Não sei qual é a vossa definição da expressão "rato de biblioteca". Seja ela qual for, há fortes probabilidades de eu me enquadrar nela perfeitamente. Livros físicos são, para mim, uma espécie de paraíso que posso ter na mala para me fazer feliz a qualquer instante. É frequente ter uma data deles espalhados pelo quarto e guardo-os (principalmente os meus favoritos) com imenso carinho. Apesar de me considerar amiga do ambiente, não me imagino a aderir aos livros digitais e a essas modernices (sou assumidamente da old school). Quando olho para os meus livros, do mais antigo ao mais recente, é como ver a história do meu amadurecimento porque tenho livros (e autores) que adorava à uns anos e agora não os suporto e acho que são a coisa mais chata de sempre. Apesar de adorar e consumir filmes à velocidade da luz, relativamente às adaptações costumo preferir o livro ao filme. Raramente acontece o contrário.
O último livro que passou pela minha mesa de cabeceira foi The Revenant de Michael Punk que, a não ser que tenham estado encarcerados numa prisão de segurança máxima pelos últimos meses e ler este post é a primeira coisa que estão a fazer (se for essa a situação, muito obrigada pela preferência!), já devem saber que foi adaptado ao cinema por Alejandro G. Iñarritu. Este caso foi a excepção. Prefiro o filme ao livro, apesar de se regerem por linhas totalmente diferentes. Há, de facto, diferenças abismais. Por exemplo, a cena em que o urso ataca Hugh Glass tem uma importância enorme no filme, é uma cena relativamente longa e violenta. No livro ocupa uma parte pequena e não é tão violenta ou fulcral. Para além disso, e foi um pormenor que me deixou triste, no livro Glass não tem um filho (como acontece no filme) que motiva aquela vingança urgente do filme.
Apesar de tudo, Punke consegue o que nem sempre os autores conseguem mas que é um dos objectivos fulcrais: capturar a essência do período retratado. A história remonta a 1823. Eu não sei como é viver em 1823 (devem ter percebido isso sem eu dizer, mas just in case...) mas se me pedissem para imaginar como seria viver nessa época, eu imaginava da forma como Punke nos descreve em The Revenant e essa sensação é óptima!
No geral, é um livro que entretém com a acção e aventura qb. No entanto, e depois de ver o filme, tornou-se um bocadinho decepcionante para mim. Não sei se é a magia de Iñarritu ou se, caso não tivesse ainda visto o filme, ia achar o mesmo. É, acima de tudo, uma boa viagem a 1823 e uma boa história de vingança pura e dura!
sábado, 5 de março de 2016
Talento em português
terça-feira, 1 de março de 2016
Um fenómeno inexplicável chamado Vitória
![]() |
| Foto: Vitória SC |
"Desde que eu vim ao mundo
Que canto por ti
O tempo vai passando
E eu vou-me apaixonando sempre, cada vez mais
Olha p'ra tua curva
E sente a nossa voz
Este amor é tão louco
Eu queria-te explicar
Mas não vais entender
Ninguém vai entender"
Os ingleses usam muito a frase (acho que surgiu numa campanha de um clube, mas não me lembro qual, se souberem agradeço que deixem na caixa de comentários) "Football without fans is nothing". É a típica mentalidade inglesa (e não só) que faz com que os estádios estejam sempre, ou quase sempre, cheios. Sem adeptos o futebol não passa de um jogo que envolve imenso dinheiro e que junta uns indivíduos dentro do campo, a correr atrás da bola para tentar marcar golo. Continuavam a haver jogadas e golos espectaculares mas para quem era isso se não estavam lá os adeptos? Perdia parte da magia.
Ontem, numa segunda-feira à noite, o estádio do Vitória esteve perto de atingir os 20 000 espectadores. Muita gente saiu do trabalho e foi directamente para o estádio e muitos levantaram-se às 5 horas da manhã de hoje, fez esforços, sacrificou o jantar por um dia para estar ali, para apoiar o clube do coração. Isto na mesma jornada em que o Arouca - Braga (que se realizou no sábado passado a uma hora simpática, 18:30) juntou... 740 pessoas! O ambiente que se viveu no Dom Afonso Henriques ontem vive-se cada vez menos em Portugal e isso, como adepta de futebol, entristece-me.
O primeiro jogo que vi do Vitória foi contra o Sporting. Ontem senti o mesmo que senti nesse dia que já está longínquo. Não me consigo lembrar do resultado, dos jogadores ou do árbitro mas lembro-me de uma coisa com tamanha vivacidade que me surpreendo a mim mesma: os arrepios que senti durante o jogo todo quando, num estádio cheio, todas aquelas pessoas, unidas por um símbolo, irromperam em cânticos e em aplausos e fiquei com a certeza, enquanto criança, que do outro lado do mundo nos estavam a ouvir. Lembro-me da paixão que senti nesse dia, eu não queria saber dos jogadores para nada, muito menos se marcávamos mais ou menos golos do que os outros. Não foi pelo resultado que eu me apaixonei, foi por aquela gente e por aquele símbolo que me acompanha até hoje e que tenho a certeza que me vai acompanhar até ao fim. Por isso lamento tanto que não se viva um ambiente destes todos os jogos e lamento que tão poucas crianças (e adultos) se possam apaixonar da forma arrebatadora como eu me apaixonei naquele dia. Não quero ser dramática e muito menos radicalista mas viver sem conhecer um amor destes é viver sem conhecer uma das melhores coisas que a vida oferece. O sentimento de envergar o símbolo do Rei ao peito, do clube da minha cidade, é um sentimento inesquecível e incomparável. Quando era criança, achava que dava super poderes, ontem quando saí do estádio, apesar do empate, senti o mesmo e percebi qual era o super poder que me dava. O poder de, em algumas ocasiões transcender o amor e a vida. Há fenómenos inexplicáveis!
