segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A minha estante | A Arte da Guerra (para treinadores)

A Arte da Guerra, originalmente publicado em 513 a.C. pelo estratega militar Sun Tzu, é considerado o maior tratado de estratégia militar de todos os tempos. A editora Topbooks foi a responsável por lançar uma colecção deste livro histórico mas adaptando-o a uma certa área. Para isso, convidou pessoas de 14 áreas diferentes, sendo uma delas Rui Vitória (na altura treinador do Vitória) que escreveu para os treinadores. Os restantes incidem em áreas como marketing, gestão de talentos e até storytelling
Apesar de termos específicos ou linguagem mais particular que Rui Vitória possa usar, este livro não é apenas aconselhável a treinadores. Qualquer amante de futebol comum encontra neste pequeno livro de 126 páginas imensa sabedoria e conhecimento e consegue perceber que Rui Vitória é um treinador com imenso talento, inteligência e humildade.
Toda a gente que convive comigo sabe a admiração que tenho por Rui Vitória, já a expressei aqui. Sempre achei que era um treinador muito completo, com muita qualidade e muita classe, que sabia como falar e que sabia claramente o que estava a fazer ao comandar uma equipa. Gosto do Rui Vitória. Ainda hoje, que é um adversário. Continuo a admirar profundamente o seu trabalho. Essa admiração aumentou depois de ler este livro.
De uma forma que revela o seu conhecimento e a sua paixão pelo futebol e pela sua profissão, percebemos como escolhe a sua equipa técnica, como escolhe os seus jogadores, como os treina e porque os treina dessa forma. Aborda a comunicação com os seus jogadores, a postura que o treinador deve adoptar perante a sua equipa, a forma como se forma uma equipa. Fala também sobre a forma como julga ser melhor comunicar com a massa associativa, a direcção do clube e a comunicação social. Isto tudo através de exemplos da sua carreira. O leitor fica a saber, por exemplo, que os seus jogadores recebem nos telemóveis ou tablets no final do jogo um pequeno vídeo com um resumo da sua performance. De forma detalhada, percebemos também que estratégias usa para encerrar o jogo anterior e iniciar a preparação do seguinte. Enquanto nos explica a preparação física da sua equipa, percebemos também a enorme importância que dá à parte mental.
Um livro que recomendo a qualquer pessoa que goste de futebol e de perceber o que é ser treinador de uma equipa, ou como Rui Vitória diz, o que é ser o "maquinista da locomotiva". Muito interessante e didáctico, é um livro que se lê com muita facilidade e rapidez pela sua simplicidade e por não ser muito longo. 
Rui Vitória já conseguiu, aos 45 anos, conquistar imenso. Acredito piamente que possa conquistar muito mais. É um treinador de profunda inteligência e que tem uma paixão inabalável por aquilo que faz e que o leva a procurar ser sempre melhor e a actualizar-se enquanto treinador.
Ao general Rui Vitória, só tenho de deixar as minhas saudações e saudades vitorianas! Foi uma honra tê-lo como comandante deste exército!

sábado, 19 de setembro de 2015

Vamos fazer história?

Este é o mote que o Vitória adoptou este ano. Eu quero que façamos história. Quero... pela positiva!
Tenho quase a certeza que têm uma tia ou um membro da família que de quando em vez e num ou noutro Natal lá em casa vos perguntavam, quando eram pequenos, se gostam mais do pai ou da mãe. É aquela pergunta estúpida e sem sentido mas que ninguém se coíbe de fazer às crianças. O equivalente dessa pergunta em futebol seria a típica: mas então pá, preferias que a tua equipa conquistasse os 3 pontos ou que jogasse muiiiiiito bem? Uma pessoa nunca sabe muito bem como responder, porque gosta dos dois. A verdade é que os 3 pontos são fundamentais; o bom futebol não garante uma boa posição no final do campeonato. No entanto, não dá gosto sentar na cadeira do estádio ou no sofá e ver uma espécie de solteiros contra casados. O verdadeiro problema surge quando nem se tem os 3 pontos nem se joga futebol.
Não sei se perceberam onde quero chegar. A ideia deste post é falar do Vitória e dos problemas do Vitória que, diga-se de passagem, não são poucos. Em 7 jogos que vi do Vitória esta época (dois para a Liga Europa e cinco para o campeonato) ainda não vi bom futebol, ainda não vi uma ideia de jogo, ainda não vi nada daquilo que esperava ver. O que vi foi o Vitória ser derrotado três vezes, empatar outras três e vencer apenas uma. Para o campeonato o Vitória conta com 4 golos marcados, sendo que dois são auto-golos e um penalti. Encontra-se na 9ª posição com 6 pontos (de 15 possíveis), mas uma vez que a jornada se iniciou hoje e ainda faltam jogar 16 das 18 equipas, é provável que não se mantenha por lá. Talvez eu seja só eu no meu momento piegas do dia, mas considero que são números alarmantes a não ser para quem quer um campeonato tranquilo, claro (o que não é o meu caso).
Acho que não vale a pena tecer grandes comentários ao jogo de hoje porque foi mais do mesmo. Um jogo enfadonho em que o Vitória de Setúbal, apesar da desvantagem numérica a partir do primeiro minuto, conseguiu ser superior em alguns momentos do jogo. A única coisa que tenho a dizer é que fomos felizes em conseguir trazer um ponto para Guimarães, De facto não sei o que se passa. Nota-se que é uma equipa profundamente desinspirada e sem saber muito bem o que fazer com a bola. Não tem ideias, não tem criatividade, não tem coesão. O espírito da equipa também não parece o melhor, não parecem uma equipa mas sim um conjunto de homens que se juntam para dar uns chutos na bola. Problemas no balneário? Problemas com o treinador? Não faço a mínima ideia, mas não há a garra que costumava haver, não há a vontade de suar pela camisola e isso é claramente parte do problema. É triste ver o Vitória jogar assim, não me lembro de uma série de jogos com tão má qualidade como esta. O que está mal tem de ser mudado muito urgentemente! Eu não queria ser repetitiva nesta matéria, não queria mesmo, mas o que eu acho que está mal é o treinador. A ilação que eu tiro de tudo o que vejo (para além do apito final) é que Armando Evangelista está desligado da equipa, não é um líder, não consegue motivar os jogadores, não fala como um líder e a equipa não tem espírito de vencer, não consegue inspirar-se e acaba por se desligar também.
Todos nós temos muito a dizer sobre o assunto mas também nada fazemos para alterar a situação (eu incluo-me no grupo). Se o Vitória é nosso, vamos agir como tal e vamos tratar de cuidar dele o máximo possível. A manifestação no Complexo não resultou provavelmente pela falta de adesão dos vitorianos mas daqui a precisamente uma semana podemos fazer melhor e comparecer em força da forma única que só nós conseguimos fazer e discutir o futuro do Vitória, discutir o que está mal e talvez fazer com que a situação seja alterada para o bem de todos nós. No próximo sábado, dia 26, há uma Assembleia Geral com início às 14 horas no Pavilhão do Vitória. Há uma máxima que eu defendo muito quando há eleições e parece-me que adaptada era capaz de se adequar à situação: quem não vota, não tem direito a reclamar. Entendem a ideia? Quem nada faz, de nada deve reclamar. Ir à AG é um direito que nos assiste como sócios pagantes e temos não só o direito de ir como temos também o dever - é do nosso clube que se trata.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

