Mostrar mensagens com a etiqueta cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cinema. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sétima Arte | Whiplash

Dos oito filmes nomeados para a categoria principal na cerimónia dos Óscares já só me falta ver dois: BoyhoodThe Grand Budapest Hotel. A cerimónia é já daqui a algumas horas e eu tinha a ambição de ainda ver estes dois filmes que faltam e escrever sobre todos eles no blogue antes da cerimónia. No entanto e apesar de não parecer eu tenho uma vida para além de ver filmes (e gripe, também tenho gripe) portanto esta ambição não dá para mais nada do que um bom guião para Mission: Impossible 6. No entanto, venho aqui deixar as minhas apostas!
O menos conhecido dos nomeados é provavelmente Whiplash e admito que também me poderia passar despercebido se não fosse esta nomeação, mas era um verdadeiro desperdício até porque junta duas das melhores coisas da vida: música e cinema. Para além de ser o menos conhecido, é também o mais diverso e "a lufada de ar fresco" entre todos eles porque é muito diferente e ao mesmo tempo muito agradável. É o género de filme que me faz apaixonar e que, na minha opinião, tem a chave para o sucesso: baixo orçamento, bom guião e bons actores. Para além disso, é escrito e realizado por um jovem de 30 anos (feitos em Janeiro): Damien Chazelle.
Dizer que o filme é sobre jazz e músicos (como já li) era demasiado injusto. O filme é uma metáfora para a vida, contada através da história de Andrew Neiman (Miles Teller), um talentoso miúdo de 19 anos, que deseja tornar-se um baterista tão grandioso como o seu ídolo: Buddy Rich. Para realizar esse sonho, ingressa na melhor academia de música de Nova Iorque.
O seu talento é inegável e por isso Fletcher (J.K. Simmons), o mentor da banda de jazz que não compactua com nada inferior à perfeição e que se revela brutalmente exigente com os seus alunos, levando-os repetidamente aos seus limites físicos e psicológicos para que estes possam atingir o seu máximo potencial, recruta Andrew para baterista secundário, mas facilmente se percebe que o seu talento é demasiado grandioso para ficar à sombra.
Miles Teller e J.K. Simmons enchem o ecrã e são, para mim, uma grande surpresa. Acredito que Miles tem em Whiplash o papel que o vai catapultar para uma grande carreira porque tem um desempenho fantástico, com direito a lágrimas, suor e sangue de verdade (Miles Teller é um baterista autodidacta e a maioria das cenas foram mesmo gravadas com ele e o sangue é mesmo real). Nota-se o quão comprometido está com a sua personagem e a partir do primeiro minuto vê-se Miles florescer de uma forma incrível. J.K. Simmons é o actor secundário, mas dizer que é secundário é ser irrealista. O seu papel de vilão é magistralmente cumprido e apesar de ser uma personagem muito pouco amigável, é impossível não criar uma simpatia (antagónica) por ele. Fletcher representa a voz dos que nos puxam aos limites, muitas vezes de forma exagerada e absurda que nem parece real. Damien, o realizador, disse-lhe que não queria mais ver um ser humano no ecrã, queria ver um monstro, um gárgula, um animal.
 Whiplash é frenético do início ao fim, a edição é um espelho perfeito do jazz. Tem o tempo perfeito porque todas as cenas são essenciais e importantes (até os episódios do romance que é pouco explorado me parecem proeminentes para cortar a tensão que se vai sentindo ao longo de todo o filme). Apesar de já ter ouvido algumas críticas negativas relativamente ao final, eu acho que não podia acabar de outra forma porque percebemos que ambos conseguem atingir os seus sonhos e isso é a parte mais importante, é o ponto fulcral do filme.
Como disse antes, este filme é uma metáfora para a vida. É impossível alcançar a grandiosidade que todos procuramos (eu sou da opinião de que o ser humano é obcecado com a grandiosidade) sem sair da nossa zona de conforto, sem nos levarmos aos nossos limites, sem suor e lágrimas e sangue. Não se pode chegar a um destino diferente daquele onde nos encontramos se formos pelo mesmo caminho. É sobre isso que este filme é!