Valeu pelo DiCaprio, pelo Morricone, pela (surpresa) Spotlight e pouco mais
Acompanhei a gala dos Prémios da Academia do início ao fim, apesar de ter sido complicado manter-me acordada por um sem fim de motivos. Primeiro, as horas são impróprias. Segundo, a red carpet demorou eternidades e eu estava a ver que aquilo nunca mais acabava. Terceiro, acompanhei em directo na SIC Caras e a quantidade de pausas que fizeram ao longo da emissão para uma jornalista falar do que se comentava no Twitter foi no mínimo irritante. Quarto, por volta das 3 da manhã o sono atacou-me e foi difícil não adormecer. A cerimónia não foi nada de especial, como o costume, as surpresas não foram muitas, Chris Rock usou e abusou da polémica de falta de diversidade e acho que só há mais umas pequenas notas a tirar:
- Foi uma surpresa, para mim, The Revenant não ter sido o grande vencedor da noite e arrecadou só 3 estatuetas: melhor actor (Leonardo DiCaprio), melhor realizador (Alejandro G. Iñarritu, que vence pelo segundo ano consecutivo; em 2015 venceu com Birdman) e melhor fotografia ( Emmanuel Lubezki, que vence pela terceira vez consecutiva depois de vencer com Gravity e Birdman);
- Mad Max: Fury Road venceu quase todos os prémios técnicos (melhor edição, melhor edição de som, melhor mistura de som, melhor caracterização, melhor guarda-roupa e melhor cenografia) acumulando o total de 6 que fazem dele o filme com mais prémios da noite;
- Finalmente, e 500 bandas sonoras depois, Ennio Morricone venceu o prémio aos 87 com o fantástico trabalho em The Hateful Eight. Não podia ter sido melhor entregue!
- Nas categorias de melhor actriz e melhor actriz secundária foi entregue a quem se esperava: Brie Larson (Room) e Alicia Vikander (The Danish Girl), respectivamente;
- Uma das surpresas da noite foi ver Mark Rylance (Bridge of Spies) subir ao palco para receber o prémio de melhor actor secundário, quando toda a gente esperava ver Stallone. Preferi ver Rylance vencer porque não só teve um desempenho mais satisfatório como é melhor actor.
- A grande surpresa da noite foi, no entanto, ver Spotlight vencer a categoria mais esperada: melhor filme. Pensei que ia ser The Revenant mas fiquei contente porque, apesar do filme de Iñarritu ser muito bom, as questões que Spotlight levanta são questões muito importantes e que merecem os holofotes pela sua seriedade.
- E como não podia deixar de ser fiquei muito feliz pela vitória de Leonardo DiCaprio, é indiscutível e completamente merecido. O mundo ficou todo neste mood:
- Foi uma surpresa, para mim, The Revenant não ter sido o grande vencedor da noite e arrecadou só 3 estatuetas: melhor actor (Leonardo DiCaprio), melhor realizador (Alejandro G. Iñarritu, que vence pelo segundo ano consecutivo; em 2015 venceu com Birdman) e melhor fotografia ( Emmanuel Lubezki, que vence pela terceira vez consecutiva depois de vencer com Gravity e Birdman);
- Mad Max: Fury Road venceu quase todos os prémios técnicos (melhor edição, melhor edição de som, melhor mistura de som, melhor caracterização, melhor guarda-roupa e melhor cenografia) acumulando o total de 6 que fazem dele o filme com mais prémios da noite;
- Finalmente, e 500 bandas sonoras depois, Ennio Morricone venceu o prémio aos 87 com o fantástico trabalho em The Hateful Eight. Não podia ter sido melhor entregue!
- Nas categorias de melhor actriz e melhor actriz secundária foi entregue a quem se esperava: Brie Larson (Room) e Alicia Vikander (The Danish Girl), respectivamente;
- Uma das surpresas da noite foi ver Mark Rylance (Bridge of Spies) subir ao palco para receber o prémio de melhor actor secundário, quando toda a gente esperava ver Stallone. Preferi ver Rylance vencer porque não só teve um desempenho mais satisfatório como é melhor actor.
- A grande surpresa da noite foi, no entanto, ver Spotlight vencer a categoria mais esperada: melhor filme. Pensei que ia ser The Revenant mas fiquei contente porque, apesar do filme de Iñarritu ser muito bom, as questões que Spotlight levanta são questões muito importantes e que merecem os holofotes pela sua seriedade.
- E como não podia deixar de ser fiquei muito feliz pela vitória de Leonardo DiCaprio, é indiscutível e completamente merecido. O mundo ficou todo neste mood:
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domingo, 28 de fevereiro de 2016
88th Academy Awards
Pela 88º vez a Academia vai entregar vários prémios a quem se destacou no cinema em 2015. A cerimónia, de proporções globais, começa dentro de pouco tempo e eu, que dispenso a red carpet estou aqui pronta a dar-vos a conhecer as minhas previsões nas seis categorias principais porque, pela primeira vez, vi os filmes todos nomeados nas seguintes categorias: melhor filme, melhor realizador, melhor actriz, melhor actor, melhor actor secundário e melhor actriz secundária. O meu próximo objectivo é ver todos os filmes (de todas as categorias)! Os dois filmes com mais nomeações são The Revenant, com 12 no total, e Mad Max: Fury Road, com 10.
Melhor Filme
O vencedor quase certo da estatueta mais importante será The Revenant. Não tenho grandes dúvidas e não queria que fosse outro. A haver surpresas (e estou certa de que não haverá) gostava de ver Room como melhor filme.
Os nomeados contam com filmes muito bons, como os que acabei de referir (que são os meus favoritos) mas também conta com filmes medianos (The Martian e Brooklyn, que não pensei ver nomeados) e um filme que, para mim, foi um verdadeiro suplício.
Nomeados:
Bridge of Spies
The Big Short
Mad Max: Fury Road
Brooklyn
Spotlight
The Martian
Room
The Revenant
Melhor Realizador
Provavelmente Alejandro G. Iñarritu vencerá com The Revenant. Provavelmente sem grandes dúvidas. A haver dúvidas, seriam provavelmente causadas por Lenny Abraam com Room que fez, também ele, um trabalho soberbo ou Adam McKay com The Big Short.