As minhas séries | Wayward Pines

Eu não queria mesmo nada começar a ver outra série, não queria juntar outra às 189258 que já acompanho. Mas não deu e então a escolha recaiu sobre Wayward Pines. Não foi uma escolha demorada, foi mesmo o que calhou e não estava à espera que a escolha corresse bem. Sinceramente, ainda estou dividida.
Nos primeiros 3 ou 4 episódios a série é muito interessante (não que o deixe de ser depois, mas já lá vamos). Passa-se numa pequena localidade chamada Wayward Pines em Idaho, EUA. É uma cidade muito pequena e daquela que parece saída de contos de fadas, só que toda a gente parece ser demasiado estranha.
Ethan Burke (Matt Dillon) é um agente dos Serviços Secretos que é mandado procurar dois agentes desaparecidos. No caminho, tem um aparatoso acidente que o deixa inconsciente. A próxima coisa de que tem memória é acordar no hospital. A partir desse momento, nada sabemos do que é ou não verdade. Até agora, e para mim, tem sido engraçada a descoberta. A partir do 4º ou 5º episódio a série torna-se um bocadinho estranha e acontecem coisas que nos parecem pouco relacionadas com a realidade. Acho que ainda vou descobrir se vale, de facto, as horas perdidas!

Preciso que me ajudem a ajudar

Hoje estive a dar uma arrumação geral ao quarto. Sabia que tinha imensos livros escolares de diversos anos, assim como cadernos. Arquivei tudo numa caixa e resolvi o problema temporariamente. No entanto continua a ocupar demasiado espaço e é desnecessário, até porque não têm nenhuma utilidade para mim. A única solução para não ficar com tudo "encalhado" cá em casa parece-me ser reciclar mas depois pensei que podiam ser úteis para outras pessoas. O problema de os doar para bancos de livros ou a escolas cá em Portugal é que os programas mudaram nos últimos anos, então os livros que eu tenho já não são adoptados por nenhuma escola. Por isso pensei que talvez fossem úteis nos Palop e tentei pesquisar formas de os doar para que sejam entregues em escolas lá. Infelizmente pouco encontrei, só um ou outro site brasileiro - o que não me serve de nada. Por isso e se souberem de alguma coisa contem-me para que eu possa despachá-los o mais rapidamente possível, e de preferência que sejam úteis para mais alguém!

sábado, 12 de setembro de 2015

A coerência é uma coisa engraçada

Lembram-se de ainda à uns dias ter dado a minha opinião relativamente aos pseudo-nacionalistas que se revoltavam com a ajuda que se deve prestar aos refugiados? A pessoa em questão argumentava que podia vir, no meio de tantos refugiados, gente de má índole. A mim parece-me que não vêm no meio dos refugiados, a mim parece-me que algumas destas pessoas já cá estão. Refiro-me à jornalista que decidiu pontapear e agredir os refugiados no meio da reportagem que fazia. Pela mesma lógica acho que é coerente mandar-mos a jornalista para o inferno. A pobre coitada veio dizer que teve um ataque de pânico. Minha cara, se de cada vez que eu tivesse um ataque de pânico desatasse à pancada acho que ninguém falava comigo num raio de 100km. Não faça mais alarido da situação nem envergonhe os seus colegas.

