segunda-feira, 16 de maio de 2016

O do costume!

A semana passada entrou no TOP 30, esta semana leva Portugal pela primeira vez ao vigésimo oitavo lugar, o novo máximo da carreira e de um tenista português. Nada é impossível para um conquistador e aqui está a prova disso. Tenho a certeza que ainda há muitos feitos históricos pela frente e sei que vou voltar a escrever sobre o nosso campeão outra vez cheia de orgulho. Obrigada João!

terça-feira, 10 de maio de 2016

O peso deste símbolo

Foto: O Lado V
Com a época decidida há já algumas semanas, é fulcral que a próxima já esteja a ser planeada e preparada para que os erros que se cometeram esta época e que nos vão deixar numa atípica posição da tabela classificativa que em nada respeita ou condiz com a nossa história não voltem a ser repetidos. Nos últimos jogos, e parafraseando Dostoiévski, "o mais importante é a honra e o dever". Infelizmente os objectivos não foram cumpridos (a manutenção não é um objectivo, é uma obrigação) e quando assim é só resta defender a honra do símbolo e do colectivo e cumprir o dever individual de fazer o máximo para que tal aconteça.

Uma das questões fundamentais, e que acredito já estar resolvida internamente, é a continuação de Sérgio Conceição ou a solução encontrada para ser o seu sucessor. Os vitorianos continuam divididos e apesar de Pedro Martins já ter sido apontado como seu sucessor, nada está confirmado de nenhuma das partes. A verdade é que o contrato de Sérgio Conceição termina no final da temporada. Por mim Sérgio Conceição não continua à frente da equipa vitoriana pelas mesmas razões que eu não queria que viesse para o Vitória em primeiro lugar: continuo a achar que não tem qualidade suficiente para treinar o Vitória e continuo a achar que é psicologicamente instável e desde que chegou não me convenceu totalmente, não me convenceu de que está à altura do símbolo que carrega. Não considero que seja o maior responsável pela época péssima do Vitória, principalmente porque não preparou a equipa e encontrou no Vitória uma equipa desmotivada, mal preparada e montada pelo treinador anterior. Com isto não pode ser ilibado de toda a culpa porque também a tem. A gestão desportiva foi péssima até no penúltimo jogo (não compreendo a lógica de continuar a apostar em jogadores emprestados - que em princípio não continuarão - ao invés de apostar nos nossos e nos que estarão cá na próxima época). Destaco positivamente a coragem para apostar em Miguel Silva no Bessa - o dono e senhor da nossa baliza. No entanto, os números também não mentem e dos 28 jogos que disputou para o campeonato (disputou mais dois, para a Taça CTT e Taça de Portugal que resultaram na eliminação de ambas as competições), 11 terminaram em derrota, 9 em empate e somou apenas 8 vitórias. Para além dos números, as exibições deixaram muito a desejar na maioria dos jogos - algumas delas, como em Coimbra, foram francamente más-, apesar de algumas exibições mais positivas mas nada de extraordinário e mesmo essas foram positivas mais pelo esforço e dedicação (admito que  a "mão" de Sérgio Conceição possa ter sido decisiva para motivar a equipa) do que pela qualidade. O balanço que faço é de que foi uma solução razoável (não a melhor) para substituir Armando Evangelista mas sem capacidade ou qualidade para fazer o Vitória cumprir os objectivos a que se deve propor no início de cada época - um deles passa por ficar nos primeiros lugares da tabela classificativa e não a meio da mesma!