P.S.: Whiplash foi inicialmente apresentado como uma curta-metragem de 18 minutos no Sundance Film Festival em 2013 por falta de orçamento. Levou o prémio para casa e conseguiu um orçamento de 3,3 milhões de dólares, o orçamento mais baixo entre os nomeados (Boyhood - 4 milhões; The Imitation Game - 15 milhões; The Theory of Everything - 18 milhões; Birdman - 18 milhões; Selma - 20 milhões; The Grand Budapest Hotel - 30 milhões; American Sniper - 58,8 milhões). Foi filmado em apenas 19 dias e ficou pronto em sensivelmente 10 semanas. Tinha tudo para dar errado, mas deu tudo certo. 




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sétima Arte | The Theory of Everything

Começa a minha corrida aos Óscares (a minha única corrida porque sou demasiado preguiçosa para ir, literalmente, correr), isto é, ver os filmes todos antes da entrega dos ditos cujos para fazer as minhas apostas com antecipação (apostas comigo própria, tenho de ser sincera). O ano passado não consegui o meu objectivo e ficou um ou outro para trás, ainda assim acertei nas categorias de melhor filme, melhor fotografia, melhor actriz, melhor actriz secundária, melhor actor e melhor actor secundário. Podem dizer que sou uma craque nesta área, eu deixo!! (Eu não sou uma grande adepta da Academia por diversos motivos, acho que ainda não nomeiam nem premeiam os melhores; e porque nunca deram um Óscar ao Leonardo DiCaprio, que já merecia! No entanto acho piada à cerimónia como não podia deixar de ser de uma apaixonada por cinema como eu)
Na corrida a 5 óscares (melhor fotografia, melhor actor principal, melhor actriz principal, melhor banda sonora e melhor argumento adaptado), The Theory of Everything é baseado nas memórias de Jane Wilde Hawking, a primeira mulher de Stephen Hawking, por isso podemos esperar que o filme seja centrado na união de ambos e não só em Stephen Hawking. No entanto, também não se foca só no casamento de ambos. Nem só na doença ingrata que lhe é diagnosticada aos 21 anos de idade e com um futuro de sucesso pela frente. Acho que é isso que faz o filme tão maravilhoso, o facto de não se centrar apenas num aspecto da vida deste ser humano maravilhoso e cheio de coragem que nunca desistiu por mais obstáculos que a vida lhe colocasse. Isso e a interpretação sublime de Eddie Redmayne que merece o Óscar (e sim, tenho consciência de que estou a dizê-lo sem ver a interpretação dos outros nomeados mas quem já viu este filme compreende-me perfeitamente: Eddie está para lá de perfeito e para eu achar que alguém é mais merecedor do que ele é preciso ser uma interpretação do outro mundo, acreditem! Já o tinha visto em My Week with Marilyn e tinha gostado do seu desempenho mas fiquei positivamente surpreendida.). Felicity Jones, que interpreta a incansável e apaixonada mulher de Stephen, tem também um desempenho positivo mas, e esta é a minha opinião pessoal, Rosamund Pike em Gone Girl (já vi e espero falar-vos dele brevemente) está à frente na corrida.
Este é aquele tipo de filme que eu não queria ir ver ao cinema. Não me recusava a ir, no entanto é íntimo e pessoal. É o género de filme que eu prefiro ver no conforto da minha casa porque me tira o conforto, porque me inquieta. Quando comecei a ver o filme, outro me surgiu imediatamente: A Beautiful Mind, a biografia de um brilhante matemático protagonizado por Russell Crowe e um dos meus filmes preferidos e fiquei receosa de não me conseguir desligar de forma a apreciar o filme da melhor forma possível. A verdade é que depois de 10 minutos tudo isso me passou da cabeça e comecei a apreciar o filme e a perder o conforto, que é o que eu mais gosto quando estou a ver um filme: posso até gostar de filmes que não mexam comigo, aqueles que dão para entreter, os que eu digo serem de domingo à tarde mas nada me faz mais feliz (ou poucas coisas, vá) do que ver um filme que me deixa com 37829 pensamentos em simultâneo na cabeça. The Theory of Everything é bom, é poderoso e intenso. Conhecemos Stephen, um jovem brilhante de 21 anos que com pouco esforço consegue fazer coisas absolutamente extraordinárias. No entanto, surge na sua vida uma adversidade que, segundo conceituados médicos, lhe roubará a vida em dois anos, roubando-lha um bocadinho a cada dia que passa. Essa adversidade é uma doença degenerativa, a injusta e ingrata Esclerose Lateral Amiotrófica. A doença afecta-lhe o corpo, rouba-o, põe Stephen numa cadeira de rodas mas não afecta o seu cérebro (a ELA afecta os músculos, inclusive faz com que o doente não consiga respirar ou engolir sem ajuda, mas não afecta o sistema nervoso central portanto o raciocínio continua a funcionar a 100%) e por isso continua a ser brilhante, a nunca desistir daquilo que quer provar, a ser incansável e melhor a cada dia - mesmo que seja complicado percebê-lo. Para isso conta com a ajuda da sua incansável mulher, Jane.
No entanto o filme podia ser mais profundo, pois passa ao lado de aspectos importantíssimos e que só faria o filme ganhar. Há perguntas sem resposta: o casamento de Jane e Stephen era perfeito? Eles nunca discutiam? Qual era a forma que Stephen usava para continuar a trabalhar? Como era a sua vida sexual (eles têm três filhos, mas é só isso que sabemos)? Como é que Stephen se sente quando vê o seu corpo e as suas capacidades de se expressar livremente serem roubadas para além do seu bom humor (ao longo do filme percebemos que apesar da sua condição, Stephen é tem um bom temperamento e consegue brincar com a sua doença)? Há ideias que gostava que fossem desenvolvidas, ou melhor desenvolvidas. Apesar disso há um tema que é desenvolvido e que é extremamente interessante: a relação a dois que passa a ser a três. Quando Jane se encontra exausta da situação aparece Jonathan, que se torna membro da família, é parte da mobília. Desenvolve-se uma relação muito singular e muito invulgar e à qual é importante ter atenção.
É um dos filmes que certamente vou rever. É sobre amor, sobre a vida, sobre a doença, sobre as batalhas que constantemente temos de travar. É sobre alguém a quem todos nós devemos buscar ensinamentos porque Stephen Hawking é um exemplo de força e uma fonte de inspiração.

