terça-feira, 22 de março de 2016

"Como comunidade a espécie humana é um desastre"

Parece-me certo dar um título a este post com a frase de José Saramago. É uma frase que recordo cada vez com mais frequência. Infelizmente o mundo tem vivido dias de insegurança, tristeza e medo. Todas as semanas há ataques terroristas. Cada vez mais acordamos com notícias destas, capazes de deixar o coração de qualquer pessoa bem apertado. Felizmente, a minha família e amigos que vivem fora do país (inclusive em cidades que já sofreram ataques terroristas como Paris e Istambul) sempre estiveram a salvo. Mas infelizmente já muitos perderam pais, irmãos, amigos e namorados, e isso deixa-me com o coração nas mãos e um sentimento de revolta que não consigo expressar correctamente por palavras. É com essas pessoas que os meus pensamentos estão. Não só em Bruxelas, mas em todos os lugares onde estes ataques ocorrem e onde pessoas sem culpa de nada perdem a vida. No sábado passado, depois de saber do ataque terrorista em Istambul, mandei mensagem a uma amiga minha turca e que vive em Istambul por quem tenho imenso carinho para confirmar se estava bem. Poucos minutos depois recebi uma mensagem positiva, que confirmou que estava tudo bem, apesar da insegurança e do medo que todos sentiam.
Infelizmente há muitas pessoas que não recebem essa mensagem positiva. Recebem apenas notícias más e tristes. Notícias que surgem em virtude de uns quantos cobardes julgarem que são melhores e que são superiores. Notícias que surgem de acontecimentos não se sabe bem em nome do quê ou de quem mas que destroem vidas e famílias em segundos da forma mais cobarde de todas. Sem aviso, sem dar oportunidade para defesa, sem dar a cara. Um ataque pelas costas de inocentes que derramam sangue e perdem a vida quando vão para o trabalho, quando vão viajar ou quando estão só a passear. Pessoas que mereciam chegar a casa no fim do dia, que mereciam ver os filhos crescer, que mereciam dar mais um abraço ao pai e à mãe, que mereciam, acima de tudo, viver!
Comecei com Saramago e termino com um excerto do livro de Carl Sagan, Pale Blue Dot:

"Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner (...) how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds.
(...) In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ouselves."

segunda-feira, 21 de março de 2016

My dear Amy

Acho que a Amy Winehouse é das artistas mais peculiares que já ouvi. Não há ninguém comparável. Única em tantos sentidos. A música precisa de mais artistas como ela. Que sobem ao palco e, sem o mínimo esforço, conseguem transmitir tanto e com tanta mestria. Sem auto tune, sem playback, sem truques. Só ela e o interminável talento que tinha.

Os problemas da estupidez humana

Gregarismo é, segundo o Priberam, "a tendência humana para viver em comunidade". Aprendi numa das minhas aulas de psicologia que o ser humano tem tendências gregárias. Aprendi, na vida real, que a tendência gregária torna algumas pessoas estúpidas. Provavelmente já há um estudo científico a comprovar o que acabei de dizer. Acredito que sim, em 2016 há estudos sobre tudo e mais alguma coisa. Se não houver disponho-me a fazer um estudo sobre o tópico!
Vocês devem estar a questionar o porquê de eu me pôr com esta conversa hoje. É hoje porque ainda estava à espera de que o vídeo que vi e que despoletou a minha raiva e me deixou corada de vergonha alheia fosse mentira, nada mais do que um estúpido fruto da minha imaginação. Só que não foi, e eu sou o tipo de pessoa que tem dificuldade em estar calada sobre o que me incomoda.
Faz precisamente hoje uma semana desde que o vídeo foi publicado na internet. Como pano de fundo: Plaza Mayor, Madrid. A maioria de vocês já sabe do que falo. Falo do vídeo que mostra os adeptos do PSV Eindhoven a humilhar algumas senhoras, pedintes alegadamente de nacionalidade romena, que lá estavam.
A cena é triste. Na esplanada, confortavelmente a beber as suas cervejas os holandeses pensaram que seria um bom passatempo atirar moedas para ver as pedintes correr desesperadas para as apanhar do chão. Como se estivessem num espectáculo e aquelas senhoras fossem uns fantoches feitos de pano que se encontravam ali com o único objectivo de os entreter. Não bastou atirar-lhes moedas, e alegadamente a entoar "não passem a fronteira", obrigaram-nas a fazer flexões no meio da rua (alguns transeuntes dizem mesmo que estas mulheres foram ameaçadas). O jogo ainda ia longe e tinham de passar o tempo de alguma forma, coitados. Na esplanada a diversão era rainha e todos riam completamente divertidos com o que estavam a fazer.
Como se humilhar outro ser humano fosse divertido. Como se pensar que se é superior fosse divertido. Como se ser uma cambada de energúmenos inúteis e desprovidos da mais básica educação fosse divertido. Não é. Pessoas sem educação não são divertidas, são só ignorantes, tristes e são do pior da espécie humana! Chego à conclusão que a culpa não é da tendência gregária (apesar de ajudar - quero acreditar que alguns dos que lá estavam a rir não fizeram nada por medo e por necessidade de se sentirem integrados e parte do "grupo", porque se todas aquelas pessoas são iguais, torna a situação ainda mais grave), o maior problema são as pessoas más e desprovidas de humanidade que se julgam, seja pelo que for, superiores a alguém.