Do jogo do último domingo, que finalmente quebrou o ciclo de doze jogos sem vencer, deixo três notas:
- Preocupa-me cada vez mais o gradual afastamento dos adeptos. É verdade que ontem o tempo não ajudava em nada (e na maioria dos jogos esteve mais ou menos assim), era um jogo "a feijões" e estamos todos descontentes com esta época mas eu cresci no estádio com as bancadas sempre bem preenchidas e portanto custa-me muito vê-las despidas!
- Não assobiei o Victor Andrade quando este entrou em campo por uma simples razão: tinha a camisola do Rei vestida. Compreendo os assobios no fim do jogo ou quando um jogador sai de campo mas não compreendo os assobios a um jogador que está a entrar em campo para representar o nosso símbolo. Já disse anteriormente que sou contra a política dos emprestados e por mim o Victor Andrade não estava no Vitória e muito menos entrava em campo ontem quando os nossos estavam no banco, mas está e entrou e a culpa não é dele. Nunca assobiei e nunca vou assobiar um jogador que entra em campo para representar e defender o símbolo que eu amo - pelo menos conto que todos entrem em campo com esse objectivo.
- A minha nota anterior não pretende justificar as atitudes deste jogador porque depois depois do que ele fez não o podia defender de forma nenhuma. Valorizo o respeito acima de qualquer outra coisa. Quem desrespeita o Vitória, desrespeita-me a mim. Não admito a ninguém, seja a quem for. Quem deita a camisola ao chão não merece nunca mais vesti-la! Seja uma atitude de raiva ou uma atitude de menino mimado que não tem respeito por ninguém. Espero que tenha sido severamente repreendido por alguém da estrutura interna do Vitória e dispensado imediatamente. Quem não sente o peso deste símbolo não merece representá-lo!

A contrastar com a falta de respeito de quem nada entende temos os nossos conquistadores que cumpriram vários objectivos esta semana. Em Lisboa, a equipa B aplicou chapa 4 no Sporting B e garantiu assim a manutenção (o último jogo da época é em casa na próxima sexta-feira e merecem totalmente o nosso apoio uma última vez). As conquistadoras do basquetebol conseguiram garantir a subida à 1ª liga. Por fim, e apesar de não ser um atleta do Vitória, não posso deixar de referir um dos nossos conquistadores que eleva o nome de Portugal, de Guimarães e também do Vitória: João Sousa, que alcançou o 30º lugar, ou seja, a melhor posição de sempre no ranking ATP. Todos eles merecem o nosso agradecimento e os nossos aplausos por fazerem o Vitória ainda mais grandioso!

O final da temporada é sempre um momento de fazer balanços, e eu vou fazendo os meus. Enquanto faço balanços, também tiro algumas conclusões. A maior conclusão que tiro sempre é que este amor é eterno e incondicional, seja no 3º lugar ou no 9º lugar, corram as coisas bem ou mal, chova ou faça sol. É, sem dúvida nenhuma, até morrer! Este fim-de-semana tirei outra conclusão muito importante: por cada atleta que desrespeita o Vitória, há um sem número de atletas que fazem do Vitória maior - as nossas conquistadoras do basquetebol, os atletas que pisaram o relvado no intervalo e que ganham tanto pelas mais diversas modalidades, o conquistador do ténis e todos os atletas que não representam o Vitória mas que fazem questão de referir qual o clube que apoiam, entre tantos outros - todos aqueles que se preocupam mais com o símbolo que carregam na frente da camisola do que com o nome que está escrito atrás! Esses, e unicamente esses, são os que vale a pena manter porque entendem o peso deste símbolo. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Conquistador fez história, mais uma vez

Ontem o João voltou a ser histórico. Chegou ao TOP30 mundial e chegou, pela primeira vez na carreira, aos quartos-de-final de um ATP Masters 1000. Escreveu, mais uma vez, um capítulo de ouro na história do ténis e do desporto português. Voltou a ser histórico e a pôr o nome de Portugal em destaque. Os jornais desportivos reservaram-lhe um cantinho nas suas capas. Voltaram a dar destaque a sensacionalismos e a personagens que não trazem nada de novo ao futebol ou ao desporto português. Não me surpreendeu. Afinal, o João é muito maior do que as capas desses jornais que pouca ou nenhuma qualidade têm. Qualidade tem o João! Por isso é muito grande para esses pedaços de papel. Independentemente do que acontecer hoje frente ao Nadal, o rei da terra batida e um dos melhores jogadores de sempre, já conquistou mais um pedaço de história. Continua a ser um estandarte de Portugal e de Guimarães. Por isso hoje somos todos pelo João. Não tem as capas desses pasquins mas tem o apoio de todos os portugueses. Isso é muito mais importante. O jogo começa a partir das 15:00. Talvez seja dia para voltar a fazer história!
De qualquer das formas: obrigada João!