P.S.: Não consigo deixar de rever mentalmente a última cena do filme, tão bonita, tão espectacularmente diferente, tão inspiradora.




segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sétima Arte | The Giver


Uma sociedade utópica e futurista. É a premissa para o filme The Giver, realizado por Phillip Noyce. O filme é uma adaptação do livro homónimo escrito por Lois Lowry. Conta com um elenco secundário de grande qualidade: Jeff Bridges e Maryl Steep.
Este mundo é organizado em comunidades lideradas por anciãos (a líder é a personagem interpretada pela Maryl Streep) onde ninguém tem um sobrenome e seguem religiosamente uma série de regras fundamentais que lhes garantem uma sociedade igualitária. Regras como uma hora de recolher obrigatório e não haver contacto físico entre pessoas fora do seio familiar e em público. O mundo é monocromático e frio. Quando nascem, as crianças são designadas para uma família e depois de se graduarem é-lhes designado um trabalho que se ajuste às suas capacidades. Neste mundo não há guerras, não há doenças, não há dor. Neste mundo também não há cor, nem música, nem amor. Tudo é escondido por detrás da "Precisão de discurso" de que todos falam. Não há tristeza, nem felicidade. É tudo cinzento. Apenas uma pessoa tem acesso a todas as memórias do mundo: o receptor de memórias.
O filme testemunha o momento em que o receptor de memórias tem de passar os seus conhecimentos e as suas memórias a outra pessoa. Passa, portanto, a ser o Doador (Jeff Bridges). E é Jonas (Brenton Thwaites) o designado para a missão de receber as memórias do mundo.
É, antes de começar esta jornada, avisado para a dificuldade da missão, mas julga-se preparado. Então Jonas conhece as cores, os sons, a música, a neve. Aprende o que é o amor. Conhece as coisas boas do mundo. Infelizmente, o mundo não é um mar de rosas e Jonas conhece também a crueldade do mundo. A guerra, a dor, o sofrimento. Apesar de tudo isso, Jonas acha que é injusto o mundo não poder desfrutar de todas aquelas coisas e vai lutar até conseguir proporcionar a todas as comunidades todas essas sensações.
O filme tem um tom filosófico. Apesar de ser um filme de ficção científica deixa-nos com várias questões na cabeça, para reflectir. Será que estaríamos dispostos a viver num mundo despido das coisas boas só para não ter as más? Será que estaríamos dispostos a viver numa sociedade tão fria em que éramos obrigados a tomar uma injecção todas as manhãs para não sentir nada? O que seria melhor? E será que nós não vivemos cada vez mais numa sociedade uniformizada? Controlada?
Não é um filme brilhante, não é. Mas dentro do género é um filme que vale a pena ver. O filme conta ainda com participações de caras conhecidas como Katie Holmes e Taylor Swift.






segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sétima Arte | A Walk Among the Tombstones


Matt Scudder (Liam Neeson) é um reformado detective que agora "faz favores às pessoas em troca de presentes", isto é: trabalha como detective para sobreviver. E o filme gira à volta de um dos seus trabalhos: é contratado por um dealer, Kenny Kristo (Dan Stevens), para descobrir quem raptou e matou a sua mulher.
Relutante, Matt aceita o desafio. Desafio esse que se revela não ser muito simples e que se torna uma corrida contra o tempo.
A acção passa-se nos anos '90 em Nova Iorque e parece, de facto, ter sido filmado nessa altura. Não é o filme indicado para quem procura cenas de tiroteios e pancadarias, tem até uma primeira parte parada e sem grande acção. A história não traz nada de novo aos filmes do género e parece-me que apresenta algumas falhas mas consegue, totalmente, prender o espectador ao ecrã. Mais uma vez, não me parece que seja um filme inesquecível ou que vai ficar na história. É um filme que entretém agradável mas que não nos traz nada de novo.
Já li alguns artigos que comparam este A Walk Among the Tombstones com o The Equalizer. Apesar de entender que se possa comparar os protagonistas: são ambos heróis justiceiros que se debatem com os seus demónios e que se reformaram de profissões semelhantes, não me parece que se possa dizer que se querem colocar no mesmo patamar. O The Equalizer é mais ao estilo de ser um blockbuster de Hollywood do que este.
É um bom filme e que carrega uma atmosfera pesada. Essa atmosfera é cortada com alguma ponta de humor pelo sócio de Matt: TJ (Brian 'Astro' Bradley).
Como disse anteriormente, não é um filme que vai ficar para a história. Mas recomendo-o. É um bom filme para um domingo à tarde, para descomprimir. No final não ficamos com nenhum aperto no coração ou com o mundo sobre as costas. É só um filme, que está na categoria de mediano bom. Não ficamos nada desagradados no final, no entanto também não ficamos com a sensação de que acabamos de ver uma obra de arte inesquecível, porque não vimos.





sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sétima Arte | Yves Saint Laurent