sábado, 19 de março de 2016

Pai

Estão sempre a dizer-me que sou igual a ti. Sei que sou. Tenho os teus olhos e as tuas mãos. Acredito que também fiquei com o teu sentido de humor. Não sei bem como era o teu sentido de humor, mas pelo que já ouvi, acredito que somos muito parecidos até nisso. Fico feliz. Fico feliz por saber que fiquei com tantas heranças tuas. É a melhor forma de superar dias como estes. Deste-me muito. Por isso já não consigo ficar triste porque foste. Fico triste porque não estás comigo, não estás agora aqui para me ver crescer. No entanto fico feliz porque sei que te tenho comigo de tantas formas. Isso já é meu, tu és meu. Mesmo que nunca mais estejas comigo. Ninguém te tira de mim.
Tenho os teus olhos e espero que possas, de alguma forma, ver-me através deles. Saber que cresci, que estou a crescer e espero que consigas sentir o quanto eu gosto de ti, que consigas ver que tenho muito de ti comigo. Vou ter. Para sempre.
A tua miúda adora-te, mas eu desconfio que tu já sabes disso.

Um abraço gigante para todos os pais do mundo.
Outro para quem, como eu, já não o tem fisicamente.
Outro para as mães que fazem os dois papéis.
Outro para o meu tio que foi o pai que eu não tive e que eu adoro de coração.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Queridos leitores,

eu temo não entender pessoas que escrevem fatos em vez de factos. Eu não sou nenhuma nazi da língua portuguesa e provavelmente até dou um erro ali e aqui. São coisas da vida. Atire a primeira pedra quem nunca deu erros! Convém referir também que não sou fã do novo Acordo Ortográfico. Não sendo a maior especialista no assunto, continuo a achar que factos se escreve... factos! As letras que desaparecem são as que não são lidas, certo? Se experimentarem dizer factos vão perceber, rapidamente, que o c não foi a lado nenhum. Se de facto o c desapareceu de vez, fico muito agradecida se me informarem do sucedido (e fico muito triste também). Não porque vou passar a escrever fatos quando quero dizer factos mas só mesmo para eu perceber que afinal até há algum motivo válido que leva as pessoas a fazer isso.
Caso factos permaneça factos, fiquem já a saber que pessoas que escrevem fatos, em vez de factos, começam a entrar naquele patamar de escrever muituh em vez de muito e cenas do género.
Atenciosamente.

Por que será que existe o que quer que seja

Hoje apeteceu-me ouvir o Caetano. Que é como quem diz, pura poesia para os ouvidos. Sabe sempre bem. Também para relembrar que o Brasil tem muito, muito mas muito mais para oferecer do que Dilmas e Lulas. Haja ordem e progresso!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Smoking Kid

Sou o tipo de pessoa que fica incomodada com o fumo do tabaco. Não gosto, pronto. Às vezes digo isso a alguém que está a fumar à minha beira e que eu conheça bem (também não ando por aí a dizer a toda a gente que deviam ir fumar para outro lado porque cada um faz o que lhe apetecer). Acrescento sempre: isso faz mal à saúde, sabias? As pessoas sabem. Sabem perfeitamente o quão mal o tabaco faz. No entanto, insistem em fumar de qualquer forma. Uma campanha intitulada Smoking kid mostra o que acabei de dizer na perfeição. As pessoas sabem que o cancro envelhece, causa cancro e que no pior dos cenários, leva à morte.
Este anúncio venceu o bronze em Cannes no ano de 2012 e é, para muitos, o melhor anúncio contra o tabaco. Só o descobri hoje, mas gostei imediatamente do anúncio. Não sei se será o melhor do mundo, mas deve ser dos melhores que já vi dentro do tema. Melhor do que as minhas palavras, o vídeo:

Ordem e Progresso (?)

