quarta-feira, 30 de março de 2016

No meu tempo não era nada disto

Sempre quis dizer que no meu tempo não era nada disto. Faz-me sentir uma pessoa cheia de experiências e sabedoria, como aquelas avozinhas (ou avozinhos) de 100 anos que contam sempre uma (ou vinte e sete) história maravilhosa que nos faz pensar e repensar toda a vida enquanto nos empanturram de bolachas e bolos dos mais variados feitios, cores e sabores e não nos deixam parar de comer até sermos umas pequenas bolinhas. Nunca conheci nenhuma senhora, ou senhor, assim. Mas gostava.
O que eu queria dizer é que no meu tempo os telejornais dos canais generalistas acabavam às 21 horas mais ou menos em ponto e as notícias eram interessantes e com conteúdo (em retrospectiva, e já lá vão uns anos por isso as memórias já não são tão claras como isso principalmente no que a telejornais diz respeito, diria que a laaaarga maioria eram notícias no verdadeiro sentido da palavra). Nos dias que correm não costumo ver o telejornal da noite porque quando chego da universidade já costuma estar a dar outra coisa qualquer. Hoje vi a última meia hora do Jornal das 8 na TVI. Lembro-me especialmente de duas "notícias": a primeira sobre o casamento ultra-mega-secreto do Iker Casillas com a Sara Carbonero e a outra sobre a presença da Jennifer Lopez no Carpool Karaoke, do talk show Late Late Show.
Isto de estar a reclamar é mais ou menos parte da minha natureza, porque eu tenho o hábito de reclamar de tudo o que me parece mau e que pode ser melhorado. No entanto, e por muito que procure, não consigo encontrar nenhum motivo para isto ser notícia do telejornal. Parece-me que são assuntos da categoria de revistas cor-de-rosa. Ou então não. Se calhar não podíamos continuar a nossa vida sem notícias importantes como estas, e seríamos pessoas muito mal informadas sobre a actualidade mundial.
Haja paciência minhas senhoras e meus senhores, haja paciência!!

A arte de elogiar


Diria que os italianos dominam a arte dos elogio, eu diria que sim pela imagem que acompanha este post. Todos sabemos o quão belo é um golo aos noventa minutos e a intensidade que tem. Por isso, e este é um conselho de amiga, digam às mulheres das vossas vidas que elas são tão bonitas como um golo aos noventa minutos. Não há elogio melhor, garanto-vos!
Ah Itália, como gosto de ti sem te conhecer!

terça-feira, 29 de março de 2016

Berço de campeões

Foto: O Lado V
O futebol é o desporto-rei em Portugal, e também o costuma ser neste blogue quando falo do Vitória. Hoje não é. Hoje os protagonistas são outros, e não é porque o campeonato esteve interrompido no fim-de-semana passado. Hoje os protagonistas são outros porque me parece importante reconhecer quem tanto dá por este símbolo e que que tantas vezes representa o Vitória de forma magistral no resto do mundo.

Uma das características do Vitória que mais orgulho me dá é o seu ecletismo. O Vitória é, indubitavelmente, o clube mais ecléctico do Minho e um dos mais eclécticos de Portugal. Isso julgo que é ponto assente. É mais uma das tantas coisas que contribuí para que sejamos tão únicos e diferentes do resto.

A modalidade que mais acompanho a seguir ao futebol é o Basquetebol. Apesar de não ir a todos os jogos, a maioria das vezes por incompatibilidade de horários, vou sempre que posso. Vejo sempre uma equipa com muita garra e muita vontade de vencer. Infelizmente são raras as vezes em que o pavilhão enche - no entanto, somos os únicos capazes de o fazer (e já o fizemos muitíssimo bem!). Nos últimos anos fui a Fafe ver os jogos do Vitória na Final 8 da Taça de Portugal. Em campo vi sempre equipas que mostravam que o dinheiro não joga. Vi o Vitória lutar de igual para igual contra, por exemplo, o Benfica, que tem um orçamento para o basquetebol muito superior ao nosso. Vi os adeptos do Vitória chegar uma hora antes do jogo e encher a sua parte da bancada e apoiar incessantemente, enquanto que os adversários tinham dificuldades em ocupar metade da sua parte. Vi, com enorme satisfação, o Vitória levantar a Taça de Portugal em 2013. No palmarés do basquetebol o Vitória já conta, entre outros troféus, com duas Taças de Portugal, um Troféu António Pratas, um título de Campeão Nacional e uma Taça Nacional de Júniores Femininos.