O filme Yves Saint Laurent, de 2014, é diferente do que eu estava à espera. Esperava ver um filme centrado na parte da sua vida mais ligada à moda, mas o enfoque vai mais para a sua vida, o seu íntimo, a sua loucura e a sua vida amorosa com Pierre Bergé (Guillaume Gallienne).
Conhecemos Yves (Pierre Niney), nascido na Argélia, com apenas 21 anos, quando é nomeado director criativo da Dior, após a morte de Christian Dior. Yves revela-se um jovem tímido, que apenas quer desenhar.
Para além de trabalhar na magnífica casa Dior, uma das mais consagradas do mundo, tem ao seu lado aquele que será sempre o seu parceiro na vida, mas também o seu parceiro no mundo da moda: Pierre.
Quase tudo muda quando Yves é internado numa clínica psiquiátrica como maníaco-depressivo. É despedido da Dior mas Pierre mantém-se ao seu lado e é ele quem ajuda a construir a Maison YSL, assim como a proteger e promover Yves.
Mais tarde, conhecemos outro Yves Saint Laurent, com quebras emocionais, a abusar das drogas e do álcool. Pierre continua ao seu lado e é ele quem o mantém no caminho certo para produzir grandes espectáculos e revolucionar a moda feminina (o espectador tem a oportunidade de ver o momento de inspiração que conduziu Yves a produzir o icónico vestido Mondrian e também a forma arrojada de como foi promovido o smoking feminino).
Yves Saint Laurent foi um génio que lutava contra os demónios, um revolucionário na sua arte e que, tal como Pierre Bergé conta ao espectador, "só ficava feliz duas vezes no ano, na Primavera e no Outono" quando apresentava as suas colecções.
As interpretações de Pierre Niney e Guillaume Gallienne são boas, não deixam nada a desejar. Podemos ainda ver um bocadinho da convivência entre Saint Laurent e o ainda polémico Karl Lagerfeld (Nikolai Kinski), ainda que seja só em termos pessoais, sem tocar na parte profissional e competitiva entre ambos. E o filme é delicioso aos olhos: recheado de classe, luxo, mansões extraordinárias, vestidos sumptuosos, imagens de Yves e Pierre em Marrocos. Não posso deixar de apontar, pelo lado negativo, o facto de às vezes o filme parece saltar muitas coisas; fiquei com a ideia de que haviam algumas cenas soltas, que devia ter ali "qualquer coisa" a ligá-las.
O filme não é incrível e memorável, mas é um filme bonito. Sim, um filme bonito que poderia muito bem chamar-se Je suis Saint Laurent, porque temos a oportunidade de conhecer o génio perturbado de Yves Saint Laurent através de uma carta escrita pelo homem que melhor o conhecia, a sua cara metade, Pierre, que nunca sai do seu lado.






segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sétima Arte | The Equalizer

Este é o filme que tem tudo para dá certo, mas só dá mais ou menos certo. E porque é que tem tudo para dar certo? Porque junta a dupla do magistral filme de 2001 Training Day: Denzel Washington (valeu-lhe o Óscar de Melhor Actor) e Antoine Fuqua.
O filme dá-nos a conhecer Robert McCall (Denzel Washington), um homem  que tenta deixar o passado para trás, vivendo uma vida recatada e meticulosa (a forma como ele organiza sempre todos os objectos à sua volta leva a crer que sofre de algum transtorno). Robert tem conversas de circunstância com Teri (Chloë Grace Moretz), uma prostituta ao serviço da máfia russa (sim, os russos são os vilões, uma coisa nunca antes vista em filmes norte-americanos!). Depois de Teri ser brutalmente espancada pelo seu patrão, Robert sente-se na obrigação de a ajudar a sair daquele mundo e volta ao seu antigo eu, tornando-se num justiceiro que vai assassinando os maus da fita a sangue frio.
Apesar do filme ter exactamente duas horas e onze minutos, o tempo passa rápido. Não sendo propriamente uma crítica, a maioria das falas parece que foram retiradas de um livro de auto-ajuda. Robert é capaz de ser dos personagens mais badass que já vi e que mantém sempre o rosto mais calmo do mundo mesmo quando está em situações em que o mais comum dos mortais tinha vinte ataques de pânico consecutivos (e não é um ponto negativo, acho até que faz com que as cenas de acção sejam mais intensas). Denzel Washington está bem mas esta não é, de todo, a sua melhor prestação. Apesar de não ser um filme brutal, é um filme que dá para entreter sem margem para dúvidas e que tem alguns pontos bastante curiosos; gosto muito da fotografia e do facto de ser um filme que se passa quase sempre à noite. Vou, certamente, ver o The Equalizer II.
P.S.: A cena de acção no final do filme, que se passa no local de trabalho de Robert, é das melhores cenas de acção que eu já vi. A sério!