Em 1988, uns bons anos antes de eu nascer, Lula da Silva já dizia que "no Brasil é assim: quando um pobre rouba vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro". Ironias das ironias, Lula da Silva virou ministro. Assim num esquema um tanto ou quanto duvidoso que faz com que Lula fique protegido e não vá para a cadeia.
Apesar de perceber pouco dos meandros da política, vou acompanhando com alguma curiosidade o desenrolar deste caso (e de outros semelhantes) porque acho curioso como é que um cargo político dá tanto poder a uns meros mortais, e acho curioso também o quão longe as pessoas conseguem ir em nome do poder e do dinheiro. Acho a natureza humana muito curiosa.
O que se tem passado no Brasil parece-me ser corrupção pura (e descarada). Só isso. Como já não é novidade. O Brasil tem sido, infelizmente, governado por pessoas cheias de más intenções e que só se preocupam consigo próprias e não com os cidadãos ou o seu país. Gastam milhões e milhões mas nunca para resolver os verdadeiros problemas, nunca para melhorar o sistema de saúde ou da educação. Gastam milhões e milhões quando há milhões de brasileiros a viver e a morrer nas ruas sem nada para comer.
O lema do Brasil é "Ordem e Progresso". Se calhar a Dilma não sabe disso, nem o Lula, nem a cambada de políticos corruptos que por lá habitam. Ordem e Progresso. Infelizmente não pode haver ordem, e muito menos progresso, num país em que o próprio governo, que supostamente serve e é eleito para zelar pelos seus cidadãos, admite, premeia e promove ladrões e corruptos.

quarta-feira, 16 de março de 2016

A menina bonita do ténis

O sucesso mundial de Sharapova começou em 2004 quando venceu Wimbledon, o torneio mais prestigiante da modalidade, com apenas 17 anos. Desde aí, a menina querida do ténis acumulou uma data de títulos, ganhou 601 jogos e perdeu 145 e tornou-se na atleta feminina mais bem paga do mundo. Por tudo isso, e por muito mais, o anúncio que fez há pouco mais de uma semana foi tudo menos o que se esperava.

O teste anti-doping revelou que Sharapova competiu no Australian Open sob o efeito de meldonium. No anúncio que deu, informou-nos que tem tomado esta substância nos últimos dez anos sob aconselhamento médico. Não sou médica e os meus conhecimentos na área são reduzidos, para não dizer nulos. Portanto fiquei um bocado à toa, sem saber muito bem o que pensar. De notar que esta substância só passou a ser ilegal a partir do dia 1 de Janeiro do corrente ano.

Obviamente que a partir do momento em que se torna ilegal (seja pelo que for) que a substância deve ser deixada imediatamente. Sharapova disse que nem ela nem a sua equipa leram o e-mail enviado pela WADA (World Anti-Doping Agency) em que se podia ler no assunto Main Changes to The Tennis Anti-Doping Programme for 2016 (Alterações importantes no Progama de Anti-Doping do Ténis para 2016). A única coisa que pensei foi que, se de facto este e-mail não foi lido, é de uma incompetência indesculpável. Coisas destas não deviam acontecer a uma atleta que tem, sempre, atrás de si um enorme staff para que ela própria não tenha de se preocupar com estes assuntos.

Segundo apurei, através da leitura de algumas notícias referentes ao caso, é que se trata de uma substância que faz com que se liberte a mesma energia mas gastando menos oxigénio do que seria normal. Dito assim pode parecer pouca coisa, mas para atletas acredito que seja uma diferença abismal. Um porta-voz da empresa que produz a substância disse que o tratamento normal será de 4 a 6 semanas. A não ser que estejamos perante um caso anormal e com características muito peculiares, (se for o caso, e duvido que seja, conhecer-se-ao os detalhes brevemente), em que o tratamento passe de 4 a 6 semanas para muitos anos, parece-me um caso suspeito.

Desde o anúncio alguns patrocinadores foram rescindindo os contratos publicitários com a Sharapova. A primeira foi a Nike, seguindo-se pela Tag Heuer e a Porsche. E ainda foi suspesa, pela ONU como embaixadora da Boa Vontade. Provavelmente o início do fim. Seja qual for a decisão da WTA, a verdade é que a carreira brilhante que construiu durante anos levou um golpe muito duro e provavelmente irreparável.

Já muita tinta correu sobre o caso na imprensa e já muitos atletas da modalidade deram o seu apoio a Sharapova, enquanto outros foram mais duros. Serena Williams, a actual número um, aplaudiu a coragem enquanto que, por exemplo, Andy Murray foi mais duro nas críticas e está a ponderar até em rescindir o contrato com a Head, que mostrou o seu apoio a Sharapova.