A modalidade amadora mais antiga do clube é o Judo. Os judocas vitorianos somam 9 títulos: 1 título de Campeão Nacional de Júniores, 3 títulos de Campeão Nacional de Judo Adaptado Síndrome de Down e 5 títulos de Campeão Nacional de Judo Adaptado. Ao abrigo do projecto "Judo para Todos", o Vitória forma atletas com deficiência que são verdadeiros campeões! A modalidade mais recente é o Jiu-Jitsu que surgiu apenas na época passada mas que já tem 55 atletas distribuídos por diversos escalões. Apesar de ser uma modalidade recente, os nossos conquistadores já exibem no seu palmarés 5 títulos de Campeão Nacional!

A natação apresenta números extraordinários. Modalidade criada em 2001, tem um total de 282 títulos regionais e 77 títulos nacionais. Os nossos atletas já bateram 15 records nacionais e 8 desses ainda estão em vigor. O nome mais sonante da modalidade será Daniela Pinto que ficou em sexto lugar nos Campeonatos da Europa de Absolutos de Águas Abertas em Israel, sendo a primeira portuguesa a consegui-lo! O ténis de mesa surgiu na década de sessenta e desde aí conquistou 10 títulos regionais e 3 títulos concelhios. Os atletas vitorianos conseguiram o primeiro título em 1961 e o último na época passada numa clara demonstração de garra e vontade em manter a modalidade viva e a vencer!

O voleibol tem um palmarés invejável e soma títulos em todos os escalões. Os melhores anos da modalidade foram, em termos de títulos, entre 2007 e 2010: em três épocas conquistaram 1 Taça de Portugal Masculinos, 1 título de Campeões Nacionais da 1ª Divisão A1 Masculinos, 1 título de Campeões Nacionais de Juvenis Masculinos ao ar livre, 1 título de Campeões Nacionais de Infantis Masculinos e 2 títulos de Campeões Nacionais de Iniciados Femininos. Os primeiros títulos da modalidade datam dos anos oitenta. Uma modalidade que conquistou, desde aí, imensos títulos.

O Pólo-Aquático tem um percurso semelhante: os primeiros títulos foram arrecadados no início dos anos oitenta e desde aí construíram um palmarés muito interessante com títulos como a Taça de Portugal de seniores masculinos, 3 títulos de Campeões Nacionais das iniciadas femininas e, mais recentemente, o título de Campeões Nacionais de Juvenis! O atletismo do Vitória contava, em 2015, com 39 atletas amadores que participam nas maratonas de todo o mundo, onde arrecadam medalhas e títulos. Em Fevereiro do último ano, Manuel Mendes classificou-se para os Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro.

Dez anos depois da criação da secção de Kickboxing do Vitória (em 2012 surgiu a secção de Boxe) sob a liderança de Alberto Costa. Os atletas destas duas modalidades já trouxeram para Guimarães mais de 30 títulos. É obrigatório destacar os 6 títulos de Campeão Mundial, os 2 títulos de Campeão Europeu, o título de Campeão Intercontinental e os impressionantes 13 títulos de Campeão Nacional!

O Taekwondo é, a par do Jiu-Jitsu, a modalidade mais nova. Nasceu em 2014 mas já deu frutos e por frutos eu quero dizer dois campeões made in Guimarães. Não foi preciso muito tempo para Rui Bragança e Nuno Costa se tornarem nomes incontornáveis no universo vitoriano e no resto do mundo. Nunca passamos muito tempo sem receber uma notícia positiva sobre um deles, ou sobre os dois. O Nuno Costa sagrou-se Campeão Nacional e o Rui Bragança soma  seis medalhas de Ouro (uma delas nos Jogos Europeus) em 2015 e vai representar-nos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, onde estão os 16 melhores atletas do mundo.

