Valorizo o respeito acima de qualquer outra coisa. Quem desrespeita o Vitória, desrespeita-me a mim. Não admito a ninguém, seja a quem for. Quem deita a camisola ao chão não merece nunca mais vesti-la! Seja uma atitude de raiva ou uma atitude de menino mimado que não tem respeito por ninguém. Espero que tenha sido severamente repreendido por alguém da estrutura interna do Vitória e dispensado imediatamente. Quem não sente o peso deste símbolo não merece representá-lo!

A contrastar com a falta de respeito de quem nada entende temos os nossos conquistadores que cumpriram vários objectivos esta semana. Em Lisboa, a equipa B aplicou chapa 4 no Sporting B e garantiu assim a manutenção (o último jogo da época é em casa na próxima sexta-feira e merecem totalmente o nosso apoio uma última vez). As conquistadoras do basquetebol conseguiram garantir a subida à 1ª liga. Por fim, e apesar de não ser um atleta do Vitória, não posso deixar de referir um dos nossos conquistadores que eleva o nome de Portugal, de Guimarães e também do Vitória: João Sousa, que alcançou o 30º lugar, ou seja, a melhor posição de sempre no ranking ATP. Todos eles merecem o nosso agradecimento e os nossos aplausos por fazerem o Vitória ainda mais grandioso!

O final da temporada é sempre um momento de fazer balanços, e eu vou fazendo os meus. Enquanto faço balanços, também tiro algumas conclusões. A maior conclusão que tiro sempre é que este amor é eterno e incondicional, seja no 3º lugar ou no 9º lugar, corram as coisas bem ou mal, chova ou faça sol. É, sem dúvida nenhuma, até morrer! Este fim-de-semana tirei outra conclusão muito importante: por cada atleta que desrespeita o Vitória, há um sem número de atletas que fazem do Vitória maior - as nossas conquistadoras do basquetebol, os atletas que pisaram o relvado no intervalo e que ganham tanto pelas mais diversas modalidades, o conquistador do ténis e todos os atletas que não representam o Vitória mas que fazem questão de referir qual o clube que apoiam, entre tantos outros - todos aqueles que se preocupam mais com o símbolo que carregam na frente da camisola do que com o nome que está escrito atrás! Esses, e unicamente esses, são os que vale a pena manter porque entendem o peso deste símbolo. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Conquistador fez história, mais uma vez

Ontem o João voltou a ser histórico. Chegou ao TOP30 mundial e chegou, pela primeira vez na carreira, aos quartos-de-final de um ATP Masters 1000. Escreveu, mais uma vez, um capítulo de ouro na história do ténis e do desporto português. Voltou a ser histórico e a pôr o nome de Portugal em destaque. Os jornais desportivos reservaram-lhe um cantinho nas suas capas. Voltaram a dar destaque a sensacionalismos e a personagens que não trazem nada de novo ao futebol ou ao desporto português. Não me surpreendeu. Afinal, o João é muito maior do que as capas desses jornais que pouca ou nenhuma qualidade têm. Qualidade tem o João! Por isso é muito grande para esses pedaços de papel. Independentemente do que acontecer hoje frente ao Nadal, o rei da terra batida e um dos melhores jogadores de sempre, já conquistou mais um pedaço de história. Continua a ser um estandarte de Portugal e de Guimarães. Por isso hoje somos todos pelo João. Não tem as capas desses pasquins mas tem o apoio de todos os portugueses. Isso é muito mais importante. O jogo começa a partir das 15:00. Talvez seja dia para voltar a fazer história!
De qualquer das formas: obrigada João!