Nomeados:
Adam McKay - The Big Short
Alejandro G. Iñarritu - The Revenant
George Miller - Mad Max: Fury Road
Lenny Abrahamson - Room
Tom McCarthy - Spotlight
Melhor Actor
Leonardo DiCaprio com The Revenant. Apesar de não ter sido o melhor desempenho da sua carreira, foi inegavelmente brilhante. Quando vi The Danish Girl fiquei com as minhas dúvidas. Eddie Redmayne tem o desempenho que a Academia costuma premiar. Basta ver pelos últimos anos. Ainda assim, acho que não tira os holofotes do DiCaprio desta vez. Gostava de ter visto o pequeno Jacob Tremblay nomeado e o enorme Samuel L. Jackson em The Hateful Eight.
Nomeados:
Bryan Cranston (Trumbo)
Eddie Redmayne (The Danish Girl)
Leonardo DiCaprio (The Revenant)
Matt Damon (The Martian)
Michael Fassbender (Steve Jobs)
Melhor Actriz
Estou certa de que será Brie Larson com Room. Não há muito a acrescentar. Totalmente intocável. Duvido que haja alguma surpresa nesta categoria.
Nomeadas:
Brie Larson (Room)
Cate Blanchett (Carol)
Charlotte Rampling (45 Years)
Jennifer Lawrence (Joy)
Saoirse Ronan (Brooklyn)
Melhor Actor Secundário
Gostava de ver Mark Ruffalo (Spotlight) levar a estatueta, mas não estou certa de que o fará. O meu instinto grita Sylvester Stallone (Creed). Grandes interpretações de excelentes actores.
Nomeados:
Christian Bale (The Big Short)
Tom Hardy (The Revenant)
Mark Ruffalo (Spotlight)
Mark Rylance (Bridge of Spies)
Sylvester Stalone (Creed)
Melhor Actriz Secundária
Pessoalmente, era a categoria mais complicada para eleger uma vencedora. Interpretações soberbas de todas elas. Acho sinceramente que é a categoria mais renhida e que as probabilidades estão muito equilibradas. No entanto, acho que a estatueta vai para Alicia Vikander, em The Danish Girl, ou para Jennifer Jason Leight, em The Hateful Eight. A única categoria em que não consigo dizer quem é o elo mais fraco! Muito, muito, muito disputada! A apostar só numa, diria que Alicia vence.
Nomeadas:
Jennifer Jason Leight (The Hateful Eight)
Rooney Mara (Carol)
Rachel McAdams (Spotlight)
Alicia Vikander (The Danish Girl)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Dos nomeados a melhor filme, escolho três, que acredito que vou rever: The Revenant, Spotlight e Room. O vencedor da noite deverá ser The Revenant, e a maioria dos prémios técnicos devem ir para Mad Max (o filme não me agrada, mas reconheço o que tem de bom). Agora está quase quase a começar a cerimónia e espero que seja, sobretudo, uma boa cerimónia, com momentos engraçados (não me desiludas Chris Rock) e estou ansiosa para ouvir os discursos porque pela primeira vez eles não vão receber a estatueta e debitar 500 mil nomes de pessoas que nem sabemos quem são, porque os agradecimentos vão passar em rodapé. Que seja memorável! Divirtam-se!
Sétima Arte | The Hateful Eight & Room & The Revenant
The Hateful Eight
Quentin Tarantino já disse que vai realizar dez filmes na sua carreira. The Hateful Eight é o oitavo.
O oitavo não é o melhor de Tarantino, mas mais ninguém poderia fazer quase três horas de filme passarem tão rápido. Não é um filme para as massas (acho que os filmes de Tarantino não o são), mas tem tudo o que é preciso para ser excelente: a banda sonora de Enio Morricone, o desempenho brutal de todo o elenco com claro destaque para Samuel L. Jackson e Jennifer Jason Leight (que lhe valeu a nomeação a melhor actriz secundária) e diálogos maravilhosos.
Tarantino era o único que podia realizar The Hateful Eight com tanta mestria e qualidade!
Room
É impossível esquecer Room. Não precisei de muito para perceber isso. Ver o mundo pelos olhos de uma criança que não conhece o mundo quase nos leva às lágrimas. A simplicidade e a inocência de Jack (Jacob Tremblay) são marcantes.
É daqueles filmes que têm o poder de afectar o espectador não só psicologicamente mas também fisicamente. Dói e destrói. É com filmes destes que nos apaixonamos por cinema, uma e outra vez!
Lenny Abrahamson tem a capacidade e a qualidade para nos fazer sentir enclausurados dentro de um quarto, como se nós também nunca de lá tivéssemos saído, como se aquele fosse o mundo que conhecemos; e tem a capacidade e a qualidade de nos fazer descobrir, ao mesmo tempo que Jack, que afinal o mundo é muito maior, com muitas mais pessoas e árvores de verdade e portas que abrem e que dão para outras portas.
Jacob Tremblay, com apenas 9 anos, faz veteranos corar de inveja. O miúdo é um diamante em bruto e não era escândalo nenhum vê-lo nomeado na categoria de melhor actor. Brie Larson é fantástica e merece totalmente a nomeação (e provavelmente será a vencedora). Inesquecível e dos filmes que vão ser recordados por muito tempo! Room vai, provavelmente, destruir-te. E dar-te vida outra vez!
The Revenant
Todos os elementos de The Revenant são marcantes. Felizmente não me escapou no cinema. Se há filme que vale a pena dar 6€ para ir ao cinema, é este!
Não é o melhor de Leonardo DiCaprio, mas é bom o suficiente para lhe garantir a nomeação e lhe ter garantido todos os prémios que precedem os Prémios da Academia (inclusive o Globo de Ouro). Hugh Glass não é um homem de muitas palavras, mas percebemos-lhe a sede de vingança, a determinação e a resistência. Para além de DiCaprio, valeu a Tom Hardy, merecidamente, a nomeação a melhor actor secundário.
The Revenent é uma obra-de-arte e é uma regalia para os olhos. Indicado em 12 categorias, acredito piamente que será o vencedor da noite e com toda a justiça. Iñarritu mostra-nos que sabe muito bem aquilo que anda aqui a fazer!
Quentin Tarantino já disse que vai realizar dez filmes na sua carreira. The Hateful Eight é o oitavo.