terça-feira, 3 de maio de 2016

ADN do Rei

Foto: O Lado V
O Vitória foi defrontar o Lisboa ao Estádio da Luz mergulhado numa série de maus resultados e, pior do que isso, mergulhado numa série de exibições em nada satisfatórias. Os maus resultados mantiveram-se, com uma derrota que aumentou para doze o número de jogos sem vencer mas o Vitória não foi o mesmo. Finalmente vimos uma equipa entrar no relvado com atitude, garra e muita vontade de vencer. Uma equipa que sabia o que fazer à bola. Infelizmente isso aconteceu contra o filho querido de um sistema sujo, gasto e podre que é o futebol português. Não é novidade nenhuma que há um sem número de factores que pesam no resultado mas que são decididos bem longe das quatro linhas. Afinal, o jogo da primeira volta quando descaradamente nos foram roubados pontos na nossa própria casa não é uma memória assim tão distante. Pela segunda vez esta época o Vitória defrontou um Lisboa que não apresenta um futebol extraordinário (nem com o tão anunciado futuro melhor do mundo que supostamente vale 40M€ Renato Sanches, que acabou por ser substituído) e seria uma equipa normal, não fosse uns tantos ajudantes que por aí andam. Para não me alongar muito, algumas notas:

- Perguntei-me algumas vezes no decorrer do jogo o porquê de Bruno Paixão continuar como interveniente do escalão máximo do futebol português. Claramente um milagre... se eu acreditasse neles. Eu já sabia a resposta, principalmente porque não comecei a ver futebol ontem. Indivíduos incompetentes como Paixão, Xistra e companhia ainda não foram eliminados do futebol porque com eles se fazem, na maioria das vezes, campeões. A incompetência deste árbitro foi manifesta: o Eliseu não acabava a primeira parte depois daquele pontapé ao Hurtado que, tenho a certeza, deixou o Anderson Silva a corar de vergonha (e que, surpresa das surpresas resultou em falta contra o Vitória) mas só foi amarelado depois do golo quando decidiu dar uma palmadinha no nosso jogador. Enquanto isso os nossos jogadores viram quatro cartões amarelos em trinta minutos e sete no total, sendo que este foi o jogo em que os jogadores vitorianos viram mais cartões durante toda a época. Sérgio Conceição foi obrigado a assistir a mais de metade da partida da bancada sabe-se lá porquê. Talvez porque, nas palavras do próprio, "estávamos a bater o pé ao Benfica". Paixão a ser... Paixão. A impor as suas preferências e a gerir o jogo através do medo e da autoridade e nunca através do respeito que geralmente é fruto de um trabalho coerente e justo. Isso ele não sabe ser. Pior do que ele é quem o selecciona cuidadosamente para arbitrar estes jogos e compactua com a fraude que é, e sempre foi. Se houvesse algum tipo de verdade desportiva em Portugal, Paixão nem a arbitrar jogos das distritais tinha lugar.