terça-feira, 3 de maio de 2016

ADN do Rei

Foto: O Lado V
O Vitória foi defrontar o Lisboa ao Estádio da Luz mergulhado numa série de maus resultados e, pior do que isso, mergulhado numa série de exibições em nada satisfatórias. Os maus resultados mantiveram-se, com uma derrota que aumentou para doze o número de jogos sem vencer mas o Vitória não foi o mesmo. Finalmente vimos uma equipa entrar no relvado com atitude, garra e muita vontade de vencer. Uma equipa que sabia o que fazer à bola. Infelizmente isso aconteceu contra o filho querido de um sistema sujo, gasto e podre que é o futebol português. Não é novidade nenhuma que há um sem número de factores que pesam no resultado mas que são decididos bem longe das quatro linhas. Afinal, o jogo da primeira volta quando descaradamente nos foram roubados pontos na nossa própria casa não é uma memória assim tão distante. Pela segunda vez esta época o Vitória defrontou um Lisboa que não apresenta um futebol extraordinário (nem com o tão anunciado futuro melhor do mundo que supostamente vale 40M€ Renato Sanches, que acabou por ser substituído) e seria uma equipa normal, não fosse uns tantos ajudantes que por aí andam. Para não me alongar muito, algumas notas:

- Perguntei-me algumas vezes no decorrer do jogo o porquê de Bruno Paixão continuar como interveniente do escalão máximo do futebol português. Claramente um milagre... se eu acreditasse neles. Eu já sabia a resposta, principalmente porque não comecei a ver futebol ontem. Indivíduos incompetentes como Paixão, Xistra e companhia ainda não foram eliminados do futebol porque com eles se fazem, na maioria das vezes, campeões. A incompetência deste árbitro foi manifesta: o Eliseu não acabava a primeira parte depois daquele pontapé ao Hurtado que, tenho a certeza, deixou o Anderson Silva a corar de vergonha (e que, surpresa das surpresas resultou em falta contra o Vitória) mas só foi amarelado depois do golo quando decidiu dar uma palmadinha no nosso jogador. Enquanto isso os nossos jogadores viram quatro cartões amarelos em trinta minutos e sete no total, sendo que este foi o jogo em que os jogadores vitorianos viram mais cartões durante toda a época. Sérgio Conceição foi obrigado a assistir a mais de metade da partida da bancada sabe-se lá porquê. Talvez porque, nas palavras do próprio, "estávamos a bater o pé ao Benfica". Paixão a ser... Paixão. A impor as suas preferências e a gerir o jogo através do medo e da autoridade e nunca através do respeito que geralmente é fruto de um trabalho coerente e justo. Isso ele não sabe ser. Pior do que ele é quem o selecciona cuidadosamente para arbitrar estes jogos e compactua com a fraude que é, e sempre foi. Se houvesse algum tipo de verdade desportiva em Portugal, Paixão nem a arbitrar jogos das distritais tinha lugar.

- O Lisboa está habituado a que todos se ajoelhem e lhes facilitem a vida. Quando isso não acontece revoltam-se. Revoltaram-se durante o jogo e depois. Ver o jogo na BenficaTV só por si já é um martírio, um verdadeiro esforço. Durante o intervalo lá estava um comentador, de quem não me interessa saber o nome porque ele não se dignificou em saber o nosso, a choramingar e a queixar-se que "eles estão a jogar para intimidar o Benfica" e "o anti-jogo deles não honra o futebol". Continuou nesse registo de vitima e coitadinho. Não se lembrou do anti-jogo ao estilo de equipa pequena que está a ser pressionada que eles adoptaram no final do jogo e muito menos se lembrou do quanto desonram o futebol com o famoso colinho. A habitual coerência! Só sabem chorar. Choram e choram e choram quando as coisas não correm como planeado. Choram como se algum dia respeitassem a ética ou a verdade desportiva. Choram como se o Eliseu não merecesse ser expulso na maioria dos jogos. Choramingam porque são os filhos queridos e têm tudo de bandeja. Quando não têm... choram! No final, já depois de terem ganho um jogo que não mereciam ganhar choraram mais um bocadinho. Começou com o director de comunicação do Lisboa a tentar ser engraçado no twitter. Chorou. Depois foi a vez de o vice-presidente chorar. Questionou-se sobre o porquê de o Vitória ter jogado como jogou contra eles. Talvez este individuo não se lembre que, por exemplo, o Sporting veio empatar a Guimarães. Por fim, outro comentador, que já não surpreende ninguém pela sua incompetência e falta de postura, chorou. Afirmava com toda a certeza que o Sérgio Conceição disse aos jogadores que estava em jogo um prémio de 280 mil euros. Não sei se o Benfica põe escutas no balneário do adversário ou se tem infiltrados agentes secretos em todas as equipas adversárias visto que é pelo menos a segunda vez que boatos destes são lançados. A minha teoria é a de que Pedro Guerra não sabe o que diz e não tem noção dos disparates. Só chora, jornada atrás de jornada no sítio onde, infelizmente, lhe dão tempo de antena.