O oitavo não é o melhor de Tarantino, mas mais ninguém poderia fazer quase três horas de filme passarem tão rápido. Não é um filme para as massas (acho que os filmes de Tarantino não o são), mas tem tudo o que é preciso para ser excelente: a banda sonora de Enio Morricone, o desempenho brutal de todo o elenco com claro destaque para Samuel L. Jackson e Jennifer Jason Leight (que lhe valeu a nomeação a melhor actriz secundária) e diálogos maravilhosos.
Tarantino era o único que podia realizar The Hateful Eight com tanta mestria e qualidade!
Room
É impossível esquecer Room. Não precisei de muito para perceber isso. Ver o mundo pelos olhos de uma criança que não conhece o mundo quase nos leva às lágrimas. A simplicidade e a inocência de Jack (Jacob Tremblay) são marcantes.
É daqueles filmes que têm o poder de afectar o espectador não só psicologicamente mas também fisicamente. Dói e destrói. É com filmes destes que nos apaixonamos por cinema, uma e outra vez!
Lenny Abrahamson tem a capacidade e a qualidade para nos fazer sentir enclausurados dentro de um quarto, como se nós também nunca de lá tivéssemos saído, como se aquele fosse o mundo que conhecemos; e tem a capacidade e a qualidade de nos fazer descobrir, ao mesmo tempo que Jack, que afinal o mundo é muito maior, com muitas mais pessoas e árvores de verdade e portas que abrem e que dão para outras portas.
Jacob Tremblay, com apenas 9 anos, faz veteranos corar de inveja. O miúdo é um diamante em bruto e não era escândalo nenhum vê-lo nomeado na categoria de melhor actor. Brie Larson é fantástica e merece totalmente a nomeação (e provavelmente será a vencedora). Inesquecível e dos filmes que vão ser recordados por muito tempo! Room vai, provavelmente, destruir-te. E dar-te vida outra vez!
The Revenant
Todos os elementos de The Revenant são marcantes. Felizmente não me escapou no cinema. Se há filme que vale a pena dar 6€ para ir ao cinema, é este!
Não é o melhor de Leonardo DiCaprio, mas é bom o suficiente para lhe garantir a nomeação e lhe ter garantido todos os prémios que precedem os Prémios da Academia (inclusive o Globo de Ouro). Hugh Glass não é um homem de muitas palavras, mas percebemos-lhe a sede de vingança, a determinação e a resistência. Para além de DiCaprio, valeu a Tom Hardy, merecidamente, a nomeação a melhor actor secundário.
The Revenent é uma obra-de-arte e é uma regalia para os olhos. Indicado em 12 categorias, acredito piamente que será o vencedor da noite e com toda a justiça. Iñarritu mostra-nos que sabe muito bem aquilo que anda aqui a fazer!
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Sétima Arte | Trumbo & The Martian & Mad Max
Trumbo
Fiquei extremamente feliz quando vi o Mr. White, perdão, o Bryan Cranston, nomeado para o Oscar de melhor actor, ainda antes de ter visto Trumbo, porque sabia que é um actor de enorme qualidade e capaz de fazer magia no ecrã.
Desta vez fá-lo na pele de Dalton Trumbo. Trumbo foi um dos homens que marcou os dias negros de Hollywood e cuja história é trazida agora à ribalta.
É um filme interessante mas que tem dois pontos, em particular, que merecem ser referenciados: o primeiro é, naturalmente, Bryan Cranston; o segundo é o tema importante que, se não fosse por este filme, eu nem sequer tinha conhecimento. Trumbo foi proibido de trabalhar (continuou a trabalhar, e a ganhar prémios com o seu trabalho, mas de forma clandestina) e colocado numa "lista negra" porque simpatizava com os ideais comunistas. É ridículo que se proíba alguém de trabalhar com base nas suas ideologias, ou pelas suas ideologias serem contrárias à maioria.
A nomeação de Cranston a melhor actor parece-me justa e ainda que não seja um filme revolucionário ou inesquecível, vale a pena ver. Principalmente, para não voltar a repetir os erros do passado!
The Martian
Só descobri que The Martian era uma comédia quando ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia. Quando vi a notícia fiquei baralhada. Spy, nomeado na mesma categoria, é uma comédia. The Martian às vezes dá para rir, o que não o torna numa comédia. Eu percebi a lógica, no entanto: o The Revenant, Room, Spotlight e etc. estavam nomeados na categoria de drama e contra esses filmes duvido que The Martian tivesse hipótese de ganhar. Como duvido que tenha alguma hipótese hoje.
É um filme que tem capacidade de entreter e de nos manter presos ao ecrã (apesar de sabermos de antemão que tudo vai ficar bem) e foi o filme de ficção científica que mais gostei de ver o ano passado. Matt Damon faz o que lhe compete, é engraçado quando precisa de ser e corresponde ao que o personagem pede e isso valeu-lhe a nomeação a melhor actor.
Mad Max: Fury Road
Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme do ano passado, Whiplash provavelmente passar-me-ia ao lado. O que era um crime porque é um óptimo filme! Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme deste ano, provavelmente Mad Max passar-me-ia ao lado, e eu acho que não perdia nada!
A minha primeira tentativa de ver este filme foi no Verão. Na primeira cena (ou segunda, ou a começar) aparece um homem no meio do deserto a comer um bicho (vivo!) como quem vai à cozinha comer uma Oreo. Revirei os olhos e não quis saber mais disto. Nem o giraço do Tom Hardy (que estava a comer o bicho) me convencia. Até ver que estava nomeado para... (rufar de tambores) DEZ oscares!!!!! Pensei com os meus botões que podia ter feito um julgamento demasiado rápido e podia ter sido injusta. Dei-lhe uma segunda oportunidade.
Devo dizer que eu sou suspeita. Não sou fã de filmes que se desviem demasiado da realidade. É o meu gosto pessoal e desde que me lembro que este género de filmes não me dá gozo nenhum. Sei que um dos objectivos do cinema é "tirar-nos" deste planeta e envolver-nos no planeta dentro do ecrã mas ainda assim prefiro coisas mais... naturais.
Voltando ao Mad Max. Dei-lhe uma segunda oportunidade. Fiz o esforço de ver até ao fim, são duas horas. Muito sinceramente o filme pareceu-me quase todo igual: conduzir a "máquina de guerra". Foi isso que retive do filme. Entendo a nomeação para o Oscar, por exemplo, de melhores efeitos visuais e melhor caracterização. Melhor filme? Pessoalmente, substituía-o com facilidade nos nomeados porque foi dos filmes mais aborrecidos que já vi.