- O Lisboa está habituado a que todos se ajoelhem e lhes facilitem a vida. Quando isso não acontece revoltam-se. Revoltaram-se durante o jogo e depois. Ver o jogo na BenficaTV só por si já é um martírio, um verdadeiro esforço. Durante o intervalo lá estava um comentador, de quem não me interessa saber o nome porque ele não se dignificou em saber o nosso, a choramingar e a queixar-se que "eles estão a jogar para intimidar o Benfica" e "o anti-jogo deles não honra o futebol". Continuou nesse registo de vitima e coitadinho. Não se lembrou do anti-jogo ao estilo de equipa pequena que está a ser pressionada que eles adoptaram no final do jogo e muito menos se lembrou do quanto desonram o futebol com o famoso colinho. A habitual coerência! Só sabem chorar. Choram e choram e choram quando as coisas não correm como planeado. Choram como se algum dia respeitassem a ética ou a verdade desportiva. Choram como se o Eliseu não merecesse ser expulso na maioria dos jogos. Choramingam porque são os filhos queridos e têm tudo de bandeja. Quando não têm... choram! No final, já depois de terem ganho um jogo que não mereciam ganhar choraram mais um bocadinho. Começou com o director de comunicação do Lisboa a tentar ser engraçado no twitter. Chorou. Depois foi a vez de o vice-presidente chorar. Questionou-se sobre o porquê de o Vitória ter jogado como jogou contra eles. Talvez este individuo não se lembre que, por exemplo, o Sporting veio empatar a Guimarães. Por fim, outro comentador, que já não surpreende ninguém pela sua incompetência e falta de postura, chorou. Afirmava com toda a certeza que o Sérgio Conceição disse aos jogadores que estava em jogo um prémio de 280 mil euros. Não sei se o Benfica põe escutas no balneário do adversário ou se tem infiltrados agentes secretos em todas as equipas adversárias visto que é pelo menos a segunda vez que boatos destes são lançados. A minha teoria é a de que Pedro Guerra não sabe o que diz e não tem noção dos disparates. Só chora, jornada atrás de jornada no sítio onde, infelizmente, lhe dão tempo de antena.

- Eles choram e a direcção deixa-os chorar. Eles roubam e a direcção deixa-os roubar. Tem sido assim. Um silêncio que compactua com aquilo que se tem passado. Mais uma vez, e não é a primeira vez que falo disto, a direcção calou-se e ninguém, para além do treinador, foi capaz de defender publicamente os interesses do Vitória. A anestesia da direcção irrita-me. Eles falam e choram e dizem um sem fim de disparates a atacar o Vitória e prejudicam deliberadamente o Vitória e ninguém fala, ninguém procura explicações. Ninguém que conhece minimamente a história do Vitória e de Guimarães, que estão intimamente ligadas, é capaz de ser subserviente e de se ajoelhar a quem tem mais poder. Isso é o que a direcção tem feito. Dom Afonso Henriques conquistou a independência porque lutou e lutou até conseguir o que pretendia. Conseguiu sem nunca se ajoelhar aos pés de ninguém, sem nunca compactuar com os poderosos e sem consentir. É essa a nossa história e por isso eu não aceito este silêncio, nem compreendo. Um dos maiores erros da direcção, a par da falta de um plano desportivo a médio/longo prazo e da pobre gestão desportiva, é o de continuar a apanhar as migalhas que caem da mesa em vez de tentar ter um lugar nela. O Vitória não é um clube que se ajoelha, o Vitória é o clube que faz os outros ajoelharem-se perante si. Isso é parte do nosso ADN, tentar contrariá-lo é imprudente e de uma profunda falta de conhecimento.

- Não posso deixar de saudar todos os adeptos do Vitória que foram à Luz apoiar a equipa. É difícil fazê-lo a uma sexta-feira porque há sempre trabalho e/ou aulas - eu sei, porque já o fiz. Os vitorianos marcaram presença num estádio que só tem as bancadas completas quando o clube está prestes a sagrar-se campeão (mas nem assim fazem barulho o suficiente e só cantam e apoiam quando estão a ganhar e o jogo prestes a terminar). São seis milhões e 98% são adeptos de sofá - que ontem não chegaram a 25 mil no jogo para a Taça CTT e o Seixal está sempre às moscas para ver jogar a equipa B (e todos sabemos o que é que atrai as moscas...). É triste que, sentados no sofá sem gastar 1€ para apoiar a equipa, ainda sejam cegos ao ponto de escrever comentários inflamados nas redes sociais sobre adeptos que fazem uma viagem cansativa e longa a uma sexta, dia de trabalho, e que não é de graça. Podem ser seis milhões, ou o número que quiserem inventar para se sentir superiores, mas a pequenez que os caracteriza é assustadora. Deviam mostrar respeito aos adeptos que têm a grandeza que eles almejam um dia ter!