- Eles choram e a direcção deixa-os chorar. Eles roubam e a direcção deixa-os roubar. Tem sido assim. Um silêncio que compactua com aquilo que se tem passado. Mais uma vez, e não é a primeira vez que falo disto, a direcção calou-se e ninguém, para além do treinador, foi capaz de defender publicamente os interesses do Vitória. A anestesia da direcção irrita-me. Eles falam e choram e dizem um sem fim de disparates a atacar o Vitória e prejudicam deliberadamente o Vitória e ninguém fala, ninguém procura explicações. Ninguém que conhece minimamente a história do Vitória e de Guimarães, que estão intimamente ligadas, é capaz de ser subserviente e de se ajoelhar a quem tem mais poder. Isso é o que a direcção tem feito. Dom Afonso Henriques conquistou a independência porque lutou e lutou até conseguir o que pretendia. Conseguiu sem nunca se ajoelhar aos pés de ninguém, sem nunca compactuar com os poderosos e sem consentir. É essa a nossa história e por isso eu não aceito este silêncio, nem compreendo. Um dos maiores erros da direcção, a par da falta de um plano desportivo a médio/longo prazo e da pobre gestão desportiva, é o de continuar a apanhar as migalhas que caem da mesa em vez de tentar ter um lugar nela. O Vitória não é um clube que se ajoelha, o Vitória é o clube que faz os outros ajoelharem-se perante si. Isso é parte do nosso ADN, tentar contrariá-lo é imprudente e de uma profunda falta de conhecimento.

- Não posso deixar de saudar todos os adeptos do Vitória que foram à Luz apoiar a equipa. É difícil fazê-lo a uma sexta-feira porque há sempre trabalho e/ou aulas - eu sei, porque já o fiz. Os vitorianos marcaram presença num estádio que só tem as bancadas completas quando o clube está prestes a sagrar-se campeão (mas nem assim fazem barulho o suficiente e só cantam e apoiam quando estão a ganhar e o jogo prestes a terminar). São seis milhões e 98% são adeptos de sofá - que ontem não chegaram a 25 mil no jogo para a Taça CTT e o Seixal está sempre às moscas para ver jogar a equipa B (e todos sabemos o que é que atrai as moscas...). É triste que, sentados no sofá sem gastar 1€ para apoiar a equipa, ainda sejam cegos ao ponto de escrever comentários inflamados nas redes sociais sobre adeptos que fazem uma viagem cansativa e longa a uma sexta, dia de trabalho, e que não é de graça. Podem ser seis milhões, ou o número que quiserem inventar para se sentir superiores, mas a pequenez que os caracteriza é assustadora. Deviam mostrar respeito aos adeptos que têm a grandeza que eles almejam um dia ter!