Fiquei extremamente feliz quando vi o Mr. White, perdão, o Bryan Cranston, nomeado para o Oscar de melhor actor, ainda antes de ter visto Trumbo, porque sabia que é um actor de enorme qualidade e capaz de fazer magia no ecrã.
Desta vez fá-lo na pele de Dalton Trumbo. Trumbo foi um dos homens que marcou os dias negros de Hollywood e cuja história é trazida agora à ribalta.
É um filme interessante mas que tem dois pontos, em particular, que merecem ser referenciados: o primeiro é, naturalmente, Bryan Cranston; o segundo é o tema importante que, se não fosse por este filme, eu nem sequer tinha conhecimento. Trumbo foi proibido de trabalhar (continuou a trabalhar, e a ganhar prémios com o seu trabalho, mas de forma clandestina) e colocado numa "lista negra" porque simpatizava com os ideais comunistas. É ridículo que se proíba alguém de trabalhar com base nas suas ideologias, ou pelas suas ideologias serem contrárias à maioria.
A nomeação de Cranston a melhor actor parece-me justa e ainda que não seja um filme revolucionário ou inesquecível, vale a pena ver. Principalmente, para não voltar a repetir os erros do passado!
The Martian
Só descobri que The Martian era uma comédia quando ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia. Quando vi a notícia fiquei baralhada. Spy, nomeado na mesma categoria, é uma comédia. The Martian às vezes dá para rir, o que não o torna numa comédia. Eu percebi a lógica, no entanto: o The Revenant, Room, Spotlight e etc. estavam nomeados na categoria de drama e contra esses filmes duvido que The Martian tivesse hipótese de ganhar. Como duvido que tenha alguma hipótese hoje.
É um filme que tem capacidade de entreter e de nos manter presos ao ecrã (apesar de sabermos de antemão que tudo vai ficar bem) e foi o filme de ficção científica que mais gostei de ver o ano passado. Matt Damon faz o que lhe compete, é engraçado quando precisa de ser e corresponde ao que o personagem pede e isso valeu-lhe a nomeação a melhor actor.
Mad Max: Fury Road
Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme do ano passado, Whiplash provavelmente passar-me-ia ao lado. O que era um crime porque é um óptimo filme! Se não fosse pelos nomeados ao Oscar de melhor filme deste ano, provavelmente Mad Max passar-me-ia ao lado, e eu acho que não perdia nada!
A minha primeira tentativa de ver este filme foi no Verão. Na primeira cena (ou segunda, ou a começar) aparece um homem no meio do deserto a comer um bicho (vivo!) como quem vai à cozinha comer uma Oreo. Revirei os olhos e não quis saber mais disto. Nem o giraço do Tom Hardy (que estava a comer o bicho) me convencia. Até ver que estava nomeado para... (rufar de tambores) DEZ oscares!!!!! Pensei com os meus botões que podia ter feito um julgamento demasiado rápido e podia ter sido injusta. Dei-lhe uma segunda oportunidade.
Devo dizer que eu sou suspeita. Não sou fã de filmes que se desviem demasiado da realidade. É o meu gosto pessoal e desde que me lembro que este género de filmes não me dá gozo nenhum. Sei que um dos objectivos do cinema é "tirar-nos" deste planeta e envolver-nos no planeta dentro do ecrã mas ainda assim prefiro coisas mais... naturais.
Voltando ao Mad Max. Dei-lhe uma segunda oportunidade. Fiz o esforço de ver até ao fim, são duas horas. Muito sinceramente o filme pareceu-me quase todo igual: conduzir a "máquina de guerra". Foi isso que retive do filme. Entendo a nomeação para o Oscar, por exemplo, de melhores efeitos visuais e melhor caracterização. Melhor filme? Pessoalmente, substituía-o com facilidade nos nomeados porque foi dos filmes mais aborrecidos que já vi.
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Sétima Arte | Brooklyn & Spotlight & Carol
Brooklyn
Ainda não há viagens no tempo, mas há filmes (e livros) que, quando são feitos em condições, servem o propósito. Brooklyn fá-lo e transporta-nos até aos anos 50, à vida de Eilis (Saoirse Ronan).
Eilis cresceu numa aldeia irlandesa mas vê-se forçada a partir para a América, na esperança de encontrar as oportunidades que não encontra na Irlanda. O único conhecido que tem na América é o padre que lhe arranjou emprego numa loja em Brooklyn, onde também reside. Em Brooklyn reside também o italiano Tony (Emory Cohen). Conhecem-se num baile irlandês. Tony não é irlandês, mas gosta de "raparigas irlandesas" e gostou de Eilis.
É fácil ficar sensibilizado com a história de Eilis, afinal quase todos (ou todos) conhecemos ou vivemos de perto a dor de ver pessoas próximas e que nos são queridas ir para longe em busca das oportunidades que cá não têm, ou conhecemos a dor de partir. Acho até que é difícil não sentir uma tremenda empatia por Eilis e aqueles grandes olhos azuis!
A maior qualidade do filme é ser despretensioso. É o little black dress dos nomeados ao melhor filme. O less is more. Simples, mas inteligente e eficaz na mensagem que passa e acho que foi por isso que gostei. Por isso e por causa de Saoirse Ronan (nomeada a melhor actriz), sem dúvida nenhuma!
Spotlight
Já conhecia o caso Spotlight antes do filme ter sido lançado, por isso fiquei expectante para ver o filme, e não desiludiu!
Depois de ver o filme consolidei ainda mais uma certeza que já tinha: uma comunicação social completamente independente é fulcral para que casos como os que são retratados em Spotlight sejam denunciados e resolvidos e para que não sejam sempre encobertos (como acredito que continuam a ser). Um filme essencial e que dá que pensar (e muito!) sobre os podres e os poderes da igreja, de que tantos têm conhecimento e sobre os quais ninguém, ou quase ninguém, está disposto a agir.