sábado, 5 de setembro de 2015

Só uma coisinha que me está a fazer espécie

Acabei de ver um vídeo de um cantor chamado Marcio Conforti em que este, muitíssimo zangado, dizia que Portugal devia preocupar-se com os seus próprios problemas antes de querer acolher migrantes. Aliás, ele diz muita coisa e eu reservo-me o direito de opinião. Convém ressalvar que nada tenho contra o cantor, tanto é que não o conhecia antes. Pura e simplesmente discordo da sua opinião neste assunto.
A sua opinião é a de que nós, Portugal, temos de "arrumar a casa" primeiro e só depois ajudar os outros. Toda a gente sabe que Portugal tem problemas. A Grécia tem problemas. A Espanha tem problemas. A Europa tem problemas. Isso significa que não podemos ajudar os outros até resolver todos os nossos problemas? Hmm, não me parece que isso faça muito sentido porque dessa forma ninguém pode ajudar ninguém e vivemos num mundo em que é cada um por si e a palavra solidariedade é só mais uma palavra para encher as páginas no dicionário.
Depois diz que "esta palhaçada está virando o Brasil" e que "o Brasil se acabou por causa desta palhaçada" porque só "jogaram lixos para lá". Ora bem, antes de mais é necessário frisar que a pessoa em questão é brasileira... e está a viver em Portugal. Então, o senhor pode vir mas os outros migrantes não? São menores do que o senhor por serem refugiados? São menores do que o senhor porque não têm mais nada do que aquilo que têm vestido? A mim parece-me hipocrisia. Se acha que o mal do Brasil é fruto do multi-culturalismo então não entendo o que está a fazer em Portugal. Certamente que de entre os muitos refugiados que vêm para Portugal, haverá pessoas de má índole mas há sempre esse tipo de pessoas e podem ser encontrados em qualquer lado, independentemente do sítio de onde vêm, da sua classe social ou da sua faixa etária. Por essa lógica, devíamos atirar ao mar toda a gente de má índole em Portugal. É assim que funcionam as coisas? Desconhecia tal método.
Depois há a sugestão: "cada um fica nos seus países e vamos doar". A migração não precisa de uma resposta urgente para ser solucionada, não. Temos tempo para resolver "a coisa" com donativos e com burocracias até porque os donativos feitos até agora já resolveram tudo, todos os problemas do mundo.
De facto não entendo esta reacção, principalmente quando vem de uma pessoa que vive num país que não é o seu. Acolher estes refugiados é de extrema necessidade. E o problema do Brasil não é as pessoas de outras culturas e outras nacionalidades, não, não é. O problema do Brasil é não saber gerir aquilo que tem. O problema do Brasil é gastar milhões de euros num estádio de futebol e não ter um sistema de saúde e infraestruturas capazes de dar resposta aos problemas dos brasileiros. Esse é o problema do Brasil! Como é óbvio os migrantes têm de ser integrados na sociedade e é necessário que haja um plano coerente e sustentável para o fazer e é até compreensível que tenham alguns benefícios no início, até porque eles chegam sem NADA!
Com isto não quero invalidar os problemas dos portugueses nem a crise das famílias portuguesas. Tenho plena noção que há pessoas que passam por sérias dificuldades e que há pessoas sem uma casa e sem comida na mesa no final do dia. Isso é triste, claro que sim. Aperta-me o coração, faz doer cada osso do meu esqueleto. No entanto não podemos descontar isso nos migrantes, porque eles não têm culpa. Talvez seja mais sensato descarregar nos nossos líderes, em quem ganha 10000€ por mês e não sabe se chegará para as despesas. Os problemas de Portugal são graves e são prioritários, mas esta crise migratória é urgente, é a humanidade. E nós nunca seremos lixo ou inferior por sermos solidários com o próximo. Não deixem a humanidade afogar-se, somos todos um!

P.S.: Só uma pergunta... onde estavam estes indignados antes? Ou só se lembraram que há sem-abrigo e pessoas com dificuldades em Portugal agora? Parece-me que talvez os hipócritas e exibicionistas sejam vocês, que não são nada mais nem menos do que pseudo-nacionalistas. Só se lembram do que se passa cá dentro quando os outros pedem pela nossa ajuda. Pensem maior do que isso, sejam mais do que isso. Talvez se um dia se virem obrigados a deixar a vossa pátria para fugir da morte e do terror, com uma ou duas crianças ao colo, que são os vossos filhos, pensem duas vezes em querer ver portas abertas para vos receber ou não. Mais uma vez digo... as palavras ficam para quem as profere.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

As minhas séries | Mr. Robot, Fear the Walking Dead

Depois de acabar de ver todas as temporadas de Lost, senti que tinha de preencher o vazio deixado por essa série. Todas as outras séries estavam em hiato (parece que decidem todas ao mesmo tempo só para me chatear) e não havia nada novo para ver. Não encontrei nada até à pouco tempo, quando The Last Ship voltou. Depois decidi que queria ver Fear The Walking Dead e logo a seguir outra série se pôs no meu caminho. Ambas as séries começaram este ano.

Fear The Walking Dead
Comecei a ver esta série porque vejo The Walking Dead. Quando ouvi os primeiros comentários pensei que estava perante uma série que visava explicar o começo de tudo, a origem do vírus, como surgiu. Se pensam que a série explica esses aspectos todos então não vejam porque até agora a série não explica muita coisa. Vi os dois primeiros episódios (os únicos lançados até agora) e tenho medo que se transforme em The Walking Dead Part II. Se for assim, deixo de ver. Uma dose de estupidez é suficiente. O que eu queria mesmo ver era como o vírus surge, onde e como começou. A série mostra a vida de uma família com problemas, como qualquer outra, quando a cidade entra em pânico sem conhecimento daquilo que verdadeiramente se passa. Percebemos então que a mudança vai ser mais rápido do que aquilo que todos previam.

Mr. Robot
Estou completamente viciada nesta série. Acredito que é difícil não ficar viciada. É sensacional, moderna, bem construída e mais do que isso tudo, é original. A excelente performance de Rami Malek também ajuda para querer continuar a ver a série e ver sempre mais. Elliot é um inadaptado social que durante o dia trabalha como cyber-segurança e à noite é um hacker pronto a denunciar o pior e o mais escondido de quem deve estar atrás das grades. É metódico, consome morfina mas nunca ultrapassa o limite a que se impôs e toma outros comprimidos para evitar ficar com sintomas de viciado. Elliot vê-se num dilema: pode proteger  o principal cliente da empresa onde trabalha e que ele vê como sendo o mal do mundo ou então pode juntar-se à fsociety, um grupo de hackers que quer fazer do mundo um sítio melhor acabando com a corporação mais poderosa do mundo. A juntar a tudo isto, tem uma banda sonora tão boa que é como se fosse uma personagem. Acredito que é uma das melhores séries este ano!

Para vos manter informados...

How To Get Away With Murder - a 2ª temporada inicia-se daqui a precisamente 20 dias, a 24 de Setembro

Bones: a 11ª temporada (é verdade, já estamos com o Booth e a Bones à 11 anos!) começa a 1 de Outubro e eu já não posso esperar!

Suits: a 5ª temporada acabou com muitas emoções à pouco tempo e eu estou mais do que curiosa para saber o que aí vem, mas tenho muito que esperar. A 6ª temporada já foi renovada mas só devemos ter notícias lá para o meio de Junho de 2016

Scandal: estreia no mesmo dia de How to Get Away with Murder. Quem é que não gosta de uma dose dupla ãh?