Para além dos títulos nas modalidades que referi, o Vitória ainda soma mais uns quantos noutras modalidades como por exemplo no Hóquei em Patins (títulos vencidos nos anos 50 e os primeiros troféus das modalidades) ou em Andebol (que conta com quase 20 títulos, sendo a maioria distritais mas também o título de Campeão Nacional de Juvenis).

Infelizmente os feitos dos nossos atletas não abrem telejornais nem são motivos de primeira página dos jornais "desportivos", por muito que honrem o nome de Portugal no resto do mundo. Infelizmente os jornais desportivos não passam de jornais sobre futebol e que não têm outro tópico para além dos que são levantados pelos três do costume. Infelizmente há muita gente que não sabe que o Vitória é um berço de campeões.

Os nossos atletas não se cansam de nos mostrar o que é, de facto, a excelência vitoriana. Acho que, por isso, nunca será demais agradecer. Todos os atletas do Vitória, desde a menina pequenina que aprende a jogar voleibol até ao senhor que é campeão de Ténis de Mesa, são parte fundamental e inalienável da grandeza do Vitória!

Fossem todos como vós. Obrigada a todos os atletas que dão tudo pelo Vitória, conquistando troféu atrás de troféu, e que são estandartes do Vitória em todas as partes do mundo. Obrigada por representarem o nosso símbolo tão bem conquistadores!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Conquistador

Foto: O Lado V
Acompanho os jogos do João sempre que possível. Recentemente tive, inclusive, o prazer de o ver jogar ao vivo na Taça Davis. Acho sempre que é uma honra ver portugueses a conquistar o mundo e o orgulho é sempre maior quando é um vimaranense (e vitoriano). É impossível não apoiar o João. No entanto apoio-o por muito mais do que pelo lugar (maravilhoso, diga-se de passagem) onde nasceu e pelo clube que torce (que, diga-se de passagem também, é o melhor) - apesar de isso ajudar. Apoio o João porque é um excelente tenista e porque é muito bom naquilo que faz. Hoje, apesar da derrota, voltou a mostrar que assim é. Fez um primeiro set de grande categoria e deu muito trabalho ao actual número um no mundo. Gostava de ver, depois de dois encontros, a primeira vitória contra o Djokovic. Não foi hoje, mas com muito trabalho acredito que poderá ser brevemente. Acredito que sim. Não há limites para conquistadores.

domingo, 27 de março de 2016

Se ele está de parabéns, o cinema também está de parabéns


Parabéns Tarantino! Que continues a deliciar-nos com as tuas maravilhas cinematográficas. O cinema é muito maior e muito mais completo contigo. Que venham mais 53!

terça-feira, 22 de março de 2016

Que venham dias melhores

Foto: Vitória SC
Não adianta andar com rodeios: o Vitória está mal. Acho que já todos percebemos isso e dizer o contrário é negar a realidade. Um clube que devia andar a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, já com a Europa garantida sem contar os pontos, e se encontra no 9º lugar não pode estar bem, pelo menos do ponto de vista desportivo.

Parece-me insustentável continuar desta forma. Nos últimos três jogos não conquistámos um único ponto e não só saímos derrotados como, ainda mais alarmante, o Vitória praticou um futebol pobre e limitado. Em 30 pontos disputados desde o início da 2ª volta até hoje, conquistámos apenas uns míseros 11 pontos (2 vitórias, 5 empates e 3 derrotas). Podem até dizer-me que não é mau, afinal nos jogos teoricamente mais complicados obtivemos bons resultados: vencemos o Porto, fomos empatar à pedreira e empatámos em casa contra o Sporting. Infelizmente, não são só os jogos "grandes" que contam . Preferia, sem qualquer tipo de dúvida, ter perdido esses três jogos e ter ganho os restantes 7 da segunda volta. Se assim fosse, teríamos somado 21 pontos, mais dez do que os que temos agora. Não soa mal, pois não?

Sempre que há um problema (neste caso parecem-me ser vários), é peremptório identificá-lo(s) e encontrar a(s) solução/ões para o(s) resolver. Não acho que há só uma fonte de problemas no Vitória. Há apenas uma parte do clube que eu tenho a certeza absoluta que não tem culpa nenhuma: nós, os adeptos. Isso é inquestionável!