É um filme excelente e que merece o reconhecimento de ser nomeado a melhor filme pela qualidade, pelo argumento e pela direcção. Excelentes interpretações de todo o elenco valeram a Rachel McAdams a nomeação a melhor actriz secundária e a nomeação a Mark Ruffalo para melhor actor secundário.
Carol
Depois de pousar os nossos olhos em Carol Aird (Cate Blanchett) pela primeira vez, é impossível não ficar hipnotizado pela beleza intemporal e tão clássica que emana de uma mulher tão elegante que está apenas a procurar um presente de natal para a sua filha. Therese Belivet (Rooney Mara) fica tão hipnotizada quanto nós e só desvia o olhar quando uma cliente (Therese é funcionária da loja que vende brinquedos) lhe rouba a atenção.
Adaptado do livro homónimo de Patricia Highsmith, Todd Haynes não descura nada: sentimos que estamos em Nova Iorque, no início dos anos cinquenta e sentimos as dores destas duas mulheres que se apaixonam perdidamente. Carol sabe-o primeiro mas Therese não se apercebe de imediato.
Uma paixão como poucas vezes se tem visto no cinema, com os sentimentos à flor da pele e com duas excelentes actrizes: Cate Blanchett está deslumbrante e icónica e Rooney Mara, apesar de não conseguir ter o carisma de Blanchett, também nos dá uma excelente performance. Estão ambas nomeadas, para o óscar de melhor actriz e melhor actriz secundária, respectivamente.
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Sétima Arte | Joy & The Big Short & Bridge of Spies
Joy
Joy tenta passar de um filme típico de domingo à tarde, mas sem grande sucesso. Pareceu-me ser demasiado forçado em todos os aspectos.
David O. Russell propõe-se a contar-nos a história de Joy Mangano (Jennifer Lawrence), com uma abordagem que, pessoalmente, não me agrada muito: mais ficção do que factos.
A história desenrola-se demasiado rápido, as relações não são aprofundadas (a relação mais aprofundada acaba por ser a de Joy e do ex-marido, mas de um momento para o outro ele já está com a sua namorada nova, disposta a humilhar Joy) e as personagens têm pouca substância (a mãe de Joy chega a roçar o ridículo: passa o dia na cama a ver a novela e apaixona-se pelo canalizador em cinco segundos).
Jennifer Lawrence, com uma nomeação aos Óscares na categoria de Melhor Actriz, faz o que lhe compete e fá-lo bem e não é à toa que é a menina bonita de Hollywood! Apesar de ser o mais positivo do filme, não sei se tem um desempenho oscar worthy, principalmente se olhar a algumas das outras nomeadas.
The Big Short
Quando pensamos em crise, a primeira palavra que nos vem à cabeça não é comédia. Adam McKay deve pensar assim, e pensa bem. A crise de 2008 afectou imensa gente e pouca gente consegue explicar o que foi e muito menos a conseguiu prever.
The Big Short provavelmente não vai esclarecer totalmente os leigos que nada percebem do assunto e até se pode tornar confuso porque a terminologia não é a mais comum mas até para quem não percebe, nem tem interesse, continua a ser um filme muito interessante, pelo ritmo rápido, o humor e o bom-gosto.
O elenco é de luxo e conta com Brad Pitt, Christian Bale (nomeado como Melhor Actor Secundário), Steve Carrell e Ryan Gosling. Eleger o melhor é uma tarefa difícil porque todos me parecem indispensáveis e estão todos muito bem. Para além da nomeação de Bale, Adam McKay também está nomeado para Melhor Realizador e está, com justiça, nomeado para Melhor Filme.
No final não há como não sentir uma revolta tremenda por vivermos todos num sistema corrompido que não se cura, só se corrompe ainda mais.
Bridge of Spies
A Guerra Fria foi um momento de enorme desconfiança. Acredito que poucos eram os que sabiam em quem podiam confiar plenamente.
James B. Donovan (Tom Hanks) é um advogado de Nova Iorque que tem um caso peculiar em mãos: defender um espião soviético, Rudolf Abel (Mark Rylance). Defender não é a palavra certa. O que os superiores de Donovan querem que este faça é uma defesa a brincar, mas que dê a ideia de que os americanos são sérios e íntegros. Donovan é íntegro, de verdade e não a brincar, e o respeito e posterior amizade que sente por Rudolf fá-lo repensar no que lhe foi pedido.
Bridge of Spies está nomeado para melhor filme e valeu, com justiça, uma nomeação a Mark Rylance, que tem um desempenho excelente, na categoria de melhor actor secundário. Tom Hanks dá-nos mais daquilo a que já nos habituou: a excelência de quem já tem muitos anos nisto. E Spielberg nunca desilude! (Fiquei especialmente fã de duas cenas, em que penso que Spielberg tenta traçar um paralelismo (pelo menos, eu não consegui não o fazer). Em ambas as cenas Donovan está no comboio: a primeira, na actual Alemanha, quando vê um grupo de pessoas a ser mortas a tiro, sem dó nem piedade, por tentar atravessar o muro; a segunda, já em solo americano (e no final do filme), Donovan vê um grupo de crianças a saltar livremente as vedações sem que nada lhes aconteça. Para mim significa que nunca poderemos apagar o passado cruel e deplorável que faz seres humanos construírem muros para separar outros seres humanos, mas que por pior que seja essa história, haverá sempre esperança.).
Joy tenta passar de um filme típico de domingo à tarde, mas sem grande sucesso. Pareceu-me ser demasiado forçado em todos os aspectos.
David O. Russell propõe-se a contar-nos a história de Joy Mangano (Jennifer Lawrence), com uma abordagem que, pessoalmente, não me agrada muito: mais ficção do que factos.
A história desenrola-se demasiado rápido, as relações não são aprofundadas (a relação mais aprofundada acaba por ser a de Joy e do ex-marido, mas de um momento para o outro ele já está com a sua namorada nova, disposta a humilhar Joy) e as personagens têm pouca substância (a mãe de Joy chega a roçar o ridículo: passa o dia na cama a ver a novela e apaixona-se pelo canalizador em cinco segundos).
Jennifer Lawrence, com uma nomeação aos Óscares na categoria de Melhor Actriz, faz o que lhe compete e fá-lo bem e não é à toa que é a menina bonita de Hollywood! Apesar de ser o mais positivo do filme, não sei se tem um desempenho oscar worthy, principalmente se olhar a algumas das outras nomeadas.