The Walking Dead: os mortos-vivos também já estão quase a chegar, é só ter um bocadinho de paciência até 11 de Outubro.

Para além destas séries, também acompanho The Last Ship. A 2ª temporada foi lançada em Junho mas só comecei a ver agora.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O (nosso) Vitória não é deles

Já não falo do Vitória aqui no blogue à muito tempo. Não porque gosto menos do Vitória ou sou menos vitoriana. Só por falta de oportunidade e porque falar do Vitória nem sempre é fácil, pela simples razão de que o facto de ser um assunto tão pessoal para mim ser fácil perder o objectivismo daquilo que pretendo dizer e falar mais com o coração do que com a razão. Se calhar sou demasiado apaixonada. Não é um defeito, longe disso. Se todos os adeptos gostassem tanto do seu clube como eu gosto do meu Vitória podem ter a certeza de que o futebol era uma coisa muito melhor e mais bonita.
Por já não escrever aqui à séculos já perdi o timing para falar de algumas coisas importantes. Podia ter expressado a minha opinião sobre a contratação de Armando Evangelista, podia ter falado sobre a segunda metade da época passada. Não falei sobre nada disso. Mas continuam a haver assuntos importantes a abordar.
Quando Rui Vitória saiu para o Benfica fiquei triste, gostava do projecto que o Vitória estava a levar a cabo, a aposta em jogadores jovens de nacionalidade portuguesa. Sempre gostei da forma como liderava a equipa, a forma como aproveitava o melhor dos jogadores e a classe que sempre teve. Como é óbvio gostei muito da conquista da Taça de Portugal. Desnecessário será dizer que o legado que deixava não era fácil, era um lugar muito difícil de preencher. Não só para mim, estou em crer. 
Quando anunciaram a contratação de Armando Evangelista fiquei dividida, não sabia muito bem se era uma boa ou uma má notícia. Dei-lhe o benefício da dúvida, achei que apesar da falta de experiência podia ser uma boa aposta para dar continuidade ao projecto que Rui Vitória tinha iniciado. Se alguém conhecia bem a equipa B e sabia quem estava mais capacitado para ascender à equipa principal seria ele, que estava no comando da equipa B na época anterior. Preferi esperar para ver antes de tecer qualquer opinião.
Esperei e vi. Da pré-época só vi o jogo contra o Fenerbahçe, em Istambul. Não foi um resultado minimamente positivo e o Vitória não apresentou um futebol fascinante. Continuei a dar o benefício da dúvida, era o início e a equipa ainda se estava a entrosar e a conhecer. Tinham saído jogadores importantes, então compreendi. Sempre na expectativa de que o Vitória só iria melhorar a partir daí e que os resultados e o bom futebol iam aparecer. 
Antes de avançar, convém dizer que na pré-época o Vitória defrontou adversários tecnicamente mais fracos. Adversários mais fracos do que aqueles que o Vitória ia enfrentar. O que estou a tentar dizer é que acho que a pré-época devia ter sido melhor preparada e (com todo o respeito pelos adversários que o Vitória defrontou) devia ter sido preenchida com equipas mais desafiadoras e com mais capacidades, de forma a ver verdadeiramente como estava o Vitória e o que faltava ao plantel. Apesar disto os resultados não foram espectaculares e o Vitória chegou inclusive a perder 3-0 com o Chaves.
Depois veio o sorteio para a pré-eliminatória da Liga Europa, calhou-nos o Altach da Áustria. Era uma equipa que eu desconhecia, nunca tinha ouvido falar deles antes. Depois de fazer o meu trabalho de casa fiquei satisfeita. Fiquei com a ideia de que era uma equipa acessível ao Vitória e acreditei piamente que o Vitória ia ultrapassar este obstáculo com relativa facilidade e com todo o respeito pelo adversário. O Altach é um clube que, apesar de ter ficado em 3º lugar da tabela classificativa, andava pela segunda divisão e fazia a sua primeira participação europeia. Ditou o sorteio que a primeira mão fosse jogada na Áustria. Muito bem, prefiro assim. O jogo não ia ser na casa do Altach, ia ser num estádio emprestado a mais de 100km do seu estádio. Melhor ainda, assim não jogam no seu terreno, não têm a vantagem do factor casa e estão quase tão desconfortáveis como nós. Não foi fácil. Apesar de o Altach não praticar um futebol espectacular nem nada parecido e de se notar que não tinha um plantel cheio de qualidade individual, o Vitória perdeu. Continuei a acreditar. Que atire a primeira pedra quem não comete deslizes. Depositei a minha fé na segunda mão. Afinal, íamos jogar na nossa casa com uma boa casa, com os nossos adeptos em peso. Mais uma vez, estava enganada. Completamente enganada. Fomos goleados em casa por uma equipa que é claramente inferior à maioria das equipas do nosso campeonato. No entanto, uma equipa que luta e se esforça e que, juntos, conseguiram o apuramento. Merecido! No final restou aplaudir-me os adversários porque o respeito e o fair-play é uma coisa bastante bonita, apesar de alguém "ter a certeza de que íamos passar".
O inicio do campeonato não foi melhor. Primeiro fomos ao Dragão. Estou consciente de que não é um estádio onde é fácil jogar, contra uma equipa que é sempre candidata ao título e que está recheada de bons jogadores. No entanto não é inacessível ou impossível lá ganhar, não jogamos contra um colossal Porto. Isso foi notório quando o Vitória conseguiu superiorizar-se ligeiramente no início da segunda parte. No entanto, não conseguiu aproveitar as oportunidades que ia tendo e cometeu alguns erros. Coisa que o Porto não fez, conseguiu aproveitar bem as suas oportunidades e acabou por conseguir um resultado expressivo.
Depois tivemos o Belenenses. O Belenenses a quem também tinha calhado o Altach nas competições europeias, e o Belenenses que conseguiu uma vitória na Áustria. O resultado foi um empate e o Vitória perdeu dois pontos. Era um jogo importante para a equipa e para os adeptos. Depois da eliminação da Europa e da derrota no dragão, precisávamos de uma vitória para serenar o ambiente e para dar confiança à equipa. Infelizmente não foi assim, e o resultado correspondeu àquilo que se viu em campo. Foi para estar de acordo com o tempo, um Agosto com sabor a Janeiro.
A terceira jornada ditou-nos uma viagem à Madeira, para disputar o recém-chegado União da Madeira. O União ainda só tinha jogado com os seus "vizinhos": somava uma vitória em casa contra o Marítimo e uma derrota com o Nacional. No total tinham 3 pontos e o Vitória apenas 1. Nada que me preocupasse muito, afinal o líder do campeonato era o... Arouca. Achei que agora é que era e que agora é que o campeonato ia começar para nós. Acabei por ficar desiludida. Futebol pobre, sem ideias, sem nada novo. O resultado foi mais um empate. Desta vez olhei para as coisas de outra perspectiva: se calhar não foram 2 pontos perdidos, foi 1 ponto ganho.