Entristece-me ver o futebol português continuar neste ciclo vicioso do qual não parece encontrar saída. Persiste uma dualidade de critérios preocupante e que em nada beneficia o futebol. Continuam pessoas com algum peso no mundo do futebol que nunca deviam ter feito algum dia parte dele. Ontem o Leicester sagrou-se campeão porque os jogos decidem-se dentro das quatro linhas, sem bastidores. Anseio pelo dia em que o mesmo possa acontecer aqui. Em que a verdade e ética desportiva estejam na ordem do dia e em que todos tenham igualdade de oportunidades. Não será amanhã, ou para o ano. A liberdade ainda não chegou ao futebol. Um dia chegará, espero. Com as pessoas, mentalidade e atitudes certas. Entretanto, clubes com tudo para triunfar como o Vitória têm de lutar e não se podem vergar nunca. Afinal de contas, somos descentes directos do Rei, somos conquistadores. O Rei está gravado na nossa peleComo disse, o Rei nunca se ajoelha perante ninguém. Os outros ajoelham-se perante o Rei. Sempre!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

LEICESTER

Num dos jogos que vi do Leicester reparei que tinham escrito no túnel de acesso ao relvado a palavra Fearless. Sem medo. Quando entraram no relvado entravam assim, sem medo. Fosse em que relvado fosse, fosse contra quem fosse. Entravam a olhar nos olhos do adversário. Sabiam o que tinham de fazer dentro das quatro linhas. Faziam-no sem medo. Tornaram-se os campeões de Inglaterra há apenas umas horas. Fizeram história. Honraram o futebol. Honraram a verdade no futebol. O sonho comanda a vida. Eles sabiam-no desde o início e mostraram ao mundo inteiro. Fizeram-no com a atitude certa, a mentalidade adequada e a estrutura ideal. Fizeram-no com vontade, dedicação, trabalho, lágrimas, sangue e suor. Fizeram-no contra todas as expectativas. O sonho comanda a vida e o Leicester é, pela primeira vez na sua história de 132 anos, campeão de Inglaterra. Hoje ganhamos todos porque o futebol ganhou. PARABÉNS LEICESTER!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Inaceitável

Há dias em que os três pontos são de importância menor. Esses dias são os dias em que perdemos um dos nossos. No sábado perdemos o Diogo, um conquistador. Para além das homenagens e das ovações - antes do início do jogo e ao minuto 31, o número da camisola que envergou na equipa B do Vitória - o triunfo era para ele. Não pelos três pontos, nem pela tabela classificativa mas especialmente para ele, para honrar o nome de um jovem cheio de sonhos e aspirações que, acredito, queria muito vestir de Rei ao peito. Infelizmente a concretização desses triunfos não foi possível, nem no D. Afonso Henriques nem no Seixal apesar dos quatro golos marcados por ambas as equipas - e dedicados, com muita emoção, ao Diogo.

Ao longo da história, as muralhas do nosso estádio têm estado bem protegidas para receber o Estoril. O histórico de confrontos não mente: dos 30 jogos disputados, 22 acabaram com o Vitória a manter os três pontos em Guimarães, enquanto que nos restantes oito contamos com quatro derrotas e, com o empate a uma bola no Domingo, quatro empates. Uma supremacia que não se viu em nenhum momento durante os noventa minutos de jogo, apesar de ter sido o Vitória a estar em vantagem.