Não sou ninguém para apontar o dedo, nem o quero fazer. Cresci a ouvir ténis e Sharapova quase lado a lado, como se fossem quase indissociáveis. No entanto fico sempre triste quando escândalos destes rebentam. Não consigo deixar de questionar tudo e todos os atletas. Se a Sharapova o fez, quantos mais não o poderão ter feito?

Vir a público fazer um anúncio destes exige coragem. No entanto, parece-me a única coisa que poderia fazer. Seria mil vezes pior se se escondesse e deixasse isto vir a público por terceiros. Demonstra coragem mas não apaga o uso desta substância.

Pessoalmente, e apesar de gostar muito da Sharapova, espero que não saía impune. No final a verdade é que acusou positivo para uma substância ilegal, e uma substância que já foi confirmada como sendo uma droga capaz de melhorar o desempenho de quem a consume. Isso é faltar à verdade. É desrespeitar o adversário e a modalidade. Na minha opinião, todos os que o fazem merecem ser punidos!

Se a carreira de Maria Sharapova, a tenista russa que conquistou o mundo e que se tornou uma das melhores tenistas de sempre (se bem que é legítimo questionar tudo aquilo que venceu até agora, como se questiona sempre que sabemos de coisas destas), será um final de carreira triste e inesperado.


terça-feira, 15 de março de 2016

As contas complicam-se

Foto: Vitória SC
Acho que a minha observação relativamente ao jogo do último Domingo, frente ao sempre complicado Paços de Ferreira, pode ser comprimida em quatro notas:

- Quando vou ver futebol, espero ver... futebol. Não sei se em Paços de Ferreira se faz o mesmo, mas dado o anti-jogo que os pacenses praticaram desde o início do jogo até ao final, diria que não. Se calhar vão só ao estádio ver teatro ou qualquer coisa que se assemelhe. Porque futebol os jogadores recusaram-se a jogar, dada a quantidade de vezes que precisaram de assistência médica ou os atrasos em repor a bola - claramente intencionais e com o intento de não dar espaço para o Vitória impor ritmo no jogo e de o quebrar sempre que possível. Acho que equipas assim não pertencem ao escalão máximo do futebol nacional, que merece um bocadinho mais (apesar de tudo...).

- Acho curioso, no mínimo, que João Capela ainda ande por aí a arbitrar jogos como se fizesse bem o seu trabalho. Acho ainda mais curioso ter sido nomeado para voltar a arbitrar o Vitória depois do que já fez em jogos passados contra nós. Não entendo com quais critérios se regem os responsáveis pelas nomeações e não sei como é que estas decisões são aceites. Há dois erros sobre os quais não posso deixar de falar. Em primeiro lugar, não entendo como é permitiu todo o anti-jogo do Paços, que roçou o ridículo (e estou a ser simpática...). O segundo erro (e também o maior) foi a expulsão de João Teixeira, num lance em que este toca... na bola. Na conferência de imprensa, Júlio Mendes disse que "não temos nada contra Capela, mas exige-se um bocado mais". Em parte tem razão. Deve exigir-se mais. No entanto, tenho cada vez mais contra Capela. Não me parece difícil entender porquê!

- As duas notas anteriores não pretendem, de forma absolutamente nenhuma, justificar ou desculpar a derrota e a perda de (mais) três pontos. Não deixa de ser verdade que fomos prejudicados pelo anti-jogo do adversário nem deixa de ser verdade que fomos prejudicados por um homem que acha que é árbitro porque lhe puseram um apito na boca e o vestiram de amarelo e preto. Não deixa de ser verdade, mas não justifica. Não justifica a passividade da equipa nem justifica mais uma exibição fraca e que em nada honra o nosso símbolo. Acho que é importante reconhecer a culpa da derrota - que, desta vez, é nossa. A partir do momento em que somos capazes de reconhecer a nossa culpa, somos capazes de identificar o problema e encontrar uma solução. É isso que o Vitória tem, obrigatoriamente, de fazer e de preferência antes de viajar para a Madeira para defrontar o Nacional porque cada vez mais todos os pontos contam e as contas estão cada vez mais complicadas e a Europa cada vez mais longe.