The Big Short
Quando pensamos em crise, a primeira palavra que nos vem à cabeça não é comédia. Adam McKay deve pensar assim, e pensa bem. A crise de 2008 afectou imensa gente e pouca gente consegue explicar o que foi e muito menos a conseguiu prever.
The Big Short provavelmente não vai esclarecer totalmente os leigos que nada percebem do assunto e até se pode tornar confuso porque a terminologia não é a mais comum mas até para quem não percebe, nem tem interesse, continua a ser um filme muito interessante, pelo ritmo rápido, o humor e o bom-gosto.
O elenco é de luxo e conta com Brad Pitt, Christian Bale (nomeado como Melhor Actor Secundário), Steve Carrell e Ryan Gosling. Eleger o melhor é uma tarefa difícil porque todos me parecem indispensáveis e estão todos muito bem. Para além da nomeação de Bale, Adam McKay também está nomeado para Melhor Realizador e está, com justiça, nomeado para Melhor Filme.
No final não há como não sentir uma revolta tremenda por vivermos todos num sistema corrompido que não se cura, só se corrompe ainda mais.
Bridge of Spies
A Guerra Fria foi um momento de enorme desconfiança. Acredito que poucos eram os que sabiam em quem podiam confiar plenamente.
James B. Donovan (Tom Hanks) é um advogado de Nova Iorque que tem um caso peculiar em mãos: defender um espião soviético, Rudolf Abel (Mark Rylance). Defender não é a palavra certa. O que os superiores de Donovan querem que este faça é uma defesa a brincar, mas que dê a ideia de que os americanos são sérios e íntegros. Donovan é íntegro, de verdade e não a brincar, e o respeito e posterior amizade que sente por Rudolf fá-lo repensar no que lhe foi pedido.
Bridge of Spies está nomeado para melhor filme e valeu, com justiça, uma nomeação a Mark Rylance, que tem um desempenho excelente, na categoria de melhor actor secundário. Tom Hanks dá-nos mais daquilo a que já nos habituou: a excelência de quem já tem muitos anos nisto. E Spielberg nunca desilude! (Fiquei especialmente fã de duas cenas, em que penso que Spielberg tenta traçar um paralelismo (pelo menos, eu não consegui não o fazer). Em ambas as cenas Donovan está no comboio: a primeira, na actual Alemanha, quando vê um grupo de pessoas a ser mortas a tiro, sem dó nem piedade, por tentar atravessar o muro; a segunda, já em solo americano (e no final do filme), Donovan vê um grupo de crianças a saltar livremente as vedações sem que nada lhes aconteça. Para mim significa que nunca poderemos apagar o passado cruel e deplorável que faz seres humanos construírem muros para separar outros seres humanos, mas que por pior que seja essa história, haverá sempre esperança.).
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Sétima Arte | The Danish Girl & Steve Jobs & 45 Years
The Danish Girl

Estava curiosa para ver The Danish Girl, porque o tema que aborda não é frequentemente abordado no grande ecrã. Lili Elbe, nascida Einar Wegener (Eddie Redmayne) foi das primeiras pessoas a fazer cirurgia para mudar de sexo. Einar era o marido de Gerda Wegener (Alicia Vikander). Ambos eram pintores, Einar era um pintor de sucesso, e viviam um casamento feliz. Pelo menos são-nos apresentados dessa forma logo no início do filme.
Um filme interessante e sobretudo um filme bonito e interessante aos olhos mas que podia ter muito mais conteúdo do que aquele que tem, e podia ser muito mais interessante do que o que foi. No final ficamos com a sensação de a forma o que vimos foi uma oportunidade perdida. Pessoalmente senti que não consegui entrar nas cabeças de Einar/Lili ou Gerda, não há a profundeza psicológica que as personagens pedem e gostava muito de ter visto a reacção da sociedade dos anos 20 a esta transformação que era uma novidade para a época.
As interpretações de Eddie Redmayne e Alicia Vikander são, sem nenhuma dúvida, o melhor que o filme nos oferece. Redmayne transforma-se outra vez, numa prestação fabulosa e que naturalmente lhe garantiu uma nomeação na categoria de Melhor Actor. No entanto, Alicia Vikander é, para mim, a mais fabulosa. Depois de a ver ser excelente em Ex Machina, tive o prazer de a rever aqui, com uma prestação magnífica e que lhe garantiu a nomeação na categoria de Melhor Actriz Secundária.
Steve Jobs
Lançamento do Macintosh, 1984. Lançamento do computador NExT em 1988. Lançamento do iMac em 1998. Três lançamentos de três produtos importantes na carreira - e na vida - de Steve Jobs.
Danny Boyle conta-nos a vida de Jobs através dos momentos que antecedem essas três apresentações dos três produtos, sem nunca nos mostrar a apresentação.
A verdade é que a maioria das coisas não aconteceram como Boyle nos diz que aconteceram. Os maiores dramas da vida de Jobs não eram todos 40 minutos antes de cada apresentação e a maioria das pessoas que trabalhou com Jobs afirma que a forma como ele é apresentado no filme não corresponde à realidade.
É um filme que entretém, mas não é o filme que representa a vida de Jobs, nem o próprio, da forma mais fidedigna ou fiel. Michael Fassbender, que está inegavelmente bom (e nomeado a Melhor Actor) nunca me parece Steve Jobs.
Se não tivesse como título um dos nomes dos génios maiores dos últimos anos nem se apresentasse como uma representação da sua vida seria um filme certamente muito melhor. O filme é bom, mas desilude porque se centra em apenas três momentos (que, ainda por cima, não são retratos fieis da realidade) da vida grandiosa de um génio!
Para além da nomeação de Fassbender ao Oscar de Melhor Actor, valeu ainda a nomeação da Kate Winslet, que nunca desilude, a Melhor Actriz Secundária.
45 Years
Há muitos filmes sobre amor, geralmente cheios de clichés e lugares comuns. Acho que é por isso que não sou fã de romances, a maioria parecem-me iguais e demasiado previsíveis. 45 Years é sobre amor e a sua resistência, e sobre o casamento.