Seria muito fácil colocar a culpa só nos ombros dos jogadores porque afinal são eles que jogam, que estão dentro de campo e que têm de levar a equipa ao encontro dos três pontos porque mais ninguém tem a bola nos pés para além deles. Têm, naturalmente, a sua quota parte de culpa mas não são os donos dela, de forma nenhuma. Parece-me que, a alguns jogadores, lhes falta por vezes atitude (basta comparar o jogo contra o Sporting, que não foi excelente mas foi um jogo que empatámos porque fomos lutadores durante os noventa minutos, com o jogo seguinte em Coimbra, em que vi uma equipa mais apática e conformada). Não quero carregar sempre na mesma tecla mas olho para o Victor Andrade e não vejo a atitude de dar o litro em campo como se não houvesse amanhã nem a garra de jogar para o melhor da equipa, quando tem os pés na bola vejo-o mais a trabalhar para se mostrar individualmente do que para o sucesso colectivo. Posso estar a ser tremendamente injusta mas fico sempre com essa sensação.

Sérgio Conceição, naturalmente, também toma parte na situação. Na semana passada eu disse que discordo da política de emprestados. Discordo com mais veemência quando os emprestados não acrescentam muito à equipa e, sabendo disso, se insiste em tê-los dentro das quatro linhas quando há, na minha opinião, soluções que poderiam dar mais frutos (e isto é só a minha humilde opinião, que não sou treinadora de futebol). A sua função é, como dizia Steve Jobs, comandar a orquestra. Manter a equipa motivada, tirar o melhor de cada jogador, estudar o adversário e encontrar a melhor forma de o enfrentar. É essa a sua função. É isso que nós, enquanto adeptos, esperamos do treinador. Não é isso que temos visto, pelo menos ultimamente. Vimos alguns jogadores importantes (e muito importantes no balneário, pela experiência e sabedoria que têm e que deve ser transmitida aos mais novos) serem "afastados", um onze que nunca é certo e uma equipa que devia jogar melhor do que o que joga. Não digo que todo o trabalho do Sérgio foi mau, porque não foi, mas também não digo que foi muito bom, porque não foi. Se é verdade que não foi ele que formou a equipa no início da época, não é menos verdade que já era ele que estava nos comandos da equipa em Janeiro, e não vimos melhorias significativas desde aí, nem vimos ninguém entrar capaz de acrescentar grande valor à equipa.

No entanto, a maior culpa parece-me vir "do topo", da direcção. Uma época visivelmente muito mal preparada para uma equipa que tem como objectivo a Europa não podia dar bom resultado. Esse foi o maior problema de todos. Não posso negar que a direcção entrou para o Vitória numa altura de debilidade e numa situação francamente má, o que requer a coragem de quem se candidata. Financeiramente a direcção tem feito um bom trabalho, o abatimento do passivo é um dos exemplos e nesse aspecto estou satisfeita. Só que não chega! Como vitoriana gostava muito de ver uma maior progressão no panorama desportivo. Não adianta dizer que ganhámos a Taça de Portugal em 2013 com esta direcção, para dar a ideia de que o Vitória tem tido um sucesso tremendo no futebol. Felizmente vencemos, mas e depois? Vamos estar a dizer isso pelos próximos dez anos enquanto vemos o Vitória a lutar pelo meio da tabela classificativa? A contar os pontos para alcançar a Europa? A ser eliminados das competições bem no início das mesmas? Não são essas as minhas aspirações. Quero ver o Vitória a conquistar muito mais, a ser muito mais feroz, a ser um pesadelo para qualquer adversário, seja no berço ou fora. Para isso precisamos que o nosso presidente seja capaz de fazer mais pelo futebol, de ter uma mão forte e de defender exclusivamente os interesses do Vitória - e de mais ninguém!

Faltam sete jogos para o final do campeonato, ainda estão em disputa 21 pontos. Agora já não depende só de nós, mas ainda é possível alcançar a Europa. Espero que esta época sirva de exemplo para que se possa preparar, cuidadosa e meticulosamente, a próxima época. Espero (como sei que vocês também) que possamos voltar a um caminho de conquistas no futuro próximo. Afinal somos os conquistadores deste país, não somos?