O futebol apresentado por ambas as partes deixou muito a desejar. Mais um jogo muito pouco conseguido e, mais uma vez, uma equipa apática e anestesiada sem saber muito bem o que fazer à bola, sem conseguir construir uma jogada em condições e a falhar passes de forma preocupante. Sofremos o golo do empate num lance atrapalhado e que devia - e me parece que podia - ter sido evitado.

Começo a questionar-me, com alguma preocupação, se esta série se vai manter até ao final da época e se vamos chegar aos vergonhosos (não gosto da palavra e nunca me vou envergonhar de ser do Vitória mas parece-me adequada) 14 jogos sem vencer porque a verdade é que os jogos que temos pela frente não são nada fáceis. Este foi o 11º e infelizmente as bancadas já se estão a ressentir. Os números oficiais, retirados do site da liga, dão conta de que estiveram presentes 10061 espectadores. Para o panorama nacional não é um mau número sendo que só um dos jogos reuniu mais adeptos do que o nosso: o de Alvalade. Ainda assim parece-me um número modesto para um domingo à tarde de sol e calor, o ideal para ver futebol. Nas condições normais, e em condições normais o Vitória teria objectivos pelos quais lutar ou, a três jogos do término da época, já os tinha alcançado (e por objectivos não me refiro à manutenção, que foi a única coisa que alcançamos). Dói-me ver este afastamento entre os adeptos e a equipa, que infelizmente não é de hoje mas que tem acontecido ao longo das últimas épocas. Há muitas formas de protestar e a forma que as claques encontraram para o fazer pareceu-me boa: pacífica e com impacto. Não é pelos protestos que os adeptos deixam de ser menos vitorianos ou deixam de se preocupar com o clube, como já li. Os protestos, seja sob que forma for, são uma demonstração de interesse e não o contrário. Ninguém discute porque não se importa. O mesmo se aplica nesta situação. Diz o ditado que quem não se sente não é filho de boa gente. Portanto pode ser que sirva para abrir os olhos a quem tem andado com eles fechados.

A equipa B, que defrontou o Benfica B no Seixal, está bem encaminhada para se manter na segunda liga. Um empate difícil a três bolas e conseguido ao minuto 90 + 5. Os golos foram apontados pelo Raphinha, Areias e Hélder Ferreira. Na tabela classificativa, o Vitória B encontra-se na 15ª posição com 53 pontos. No entanto, as três jornadas que ainda faltam disputar não vão ser fáceis: recebemos o Sp. Covilhã que está na 14ª posição com um ponto a mais do que nós e o Porto, que está bem posicionado para ser campeão intervalados com a deslocação ao Sporting, o 8º classificado. São jogos difíceis mas dos quais é possível obter resultados positivos. Principalmente com o nosso apoio.

Por fim, e servindo-me da tarja colocada pelos White Angels, também pergunto: a que horas joga o Vitória? A que horas é que todos os que estão do Vitória se apercebem da grandeza, mística, bairrismo, amor e paixão deste clube? Continuamos no mesmo caminho, derrota após derrota. Qualquer pessoa que diga que são ciclos que temos de aceitar não conhece o Vitória, muito menos a sua história ou as suas gentes. Não aceito nem me conformo. No dia em que fizer isso entrego o meu cartão de sócia e isso não vai acontecer, nem hoje nem amanhã. Estamos mergulhados numa situação inaceitável. Infelizmente não sei a que horas joga o Vitória mas está na hora de o termos de volta. O nosso Vitória, não o deles.