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sétima Arte (e carros) | Need For Speed

O título dá o mote para o filme. Esperam uma história absolutamente espectacular? Eu também não. Pelo nome dá para perceber que o filme vai ser passado atrás do volante.
A história é simples, cliché e forçada. Tobey Marshall (Aaron Paul) é dono de uma oficina que está prestes a perder devido a problemas financeiros e participa em corridas de rua. Tem uma rivalidade antiga e intensa com Dino Brewster (Dominic Cooper), corredor de carros profissional. Tobey recebe uma proposta de Dino que aceita, assim como a sua equipa de amigos muito leal. Outra corrida ilegal. Morte de um dos participantes. Outro é preso, injustamente. É libertado com sede de vingança, uma viagem pelos States com um romance forçado pelo meio e o desenlace da história. Sim, a história é assim simples, cliché e vulgar. Nada que me tivesse incomodado. O que eu queria era ver carros, daqueles lindos e que me deixam apaixonada.
E é difícil não reparar neles. Dão nas vistas. E se dão! E neste aspecto as fotos são mais importantes do que as minhas palavras. Por isso fiquem com estas belezas, que são as personagens principais do filme (e que cumpriram todos os requisitos!):

Lamborghini Sesto Elemento. Já é um amor antigo meu. Sou fã da Lamborghini e o Elemento é absolutamente encantador. A carroçaria é em fibra de carbono, pesa 1000 quilos e tem cerca de 570 cavalos. Gostava muito de ver um ao vivo, porque acredito que seja um carro como não há outro igual. Talvez o meu preferido.
McLaren P1: este carro se fosse uma mulher era, com certeza, uma morena com curvas espectaculares, linda e inteligente. O design é magnífico. Atinge os 350 km/h. Tem um motor a gasolina e outro eléctrico. Eu disse: linda, inteligente e espectacular. Não se deixem apaixonar (só poderão assumir a relação se desembolsarem a (módica) quantia de 1,5 milhões de dólares... eu avisei!).
Ford Mustang Shelby GT500 (modificado): o carro que Tobey usa a maioria do filme e que protagoniza a cena num dos lugares mais bonitos dos EUA: o Grand Canyon. Esta beleza em tons prata e azuis tem, nada mais nem menos do que 900 cavalos. Não há nada que não goste. Sinto que podíamos ser os melhores amigos.
Bugatti Veyron Super Sport. Não sou a maior entusiasta da Bugatti mas admito que é um carro absolutamente espectacular e maravilhoso. Se fosse um homem (e sim, podia ter um encontro com a McLaren P1) aposto que era um cinquentão muito charmoso e muito bem vestido. Esta beleza preta e laranja tem uma velocidade máxima de cerca de 415km/h, tem 1200 cavalos. Posso não ser a maior entusiasta, mas não lhe dizia que não...
Koenigsegg Agera - Standard. Este menino aqui (tem mais dois irmãos, já lá vamos) tem 940 cavalos e pode atingir até cerca de 420km/h. Preciso de dizer mais alguma coisa? Não, mas vou dizer na mesma. Então, a carroçaria é feita de fibra de carbono, o motor é de alumínio e o depósito é construído dentro do chassis permitindo uma melhor distribuição do seu peso. Inovação podia ser o seu nome do meio! (E paga-se por ela, este sueco tem o custo de 2 milhões de dólares).
Koenigsegg Agera R. Com uns impressionáveis 1140 cavalos e com uma velocidade máxima (teórica) de cerca de 440km/h, é o irmão bonzinho do nosso amigo branco em cima. É amigo do ambiente e pode ser unicamente conduzido com biocombustível. Este bebé consegue uma melhor performance com E85 (combustível que consiste na mistura de 85% de etanol (sem água) e 15% de gasolina pura) do que com gasolina normal. 
Koenigsegg Agera S. O irmão do meio com 1030 cavalos, e com uma velocidade máxima (teórica) de, assim como o irmão R, cerca de 440km/h. Este carro foi construído em especial para ser comercializados em países como os EUA que não têm quantidades abundantes de biocombustível/E85. Este e o R são irmãos gémeos falsos: têm as mesmas especificações com a ligeira diferença de que este é unicamente conduzido com gasolina normal (e por isso, tem menos cavalos). Este aqui é o mais baratinho de todos: custa  1,6 milhões de dólares. Qualquer um destes irmãos são muito inovadores mantendo um design espectacular!
GTA Spano. Este bebé amarelo (uma das minhas cores favoritas) é espanhol e exclusivo, uma vez que só foram produzidos 99 carros. Os afortunados têm direito ao poder de 900 cavalos e a chegar aos 400km/h. Querem boas notícias? Correm notícias de que a marca está a trabalhar num modelo de edição ainda mais limitada e com o poder de 1200 cavalos. Vamos esperar para ver, por enquanto podemos sonhar com esta beleza.
Durante o filme há ainda outras personagens importantes sobre rodas. Não vamos esquecer os clássicos: Pontiac GTO de 1967, Ford Bronco "Big Oly" de 1971, Porsche 944 S de 1987, Ford Torino GT de 1969, BMW 2800 CS de 1969 e o Chevrolet Camaro SS 396 de 1968, entre outros. No closet feminino estes são os vestidos pretos indispensáveis, no closet masculino podem materializar-se num fato elegante que nunca compromete.