Para terminar, só uma nota final: sou sócia pagante do Vitória há muitos anos, portanto acho que estou no direito de comentar a situação do meu clube. Não o faço, de forma nenhuma, pejorativamente. Sou vitoriana portanto o que faço não é por ser do contra pela diversão de ser do contra. Eu não sou contra ninguém, mas sou a favor do Vitória. Não tenho nada pessoal contra qualquer jogador do Vitória, nem contra o Sérgio Conceição ou contra o presidente Júlio Mendes. Pelo contrário, enquanto são "nossos", estão no Vitória, desejo que tenham o maior sucesso do mundo porque isso leva ao sucesso do Vitória. Acho que uma grande qualidade dos vitorianos é que são, no geral, muito pro-activos. Sempre vi, desde que me lembro, muitos vitorianos discutir soluções e melhorias para o Vitória porque somos uma massa associativa apaixonada e que só quer, mesmo que as opiniões se dividam, que o Vitória cresça. Portanto deixem-se de coisas e discutam o Vitória, porque o nosso objectivo é o mesmo: um Vitória ainda mais grandioso e capaz de lutar para o máximo possível em todas as competições em que se envolve. Esse é o objectivo! Todos sabemos muito bem que o Vitória é mais do que isto, mais do que maus resultados, mais do que jogadores, mais do que os treinadores que passam por cá e mais do que a direcção. O Vitória continua, nós também mas o resto não!

"Como comunidade a espécie humana é um desastre"

Parece-me certo dar um título a este post com a frase de José Saramago. É uma frase que recordo cada vez com mais frequência. Infelizmente o mundo tem vivido dias de insegurança, tristeza e medo. Todas as semanas há ataques terroristas. Cada vez mais acordamos com notícias destas, capazes de deixar o coração de qualquer pessoa bem apertado. Felizmente, a minha família e amigos que vivem fora do país (inclusive em cidades que já sofreram ataques terroristas como Paris e Istambul) sempre estiveram a salvo. Mas infelizmente já muitos perderam pais, irmãos, amigos e namorados, e isso deixa-me com o coração nas mãos e um sentimento de revolta que não consigo expressar correctamente por palavras. É com essas pessoas que os meus pensamentos estão. Não só em Bruxelas, mas em todos os lugares onde estes ataques ocorrem e onde pessoas sem culpa de nada perdem a vida. No sábado passado, depois de saber do ataque terrorista em Istambul, mandei mensagem a uma amiga minha turca e que vive em Istambul por quem tenho imenso carinho para confirmar se estava bem. Poucos minutos depois recebi uma mensagem positiva, que confirmou que estava tudo bem, apesar da insegurança e do medo que todos sentiam.
Infelizmente há muitas pessoas que não recebem essa mensagem positiva. Recebem apenas notícias más e tristes. Notícias que surgem em virtude de uns quantos cobardes julgarem que são melhores e que são superiores. Notícias que surgem de acontecimentos não se sabe bem em nome do quê ou de quem mas que destroem vidas e famílias em segundos da forma mais cobarde de todas. Sem aviso, sem dar oportunidade para defesa, sem dar a cara. Um ataque pelas costas de inocentes que derramam sangue e perdem a vida quando vão para o trabalho, quando vão viajar ou quando estão só a passear. Pessoas que mereciam chegar a casa no fim do dia, que mereciam ver os filhos crescer, que mereciam dar mais um abraço ao pai e à mãe, que mereciam, acima de tudo, viver!
Comecei com Saramago e termino com um excerto do livro de Carl Sagan, Pale Blue Dot:

"Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner (...) how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds.
(...) In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ouselves."

segunda-feira, 21 de março de 2016

My dear Amy

Acho que a Amy Winehouse é das artistas mais peculiares que já ouvi. Não há ninguém comparável. Única em tantos sentidos. A música precisa de mais artistas como ela. Que sobem ao palco e, sem o mínimo esforço, conseguem transmitir tanto e com tanta mestria. Sem auto tune, sem playback, sem truques. Só ela e o interminável talento que tinha.