A nossa casa

Quem me conhece minimamente ou quem me acompanha através do blogue sabe que sou apaixonada pelo espaço e pela área da astronomia, apesar de o fazer de uma forma muito simplista porque não tenho conhecimentos aprofundados sobre o tema. Tudo o que aprendo é através da leitura, documentários e coisas do género, nada formal.
Acho que o momento em que nos apercebemos da dimensão do espaço acabamos por conseguir pôr tudo em perspectiva. A maioria dos problemas que julgamos ter nem sequer são problemas. Olhar para o espaço é uma lição de humildade. Provavelmente a maior lição de humildade possível.
Tudo isto para dizer que estou viciada numa aplicação que descobri recentemente e que transmite em directo da International Space Station e é difícil tirar os olhos do ecrã porque a vista nunca cansa. Não há fronteiras, nem religiões, nem ideologias, nem raças a separar-nos. Vivemos todos na mesma "casa". Todos os conflitos, guerras e discussões são injustificáveis. O dinheiro e o poder são obsoletos. O que conta no fim é a compaixão, os laços que criámos e o amor, qualquer forma de amor.
As fotos que se seguem foram tiradas na aplicação, que é provavelmente a minha nova aplicação favorita de sempre. Também é possível ver a NASA TV e tem o mapa da trajectória da ISS a acompanhar. Ainda melhor: é grátis. Não sei porque é que não descobri isto antes mas agora julgo que é um privilégio e estou completamente encantada!




sexta-feira, 22 de abril de 2016

Querida Terra,

Foto: NASA - "Earthrise" (1968)
há um rio perto da casa onde cresci. Um rio que agora corre doente e envenenado. Envenenado pela ganância dos homens e das mulheres que não querem saber dele, nem de ti. Só se preocupam com o dinheiro e com os lucros, sejam a que preço for. Como se o fim justificasse os meios. Este rio não foi sempre assim. Ele era saudável, muito antes de eu nascer. Os meus primos e os meus tios contam-me que iam para lá quando eram pequenos e que era um sítio agradável e bonito. Um pulmão saudável e forte da natureza. Infelizmente quando o conheci já estava doente e a doença já está em estado avançado. Há uns meses chegou a estar branco. Os rios não devem ser brancos, pois não? 
Como este rio de que te falo, há muitos pulmões que murcham e sufocam às mãos dos mais gananciosos ou dos ignorantes. Acham que vais estar aqui para sempre, tranquila e calma mesmo depois das quantidades absurdas de lixo e porcarias com que te atiram sem misericórdia. Tens sido paciente, apesar de todos os avisos... Uns mais fortes do que outros, mas vais avisando as pessoas de que não vais ser sempre calma. Sabes ser avassaladora e dominante. Sabes que nós precisamos muito mais de ti do que tu algum dia precisarás de nós - por isso, de vez em quando, sabes que tens de pôr as mãos na cintura e berrar da forma que sabes para ver se finalmente as pessoas acordam.
Se a minha espécie acabar um dia - seja daqui a 500 ou 50000 anos - tu vais continuar por cá. Provavelmente recuperarás de todo o mal que te fizeram porque para além de seres avassaladora e dominante, também és resiliente e nessa altura já ninguém te vai fazer mal.
Se calhar ainda poucos perceberam que és apenas um "pálido ponto azul" num universo imenso, como dizia Carl Sagan. No entanto és a nossa única casa e és, deixa-me que te diga, de tirar a respiração a qualquer pessoa capaz de reconhecer beleza. Ainda que haja tantos padrões de beleza como há seres humanos, tu és linda. És mais bonita ainda quando ninguém te toca, quando és fruto da tua criação, quando és tu.
Partilhas tudo connosco e nós, uma cambada de ingratos, ainda não sabemos agradecer por partilhares tudo o que tu és, nem por tudo o que nos dás. Precisamos de ti, para sempre. Obrigada pela paciência. Vou tentar cuidar melhor de ti, prometo!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Prince

Acho que a melhor forma de homenagear lendas - e o legado que nos deixam - é com arte. A The New Yorker surpreendeu. Prince nunca se preocupou em ser consensual, mas há um consenso de que era um dos grandes. É um dos grandes. As lendas são eternas, não são?