- Não gostei de ver o Vitória com seis jogadores emprestados no onze inicial. Qualquer jogador a envergar a camisola com o símbolo do Rei junto ao peito tem o meu apoio. Seja ele emprestado ou não - afinal é dos nossos, está cá e quer o mesmo que eu quero! No entanto não me posso admitir fã da política de emprestados, ou seja qual for o nome que lhe queiram dar. Isto é uma opinião pessoal, uma questão de visão do futebol e cada um tem a sua. Não acho, e perdoem-me se estou a ser injusta, que um jogador emprestado tenha a mesma motivação que um jogador do clube. Naturalmente julgo haver excepções. Uma das quais, por exemplo, será o Bruno Gaspar. Chegou a Guimarães na condição de emprestado mas sempre se notou a garra com que jogava pelo Vitória e nota-se que gosta da camisola que veste. Outro problema desta política - e talvez o maior deles todos - é que os jogadores emprestados só continuarão cá se o clube que os empresta não os quiser. É tão simples quanto isso. Se forem bons jogadores e se estiverem em boa forma, ou seja, quando estão a acrescentar valor à nossa equipa, acabam por ser "resgatados" pelas equipas que detêm os seus passes. Não são nossos! É uma forma de algumas equipas rodarem jogadores, fazendo com que acumulem minutos na primeira liga e experiência. Acho que esta política de emprestados pode beneficiar algumas equipas, mas julgo não ser benéfico para uma equipa como o Vitória, que se deve assentar numa estrutura sólida (e não dá para ter uma estrutura sólida se metade da equipa não é nossa) e que deve ter objectivos ambiciosos a longo prazo e acho que não preciso de dizer que não é possível ter objectivos ambiciosos a longo prazo quando não fazemos ideia de qual será a equipa que temos no próximo ano (ou sempre que o mercado abre) porque metade da equipa é emprestada. Não me importo que o Vitória jogue com um ou outro jogador emprestado (desde que acrescente valor à equipa naturalmente), mas mais de meia equipa parece-me não só exagerado como irresponsável. Por fim, outro problema igualmente grave é que esta política vai contra uma das políticas pelas quais o Vitória se regeu nos últimos anos e que foi pioneiro em Portugal, primeiramente por necessidade, mas que deu frutos: a aposta na formação. Ao jogar com tantos jogadores emprestados, os nossos jogadores da formação vêem as oportunidades a escapar-lhes. Não se pode ter tudo e das duas, uma: ou se opta por uma política de emprestados ou então opta-se por um projecto de valorização da formação. Acho que já perceberam que prefiro a segunda opção. Por fim, e para terminar esta nota, a equipa B, que tem sido tão pobremente gerida e isso está, infelizmente, a reflectir-se nos resultados e na tabela classificativa (mas isso são outros quinhentos), tem perdido um dos seus propósitos iniciais de potencializar jogadores para a equipa A.

O Vitória encontra-se, no fecho da vigésima sexta jornada, no 8º lugar da classificação. Antes das últimas duas derrotas (fora na Académica e em casa contra o Paços), tínhamos uma série de nove jogos sem perder. Isto soa bem e é positivo, claro, mas só somámos 15 de 27 pontos possíveis (3 vitórias e 6 empates). Embora não seja uma calamidade, podia ser francamente melhor! A luta para conseguir a Europa complica-se e está muito renhida. 
O Arouca, que já leva uma vantagem mais ou menos confortável, ocupa a 5ª posição com 41 pontos. Seguem-se com 36 e 35, respectivamente, o Rio Ave e o Paços de Ferreira. O Vitória tem 34 pontos. A seguir-nos de perto estão o Estoril e o Belenenses, com 33 e 32 pontos. De um ponto de vista realista, a nossa luta é pelo sexto lugar (que é o aceitável dentro dos mínimos). Se é verdade que estamos perto do Rio Ave e do Paços, é igualmente verdade que temos à perna o Estoril e o Belenenses. Parece-me que está na hora de arregaçar as mangas e lutar por cada ponto com toda a garra possível!

Nas bancadas, como sempre, estaremos nós. Sempre presentes e sempre incomparáveis. No final da época, somos nós que continuamos cá porque o Vitória somos nós. O resto passa, passam todos, os jogadores emprestados e os que não são emprestados, o treinador, a direcção, tudo. Uns deixam uma marca positiva, outros negativa. Mas nós ficamos, incondicionalmente e isso, tenho a certeza, dinheiro nenhum ou lugar na tabela consegue definir e muito menos comprar!

P.S.: Não podia escolher outra foto para acompanhar o post. O futebol é isto e é para todos. O futebol é uma modalidade que desde sempre pretende incluir toda a gente ao invés de excluir. Para além da magia dentro das quatro linhas, é também por isto que é a o desporto rei. Quem defende o contrário não sabe o que é futebol!