Os problemas da estupidez humana

Gregarismo é, segundo o Priberam, "a tendência humana para viver em comunidade". Aprendi numa das minhas aulas de psicologia que o ser humano tem tendências gregárias. Aprendi, na vida real, que a tendência gregária torna algumas pessoas estúpidas. Provavelmente já há um estudo científico a comprovar o que acabei de dizer. Acredito que sim, em 2016 há estudos sobre tudo e mais alguma coisa. Se não houver disponho-me a fazer um estudo sobre o tópico!
Vocês devem estar a questionar o porquê de eu me pôr com esta conversa hoje. É hoje porque ainda estava à espera de que o vídeo que vi e que despoletou a minha raiva e me deixou corada de vergonha alheia fosse mentira, nada mais do que um estúpido fruto da minha imaginação. Só que não foi, e eu sou o tipo de pessoa que tem dificuldade em estar calada sobre o que me incomoda.
Faz precisamente hoje uma semana desde que o vídeo foi publicado na internet. Como pano de fundo: Plaza Mayor, Madrid. A maioria de vocês já sabe do que falo. Falo do vídeo que mostra os adeptos do PSV Eindhoven a humilhar algumas senhoras, pedintes alegadamente de nacionalidade romena, que lá estavam.
A cena é triste. Na esplanada, confortavelmente a beber as suas cervejas os holandeses pensaram que seria um bom passatempo atirar moedas para ver as pedintes correr desesperadas para as apanhar do chão. Como se estivessem num espectáculo e aquelas senhoras fossem uns fantoches feitos de pano que se encontravam ali com o único objectivo de os entreter. Não bastou atirar-lhes moedas, e alegadamente a entoar "não passem a fronteira", obrigaram-nas a fazer flexões no meio da rua (alguns transeuntes dizem mesmo que estas mulheres foram ameaçadas). O jogo ainda ia longe e tinham de passar o tempo de alguma forma, coitados. Na esplanada a diversão era rainha e todos riam completamente divertidos com o que estavam a fazer.
Como se humilhar outro ser humano fosse divertido. Como se pensar que se é superior fosse divertido. Como se ser uma cambada de energúmenos inúteis e desprovidos da mais básica educação fosse divertido. Não é. Pessoas sem educação não são divertidas, são só ignorantes, tristes e são do pior da espécie humana! Chego à conclusão que a culpa não é da tendência gregária (apesar de ajudar - quero acreditar que alguns dos que lá estavam a rir não fizeram nada por medo e por necessidade de se sentirem integrados e parte do "grupo", porque se todas aquelas pessoas são iguais, torna a situação ainda mais grave), o maior problema são as pessoas más e desprovidas de humanidade que se julgam, seja pelo que for, superiores a alguém.

sábado, 19 de março de 2016

Pai

Estão sempre a dizer-me que sou igual a ti. Sei que sou. Tenho os teus olhos e as tuas mãos. Acredito que também fiquei com o teu sentido de humor. Não sei bem como era o teu sentido de humor, mas pelo que já ouvi, acredito que somos muito parecidos até nisso. Fico feliz. Fico feliz por saber que fiquei com tantas heranças tuas. É a melhor forma de superar dias como estes. Deste-me muito. Por isso já não consigo ficar triste porque foste. Fico triste porque não estás comigo, não estás agora aqui para me ver crescer. No entanto fico feliz porque sei que te tenho comigo de tantas formas. Isso já é meu, tu és meu. Mesmo que nunca mais estejas comigo. Ninguém te tira de mim.
Tenho os teus olhos e espero que possas, de alguma forma, ver-me através deles. Saber que cresci, que estou a crescer e espero que consigas sentir o quanto eu gosto de ti, que consigas ver que tenho muito de ti comigo. Vou ter. Para sempre.
A tua miúda adora-te, mas eu desconfio que tu já sabes disso.

Um abraço gigante para todos os pais do mundo.
Outro para quem, como eu, já não o tem fisicamente.
Outro para as mães que fazem os dois papéis.
Outro para o meu tio que foi o pai que eu não tive e que eu adoro de coração.