Posso ver este filme 1000 vezes sem me cansar

* Se ainda não viram Gone Girl sugiro que não continuem a ler porque há spoilers no resto do post. Vão ver este excelente filme e depois voltem para relembrar um dos melhores monólogos do cinema dos últimos anos e que merecia um Óscar numa categoria própria! *


"I'm so much happier now that I'm dead. Technically missing. Soon to be presumed dead. Gone. And my lazy lying shitting oblivious husband will go to prison for my murder. Nick Dunne took my pride and my dignity and my hope and my money. He took and took from me until I no longer existed. That's murder. Let the punishment fit the crime. To fake a convincing murder you have to have discipline. You befriend a local idiot. Harvest the details of her hundrum life and cram her with stories about your husband's violent temper. Secretly create some money troubles: credit cards, perhaps online gambling. With the help of the unwitting, bump up your life insurance. Purchase getaway car. Craiglist. Generic. Cheap. Pay cash. You need to package yourself so that people will truly mourn your loss. And America loves pregnant women. As if it's so hard to spread your legs. You know what's hard? Faking a pregnancy. First, drain your toilet. Invite pregnant idiot into your home and ply her with lemonade. Steal pregnant idiot's urine. Voilà! A pregnancy is now part of your medical record. Happy Anniversary! Wait for your clueless husband to start his day. Off he goes... and the clock is ticking. Meticulously stage your crime scene with just enough mistakes to raise the specter of doubt. You need to bleed. A lot. A lot, a lot. The head wound kind of bleed. A crime scene kind of bleed. You need to clean; poorly, like he would. Clean and bleed, bleed and clean. And leave a little something behind: a fire in July? And because you're you, you don't stop there. You need a diary. Minimum three hundred entries on the Nick and Amy story. Start with the fairy tale early days: those are true, and they're crucial. You want Nick and Amy to be likable. After that, you invent. The spending, the abuse, the fear, the threat of violence. And Nick thought he was a writer... burn it, just the right amount. Make sure the cops will find it. Finally, honor tradition with a very special treasure hunt. And if I get everything right, the world will hate Nick for killing his beautiful, pregnant wife. And after all the outrage, when I'm ready, I'll go out on the water with a handful of pills and a pocket full of stones. And when they find my body, they'll know: Nick Dunne dumped his beloved like garbage, and she floated past all the other abused unwanted inconvenient women. Then Nick will die too. Nick and Amy will be gone, but then we never really existed. Nick loved a girl I was pretending to be. "Cool girl". Men always use that, don't they? As their defining compliment: "She's a cool girl". Cool girl is hot. Cool girl is game. Cool girl is fun. Cool girl never gets angry at her man. She only smiles in a chagrined, loving manner. And then presents her mouth for fucking. She likes what he likes, so evidently he's a vinyl hipster who loves fetish Manga. If he likes girls gone wild, she's a mall babe who talks for football and endures buffalo wings at Hooters. When I met Nick Dunne I knew he wanted "cool girl". And for him, I'll admit: I was willing to try. I wax-strippe my pussy raw. I drank canned beer watching Adam Sandler movies. I ate cold pizza and remained a size two. I blew him, semi-regularly. I lived in the moment. I was fucking game. I can't say I didn't enjoy some of it. Nick teased out in me things I didn't know existed. A lightness, a humor, an ease. But I made him smarter. Sharper. I inspired him to rise to my level. I forged the man of my dreams. We were happy pretending to be other people. We were the happiest couple we knew. And that's the point of being together if you're not the happiest? But Nick got lazy. He became someone I did not agree to marry. He actually expected me to love him unconditionally. Then he dragged me, penniless, to the navel of this great country and found himself a newer, younger, bouncier cool girl. You think I'd let him destroy me and end up happier than ever? No fucking way. He doesn't get to win. My cute, charming, salt-of-the-earth Missouri guy. He needed to learn. Grown-ups work for things. Grown-ups pay. Grown-ups suffer consequences."

Amy Dunne