Entristece-me ver o futebol português continuar neste ciclo vicioso do qual não parece encontrar saída. Persiste uma dualidade de critérios preocupante e que em nada beneficia o futebol. Continuam pessoas com algum peso no mundo do futebol que nunca deviam ter feito algum dia parte dele. Ontem o Leicester sagrou-se campeão porque os jogos decidem-se dentro das quatro linhas, sem bastidores. Anseio pelo dia em que o mesmo possa acontecer aqui. Em que a verdade e ética desportiva estejam na ordem do dia e em que todos tenham igualdade de oportunidades. Não será amanhã, ou para o ano. A liberdade ainda não chegou ao futebol. Um dia chegará, espero. Com as pessoas, mentalidade e atitudes certas. Entretanto, clubes com tudo para triunfar como o Vitória têm de lutar e não se podem vergar nunca. Afinal de contas, somos descentes directos do Rei, somos conquistadores. O Rei está gravado na nossa peleComo disse, o Rei nunca se ajoelha perante ninguém. Os outros ajoelham-se perante o Rei. Sempre!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

LEICESTER

Num dos jogos que vi do Leicester reparei que tinham escrito no túnel de acesso ao relvado a palavra Fearless. Sem medo. Quando entraram no relvado entravam assim, sem medo. Fosse em que relvado fosse, fosse contra quem fosse. Entravam a olhar nos olhos do adversário. Sabiam o que tinham de fazer dentro das quatro linhas. Faziam-no sem medo. Tornaram-se os campeões de Inglaterra há apenas umas horas. Fizeram história. Honraram o futebol. Honraram a verdade no futebol. O sonho comanda a vida. Eles sabiam-no desde o início e mostraram ao mundo inteiro. Fizeram-no com a atitude certa, a mentalidade adequada e a estrutura ideal. Fizeram-no com vontade, dedicação, trabalho, lágrimas, sangue e suor. Fizeram-no contra todas as expectativas. O sonho comanda a vida e o Leicester é, pela primeira vez na sua história de 132 anos, campeão de Inglaterra. Hoje ganhamos todos porque o futebol ganhou. PARABÉNS LEICESTER!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Inaceitável

Há dias em que os três pontos são de importância menor. Esses dias são os dias em que perdemos um dos nossos. No sábado perdemos o Diogo, um conquistador. Para além das homenagens e das ovações - antes do início do jogo e ao minuto 31, o número da camisola que envergou na equipa B do Vitória - o triunfo era para ele. Não pelos três pontos, nem pela tabela classificativa mas especialmente para ele, para honrar o nome de um jovem cheio de sonhos e aspirações que, acredito, queria muito vestir de Rei ao peito. Infelizmente a concretização desses triunfos não foi possível, nem no D. Afonso Henriques nem no Seixal apesar dos quatro golos marcados por ambas as equipas - e dedicados, com muita emoção, ao Diogo.

Ao longo da história, as muralhas do nosso estádio têm estado bem protegidas para receber o Estoril. O histórico de confrontos não mente: dos 30 jogos disputados, 22 acabaram com o Vitória a manter os três pontos em Guimarães, enquanto que nos restantes oito contamos com quatro derrotas e, com o empate a uma bola no Domingo, quatro empates. Uma supremacia que não se viu em nenhum momento durante os noventa minutos de jogo, apesar de ter sido o Vitória a estar em vantagem.

O futebol apresentado por ambas as partes deixou muito a desejar. Mais um jogo muito pouco conseguido e, mais uma vez, uma equipa apática e anestesiada sem saber muito bem o que fazer à bola, sem conseguir construir uma jogada em condições e a falhar passes de forma preocupante. Sofremos o golo do empate num lance atrapalhado e que devia - e me parece que podia - ter sido evitado.