Agora vamos ao cerne da questão, aliás, ao cerne deste post. Se no início da época dei o benefício da dúvida a Armando Evangelista, agora acho que foi uma péssima aposta da direcção. Talvez fosse o caminho mais natural, subir alguém que já estava por dentro do projecto e talvez fosse também o caminho mais fácil e mais "barato". O problema é que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor. Hoje digo que o AE não é treinador para o Vitória. Não agora! Talvez seja daqui a uns anos, quando ganhar estofo e experiência para ser treinador. Ao contrário do que muitos possam pensar, ser treinador não se limita a escolher o melhor onze e a melhor técnica para pôr dentro das quatro linhas. Não, longe disso. Ser treinador é ter mais para além disso. É saber motivar a equipa, porque afinal são um conjunto de seres humanos e saber espremer o melhor de cada um deles. É dar a cara quando as coisas correm mal. Armando Evangelista não o faz, não o sabe fazer. No jogo contra o Altach foi o primeiro a abandonar o relvado, não quis esperar pelos seus jogadores. O seu discurso é pobre e é cobarde. Antes da segunda mão do jogo contra o Altach afirmou que tinha a certeza de que íamos passar. Revelou arrogância e falta de respeito pelo adversário. Desde aí as suas declarações não variam muito: usa a carda dos adeptos. Repete de vinte formas diferentes que nós somos uma massa associativa muito especial e que somos únicos. Caro Armando, não precisas de dizer porque isso nós já sabemos. Muito obrigada! Para além da carta dos adeptos, também decidiu dizer que "os jogadores estão com problemas psicológicos". Só uma pergunta, serão mesmo os jogadores Sr. Armando?
Há uma célebre frase americana que já foi mote para um ou outro filme. Fake it until you make it. Não vou traduzir literalmente a frase, vou antes dizer que é uma atitude que se adopta quando se quer alcançar alguma coisa. Por exemplo, mesmo que tenhamos pouca confiança, se agirmos como se fossemos pessoas muito confiantes vamos acabar por ser. Obviamente que há limites e não se pode adoptá-la literalmente, de forma a prejudicar-nos ou a prejudicar outros. Mas a ideia está lá: fake it until you make it. Este início de parágrafo já parece outro post mas não é, tem um propósito. Vou só acabar o meu raciocínio. Para além desta frase americana muito célebre, podemos também falar da lei da atracção. A lei da atracção é uma energia que, para ser trabalhada, se desenvolve em quatro passos: temos de saber o que queremos, temos de pensar nisso com frequência, temos de sentir e comportar como se o nosso desejo já estivesse satisfeito e estar pronto para o receber. De forma geral, se evitarmos os pensamentos negativos o universo manifesta-se a nosso favor. Não concordo totalmente com isto, mas concordo em parte. Porquê esta conversa toda? Ontem, Júlio Mendes deu a entender que o objectivo do Vitória era a manutenção, nem que fosse um ponto acima da linha de água. É isto que é o Vitória? Um clube que tem como objectivo manter a manutenção? O Vitória nunca foi isso, o Vitória sempre foi um clube que lutou por mais. Não vai à muito tempo que ouvi o mesmo Júlio Mendes dizer que o seu objectivo era levar o Vitória à Champions League. E assim de repente o objectivo é só a manutenção? Não consigo entender. 
No início da época Júlio Mendes realmente afirmou que queria "uma época tranquila". Não sei o que vocês querem, mas eu vejo como épocas tranquilas as que fazem a Académica ou o Arouca. Com todo o respeito, mais uma vez, não é esse o tipo de épocas que o Vitória deve ter em mente. O Vitória sempre lutou pelos melhores lugares, pelo acesso à Liga Europa e até mesmo à Champions. Porque não? Por isso, não gosto quando alguém faz do Vitória aquilo que ele não é. O Vitória não é "frágil", não é um coitadinho a quem ninguém quer pegar. Treinar o Vitória é, e sempre foi, uma honra e uma responsabilidade. Por muitos problemas financeiros que tenha é um clube, e sempre foi, com prestígio e com nome. Por isso mesmo, eu tenho as minhas dúvidas quando dizem que ninguém queria vir para o Vitória.
Sou totalmente a favor da aposta num crescimento sustentável. E regredir não é crescimento. Por isso, lutar pela manutenção não é crescimento. Por ser a favor da aposta num crescimento sustentável, fui sempre apoiante desta direcção que sempre me pareceu ter bom senso e saber aquilo que faz. Não fui, no entanto, apoiante da SAD. Nunca quis que o Vitória aderisse à SAD. Não sou é desprovida de opinião e de pensamento próprio e portanto não concordo com tudo aquilo que a direcção faz e/ou diz. Não gosto deste discurso derrotista. Não gosto deste discurso que nos faz parecer frágeis e delicados. Não é isso que o Vitória é. O que acho é que a direcção deve admitir agora, antes que seja demasiado tarde, que fez uma má escolha. O Vitória precisa de mudar de treinador porque já todos vimos o campeonato sofrível que vamos ter pela frente se continuarmos com o Armando Evangelista ao comando da equipa principal. Do que já vi e já li, alguns adeptos sugerem Sérgio Conceição e o que eu tenho a dizer é que não, nem sequer deve ser uma opção considerável. É um homem de baixo carácter e que já atacou inúmeras vezes o Vitória. Nem sequer consigo identificar o ADN vitoriano em nada daquilo que ele fez até agora. Paulo Bento? Talvez, parece-me uma opção. Apesar de me parecer uma opção eu tenho sérias dúvidas de que alguma coisa vá ser alterada, principalmente depois das declarações de ontem em que Júlio Mendes se afirmou orgulhoso em ter dois treinadores vimaranenses e vitorianos. Parece-me, assim só como quem não quer a coisa, que é preciso mais do que isso para ser treinador do Vitória. No entanto, se virem que é o único requisito podem contactar-me... ao menos fazemos história com a primeira treinadora feminina aos comandos de um clube da Primeira Divisão. E agora estou como o Tirica... pior do que está não fica!
Para terminar, e porque já escrevi mais do que aquilo que planeava e que vocês vão ler, quero só responder a quem tem dúvidas de que o Vitória é nosso. Não consigo perceber o que o leva a ter dúvidas, mas sim, o Vitória é nosso. É nosso e há-de ser! Podem, por vezes, querer tirar o Vitória de nós. Só que não conseguem. O ADN vitoriano é nosso, o amor é nosso, a paixão é nossa. E isso ninguém nos tira. O Vitória não é tachos e tachinhos. Nunca foi. Não é agora que alguém vai fazer do Vitória isso. Se é vitoriano como tanto afirma, siga o meu conselho e peça a demissão. Já está na hora, não acha?
Esta situação preocupa-me e acredito que preocupe alguns vitorianos. Não podemos é baixar agora os braços e adoptar a atitude de que "enquanto tiverem este treinador não pago as quotas" ou "enquanto o Vitória estiver assim não vou ao estádio". Se calhar, mais do que nunca é preciso ir ao estádio e pagar as quotas. Mais do que nunca é preciso a união de todos os adeptos para que eles percebam que o Vitória não é deles, mas é nosso. Se precisamos de protestar? Sim, precisamos. De forma ordeira e nas nossas cadeiras. O Vitória é, sempre foi e sempre será, maior e melhor do que aquilo que querem fazer dele.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Vá, agora desenrasca-te Raquel