E agora vou apresentar-vos o carro que é, talvez, o mais fulcral no filme e a quem ninguém dá crédito. Podem ver o filme as vezes que quiserem que ele simplesmente não vai aparecer. Aqui está ele, em frente às câmaras:
Ferrari 458 Itália. Quem achavam que tirava as fotos de família? Tinha de ser alguém com igual qualidade. Com 560 cavalos e a atingir os cerca de 325km/h está todo artilhado para nos oferecer imagens de qualidade das corridas que nós adorámos? Nós não o vemos, mas não podemos desvalorizar, de forma nenhuma, a sua presença!
Agora umas notas finais sobre o filme em geral. Vale a pena por causa dos carros e da velocidade, da junção dos clássicos muscle cars com os super-carros europeus. Para quem gosta muito vale totalmente os 132 minutos de filme. E esse tempo todo é um dos pontos negativos: é um filme muito longo em que há algumas cenas que não acrescentam muito. Quem vê este filme (eu incluída) pretende ver carros e não um romance forçado ou cenas de comédia que não têm assim tanta piada. Outro ponto positivo é a posição das câmaras. O espectador tem planos fabulosos. Alguns dos quais dão-nos a sensação de que estamos ao volante do Mustang!

P.S.: Este post deu-me imenso prazer de escrever e muito trabalho. Apesar de gostar muito de carros, sou mais uma apreciadora do design e não sou tão perita nas especificações dos carros. Por isso fiz uma enorme pesquisa para encontrar dados para incluir aqui. Deu muito, muito trabalho mas fiquei muito feliz com o resultado final. Aos peritos: se detectarem algum erro, eu agradeço imenso um comentário que o identifique e explique. Vamos aprendendo uns com os outros! Espero, sinceramente, que vocês tenham tanto gosto a ler como eu tive em escrever! 

P.S.2: Mais de 15 dos super-carros que fazem parte do filme foram construídos em menos de seis meses pelo custo de 2 a 3 milhões de dólares. Como é óbvio, são réplicas uma vez que muitos deles foram destruídos durante as filmagens (e era demasiado mau destruir os carros originais). Por outro lado, a Ford trabalhou com a produção do filme para construir o Mustang especialmente para este filme.