Começo a questionar-me, com alguma preocupação, se esta série se vai manter até ao final da época e se vamos chegar aos vergonhosos (não gosto da palavra e nunca me vou envergonhar de ser do Vitória mas parece-me adequada) 14 jogos sem vencer porque a verdade é que os jogos que temos pela frente não são nada fáceis. Este foi o 11º e infelizmente as bancadas já se estão a ressentir. Os números oficiais, retirados do site da liga, dão conta de que estiveram presentes 10061 espectadores. Para o panorama nacional não é um mau número sendo que só um dos jogos reuniu mais adeptos do que o nosso: o de Alvalade. Ainda assim parece-me um número modesto para um domingo à tarde de sol e calor, o ideal para ver futebol. Nas condições normais, e em condições normais o Vitória teria objectivos pelos quais lutar ou, a três jogos do término da época, já os tinha alcançado (e por objectivos não me refiro à manutenção, que foi a única coisa que alcançamos). Dói-me ver este afastamento entre os adeptos e a equipa, que infelizmente não é de hoje mas que tem acontecido ao longo das últimas épocas. Há muitas formas de protestar e a forma que as claques encontraram para o fazer pareceu-me boa: pacífica e com impacto. Não é pelos protestos que os adeptos deixam de ser menos vitorianos ou deixam de se preocupar com o clube, como já li. Os protestos, seja sob que forma for, são uma demonstração de interesse e não o contrário. Ninguém discute porque não se importa. O mesmo se aplica nesta situação. Diz o ditado que quem não se sente não é filho de boa gente. Portanto pode ser que sirva para abrir os olhos a quem tem andado com eles fechados.

A equipa B, que defrontou o Benfica B no Seixal, está bem encaminhada para se manter na segunda liga. Um empate difícil a três bolas e conseguido ao minuto 90 + 5. Os golos foram apontados pelo Raphinha, Areias e Hélder Ferreira. Na tabela classificativa, o Vitória B encontra-se na 15ª posição com 53 pontos. No entanto, as três jornadas que ainda faltam disputar não vão ser fáceis: recebemos o Sp. Covilhã que está na 14ª posição com um ponto a mais do que nós e o Porto, que está bem posicionado para ser campeão intervalados com a deslocação ao Sporting, o 8º classificado. São jogos difíceis mas dos quais é possível obter resultados positivos. Principalmente com o nosso apoio.

Por fim, e servindo-me da tarja colocada pelos White Angels, também pergunto: a que horas joga o Vitória? A que horas é que todos os que estão do Vitória se apercebem da grandeza, mística, bairrismo, amor e paixão deste clube? Continuamos no mesmo caminho, derrota após derrota. Qualquer pessoa que diga que são ciclos que temos de aceitar não conhece o Vitória, muito menos a sua história ou as suas gentes. Não aceito nem me conformo. No dia em que fizer isso entrego o meu cartão de sócia e isso não vai acontecer, nem hoje nem amanhã. Estamos mergulhados numa situação inaceitável. Infelizmente não sei a que horas joga o Vitória mas está na hora de o termos de volta. O nosso Vitória, não o deles.

A nossa casa

Quem me conhece minimamente ou quem me acompanha através do blogue sabe que sou apaixonada pelo espaço e pela área da astronomia, apesar de o fazer de uma forma muito simplista porque não tenho conhecimentos aprofundados sobre o tema. Tudo o que aprendo é através da leitura, documentários e coisas do género, nada formal.
Acho que o momento em que nos apercebemos da dimensão do espaço acabamos por conseguir pôr tudo em perspectiva. A maioria dos problemas que julgamos ter nem sequer são problemas. Olhar para o espaço é uma lição de humildade. Provavelmente a maior lição de humildade possível.
Tudo isto para dizer que estou viciada numa aplicação que descobri recentemente e que transmite em directo da International Space Station e é difícil tirar os olhos do ecrã porque a vista nunca cansa. Não há fronteiras, nem religiões, nem ideologias, nem raças a separar-nos. Vivemos todos na mesma "casa". Todos os conflitos, guerras e discussões são injustificáveis. O dinheiro e o poder são obsoletos. O que conta no fim é a compaixão, os laços que criámos e o amor, qualquer forma de amor.
As fotos que se seguem foram tiradas na aplicação, que é provavelmente a minha nova aplicação favorita de sempre. Também é possível ver a NASA TV e tem o mapa da trajectória da ISS a acompanhar. Ainda melhor: é grátis. Não sei porque é que não descobri isto antes mas agora julgo que é um privilégio e estou completamente encantada!