É, a foto é da Escola de Direito da Universidade de Yale. Para onde eu não vou estudar. A foto é só mesmo para captar a vossa atenção. Bem, é indicadora de outras coisas. Para começar é para vos deixar mais cultos e vos informar de que é, actualmente, a melhor escola de Direito do mundo. Eu sempre fui mais fã de Harvard, mas Yale servia. É também para dizer que daqui vos escreve uma futura estudante de Direito da Universidade do Minho, ou então de Marketing. Talvez seja na Universidade do Porto ou de Lisboa. Talvez seja uma futura estudante de Ciências da Comunicação. Foram essas as minhas opções, os resultados só os sei para o próximo mês. Tudo a seu tempo, certo? Certo.

Estou a encher chouriços desde que comecei o post. O costume. Pôr as coisas no papel, ou no teclado, é sempre complicado. Sobre este assunto tenho mil coisas para dizer e a minha cabeça está em tamanha desarrumação que tenho receio de que este post seja um emaranhado de pensamentos sem conexão. Vou tentar que isso não aconteça. No fim (se me acompanharem até lá), gostava sinceramente que partilhassem as vossas experiências académicas comigo e as vossas escolhas e, claro, as vossas opiniões. Afinal é para isso que aqui estamos, para partilhar experiências e opiniões e para as discutir. Isto dava para ser o início de post mais sério que este blogue já conheceu. 

Desde que entrei para a escola que nunca fui dada a estudar. Acho que não estudei a sério mais do que meia dúzia de vezes. O resto das vezes abria os livros e cadernos e fingia que estudava para não me culpar por não estudar (desculpa mãe). No entanto nunca fui má aluna, de todo.

Na escola primária sempre fui muito calada e quieta, como a minha mãe gosta de referir eu "não partia um prato". Sempre fiz parte do grupo que tinha as notas mais altas e nunca estive em risco de chumbar. Nessa altura queria ser cabeleireira e designer de moda (quero eu dizer, "estilista"), em simultâneo. Há-de lá perceber-se a cabeça das crianças... Continuando, o que mais me lembro é de que a minha professora reclamava das minhas composições que geralmente constavam de três ou quatro linhas e diziam pouco. Para além de fazer parte do grupo que tinha as notas mais altas, fazia parte do grupo que nunca fazia os trabalhos de casa ou fazia-os em cima do joelho a 5 minutos do toque de entrada (infelizmente, este vício acompanhou-me até ao fim do secundário). Eu simplesmente não queria saber da escola, ingenuamente eu pensava que não precisava de nada daquilo para atingir as minhas metas. Apesar de ser uma pequena rebelde contida (eu não fazia os trabalhos de casa mas eu sempre tive um óptimo comportamento), fui receber o prémio de melhor aluna ao Museu Martins Sarmento no 4º ano de escolaridade. É o meu maior feito até à data e vou vangloriar-me disto até ao fim dos meus dias, desculpem-me lá! Humildemente quero fazer uma comparação. Eu era o Messi, estão a perceber? Eu não precisava de me esforçar para ter os melhores resultados, era natural para mim. O prémio que recebi no Martins Sarmento foi a minha Bola de Ouro.