Para terminar deixo-vos ainda um pequeno vídeo que fala e mostra, de forma muito reduzida, a construção destas réplicas:

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sétima Arte | Lucy

Nas últimas semanas, quando se fala de cinema, o filme Lucy tem sido sempre tema de conversa. Ontem, devido ao estado do tempo (chuva em Agosto, adoro) decidi ir ao cinema e escolhi este filme. E não estou arrependida. O filme tem uma fotografia maravilhosa e ultimamente a fotografia de um filme é o que mais me atrai para ir ao cinema.
Quanto ao filme, parte do mito de que nós apenas usamos 10% das capacidades do nosso cérebro e daquilo que poderia acontecer quando alguém atinge a sua capacidade total. O mesmo mito dá mote a um filme protagonizado por Bradley Cooper: Limitless (que eu também já vi). Apesar de o assunto ser o mesmo em ambos os filmes, as histórias seguem rumos completamente diferentes.
Scarlett Johansson é Lucy, uma rapariga normal que é forçada a fazer a entrega de uma mala (sem saber o seu conteúdo) num hotel. Nessa mala está uma droga experimental que é depois introduzida no estômago de Lucy e mais três pessoas para ser traficada para a Europa. Só que o saco rebenta fazendo com que a droga se espalhe no seu sangue dando-lhe poderes extraordinários. Lucy não sente dor, lembra-se de todas as suas memórias, tem poderes sobre si e sobre os outros, entende outras línguas que não compreendia antes, consegue ler a mente dos outros, viajar no tempo, entre outras coisas que não estão acessíveis ao mais comum dos mortais. Conforme a sua capacidade cerebral aumenta, a história vai sendo intercalada com explicações do Professor Norman (personagem interpretada pelo maravilhoso Morgan Freeman) e por imagens da vida animal.
A partir de um certo tempo do filme, as coisas começam a ficar demasiado surreais sendo que Lucy consegue derrotar quem lhe quer fazer fisicamente mal com apenas um estalar de dedos.
Apesar disso, considero que é um filme que vale a pena ver. Pela fotografia, pela banda sonora que é cativante e encaixa perfeitamente na extravagância do filme e muito por causa da sempre maravilhosa Scarlett Johansson, o papel assenta-lhe na perfeição e é sempre um prazer vê-la no grande ecrã, desta vez no papel de uma badass.
Pelas razões que já enumerei, recomendo o filme mas com alguma moderação porque tem cenas também que para mim são completamente descabidas e arriscava mesmo a dizer que roçam ali no estúpido. No entanto vale a pena ver porque é envolvente, apesar da sua extravagância, quando capta a atenção do espectador consegue-a até ao fim e também pela Scarlett (já tinha dito que ela é maravilhosa?).







P.S.: Apesar de já não ser a primeira vez que a teoria de que os humanos usam apenas 10% do seu cérebro é retratada no cinema, já foi provada, pela comunidade científica, ser errónea. Todos nós usamos a totalidade do nosso cérebro (às vezes ninguém diria mas isso é outro assunto). No entanto, considero que esta ideia é interessante. O Homem já é capaz de fazer e construir coisas absolutamente estonteantes, se isso fosse alcançado com apenas 10% do seu cérebro, era incrível o que poderia ser alcançado se alguém conseguisse chegar aos 100%. Quanto ao filme e uma vez que a teoria não é real, o realizador, Luc Besson, dá-nos a entender que quer que façamos uma viagem para fora da vida real. Nem que seja por uns meros 89 minutos.

P.S. 2: Como era de prever, uma vez que ambos os filmes partem da mesma premissa, há uma grande comparação entre Lucy e Limitless. Como já disse, considero-os bastante distintos por diversas razões. Ambos têm os seus pontos fortes e fracos. Se tivesse de eleger um, optaria por Limitless. É mais terra-a-terra do que Lucy apesar da teoria ser a mesma (e não ser correcta) e por isso é mais o meu estilo de filme. Ainda assim, recomendo ambos os filmes.

terça-feira, 12 de agosto de 2014


Não vi todos os filmes de Robin Williams, mas um dos meus filmes preferidos tem este senhor num papel relevante: Good Will Hunting (em português: O Bom Rebelde). Um extraordinário filme de 1997.
E é assim que recordo Robin Williams. Foi encontrado morto. O cinema perde mais uma estrela, mais um símbolo de cultura ímpar.
Rest in Peace, Robin.