Kate Mercer (Charlotte Rampling) e Geoff Mercer (Tom Courtenay) são um casal inglês que está a uma semana de festejar o seu 45º aniversário de casamento. Por problemas de saúde de Geoff, viram-se impossibilitados de festejar o 40º aniversário. No entanto, Geoff recebe uma carta das autoridades suíças que o informam que o corpo de Katya, o seu primeiro amor, tinha sido encontrado em perfeito estado de conservação. Naturalmente, Geoff fica abalado e leva a que Kate a questionar o seu casamento.
O filme constrói-se devagar e não há um clímax, um ponto alto. O registo é constante e não precisamos das palavras de Kate ou Geoff para percebermos o que se passa no seu íntimo. É um filme melancólico e todas as cenas são naturais. Não há artifícios, porque são dispensáveis. É um filme que nos faz sentir que nunca devemos tomar nada por garantido - se uma simples carta pode abalar um casamento construído durante 45 anos, tudo pode ser abalado e até mesmo destruído.
Um filme de uma hora e meia do mais realista que o cinema pode ser. Charlotte Rampling está nomeada, merecidamente, na categoria de Melhor Actriz porque oferece à sua personagem tudo o que ela precisa: credibilidade, naturalidade, drama e amor. Sem esquecer a também excelente interpretação de Tom Courtenay! Um filme que certamente não agradará a todos por haver pouca ou quase nenhuma acção mas que me agrada a mim. Agrada-me, principalmente, por ser tão distinto na sua normalidade.

Estava curiosa para ver The Danish Girl, porque o tema que aborda não é frequentemente abordado no grande ecrã. Lili Elbe, nascida Einar Wegener (Eddie Redmayne) foi das primeiras pessoas a fazer cirurgia para mudar de sexo. Einar era o marido de Gerda Wegener (Alicia Vikander). Ambos eram pintores, Einar era um pintor de sucesso, e viviam um casamento feliz. Pelo menos são-nos apresentados dessa forma logo no início do filme.
Um filme interessante e sobretudo um filme bonito e interessante aos olhos mas que podia ter muito mais conteúdo do que aquele que tem, e podia ser muito mais interessante do que o que foi. No final ficamos com a sensação de a forma o que vimos foi uma oportunidade perdida. Pessoalmente senti que não consegui entrar nas cabeças de Einar/Lili ou Gerda, não há a profundeza psicológica que as personagens pedem e gostava muito de ter visto a reacção da sociedade dos anos 20 a esta transformação que era uma novidade para a época.
As interpretações de Eddie Redmayne e Alicia Vikander são, sem nenhuma dúvida, o melhor que o filme nos oferece. Redmayne transforma-se outra vez, numa prestação fabulosa e que naturalmente lhe garantiu uma nomeação na categoria de Melhor Actor. No entanto, Alicia Vikander é, para mim, a mais fabulosa. Depois de a ver ser excelente em Ex Machina, tive o prazer de a rever aqui, com uma prestação magnífica e que lhe garantiu a nomeação na categoria de Melhor Actriz Secundária.
Steve Jobs
Lançamento do Macintosh, 1984. Lançamento do computador NExT em 1988. Lançamento do iMac em 1998. Três lançamentos de três produtos importantes na carreira - e na vida - de Steve Jobs.
Danny Boyle conta-nos a vida de Jobs através dos momentos que antecedem essas três apresentações dos três produtos, sem nunca nos mostrar a apresentação.
A verdade é que a maioria das coisas não aconteceram como Boyle nos diz que aconteceram. Os maiores dramas da vida de Jobs não eram todos 40 minutos antes de cada apresentação e a maioria das pessoas que trabalhou com Jobs afirma que a forma como ele é apresentado no filme não corresponde à realidade.
É um filme que entretém, mas não é o filme que representa a vida de Jobs, nem o próprio, da forma mais fidedigna ou fiel. Michael Fassbender, que está inegavelmente bom (e nomeado a Melhor Actor) nunca me parece Steve Jobs.
Se não tivesse como título um dos nomes dos génios maiores dos últimos anos nem se apresentasse como uma representação da sua vida seria um filme certamente muito melhor. O filme é bom, mas desilude porque se centra em apenas três momentos (que, ainda por cima, não são retratos fieis da realidade) da vida grandiosa de um génio!
Para além da nomeação de Fassbender ao Oscar de Melhor Actor, valeu ainda a nomeação da Kate Winslet, que nunca desilude, a Melhor Actriz Secundária.
45 Years
Há muitos filmes sobre amor, geralmente cheios de clichés e lugares comuns. Acho que é por isso que não sou fã de romances, a maioria parecem-me iguais e demasiado previsíveis. 45 Years é sobre amor e a sua resistência, e sobre o casamento.
Kate Mercer (Charlotte Rampling) e Geoff Mercer (Tom Courtenay) são um casal inglês que está a uma semana de festejar o seu 45º aniversário de casamento. Por problemas de saúde de Geoff, viram-se impossibilitados de festejar o 40º aniversário. No entanto, Geoff recebe uma carta das autoridades suíças que o informam que o corpo de Katya, o seu primeiro amor, tinha sido encontrado em perfeito estado de conservação. Naturalmente, Geoff fica abalado e leva a que Kate a questionar o seu casamento.
O filme constrói-se devagar e não há um clímax, um ponto alto. O registo é constante e não precisamos das palavras de Kate ou Geoff para percebermos o que se passa no seu íntimo. É um filme melancólico e todas as cenas são naturais. Não há artifícios, porque são dispensáveis. É um filme que nos faz sentir que nunca devemos tomar nada por garantido - se uma simples carta pode abalar um casamento construído durante 45 anos, tudo pode ser abalado e até mesmo destruído.
Um filme de uma hora e meia do mais realista que o cinema pode ser. Charlotte Rampling está nomeada, merecidamente, na categoria de Melhor Actriz porque oferece à sua personagem tudo o que ela precisa: credibilidade, naturalidade, drama e amor. Sem esquecer a também excelente interpretação de Tom Courtenay! Um filme que certamente não agradará a todos por haver pouca ou quase nenhuma acção mas que me agrada a mim. Agrada-me, principalmente, por ser tão distinto na sua normalidade.
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