Depois transitei para o 5º ano. Mudei de escola. Uma escola maior, com muitos mais alunos, não tinha oportunidade de ir almoçar a casa, não levava amigos da outra escola apesar de conhecer a maioria dos alunos da minha turma, que eram aqueles que estavam na primária comigo. Fiquei tremendamente assustada e cheia de medo. Não queria ir. Já desde esse tempo que tenho uma espécie de fobia social que me faz ter medo do desconhecido, principalmente de pessoas desconhecidas. Lembro-me perfeitamente da minha inquietação no primeiro dia, só descansei quando a minha mãe me garantiu que me ia buscar ao meio-dia e me levava a almoçar com ela. Ainda muito receosa fui à minha vida sozinha. Continuei a ter boas notas a tudo sem o mínimo esforço. Não era aluna de ter um 5 a tudo, mas tinha bastantes 4 e alguns 3. Foi por volta do sexto ano que eu comecei a pender mais para letras, geografia e história do que para as ciências e matemática. Foi também nessa altura que descobri o meu gosto pela leitura e, mais tarde, por escrever. Surgiu naturalmente. Tornei-me ávida por coisas novas, informações novas. Tentava ler desde revistas a livros que me iam aparecendo. Não faço a mínima ideia de qual foi o primeiro livro que li mas no sétimo ano fiz três trabalhos para Português sobre três livros do Nicholas Sparks. Na altura era o meu autor favorito e achava que os livros dele eram espectaculares. Assim como os da Margarida Rebelo Pinto. Quis ser como eles, escrever como eles. Essa fase felizmente passou quando pus as minhas mãos no primeiro clássico, mas é outra história para outra altura. Quis ser escritora e jornalista. Como já referi, comecei a notar a minha tendência para as áreas de humanidades. Inconscientemente fui desligando de Físico-Química e Matemática. Hoje percebo o tão mau que isso é porque sei que não possuo muitas bases de matemática e percebo o quão limitador e desmotivante isso pode ser.

Decidi mudar de escola no final do 7º ano. Não gostava do ambiente da escola onde estava, não tinha amizades nenhumas e sentia-me cansada daquilo e de ver sempre as mesmas coisas e as mesmas pessoas. Foi uma atitude muito radical para mim, mas enfrentei-a de modo diferente da transição para o 5º ano. Não chorei nem pedi à minha mãe para me ir buscar para almoçar. Fui com um frio na barriga mas convicta de que me ia dar melhor. Mudei-me para uma escola secundária mas que também tinha turmas a partir do 7º ano. A única pessoa que conhecia frequentava o 12º ano, por isso foi ela que me ajudou no que precisei. Quando tínhamos aulas à mesma hora eu estava muitas vezes com ela porque não conhecia ninguém da minha turma e sempre foi muito complicado para mim interagir com as outras pessoas. Acabei por me entrosar com alguma facilidade. Pelo que me dizem, muito em parte porque gostava de futebol e sou do Vitória. Em três meses criei laços com algumas pessoas como não tinha criado nos 7 anos anteriores que tinha passado sempre com os mesmos colegas. Relativamente às notas, eram boas mas não brilhantes e continuava a destacar-me nas áreas de línguas e humanidades. Por isso, a escolha foi muito natural quando terminei o 9º ano. Só podia (e só queria) ir para Línguas e Humanidades.

Metade da turma de 9º ano tinha transitado comigo para o 10º ano e tinha escolhido o mesmo curso. A outra metade era de pessoas que eu não conhecia. Apesar de não terem saído muitas pessoas do meu quotidiano, cortei os laços que tinha e passei a dar-me com outras pessoas ainda sem achar que aquilo que nos unia era amizade. Porque não era, eram colegas com quem eu forçosamente partilhava o meu dia-a-dia. As minhas notas melhoraram, continuei a ter das melhores notas da turma. Continuei sem estudar. Lembro-me de que quando vi as disciplinas que tinha fiquei muito assustada com Matemática Aplicada às Ciências Sociais. Assustou-me porque tinha escrito "matemática". E eu só pensei: isto vai-me estragar a vida. Surpreendendo-me a mim mesma, no 10º ano tive boas notas a MACS, sem serem brilhantes. Situavam-se sempre entre os 12 e os 14, pelo que me lembro. Nessa altura detestava trabalhos de grupo, porque o meu grupo nunca prestava. A minha média de 10º ano foi a mais fraca dos três anos, mas ainda assim foi das melhores. No 11º ano as coisas não correram muito bem, eu deixei de me interessar por MACS e tive algumas notas vergonhosas. As restantes disciplinas correram bem, tanto é que deu para compensar essa vergonha que e subir ligeiramente a minha média. Foi também no 11º ano que tive a incrível experiência de viajar até Istambul através do programa Comenius, por isso houve uma altura em que o cansaço já era enorme mas em que me consegui motivar precisamente porque fui à Turquia e conheci gente nova, uma cultura nova, uma escola nova e me enriqueci imenso a todos os níveis. Apesar de ser um ano em que tinha exames, continuei sem estudar. Para os exames estudei na noite anterior. A nota de Geografia foi boa, a de MACS foi... aceitável. Comecei a consolidar alguns laços que tinha criado, conheci melhor pessoas que não esperava e gostei de as conhecer e percebi que afinal até partilhava o meu dia-a-dia com pessoas interessantes e que valiam a pena conhecer. O 12º ano foi o melhor ano de todos a todos os níveis. Os laços e as frágeis amizades que levava do 11º ano transformaram-se em amizades muito sólidas e que eu sei que vou guardar sempre comigo, por muito cliché que isto seja. Conheci e passei a dar-me com pessoas que todos os dias me estimulavam, me motivavam, me inspiravam. Comecei a aperceber-me mais ou menos daquilo que eu queria. Passei a gostar de ir às aulas quase todos os dias. E comecei a pensar "caramba, isto já está tudo a acabar, passou tudo tão rápido, vou deixar de ver estas caras e deixar de ter estas presenças tão regulares e de que tanto aprendi a gostar". As notas foram melhores, continuava sem estudar muito mas já começava a criar esse hábito. Tinha muito medo dos exames porque pela primeira vez agrupavam matéria dos três anos do secundário. Sentia-me cheia de dificuldades a português. Por decisão decidi ir a poucas aulas de apoio e tentar estudar em casa o máximo que conseguisse. Não estudei nem metade do que queria e planeei. Acho que o que absorvi mais foi o que estudei no dia anterior aos exames. Fiquei muito surpreendida quando fui ver as notas porque não era o que esperava: tinha tido 16 nos dois e esperava um 10 (a minha auto-confiança sempre foi brutal). Comecei a gostar de trabalhos de grupo porque tinha um grupo espectacular, que alinhava em ideias pouco usuais e que se fosse preciso se juntava ao domingo ou ao sábado de manhã, que enquanto eu tratava da última parte do trabalho ficava no Skype comigo até eu acabar (nem que isso fosse às 5 da manhã e as aulas começassem às 8:20). Destes trabalhos de grupo, um deles tem a capa de um álbum dos Muse (era sobre o cérebro) e outro foi feito a partir vídeos em jeito de entrevista. E isto foi o resultado de um trabalho em grupo e não do meu trabalho. E é estas pessoas e estas memórias que construí durante este último ano que estou mais grata e é, sem dúvida, o melhor de todo o meu percurso escolar.

Deixando os sentimentalismos de parte, o 12º ano também foi um ano de tremendo stress. A carga de trabalhos aumentou e a sensação de que uma decisão teria de ser tomada em breve contribuiu para isso. Fiquei muito indecisa até ao momento de submeter a candidatura. Ao longo destes três anos as minhas três opções não se alteraram, só a sua ordem. Ou seja, sempre quis Ciências da Comunicação, Direito ou Psicologia. Desde que descobri que gostava de escrever que Ciências da Comunicação se afigurou como a escolha mais provável. E no 10º ano, era essa a minha primeira opção, seguindo-se Psicologia e Direito. No 11º ano não fazia a mínima ideia da ordem que estas três áreas ocupavam. Quando comecei o 12º ano a minha tendência para ir para Direito aumentou. Foi nessa altura que passei a procurar informações sobre os cursos e as instituições de ensino. Algures no meu quarto há umas quantas folhas de notas, que são o resultado dessa pesquisa. Apercebi-me que Ciências da Comunicação não era o curso que idealizava nem o curso mais indicado para quem pretende ser jornalista. Então foi ficando de lado. A ideia do Direito começou a consolidar-se. Passou a ser a minha escolha principal por tudo o que conheço do curso e pelas saídas profissionais que apresenta. Se Portugal está cheio de licenciados em Direito? Sim, entupido mas o mercado é demasiado imprevisível para fazer uma escolha baseada nisso mesmo. Acho que a escolha do curso deve assentar em dois pilares, sendo que um deles é mais fundamental que outro: o gosto pela área que se escolhe e a saída profissional sendo que eu considero que o gosto pelo curso é mais importante. No início do post disse que podia ser uma futura estudante de Marketing. Foi a minha terceira opção. Como surgiu? Não sei bem, surgiu depois de algumas conversas e de algumas leituras. O marketing é uma área em ascensão e muito interessante, muito ligada à criatividade sem ser apenas baseada nisso. Corrijam-me se estou em erro por favor. Depois de perceber quais os cursos que iam fazer parte da minha candidatura, tive de escolher a instituição. Mais uma vez, auxiliei-me de algumas opiniões alheias. Eu queria ir para longe, mas queria ficar em casa. Como li em algum lado, eu queria ir para um sítio suficientemente longe para poder dormir lá mas suficientemente perto para ver o Vitória no estádio. Para além da distância também tentei pesquisar a taxa de empregabilidade em cada universidade nos cursos que me interessavam. No entanto acabei por cair em mim e perceber que o profissional e a pessoa que eu sou será muito mais importante do que o sítio onde eu estudei. As minhas opções foram: Direito (regime pós-laboral e diurno) e Marketing na Universidade do Minho, Direito na Universidade do Porto e na Universidade Nova de Lisboa e, na última opção, decidi-me a pôr Ciências da Comunicação na UM. Assim que submeti a candidatura não senti alívio, mas sim um peso nas costas. Tenho medo de qualquer opção, mas sinto-me decidida a fazer o melhor de qualquer uma delas!

Até agora disse mais coisas do que o que tinha planeado no início. Estou a escrever quase à 2 horas. Se chegaram aqui eu gabo-vos a insistência em ler o que escrevo. Vamos ao último esforço. O meu intuito inicial era falar da falta de acompanhamento e informação que os alunos têm. Eu sei, no 12º ano já não somos meninos de colo e já podemos procurar a informação por nós próprios. Isso é totalmente verdade. No entanto não há assim tanta informação quanto isso. Para começar, como alunos não temos ideia do que cada curso realmente é e se realmente é aquilo que queremos fazer para o resto da vida. Ninguém sabe quais são os procedimentos a tomar antes de ir para a universidade, os papeis necessários, como fazer a candidatura, o que fazer depois da candidatura. Em tom de brincadeira já disse que isto é uma forma de nos preparar para a universidade porque, segundo os universitários, depois de começar é cada um por si. Eu senti-me desnorteada quando tive de tomar uma decisão tão importante como esta. Afinal vou para o desconhecido, seja qual curso for. Não sei o que é, não sei o que poderá ser depois. Tudo o que sei foi do que encontrei online ou o que ouvi de quem frequenta o curso. Não sei nada mais.

O que sei é que a formação e a educação são fundamentais. Estudar não fica barato, mas é, em qualquer altura, uma mais valia. E eu estou disposta a apostar na minha formação. Neste momento a minha ideia é licenciar-me numa área e tirar o mestrado noutra área, uma área complementar e que me abra mais portas a nível profissional. Tenho a ambição também de aprender tantas línguas quantas me for possível, porque nos dias de hoje falar muitas línguas é de tremenda importância.

Acho que por hoje já falei de mais. Neste momento sinto que estou prestes a entrar numa fase nova da minha vida em que tudo será mais difícil mas que compensará todo o trabalho investido. Mais do que um "canudo", importo-me com a minha formação como pessoa. Acho que é importante ser persistente, ser empreendedor e remar sempre contra a maré. Se as perspectivas são más, é preciso saber dar a volta com muita criatividade e paciência. O mais importante de tudo é não se acomodar, é insistir e persistir porque um dia as coisas acabam por funcionar. Pelo menos é esta a minha visão de pré-universitária. A ver vamos!